Cachorrinha procura um lar

Há cerca de duas semanas, uma cachorrinha de cerca de um ano de idade foi atropelada por um caminhão na Avenida Protásio Alves, bairro Petrópolis, aqui em Porto Alegre. Felizmente, ela foi tratada por uma veterinária, sobreviveu, mas teve de ter amputada uma de suas patas traseiras.

Batizada de Vida, a cadelinha se encontra na sede da ONG Duas Mãos Quatro Patas, à espera de alguém que a adote. Eu não tenho como fazê-lo, mas quem se interessar pode entrar em contato com a ONG através da página, ou deixar o contato com o Guga Türck lá no Alma da Geral.

Sem toga (e também sem terno e gravata)

Desde o dia 14 de dezembro, quando meu TCC recebeu conceito A da banca, me considero historiador. Só falta o diploma, que não sei exatamente quando sai – acredito que seja em março.

Mas antes disso, há um ato burocrático pelo qual terei de passar, cujo nome oficial é “colação de grau”, popularmente conhecido por “formatura”.

Como o próprio nome diz, o ato serve para “colar grau”, ou seja, atribuir a condição de graduado ao concluinte do curso – mesmo sem o símbolo maior de sua graduação, ou seja, o diploma. Como ele só vem depois, para que a formatura deixasse de ser mera burocracia e fosse para mim um “rito de passagem”, eu teria de vê-la justamente desta forma – ou seja, como uma divisão na minha vida, entre o “antes” e o “depois” dela. Porém, como já a chamei de “ato burocrático”, ficou claro que, pelo menos para mim, ela não tem eficácia simbólica.

O que eu considero o verdadeiro “rito de passagem” se deu em 14 de dezembro de 2009, ou seja, a defesa do TCC (assim como no mestrado se dá com a defesa da dissertação, e no doutorado com a defesa da tese). Aquele dia, fui dormir com a sensação do dever cumprido, e sentindo que ali uma etapa da minha vida se encerrou, dando lugar a outra.

Mas, como na graduação há a obrigatoriedade de se participar do ato burocrático, optei pela forma mais simples e barata, ou seja, a formatura em gabinete. Nada de toga (ainda mais com todo este calor!), gastos com produtora, convites, terno e gravata e aquele monte de discursos chatos e agradecimentos típicos de formaturas em palco.

E ao optar pelo gabinete, me livrei de uma “quente”: a formatura em palco da História aconteceu no último dia 29, quando o calor, se ainda não estava de fazer o Batista desmaiar, já era suficiente para me dar um baita banho de suor. Ainda mais com aquela roupa sufocante que é a toga. Lembrando que os cumprimentos dos convidados aos formandos se dão no lado de fora do Salão de Atos da UFRGS, ou seja, sem ar condicionado! Que, inclusive, não funcionou durante a formatura em palco do Jornalismo, na tarde do dia 31.

Kayser, o vidente

A ótima charge do Kayser é de terça-feira. Ou seja, três dias antes… De um grande engarrafamento na Free-Way!

Estádio Olímpico, 41,3°C

No momento em que posto, Grêmio e São Luiz de Ijuí acabam de empatar em 1 a 1 no Estádio Olímpico. É, eu não estava lá!

Porra, que estupidez! Jogo às 17h, num dos dias mais quentes já registrados em Porto Alegre – a temperatura chegou hoje a 41,3°C no bairro Menino Deus, próximo ao Olímpico: é de lascar! Mais do que calor, isso é febre!

Devido à elevadíssima temperatura, o comentarista Batista desmaiou ao vivo na TVCOM, antes do jogo.

Já critiquei a realização de partidas às 19h30min de domingo, mas com este calorão de hoje, confesso, acharia ótimo. Porém, é bizarrice maior fazer jogo às 17h num dia útil – o calor é apenas algo a mais.

Aí, no Campeonato Brasileiro, teremos partidas às 18h30min, durante o inverno… Eu gosto de frio, fui a jogos quando a temperatura estava em torno de 5°C, mas sei que muita gente acaba deixando de ir ao estádio quando a temperatura está muito baixa.

É só por causa da televisão que fazem jogo em horários absurdos? Pois eu gostaria de saber qual o atrativo de uma partida do Campeonato Gaúcho às 11h da manhã! Sim, há algumas oportunidades em que os jogadores trocam o almoço de domingo pelo gramado. Para serem assistidos por pouca gente, seja no estádio ou na televisão: na mesma hora, pode-se assistir a algum jogo do Campeonato Italiano – quem o trocaria pelo Gauchão?

De terno e gravata

Essa aconteceu em 22 de dezembro de 2005.

Eu iria a uma formatura de Direito na PUCRS – dois amigos meus, Guilherme e Leonardo, se graduavam. A cerimônia começaria às 16h. E fazia um calorão, bem típico do verão porto-alegrense que começava.

Combinei com o Marcel (o mesmo amigo do hilário episódio do Heinhô Batista!) de irmos juntos. Conforme o combinado, passei na casa da avó dele, que fica bem perto de onde moro. Cheguei lá e ele ainda não havia terminado de se arrumar.

Quando vi ele descendo a escada, não acreditei. Terno e gravata! Com aquele calor! Avisei a ele sobre a alta temperatura, mas ele queria ir daquele jeito. Então… Azar o dele.

Saímos e nos dirigimos à Avenida Osvaldo Aranha. E o Marcel falou: “vamos pegar um táxi”.

“Táxi?”, respondi. “Vamos de ônibus, ora!”.

“Mas tá muito quente!”, ele respondeu.

“Sim, tá quente, mas não estou vestindo uma roupa totalmente incompatível com esse calor (eu vestia calça jeans e camisa social – de manga curta, é claro). Tu tá de terno e gravata porque quer. E eu quero ir de ônibus ao invés de gastar dinheiro em táxi às três da tarde”.

E pegamos um ônibus. E sem ar-condicionado – reconheço que exagerei na dose com o coitado do Marcel! Se bem que estávamos preocupados em não nos atrasarmos, então pegamos o primeiro ônibus que passou com destino à PUCRS – poderíamos esperar mais e pegar um com ar-condiciondo, mas aí haveria o risco do atraso.

Só que, convenhamos, a culpa foi dele. Terno e gravata, um traje europeu, não é roupa para ser usada no Brasil, um país tropical (e o Rio Grande do Sul tem clima subtropical, ou seja, não deixa de ser também tropical, como provam os dias de calor que se registram no inverno). Nós não somos europeus, mesmo tendo inverno com temperaturas negativas e (às vezes) neve: até parece que isso é exclusividade da Europa! Inclusive os invernos mais frios, excetuando a Antártida, são os da Sibéria, que fica na Ásia.

Inclusive, foi um mês depois desse episódio que tomou posse como presidente da Bolívia um homem que não veste terno e gravata, chamado Juan Evo Morales Ayma. O primeiro indígena a governar um país cuja maior parte da população é como ele, prefere não usar as roupas dos colonizadores.

Quanto à formatura: a cerimônia, é claro, foi uma chatice. Depois que acabou, tive de optar por uma das duas recepções: acabei indo à do Guilherme. Poupei o Marcel de passar mais calor, e pegamos um lotação, com ar-condicionado…

Ah, se o Guaíba fosse limpo…

Minha mãe esteve por nove dias em Campo Grande. E ela não sofreu com o calor em nenhum dia na capital sul-mato-grossense.

Ou seja, acho que o problema é de Porto Alegre mesmo… Aliás, só pode ser, porque no auge da onda de calor de janeiro de 2006, fui a uma formatura em Uruguaiana, considerada a cidade mais quente do Rio Grande do Sul, mas não sofri tanto, mesmo com temperaturas superiores às de Porto Alegre. Tudo porque o tempo por lá andava muito seco, com baixa umidade.

Pelo pouco conhecimento que tenho de Geografia, sei que a presença de grandes massas de água impede uma maior amplitude térmica – o que explica o fato de Uruguaiana registrar 40°C ou até mais no verão, e frio abaixo de zero no inverno: fica bem longe do mar. Em compensação, a praia é sempre mais agradável no verão.

Se Porto Alegre não tem mar, tem o Guaíba. O problema é que pelo visto ele não é grande o suficiente para fazer com que o calor por aqui diminua, então só nos fornece muita umidade.

Mas ele poderia nos propiciar um refresco nesses dias escaldantes se não fosse poluído na maior parte de sua extensão, o que torna um banho em suas águas algo arriscado. Pena que quando se fala em “revitalizar a orla do Guaíba” em Porto Alegre, alguns com poder de decisão entendem “construir espigões residenciais” (que além de esquentarem a cidade, poluem muito mais as águas, pois residências produzem “pipi” e “cocô” – não quis ser “desbocado”). Despoluir o Guaíba, que é bom…

O Apocalipse desembarca no Sul

São duas previsões diferentes, mas que antecipam os dias de brutal calor que assolarão Porto Alegre. Não sei qual das duas é mais desesperadora.

A primeira é do CPTEC/INPE, que prevê temperatura MÍNIMA de 30°C para a quinta-feira. Para fazer tanto calor de madrugada, é preciso muita umidade: se com alta umidade 30°C de máxima já é ruim, imagine de mínima! Como faltam quatro dias, há a esperança de que a previsão mude ou erre.

Captura de tela feita ao meio-dia de hoje da previsão do CPTEC/INPE (clique para ampliar)

Já a do Correio do Povo de hoje não aponta tamanho calor pela madrugada, mas em compensação, prevê dois dias (sexta e sábado) com máxima de 40°C, o que representa risco à saúde. Muito mais danoso do que o frio (claro que não falo de Sibéria): quando a temperatura está baixa, a solução é se agasalhar e se abrigar – diferente do calorão infernal previsto para Porto Alegre nos próximos dias, pois mesmo que fosse permitido andar PELADO na rua, não se evitaria o risco de hipertermia.

O que mata no inverno não é o frio, e sim a desigualdade social – ou alguém acha que na Escandinávia, onde faz muito mais frio do que aqui, morre muito mais gente? É capaz de até serem registradas menos mortes… Lá existe distribuição de renda. Entendo que as pessoas mais pobres não gostem do inverno: afinal, não tendo muito dinheiro para comprarem roupas, qualquer frio representa sofrimento.

Assim como quem mora em cidades onde é quente o ano inteiro, o que faz qualquer queda maior na temperatura ser muito sentida. É preciso um certo tempo para se acostumar (inclusive acho que o ideal é pegar de cara um inverno dos mais frios, aí dá para aguentar melhor os seguintes que forem menos frios).

Agora, quem mora aqui há anos e não passa dificuldades, por favor… Se está com frio, vista um casaco! Pés gelados? Meias grossas são a solução. Mãos geladas? Luvas nelas!

Não gosta de usar casaco? Pois eu não gosto de bermuda, só uso para passar um pouco menos de calor – diferente do casaco no inverno, que esquenta o corpo, inclusive, dando uma caminhada é até possível sentir… Calor!

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Tudo bem, tudo bem, sei que muitos devem estar pensando: “esse cara exagerado aí, falando de apocalipse, pensa que pode mandar o verão embora”. Sei que (infelizmente) não posso, tudo isso é apenas um desabafo. A maioria acha o verão uma beleza. A mídia, então… Só fala de praia e “corpo bronzeado” essa época (bem que podiam não mostrar aquelas imagens de gente torrando no sol ao meio-dia, isso faz muito mais mal à saúde do que frio).

Um interessante paradoxo: um monte de gente, bem de vida, diz adorar o calor, mas no primeiro sinal do verão, corre para a praia, onde… Faz menos calor! Na praia, até eu gostaria do verão – agora, em Porto Alegre, simplesmente não dá.

Já no inverno, quem gosta do frio quer ir para onde faz mais frio, e não fugir dele. Se eu gostaria até de ir morar em São Joaquim… Só não vou porque não tenho como.

Sucesso absoluto

Passei bem mais de uma hora na fila para pegar os quatro volumes da coletânea A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória, distribuída gratuitamente na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Às vezes a longa fila parava por completo, enquanto renovavam-se os estoques de livros. Depois, fiquei ainda mais tempo no Vestíbulo Nobre da Assembleia Legislativa, para pegar os autógrafos dos vários autores.

Se a espera foi um teste de paciência, ao mesmo tempo me deixou muito satisfeito. Pois é um sinal de que há interesse pelo assunto “ditadura”, o que vai de encontro às pretensões daqueles que a fizeram, os quais acham que é preciso “esquecer e olhar para a frente”. Definitivamente, é preciso sim “olhar para a frente”, pensar no nosso futuro; mas esquecer o passado, jamais!

Um dos prefácios presentes nos quatro volumes da obra é de Luis Fernando Verissimo – que tem o sério defeito de ser colorado, mas fazer o quê, ninguém é perfeito… Vale a pena ler:

A História, segundo um cínico e surrado adágio, é sempre a versão dos vencedores. Uma mentira oficial se instala e se institucionaliza e com o tempo vira verdade. Mas o tempo nem sempre colabora. Com o tempo vem a resignação e a opção por não turvar águas passadas ou reabrir velhas feridas – mas também vem a distância necessária para reexaminar mentiras estabelecidas. O tempo perdoa ou condena, confirma ou desmente. O tempo traz o esquecimento – ou aguça a memória. E nada ameaça mais a versão dos vencedores do que memórias aguçadas.

Depois do fim do regime militar instaurado em 1964 vivemos, no Brasil, num curioso estado de faz-de-conta, exemplificado pela anistia geral dada a vencidos e vencedores. Buscava-se um “desarmamento dos espíritos” (frase muito usada na época, mas inadequada: não foram exatamente espíritos armados que nos dominaram durante 20 anos), mas o verdadeiro objetivo era fingir que nada tinha acontecido. Assim os militares voltaram para as casernas sem remorso ou desculpas, os civis que os apoiaram continuaram suas carreiras políticas sem atos de contrição, as vítimas sobreviventes do regime refizeram suas vidas e – a ideia era esta – não se falava mais nisso. Mas havia as memórias. Durante estes últimos anos o país conviveu com duas histórias, a oficial, a do deixa pra lá, e a da memória das pessoas. Com o tempo esse desencontro se agravou. A memória aguçada – assim como a cobrança dos que reivindicam a verdade apenas para saber onde alguém foi enterrado – exige o fim do faz-de-conta.

E afinal, mesmo aceitando-se a realidade que são os vencedores que contam a história, a exigência não muda. O fim do regime militar foi uma vitória de uma democracia imperfeita e até agora não consolidada, mas democracia. O que se quer é a versão democrática da história do Brasil.

Lançamento de coletânea: “A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964 – 1985): História e Memória”

Em uma época em que se tem a cara-de-pau de se designar como “terroristas” os que lutaram contra uma ditadura – quando ela é que foi verdadeiramente terrorista – é fundamental que tal nefasto período de nossa História jamais seja esquecido.