Quando eu “liguei a enxuta”

10 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

Depois da hilária série “Top 10 – Humilhações”, com posts sobre os maiores vexames dos grandes clubes brasileiros, o Impedimento lançou uma nova, dedicada apenas ao que o torcedor mais faz no futebol, além de torcer: secar.

Cheguei a fazer uma lista preliminar das minhas maiores secadas, mas agora a completo. E boa parte das referentes ao Inter é dessa década: afinal, os anos 90 foram gremistas, não era preciso secar muito… Era muito fácil o Inter perder quando os colorados mais acreditavam naquele ditado de que “agora, vai”.

Vale a pena chamar a atenção também que não só o Inter foi alvo da minha secação, como vocês verão – e elas nem sempre aconteceram por motivos meramente futebolísticos. Mas nenhum time foi mais secado do que o da beira do rio, afinal, eu tenho “inimigo na trincheira”: modéstia a parte, eu sou um herói por aguentar o meu irmão Vinicius (colorado mais chato da face da Terra) por tanto tempo sem lhe dar sequer um soquinho. Creio que a melhor maneira de suportar isso é… Secando!

Então, vamos ao meu “Top 10 – Secadas”.

10. Flamengo 1 x 0 Inter (13/12/1987)

Eu assisti o jogo decisivo do Campeonato Brasileiro junto com o meu pai e o meu irmão, os dois colorados. Se bem que o meu irmão tinha só 2 anos e meio, assim, ainda não incomodava.

Não que tenha sido uma grande secada, mas é a mais antiga que eu lembro, então precisa estar na lista.

9. Bragantino 1 x 0 Inter (24/11/1996)

Essa entra não tanto pela secada, e sim pelo “ato coletivo”.

Jogavam Grêmio e Goiás no Estádio Olímpico, e ao mesmo tempo, Bragantino e Inter em Bragança Paulista. Já classificado para as finais do Campeonato Brasileiro, o Grêmio jogou um dos piores primeiros tempos que já vi (provavelmente foi o pior daquele glorioso ano de 1996), foi para o intervalo levando 3 a 0, debaixo de vaias. Um vexame digno do “Top 10 – Humilhações” parecia se anunciar. Mas aquele era o Grêmio do Felipão. Sabe-se lá que impropérios o treinador falou no vestiário, mas o time voltou melhor no segundo tempo, e até fez um gol. O Goiás seguia na frente, com 3 a 1 no placar.

Porém, naquele momento a atenção se voltava a Bragança Paulista. O Inter precisava vencer um adversário já rebaixado para também ir às finais – se empatasse dependeria de resultados paralelos (dentre os quais, uma vitória do Grêmio seria bem-vinda). Os colorados já se sentiam jogando em Tóquio em dezembro de 1997. Só esqueceram de avisar o Bragantino, que venceu por 1 a 0.

No Olímpico, o jogo já era burocrático: o resultado era bom para o Goiás, que se classificava; e o Grêmio só esperava seu adversário nas quartas-de-final. E ainda por cima, o Inter estava fora. Numa jogada de mestre, o responsável pelo placar do Olímpico fez com que o letreiro passasse a exibir os dizeres “TORCEDOR GREMISTA, ‘ELES’ ESTÃO FORA”. Assim os gremistas que já pensavam em vaiar o time ao final do jogo (até eu vaiaria!), saíram do estádio felizes da vida, cantando músicas que debochavam dos vermelhinhos.

8. São Caetano 5 x 0 Inter (13/12/2003)

Eu não vi, não ouvi, nem prestei atenção em boa parte deste jogo da última rodada do Campeonato Brasileiro. Tinha uma atividade no PT (velhos tempos de filiado no PT…) que começava aproximadamente junto com o segundo tempo. Quando saí de casa e me dirigi à avenida João Pessoa, o São Caetano já vencia por 1 a 0.

O fato de não ter prestado atenção não queria dizer que eu não desejasse ardentemente a derrota vermelha. Afinal, bastava um empate para o Inter se classificar para a Libertadores de 2004. Um pontinho apenas, e eles fariam o que não conseguiam desde 1993. Seria um péssimo final para o ano do centenário gremista.

Eu também havia sido convidado para ir a uma pizzaria, comemorar o aniversário de uma amiga. A princípio eu não iria. Porém, quando recebi uma mensagem da minha mãe, me informando que o São Caetano havia vencido por 5 a 0, minhas convicções políticas foram vencidas pela fome – estomacal e “flauteal”. Informei que teria de sair, peguei um ônibus e me mandei para a pizzaria. Cheguei lá, e antes mesmo de cumprimentar a aniversariante, mostrei uma mão aberta a um amigo, primo dela, que era colorado…

Ainda bem que no dia seguinte o Grêmio fez 3 a 0 no Corinthians e se livrou do rebaixamento, se não toda essa diversão da véspera teria sido em vão.

7. Fluminense 2 x 1 Inter (01/09/2004)

Sequei muito, mas não adiantou. O Fluminense venceu o Inter por 2 a 1… PERAÍ??? Não tá errado esse troço???

Não: naquela noite, secar o Inter era… Torcer pelo Inter!

O técnico do Inter era Joel Santana. Desde que fora contratado, já se dizia que não daria certo, seu estilo não combinaria com o “futebol gaúcho”.

E de fato, não deu certo. Joel assumiu o time em 6º lugar no Campeonato Brasileiro, e já estava em 18º. Alguns já diziam que ia conseguir acabar atrás do pior Grêmio de todos os tempos. Se perdesse para o Flu, “tchau tchau, Joel”. Se ganhasse, seria ótimo para nós gremistas: o técnico ganharia uma sobrevida, e depois perderia mais umas três ou quatro partidas… Mas, por perder aquela, acabou demitido.

6. Inter 0 x 4 Juventude (02/06/1999)

Algumas horas antes daquele jogo, eu comentei com uma colega do curso de espanhol que eu fazia, colorada: “o Inter não vai perder hoje, vai ser 2 a 2″. De fato, era o que eu torcia que acontecesse, não imaginava uma vitória do Juventude no Beira-Rio. O empate com gols classificaria o Ju para a final da Copa do Brasil, já que o jogo de Caxias havia acabado em 0 a 0.

Tamanho pessimismo antes do jogo fez com que eu soltasse gargalhadas ao final da partida. Principalmente ao lembrar do meu irmão, sempre confiante, que estava no estádio assistindo àquele baile… É bom demais o Inter dar vexame e o meu irmão assistir ao vivo!

5. Inter 0 x 1 Cruzeiro (13/11/2002)

Penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. O Inter estava na zona do rebaixamento, e precisava vencer para não colocar o pé na cova. Os colorados lembravam o jogo contra o Palmeiras, em 1999. Havia uma imensa mobilização deles.

Que não deu certo. O Cruzeiro venceu por 1 a 0, alguns jogadores do Inter já falavam em ficar para jogar a Segundona em 2003, de tão certa que era a queda. No bom e velho portão 8, muitos protestos, e muitas lágrimas.

Em casa, meu irmão tão quieto, mas tão quieto, que chegava a assustar. Nem cheguei a flautear na hora. Decidi guardar as energias para a última rodada.

Eu tinha tanta certeza, que nem fiz força para secar no último jogo, Paysandu x Inter. Já previa uma Série B 2003 com Palmeiras, Botafogo e Inter: apenas dois subiam, assim sobraria um grande para ficar mais um ano no purgatório. Mas eu não contava com a, no mínimo, amarelada do Paysandu, diante de sua torcida em Belém do Pará.

4. Irã 2 x 1 Estados Unidos (21/06/1998)

Esse era o jogo mais aguardado da primeira fase da Copa do Mundo de 1998. Afinal, reunia dois países que estavam há quase 20 anos sem relações diplomáticas. Rivalidade extra-campo entre duas seleções sem tradição no futebol.

Não era admirador do regime teocrático do Irã. Mas também detestava os Estados Unidos e sua política imperialista. Como não eram as palavras em persa que aos poucos iam se incorporando ao dia-a-dia do Brasil, ficou óbvio para quem – ou melhor, contra quem – eu torceria.

E de fato, sequei os Estados Unidos. Bastante no jogo contra o Irã – com direito a muita vibração nos gols iranianos – mas também em toda a primeira fase da Copa do Mundo. A seleção dos EUA perdeu seus três jogos (Alemanha, Irã e Iugoslávia) e ficou em último lugar na Copa.

3. Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro (19/06/1996)

Quando um clube brasileiro disputa a decisão da Libertadores contra um estrangeiro, o doutor em Física Galvão Bueno sempre diz: “fulano é o Brasil na Libertadores!”.

Naquela noite, o Cruzeiro, hoje “Brasil na Libertadores”, era “o Grêmio na final da Copa do Brasil”. Tudo porque na semifinal entre Grêmio e Palmeiras, o bandeirinha anulara um gol legítimo de Jardel. Fiquei com ainda mais raiva do Palmeiras – que eu considerava, à época, o verdadeiro rival do Grêmio, já que o Inter não ganhava nem torneio de cuspe.

E de fato, o Cruzeiro “foi Grêmio” naquela noite. Após a vitória de virada dos mineiros, um de seus jogadores falou que a Raposa havia “vingado o Grêmio”.

No dia seguinte, cheguei cedo à aula. Pouco depois, chegou meu colega palmeirense Giuseppe (que no dia anterior já se dizia campeão), com aquela típica cara de “tive uma noite terrível”. Chovia e fazia frio naquela manhã, tempo perfeito para se pegar uma gripe, então recomendei ao Giuseppe que tomasse um Energil-C: o nome do comprimido de vitamina C estampava a camisa do Cruzeiro campeão.

2. Inter 2 x 2 São Paulo (16/08/2006)

Às vésperas desse jogo, ouvi alguns gremistas falarem em um tal de “ser gaúcho”. O que justificaria… Torcer pelo Inter!

Claro que não engoli tamanha sandice. Afinal, se o São Paulo ganhasse a Libertadores pela 4ª vez, teria todo aquele destaque na televisão, etc., etc., mas a solução para isso era muito simples: desligar a TV. E os são-paulinos, salvo um ou outro perdido por aqui, estão em São Paulo. Já os colorados estão aqui, muitas vezes dividindo o mesmo teto – meu caso. Aguentá-los, não é para qualquer um.

A tarefa do São Paulo era complicada, mas não impossível. Precisava vencer por dois gols de diferença para ser campeão – se vencesse por 1 a 0 nos 90 minutos, haveria mais 30 de prorrogação. Havia esperança.

Que parecia se ir quando o Inter fez 1 a 0. Mas renasceu no início do segundo tempo, com o empate são-paulino. O Inter ainda faria 2 a 1, mas o São Paulo ainda buscou o 2 a 2, faltando poucos minutos – apavorando os colorados e enchendo de esperança os gremistas de verdade. Eu já vislumbrava o Clemer levando o frango da vida dele, e um Beira-Rio inundado de lágrimas.

Mas, o frango não aconteceu, e deu Inter, campeão da Libertadores pela primeira vez. Para escapar da flauta, tive uma boa ideia: cumprimentar os rivais, que ficaram bastante surpresos com minha atitude. Bastante compreensível, afinal, nem tudo estava perdido. Ainda.

1. Ih, cadê a 1???

Esta fica para um post a parte. Primeiro, porque este já está muito grande. Segundo, porque, de fato, merece um post a parte, só para ela.

Não é mentira!

9 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

Após o surgimento da polêmica sobre um mestrado (ou um doutorado?) da ministra Dilma Rousseff que jamais teria sido cursado, tem mais essa. Existia na plataforma Lattes do CNPq o currículo de… Galvão Bueno! O narrador da Globo, pelo documento, seria doutor em Física!

O currículo Lattes é um dos mais importantes documentos para um pesquisador acadêmico: quanto mais extenso – o que não quer necessariamente dizer “melhor” – maior é a chance de se conseguir financiamento para projetos de pesquisa. O exemplo de Galvão Bueno demonstraria o quanto é complicado usar o Lattes – no formato atual – como importante critério, visto que a plataforma seria vulnerável a fraudes.

Cito meu próprio exemplo: se quiser posso adicionar ao meu currículo participações em simpósios inexistentes e fluência em idiomas os mais diversos possíveis, mesmo que não saiba nem pedir água com o uso deles. Eu sou honesto, o problema são os desonestos… Pois em tese, adicionar dados falsos é, obviamente, falsidade ideológica. Mas, dependendo da universidade que o sujeito tentar um mestrado ou um doutorado, pode se traduzir em vantagem, caso as informações não sejam verificadas.

Porém, dizer que o currículo do Galvão Bueno é totalmente falso, também é uma desonestidade. Já toquei no assunto faz mais de dois anos, lembrando a final da Libertadores de 2005, quando o narradoutor demonstrou seu conhecimento de Física. Mas, numa transmissão que mais parecia uma banca de doutorado, foi contestado por seu par, o doutor Arnaldo…

Polícia violenta é pior do que criminoso

6 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

Concordo totalmente com o que disse o Hélio Paz em post sobre a violência da Brigada Militar contra torcedores do Grêmio que ficaram do lado de fora do Olímpico com os ingressos na mão, impedidos de assistirem Grêmio x Cruzeiro, supostamente por não haver mais lugares no estádio. (Eu estava lá dentro e garanto que ainda havia espaço, principalmente nas cadeiras, setor onde muitos proprietários – ou seja, que têm seu lugar marcado, inclusive com seus nomes gravados nas cadeiras – não puderam ingressar.)

A função da polícia é dar segurança aos cidadãos. Porém, quem nos defenderá quando é ela que comete atos criminosos? Teremos de chamar o ladrão? O Hélio disse tudo: “uma polícia aloprada é muito mais perigosa para a sociedade do que delinquentes”.

Porém, como o que não falta no mundo é demência, há gente a defender polícia violenta, que bate (ou até atira) primeiro, e pergunta depois. Provavelmente muitos dos agredidos quinta-feira no Olímpico fossem assim – espero que, depois dessa, pelo menos mudem de opinião.

Já vi esse filme…

4 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

E não gostei nada do final.

Mas antes, vejamos o trecho de um outro filme, um grande clássico da história do Cinema. Será que alguém assiste o vídeo abaixo sozinho em casa, de madrugada e com todas as luzes apagadas?

Trata-se de um trecho do filme O Iluminado, versão de Stanley Kubrick (1980). Anos depois foi filmada uma outra versão da história, mais fiel ao livro de Stephen King. Com quatro horas de duração, acaba sendo cansativa, ainda mais que a vi depois de ter assistido ao filme de Kubrick, que é inegavelmente melhor – e extremamente assustador.

Bom, agora o leitor está preparado para o que vem a seguir. Pois o vídeo é apavorante, igual ao nome do novo vice de futebol do Grêmio, à qualidade do time, e também ao caos que se estabeleceu quinta-feira do lado de fora do Olímpico – não vi nada porque já estava lá dentro, mas além de assustador, é revoltante.

O vice de futebol ao qual me refiro é Luiz Onofre Meira, que assumiu com a saída de André Krieger. Meira era o vice no episódio das “ovelhinhas”, no primeiro ano da fatídica gestão de Flávio Obino. Um dirigente que não tinha autoridade: depois do episódio, os jogadores não o respeitavam mais, e tudo ficava por isso mesmo. Logo foi substituído, mas a barca continuou a afundar, até chegar ao fundo.

Só espero que isso não seja uma repetição dos “iluminados” anos de 2003 e 2004…

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Errata: Luiz Onofre Meira não era vice de futebol do Grêmio em 2003, no episódio das “ovelhinhas”. Quem ocupava o cargo era Luiz Eurico Vallandro – Meira tinha outra função, que não recordo com exatidão agora. Mas pouco depois da “ovinice”, Vallandro saiu, e Saul Berdichevisky assumiu o futebol gremista.

Sonho adiado. Até quando?

4 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

Mais uma vez, o sonho da terceira conquista gremista da América foi adiado. Desde 1995, o Tricolor jogou sete Libertadores: foi vice-campeão em 2007, semifinalista em 1996, 2002 e 2009, e quarto-finalista em 1997, 1998 e 2003.

Ou seja, um sonho sete vezes adiado. Entre a primeira e a segunda conquistas (ou seja, entre 1983 e 1995), o Tricolor disputou apenas duas Libertadores. Em 1984, defendendo o título, foi vice-campeão. E em 1990, classificado após vencer a Copa do Brasil de 1989, caiu na primeira fase – pior participação gremista, junto com a de 1982.

O problema, é que não prevejo que possamos jogar a Libertadores em 2010. Seja para enfim ganhar a taça, seja para só sonhar com ela.

Um dia desses, entrei no site do Globo Esporte e simulei todos (falando sério!!!) os resultados dos jogos que faltam do Brasileirão 2009. Claro que é uma projeção baseada no que vejo atualmente. Pois bem: no final, o Grêmio acabou em 12º lugar, garantindo uma vaguinha na Copa Sul-Americana, o que é muito pouco para nós gremistas, que queremos sempre ir à Libertadores.

Ou seja: minha opinião é de que, se não mudar, é com isso que teremos de nos contentar para 2010. Com esse ataque desperdiçador de gols (se o Grêmio marcasse todos os que perdeu, ganhava brincando essa Libertadores), fica difícil sonhar com uma vaga à Libertadores de 2010. Com título do Campeonato Brasileiro, então, nem se fala…

Aliás, o ataque merecerá um post especial, sobre a carência de um matador no Grêmio, que já dura uns bons anos. Maxi López fez seus gols, corre muito, tem garra, mas considerando o seu salário, bem que poderia marcar mais vezes.

Postagem histórica

3 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

grenal michael jackson

Quem imaginaria que eu postaria uma piada contra o Grêmio aqui??? Mas, como também sobra para o Inter, decidi publicar…

Se a gente sofre no Mineirão, eles sofrem no Olímpico…

2 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

Que venha o Cruzeiro!

soylocoportri

O “CAMPEÃO DE TUDO” NÃO É DE NADA!

2 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

Não é pelo fato do jogo mais importante ser Grêmio x Cruzeiro, que eu ia deixar de prestar atenção em Inter x Corinthians.

Quem não sabe o que é ter como irmão o colorado mais chato da face da Terra, não tem ideia de como me dá satisfação vê-lo chegar em casa com o rabo entre as pernas. Acabou de passar perto de mim enquanto escrevo, falei que o Beira-Rio tem de ser interditado por causa da pedrada levada por um reserva do Corinthians (resolveram dar razão ao Chico Lang, que defendia tirarem mando de campo da dupla Gre-Nal: o Inter fez a sua parte), e ele, não respondia com aquela tradicional soberba. Ah, isso é bom demais…

Não é melhor do que o Grêmio ser campeão. Mas que é muito bom, é.

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E sabem o melhor? Fizeram aquele DVD para condicionar a arbitragem, e não deu certo! Corinthians justíssimo campeão, sem a menor participação do juiz!

E eu aqui na frente deste computador…

1 Julho 2009 by Rodrigo Cardia

Enquanto acontece o jogo do ano!!!

Jogo do ano???

Inter e Corinthians decidem qual dos dois estará na Libertadores de 2010. Mas eu estou mais interessado em saber quem estará na final da Libertadores de 2009. Jogo do ano, por favor, será o do dia 15 de julho: Grêmio ou Cruzeiro x Estudiantes.

Melhor dizendo, o segundo dos jogos do ano. O primeiro foi dia 27 de maio, Barcelona 2 x 0 Manchester United. O segundo, como já disse, acontecerá em 15 de julho. E o terceiro – e maior de todos – no dia 20 de dezembro, em Abu Dhabi, para decidir quem manda no mundo.

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E enquanto muita gente se preocupa com o tal “jogo do ano” de hoje, Honduras continua sob um governo só reconhecido por si mesmo. E que se acha no direito de suspender garantias constitucionais dos cidadãos.

Tudo porque o presidente, que guinou à esquerda, ia consultar – isso mesmo, consultar – a população para saber se ela era favorável a uma reforma constitucional… Definitivamente, as elites latino-americanas só aceitam democracia quando ela é benéfica a quem sempre esteve no poder.

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Atualização antes mesmo de postar: o D’Alessandro acabou de dar combustível para os colunistas bairristas do centro do país… E o ex-gremista William teve postura exemplar.

Racismo e xenofobia 2

26 Junho 2009 by Rodrigo Cardia

O Guga Türck escreveu um ótimo post no Alma da Geral sobre o texto do Chico Lang publicado na Gazeta Esportiva.

O artigo do Lang é um insulto não a quem mora no Rio Grande do Sul, mas sim, a quem tem o mínimo de inteligência. É um texto racista (comprovadamente) e xenófobo.

É racista, porque fala sobre a violência como “coisa de índio” – como se o homem branco nunca tivesse feito nenhuma guerra, só os indígenas. As duas guerras mundiais, o Holocausto… Foram os índios que fizeram tudo isso? Foram eles que provocaram as mais sangrentas guerras que nossa América Latina viveu?

E é xenófobo porque a palavra “xenofobia” significa “fobia à diferença”. Logo, ela pode ocorrer entre grupos de dentro do mesmo país – exemplo disso, dentro do Brasil, é o preconceito existente contra o Norte e o Nordeste.

O texto desse Chico Lang trata o futebol riograndense como “de espírito belicoso” (seria inferior, por isso partiria para a violência). Antes mesmo da bola rolar, fala que Corinthians e Cruzeiro serão tratados com violência aqui em Porto Alegre, na próxima semana, e que deveriam “trazer um pelotão de seguranças”. (Se trouxerem, mandem a conta para o Lang pagar, pois o que ele escreveu pode muito bem vir a servir de incitação para os poucos que não gostam de futebol, e sim de violência. E que não são exclusividade de um ou outro Estado.)

Não satisfeito, o cara ainda inventa de falar que na ditadura militar “a maioria dos generais era do Sul”. De fato, eram. Mas é preciso ser muito, digamos, inocente, para achar que os militares não tiveram apoio de muita gente fora do Rio Grande do Sul, e que os riograndenses foram todos, sem exceção, favoráveis ao golpe. Sem apoio, alguém acha que eles ficariam no poder?

E não esqueçamos da “grande mídia” (da qual faz parte o Chico Lang): a daqui apoiou a quartelada de 1964, é claro, mas isso não foi nada diferente do que fez a do centro do país. Inclusive há um jornal, considerado o maior do Brasil, que teria emprestado carros aos órgãos de repressão do regime militar e ainda disse que não houve ditadura no Brasil, mas sim uma “ditabranda”.