"Não faz mais frio como antigamente"

Toda vez que você ouvir alguma pessoa idosa falar disto, pergunte se ela lembra do dia 29 de agosto de 1961.

Não foi um dia qualquer: o Rio Grande do Sul estava em pé de guerra, devido à Campanha da Legalidade, convocada pelo então governador do Estado, Leonel Brizola, em defesa da posse do gaúcho João Goulart na presidência do Brasil, após a renúncia de Jânio Quadros ocorrida quatro dias antes. Setores militares opunham-se à posse de Goulart por considerá-lo “de tendências subversivas” – e a viagem oficial dele à China só contribuia para aumentar a desconfiança dos conservadores.

Pois bem: examinando jornais da época para a pesquisa que estou realizando sobre a imprensa gaúcha durante a Campanha da Legalidade, não observei apenas o noticiário político. Além da situação internacional – era erguido naquela época o Muro de Berlim -, também reparei na previsão do tempo. E eis que no Diário de Notícias de 30 de agosto de 1961, leio o boletim do tempo e verifico que no dia anterior (29 de agosto) a temperatura máxima no Rio Grande do Sul fora registrada em Porto Alegre: 35,1°C. Isto mesmo: 35,1°C em pleno inverno! Se eu tivesse uma câmera, tinha tirado uma foto do jornal.

Ou seja: o dia que fizer calor no inverno, não saia de cara culpando o aquecimento global baseado nos relatos de seu avô ou de sua avó. Os efeitos do aquecimento estão sendo sentidos muito mais no Hemisfério Norte (principalmente na região polar) do que no Sul. De acordo com os meteorologistas, é normal que aconteçam dias de calor no inverno, não é culpa do aquecimento global. Este jornal de 1961 é prova disto.

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O que não quer dizer que eu seja contra adotar fontes alternativas de energia. Sendo ou não culpada a humanidade pelo aquecimento, pelo menos começamos a pensar melhor no planeta. Afinal, aqueça ou não a Terra, o CO2 a polui demais, e ajuda a tornar irrespirável nosso ar. Temos mais é que buscar outras fontes de energia.

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