O ano em que não fui à Feira do Livro

Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009 Rodrigo Cardia Deixe um comentário

Fiz minha primeira visita à Feira do Livro em 1992, acompanhado do meu pai e do meu irmão. Lembro do meu fascínio no meio de todos aqueles livros. Mas a opção minha e do meu irmão foi “conservadora”: compramos um grande gibi, de faroeste… E olha que eu já tinha lido livros inteiros, histórias fascinantes como Robinson Crusoe, Moby Dick, Vinte Mil Léguas Submarinas, Cinco Semanas num Balão, etc.

Não lembro de ter ido à Feira em 1993, e tenho a impressão de que fui em 1994. Mas de 1995 em diante, aí sim, posso dizer que fui a todas. Jamais passara um ano sem passear pelas bancas.

Bom, fui a todas, menos à de 2009, que acabou domingo. Pode parecer uma contradição, já que terça-feira passada, comprei um livro na… Feira! Mas porque simplesmente passei por lá e decidi dar uma olhada na banca da Editora da UFRGS. E só. Comprei um livrinho sobre o nazi-fascismo na América Latina, do Hélgio Trindade. Paguei, guardei na mochila e segui meu caminho, sem sequer parar nas outras bancas.

Dizer que não fui por causa do TCC não explicaria tudo. Claro que tendo um trabalhão desses, não me sentia muito disposto a passar horas na Feira do Livro, que eu poderia usar para tocar em frente o trabalho. Mas, eu pensava seriamente em algumas pausas para ir à Feira.

Porém, razões climáticas impediram minha ida à Feira. Não foram as chuvas que têm caído constantemente – tempo que considero ideal para ir à Feira, pois assim vai menos gente e fica melhor de se caminhar pelos corredores. O problema é o calor insuportável que anda fazendo em Porto Alegre, que me desestimulou a inclusive fazer tais pausas no trabalho. Preferia me estressar na frente do computador a ter de sair para a rua por qualquer motivo, de modo a suar o mínimo possível.

Sem contar que certamente eu não encontraria o livro que pensava em comprar, do Bourdieu, na Feira. Melhor ir a uma livraria, onde há menos atrolho e o calor é expulso pelos poluidores aparelhos de ar condicionado (mais um motivo para preferir o inverno: não gosto de ar condicionado ligado no quente).

Eleição para o DCE da UFRGS: esquerda insiste na divisão

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009 Rodrigo Cardia 5 comentários

Ano passado, comentei aqui no Cão sobre a divisão da esquerda na eleição para o DCE da UFRGS. Afirmava que era um perigo tal divisão, enquanto a direita estava unida para uma eleição em um só turno, em que a chapa mais votada, mesmo que com apenas 30% de votos, vence.

Um ano se passou, e a situação é a mesma. Há três chapas de esquerda, desunidas devido a discordâncias, muitas vezes de ordem partidária, que deveriam ser deixadas para debate após a eleição. A direita continua lá, unida e com seu papinho de “despartidarizar o DCE”: concordo que o DCE deva atender aos interesses dos estudantes e não de determinados partidos, o problema é que esse papo de “despartidarização” não me engana, cheira mais à “despolitização”, o que a direita adora, por assim ter maiores chances de sucesso eleitoral, diante de uma sociedade que nada contesta.

Provavelmente votarei na Chapa 2, que aparentemente tem o maior número de apoiadores – sendo assim, maior chance de deter a 3, da direita. Mas com receio. Ano passado defendi que as divergências fossem esquecidas (pelo menos na eleição) e se formasse uma só chapa de esquerda, unida pelas concordâncias, devido ao risco de, mais cedo ou mais tarde, com a esquerda dividida, o DCE cair nas mãos da direita. Espero que não seja agora.

Brasileirão 2009, para a dupla Gre-Nal

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009 Rodrigo Cardia 5 comentários

secadores

Pontos corridos x “mata-mata”, de novo

Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009 Rodrigo Cardia Deixe um comentário

Olha só o que disse o lateral chileno Figueroa, do Palmeiras, sobre a diferença do Campeonato Brasileiro em relação ao do Chile:

— No Chile, o campeonato é diferente. Há play-offs com jogos ida e volta. O que está acontecendo agora no Brasil é mais emocionante para as torcidas. Nós temos de fazer o melhor para ganhar esse título, que será muito importante para a torcida do Palmeiras.

(Tirei o trecho citado daqui.)

Ele falou tudo: “nós temos de fazer o melhor”. Sempre. E não apenas no mata-mata. Vale para qualquer um dos 20 clubes que almejam alguma coisa no Brasileirão.

Rua Pelotas, 31 de outubro de 2009

Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009 Rodrigo Cardia Deixe um comentário

post_capa

Em 1º de novembro de 2008, fui com meu pai tirar fotos da Rua Pelotas, onde vivi minha infância, e as divulguei no blog. Chamei à atenção para o estado dos jacarandás, muitos com os troncos ocos.

Um ano depois, voltamos à rua. Dois daqueles jacarandás não mais existem. Foram cortados pela SMAM em julho e setembro. Em seu lugar foram plantadas outras árvores, que infelizmente levarão muitos anos até tornarem-se tão imponentes quanto o restante.

Clique aqui para acessar as fotos de 31 de outubro de 2009. E lembrando que daqui a uma semana completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, repare também que, embora há menos tempo, o “Muro da Pelotas” caiu (ele ficava onde agora se vê uma cerca cinza, à direita na foto acima). Em novembro de 1989 eu imaginei que se o derrubasse, apareceria na televisão, igual aos berlinenses. Faltou-me uma picareta e real vontade de derrubar o muro: eu preferia brincar com meus carrinhos ou andar de bicicleta pela rua.

Rio Grande do Sul: só sofre preconceito?

Sexta-Feira, 30 de Outubro de 2009 Rodrigo Cardia 1 comentário

São correntes no Rio Grande do Sul as queixas quanto a um suposto preconceito contra o Estado em outras partes do país. Que servem de pretexto para micromovimentos separatistas ou para calorosas declarações quanto à brasilidade do Rio Grande, que seria negada por “aqueles paulistas e cariocas”.

Pois bem: então, o que justifica a matéria publicada quarta-feira na página da Zero Hora, cujo título era “Paulistas duvidam do Inter“? Pois como bem falou o imparcial Valter, nem só os paulistas duvidam do Inter: ele mesmo, que é colorado, duvida. E mais: a matéria tratava sobre a opinião de dez comentaristas de todo o país (sem citar os nomes, exceto do Batista), não apenas de São Paulo. E nenhum deles apostou no Inter.

Se isso não é preconceito também, então não sei o que é.

Yakutsk

Sexta-Feira, 30 de Outubro de 2009 Rodrigo Cardia 2 comentários

Acham o nosso inverno “terrível”, frio demais? Quando é julho, não vêem a hora que chegue o verão?

Então imaginem o que pensam os moradores de Yakutsk, na Sibéria, enquanto nós estamos aqui derretendo nesse calorão…

Para se ter uma ideia, a temperatura média de janeiro na cidade é de -41,1°C. Em Verkhoyansk, situada também na República de Sakha (onde fica Yakutsk), fez -69,8°C em 1892, e em janeiro a média é de -50°C. Frio demais até para a Sibéria.

Muito menor que qualquer recorde de frio no Rio Grande do Sul, né? A Sibéria sim, é que tem um inverno “terrível” – e que eu gostaria de conhecer “ao vivo”.

E, curiosamente, a menor temperatura já registrada na Terra é também “russa”. Em 21 de julho de 1983, a base antártica de Vostok, da União Soviética, registrou -89,2°C.

————

Em 13 de setembro de 1922, fez 58°C em Alaziziyah, Líbia. É mais do que qualquer recorde de calor no Rio Grande do Sul, mas uma diferença menor do que em relação ao frio.

E ontem fez 44°C na Argentina. Não é muito mais do que se registra no Rio Grande do Sul…

Mais sobre pontos corridos x “mata-mata”

Sexta-Feira, 23 de Outubro de 2009 Rodrigo Cardia 2 comentários

Mais dois ótimos textos a respeito da tentativa da Rede Globo de impor suas vontades sobre o futebol brasileiro:

  • O primeiro é do Hélio Paz, que relembra inclusive um post escrito por ele mesmo em outubro de 2007 sobre a fórmula e lembra que a credibilidade de um campeonato depende fundamentalmente da sua regularidade – e é o que vem acontecendo com os Campeonato Brasileiro, desde 2006 com o mesmo regulamento: pontos corridos, 20 clubes e rebaixamento de quatro equipes. Número de vagas à Libertadores é algo que não depende somente da CBF, embora também não tenha sofrido alterações desde então;
  • O segundo, que foi citado pelo Hélio também, é do Bruno Coelho, no Grêmio 1903, que considera o retorno do “mata-mata” como um retrocesso para o futebol brasileiro (e de fato, é), e também detona alguns mitos contra os pontos corridos, como a tal “falta de emoção”.

Os dois apresentam bons argumentos a favor dos pontos corridos. Já em favor do mata-mata, o que existe? Só os interesses comerciais da Globo, que deseja conquistar a esmagadora maioria da audiência brasileira em uma tarde de domingo, transmitindo a “grande final”.

Espero que a CBF, que merece muitas críticas, desta vez faça por merecer um elogio e não se curve à Globo. Inclusive na questão dos horários dos jogos: o presidente Ricardo Teixeira deseja que no Brasileirão 2010 os jogos no meio de semana comecem às 20h, e não mais às 21h ou 21h45min – o último é o horário da transmissão da Globo, depois da novela, reservado aos jogos “mais imporantes”.

Jogos às 20h são muito melhor para o torcedor, já que terminariam por volta das 22h (exceto se fossem eliminatórios, onde haveria a possibilidade de prorrogação ou pênaltis), horário em que ainda há uma boa disponibilidade de linhas de ônibus. Para se ter uma ideia, em jogos da Libertadores que fui gastei uma nota em táxi porque a partida terminou à meia-noite e perdi o último T5, que só conseguiria pegar se saísse rápido do estádio e ainda teria de contar com a sorte para não pegar atrolhado – tanto que pego o ônibus algumas paradas antes para que esteja vazio.

Tomara que se dê um passo para diminuir a influência da televisão no futebol, que decide onde, quando e como se joga. É hora de deter a “telecracia”, nas felizes palavras de Eduardo Galeano em seu ótimo livro “Futebol ao sol e à sombra” (L&PM, 2002, p. 195):

No Mundial de 86, Valdano, Maradona e outros jogadores protestaram porque as principais partidas eram disputadas ao meio-dia, debaixo de um sol que fritava tudo o que tocava. O meio-dia do México, anoitecer da Europa, era o horário que convinha à televisão européia. O arqueiro alemão, Harald Schumacher, contou o que acontecia:

- Suo. Tenho a garganta seca. A grama está como a merda seca: dura, estranha, hostil. O sol cai a pique sobre o estádio e explode sobre nossas cabeças. Não projetamos sombras. Dizem que isto é bom para a televisão.

Mitos acerca dos pontos corridos

Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 Rodrigo Cardia 19 comentários

A Rede Globo quer o retorno do “mata-mata” no Campeonato Brasileiro – ameaça que poderia se concretizar em 2011. Tudo porque a atual fórmula não tem uma “final”.

Já ouvi diversos argumentos contra e pró-pontos corridos. Porém, os contrários são baseados majoritariamente em mitos. Ao estilo “Mythbusters”, vamos detonar alguns deles então.

1. Os pontos corridos são ruins para o futebol gaúcho, sem mata-mata eles não ganham.

Será?

Talvez o exemplo mais simples para “justificar” o mito seja a campanha do Grêmio no Campeonato Brasileiro de 1996, quando foi campeão. O campeonato foi disputado com uma primeira fase na qual os 24 clubes se enfrentavam em turno único, com os 8 primeiros se classificando para o “mata-mata”. O Tricolor acabou em 6º lugar na primeira fase.

Porém, o que ninguém cita é que faltando três rodadas para o fim da primeira fase, o Grêmio estava em 2º lugar, atrás apenas do Atlético-PR. Poderia ter chegado a liderança. Porém, já classificado, optou por usar time misto – e até reserva – nas últimas três rodadas, poupando-se para as finais. E perdeu os três jogos: 2 a 0 para o Coritiba no Olímpico, 1 a 0 para o Sport na Ilha do Retiro, e 3 a 1 para o Goiás no Olímpico (o famoso jogo do “TORCEDOR GREMISTA, ELES ESTÃO FORA”, em referência à eliminação do Inter). Fosse um campeonato de pontos corridos, o Tricolor não teria poupado jogadores e poderia ter alcançado a liderança, pois tinha time para isso.

Se todos os títulos brasileiros obtidos pela dupla Gre-Nal foram obtidos em campeonatos cheios de fases, isso não quer dizer que os dois clubes não possam ser campeões nos pontos corridos: todos lembram o que aconteceu para que o Inter não fosse campeão em 2005; e em 2008 o Grêmio não teve competência para ser campeão, já o São Paulo teve de sobra.

2. Os pontos corridos são bons para os clubes paulistas, que têm mais dinheiro e são mais organizados.

Ora, isso não devia ser usado como “argumento” contra os pontos corridos! Até porque o primeiro campeão dos pontos corridos não veio de São Paulo – ou o Cruzeiro decidiu se mudar de Belo Horizonte e não me avisaram?

Os clubes paulistas têm sido campeões por terem mais dinheiro e serem mais organizados – fato. Mas a organização é fruto do dinheiro, ou o dinheiro é fruto da organização? Acredito mais na segunda opção: ninguém vai querer investir num clube bagunçado. Mesmo em São Paulo, onde há mais dinheiro.

Quem sabe não é melhor se organizar ao invés de chiar contra a fórmula? O Inter fez isso, e se teve o azar de topar com a MSI em 2005, ganhou a Libertadores e o Mundial no ano seguinte. O Grêmio percebeu essa necessidade com o buraco em que caiu no início desta década, e se ainda não vive uma situação financeira confortável, pelo menos consegue montar times que dão para o gasto. O Cruzeiro, campeão de 2003, há muitos anos é um dos clubes mais bem estruturados do país.

Mas, se parece que a fórmula dos pontos corridos é muito benéfica aos paulistas, que “não ganhariam nada” com mata-mata, não custa nada lembrar que na década de 1990 o título ficou nas mãos dos clubes de São Paulo em seis oportunidades (1990, 1991, 1993, 1994, 1998 e 1999) – metade de todas as conquistas paulistas antes dos pontos corridos. E o campeonato de 2002, o último “formulista”, foi conquistado pelo Santos, que ficou em 8º na fase de classificação.

O que indica que o dinheiro e a organização dos clubes paulistas já eram importantes antes mesmo da adoção dos pontos corridos.

3. Acabou o equilíbrio no número de conquistas, já que a maioria dos campeões é de São Paulo.

Pode parecer uma repetição do mito anterior, mas na verdade é apenas mais um – e provavelmente o mais esclarecedor.

Dos 32 campeonatos “formulistas” (1971-2002), 12 ficaram nas mãos dos clubes de São Paulo, e 11 foram para o Rio de Janeiro. O terceiro Estado em número de títulos, o Rio Grande do Sul, tem 5 conquistas.

Ou seja, o tal do “equilíbrio” no número de conquistas, na verdade é apenas na comparação de São Paulo com o Rio de Janeiro (de onde é a Globo?).

Pode parecer que os pontos corridos favoreceram o desequilíbrio no Campeonato Brasileiro pelo fato dos paulistas terem conquistado todos os títulos desde 2004. Porém – e aí é que entende-se mais a pretensão da Globo – os cariocas pararam, e faz tempo.

O futebol carioca não chega ao título desde 2000, quando o Vasco conquistou a bagunçada Copa Jean-Marie João Havelange. Depois disso, o melhor resultado do Rio de Janeiro no Campeonato Brasileiro foi o 3º lugar do Flamengo em 2007. Bem diferente dos vitoriosos anos 80, quando o título só não foi para o Rio de Janeiro nos campeonatos de 1981 (dá-lhe Grêmio!!!), 1985, 1986 e 1988. (Em 1987 considero o Sport e o Flamengo campeões.)

Ou seja, mais da metade das conquistas cariocas aconteceram de 1980 a 1989. Antes do primeiro título do Flamengo, em 1980, o único Campeonato Brasileiro do Rio tinha sido o de 1974, vencido pelo Vasco. Nos anos 90, os cariocas foram campeões em 1992, 1995 e 1997. Com formulismo e tudo, já não vinham muito bem então: inclusive, nos campeonatos de 1996 e 1998 nenhum carioca ficou entre os 8 classificados para as finais.

Inclusive, aqui volta aquela questão da “organização dos paulistas”. Qual é a imagem que se tem dos clubes do Rio, senão a de uma bagunça? Não seria essa desorganização, ao invés da fórmula, a causa do declínio carioca?

4. Um campeonato sem final não tem jogos decisivos, e assim, o público diminui.

Como diria Garrincha, “já combinaram com os russos”*? Neste caso, com os torcedores dos diversos clubes brasileiros, pois a média de público no Brasileirão subiu bastante nos últimos anos.

No formulismo, havia alguns jogos decisivos. Nos pontos corridos, todos são decisivos. Ano passado o Grêmio não perdeu o campeonato na última rodada – quando inclusive venceu seu jogo contra o Atlético-MG – e sim em joguinhos fáceis no Olímpico em que deixou de pontuar, como a derrota para o Goiás e o empate com o Figueirense. Mas eu poderia citar diversos outros jogos, em casa e fora: todos os pontos que o Grêmio perdeu fizeram falta no final. Já o São Paulo não foi campeão ao vencer o Goiás, e sim, por ter feito a melhor campanha. Simplíssimo!

Se qualquer ponto perdido poderá fazer falta ao final, é importante ir a todos os jogos, certo? Assim, o torcedor irá ao estádio sempre que possível.

5. O Brasil não é Europa, o torcedor não tem como ir a tantos jogos por ano, é muito caro.

Muitos torcedores, de fato, não têm como ir a todos os jogos – há muito tempo. E hoje em dia está cada vez mais complicado, com os valores astronômicos dos ingressos.

Porém, os preços não são culpa dos pontos corridos. No Campeonato Gaúcho de 2009, com mata-mata e tudo, o ingresso mais barato no Olímpico custava 30 reais. Como Grêmio e Inter têm muitos sócios, restam menos ingressos para serem vendidos, e como os sócios-torcedores têm direito a pagar metade do valor, ele vai às alturas.

Vale lembrar que o primeiro caso de ingresso a preços malucos no Campeonato Brasileiro foi em 2004, quando torcedores do Atlético-PR ficaram do lado de fora da Arena da Baixada enquanto o jogo rolava, em protesto contra a cobrança de 30 reais pela entrada mais barata. Aquele ano o campeonato foi de pontos corridos, se achou um absurdo o valor que o Furacão cobrava. E em 2003 já era pontos corridos e os ingressos eram bem mais baratos.

E o interessante é que mesmo com a escalada dos preços dos ingressos, a média de público não diminui…

————

* Só depois de postar é que lembrei do asterisco. A frase de Garrincha foi dita antes do jogo Brasil x União Soviética, na Copa de 1958. O treinador explicava como a Seleção faria para vencer o “futebol científico” dos soviéticos, e Garrincha, curioso, quis saber se eles sabiam que era para o Brasil vencê-los… No fim, mesmo “sem ter combinado com os russos”, vitória brasileira de 2 a 0, com destaque justamente para Garrincha.

Uma catástrofe, mas que pode dar lucro

Sexta-Feira, 16 de Outubro de 2009 Rodrigo Cardia 6 comentários

bad2009

Li hoje no Correio do Povo uma pequena notinha acerca de uma pesquisa realizada sobre a situação do degelo no Ártico durante os verões do hemisfério norte. De acordo com a minúscula notícia (por que será?), poderá acontecer, num prazo de 10 anos, do Pólo Norte ser mar aberto durante o verão.

Ruim? Para o planeta, sim. Mas para quem só pensa em lucrar cada vez mais, não. Há quem veja com bons olhos o pouco gelo no Ártico durante o verão, devido à chamada “passagem noroeste”, rota marítima entre o Atlântico e o Pacífico ao norte da América: com o maior – ou total – derretimento da calota polar, seria possível navegar por lá, e assim gastar menos tempo para se chegar da Europa Ocidental e leste da América do Norte ao Extremo Oriente.

O derretimento do gelo ártico também atiça a cobiça pelo petróleo que dizem existir aos montes na região: países banhados pelo Oceano Ártico – no caso, Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Islândia, Noruega e Rússia – já tratam de “estabelecer suas fronteiras” no mar polar, para reivindicarem jazidas de petróleo como sendo “suas”.

Ou seja: ao invés de tomarem medidas para tentarem reverter – ou pelo menos amenizar – as consequências catastróficas que o degelo trará, o genial ser humano prefere descobrir possibilidades de lucrar mais. Como se pudesse levar o dinheiro para o caixão. Isso se o mar não subir demais, matando-o afogado – e o dinheiro serviria para alguma coisa?

Pois reparem que as metas para redução da emissão de gases nunca são para já. Sempre se estabelecem lomgos prazos, e para reduzir pouco. “Não podemos ter prejuízo por causa da ecologia” – tá, cara pálida, e do que vai adiantar não perder dinheiro, mas morrer de calor, afogado ou asfixiado por um ar irrespirável?

E ainda há a balela dos tais “créditos de carbono”, que significam nada mais do que “pagar para poluir”. Adianta o quê? Paga um pouquinho e mantém os lucros, sem precisar pensar em agredir menos o planeta.

————

Sinceramente, com tanta gente tapada que não enxerga essas coisas e não aceita mudar alguns hábitos – como, por exemplo, de ir trabalhar usando o carro, mesmo que seja um deslocamento curto e feito solitariamente – às vezes chego a pensar que é melhor deixar a humanidade ser extinta mesmo, então que estraguem o planeta até não poder mais. Porém, os outros animais não têm culpa disso.

Então, se a humanidade não for motivação suficiente para agir contra tudo isso, que façamos pelos outros animais. Eles não merecem uma extinção tão estúpida.