A “geração perdida” do esporte argentino

Na próxima sexta-feira, 4 de julho, às 19 horas, acontece no Memorial do Rio Grande do Sul (na Praça da Alfândega) a pré-estréia do documentário “Atletas x Ditadura – A geração perdida”, de Marcelo Outeiral e Marco Villalobos. O filme trata sobre um (exemplar, diga-se de passagem) fenômeno acontecido na Argentina durante a cruel ditadura militar que assolou o país de 1976 a 1983: esportistas que decidiram deixar as competições para lutar pela liberdade e acabaram mortos pela repressão.

Durante aquele período, hipocritamente chamado de “Proceso de Reorganización Nacional”, cerca de 30 mil pessoas morreram ou desapareceram. E isso que a ditadura argentina foi mais curta que a brasileira (1964-1985), a uruguaia (1973-1985) e a chilena (1973-1990).

Vale lembrar que na última quarta-feira, 25 de junho, completaram-se 30 anos da final da Copa do Mundo mais manchada da História. O torneio realizou-se na Argentina, e a seleção local conquistou o título sob suspeita de corrupção: na última rodada da segunda fase os jogos Brasil x Polônia e Argentina x Peru, que deveriam acontecer no mesmo horário, foram jogados em momentos diferentes. A seleção brasileira fez 3 a 1 na polonesa, obrigando os argentinos a golearem a seleção peruana por pelo menos quatro gols de diferença para ir à final. Resultado da partida: 6 a 0 para a Argentina, contra um Peru sem a mínima garra e com um goleiro – Quiroga – que era argentino naturalizado peruano. Na final, definida na prorrogação, a Argentina derrotou a Holanda por 3 a 1 e foi campeã.

A competição aconteceu mesmo com os pedidos para que a FIFA transferisse a sede da Copa para outro país, devido à extrema violência reinante na Argentina. Mais do que um campeonato de futebol, a Copa do Mundo de 1978 foi para a ditadura argentina uma oportunidade de fazer propaganda. Como escreveu Eduardo Galeano em seu excelente livro “Futebol ao Sol e à Sombra”,

Cinco mil jornalistas de todo o mundo, um faustoso centro de imprensa e televisão, estádios impecáveis, aeroportos novos, um modelo de eficiência. Os jornalistas alemães mais veteranos confessaram que o Mundial de 78 lhes recordava as Olimpíadas de 36, que Hitler tinha celebrado, com toda pompa, em Berlim.

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Um comentário sobre “A “geração perdida” do esporte argentino

  1. Corre à boca pequena, em Rosario, que as obras da reforma do estádio do Rosario Central serviu de túmulo a desaparecidos políticos. Os jogos seriam no estádio do Newwwll’s Old Boys mas, em última hora, um dirigente do Rosario Central, amigão dos ditadores, conseguiu a transferência. Pode ser lenda urbana, eu sei. Mas quem irá esburacar o estádio nestas alturas?
    Abração!

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