O “progresso” mata a memória

Em fevereiro, escrevi aqui sobre o caso do Esquilo Travesso. A casa onde a escolinha funcionava era alugada: o proprietário vendeu, a escola fechou. Ao ler a notícia, não levei um segundo para entender qual seria o destino da casa.

Havia ficado de passar na frente dela pela última vez. Adiei diversas vezes a “despedida”, ora porque estava muito quente (e eu suo demais, o que é extremamente desconfortável, daí todo o ódio que sinto pelo verão), ora por não ter tempo, ora por me esquecer mesmo. No último domingo, após almoçar com a minha mãe e o meu irmão, lembrei que havia tempo e não estávamos longe, então decidimos passar pela Rua Dona Laura.

Logo que entramos na rua, a mãe já foi diminuindo a velocidade do carro, para estacionar. Mas vi que no lugar da casa havia apenas um tapume daqueles “imitação de muro”.

Nem estacionamos o carro, e fomos embora. Não havia mais motivos.

Para o meu irmão, que frequentou o Esquilo apenas em 1988 e não lembra de nada (pois era muito pequeno), certamente não foi tão significativo ver aquele tapume. Mas eu fui aluno por três anos (1986-1988), e senti uma certa tristeza, embora já soubesse desde fevereiro que aquilo aconteceria. Pois ver um tapume no lugar da escola deu a impressão de que aquela época está “fisicamente” acabada, com a destruição de seu símbolo (a casa), permanecendo apenas na minha memória – que, com o passar do tempo, se tornará ainda mais falha do que já é. Antes, mesmo que ficasse muitos anos sem passar na frente da escola, pelo menos eu sabia que ela estava lá.

E o pior de tudo, é ver concretoscos chamando isso de “progresso”.

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5 comentários sobre “O “progresso” mata a memória

  1. Ficar velho é foda… esses dias quase chorei ao ver o vídeo de abertura do desenho Duck Tales.

    E acho que as pessoas tem uma fé muito cega pelo ‘progresso’

    • A concepção positivista (e por que não, evolucionista?) da História, muito em voga ao final do Século XIX, a via como um processo linear que era “uma marcha inexorável rumo ao progresso”. O chamado “darwinismo social” dividia a humanidade em três estágios de desenvolvimento: selvageria, barbárie e civilização, sendo que a última seria o “destino final” de todos.
      Mas, como bem sabemos, é só estudar um pouco de História (não positivista, é claro) e ver que as coisas não são assim.

      E quanto à velhice: lembro que o Duck Tales passava no programa do BOZO! Putz, faz tempo, hehehe…

  2. Duck Tales era foda. Quem não lembra da música de abertura? “Duck Tales, uhu, são os caçadores de aventura…”

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