E se o café fosse proibido?

Ou, “por que a política proibicionista está fadada ao fracasso”. Esta frase resume o que diz no vídeo abaixo Ethan Nadelmann, fundador da Drug Policy Alliance (entidade que se opõe à chamada “guerra contra as drogas” patrocinada pelos Estados Unidos).

Aliás, a História tem um bom exemplo de fato semelhante. Em 1º de janeiro de 1920, entrou em vigor uma emenda à constituição dos EUA que proibia produção, transporte e venda de bebidas alcóolicas no país. Era a famosa “Lei Seca”, que tinha grande apoio popular em seus primeiros tempos: dizia-se que o álcool era a causa de boa parte dos males que afligiam a sociedade estadunidense. Ou seja, era aquele velho e sedutor discurso de “proteger a família”, ou “defender a moral e os bons costumes”.

Porém, o “remédio” mostrou ser pior que a “doença”. A Lei Seca não fez quem bebia deixar o álcool: o comércio ilegal de bebidas alcóolicas (igual ao tráfico de drogas) faturou muito. O crime organizado cresceu como nunca nos EUA: foi o auge dos grupos mafiosos, sendo que o mais famoso deles foi o de Chicago, liderado por um tal de Alphonse Gabriel Capone, mais conhecido como Al Capone.

A popularidade da Lei Seca se esvaiu com o aumento do crime organizado, e consequentemente ela acabou revogada em 1933. Afinal, o governo percebeu que a proibição do álcool não só beneficiava as máfias, como também significava menor geração de empregos (e arrecadação de impostos) quando os EUA tentavam sair da crise econômica iniciada em 1929.

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Aborto é questão de saúde pública, não religiosa

Está lá, na Constituição Federal de 1988: a República Federativa do Brasil é um Estado laico. Ou seja, não tem religião oficial. As pessoas podem ter a fé que bem entenderem, e até mesmo não ter nenhuma. Mas não se pode dar preferência a qualquer uma que seja, por motivos religiosos.

Porém, o debate sobre a legalização do aborto no Brasil se dá como se nosso país não fosse laico. Não há nenhum avanço em direção à garantia deste direito para as mulheres devido à força dos religiosos, tanto no Congresso Nacional (afinal, é dele o poder de legalizar ou não o aborto) como fora dele. Graças a panfletos mentirosos dizendo que Dilma Rousseff iria legalizar o aborto – e também à própria incompetência da campanha petista, que não soube responder às mentiras, mesmo contando com depoimento de pastores evangélicos em apoio a Dilma – que a eleição foi para o segundo turno, dando novo fôlego à campanha de Serra. Aliás, interessante é que Serra declarou-se contra o aborto, depois de já ter sido favorável a ele. Tudo para ganhar votos…

O aborto tem de ser legalizado por uma questão de saúde pública. Não se pode, só porque certas religiões são contrárias, negar um direito para as mulheres que não pertencem a tais credos. Quem acha que o aborto é pecado, que não o faça (afinal, “legalizar” não quer dizer “tornar obrigatório”). Mas deixe quem não acha isso errado abortar de forma segura.

Uma amostra do que passam as mulheres que desejam interromper uma gravidez indesejada onde o aborto é considerado ilegal nos é dada pelo filme romeno “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” (2007), de Cristian Mungiu. A história se passa em 1987, dois anos antes da derrubada da ditadura de Nicolae Ceausescu. O megalômano ditador queria governar uma grande população, e por conta disso o aborto foi proibido na Romênia. Tal medida resultou em um grande número de crianças deixadas em orfanatos, e muitas foram parar nas ruas das cidades romenas.

"Não faz mais frio como antigamente"

Toda vez que você ouvir alguma pessoa idosa falar disto, pergunte se ela lembra do dia 29 de agosto de 1961.

Não foi um dia qualquer: o Rio Grande do Sul estava em pé de guerra, devido à Campanha da Legalidade, convocada pelo então governador do Estado, Leonel Brizola, em defesa da posse do gaúcho João Goulart na presidência do Brasil, após a renúncia de Jânio Quadros ocorrida quatro dias antes. Setores militares opunham-se à posse de Goulart por considerá-lo “de tendências subversivas” – e a viagem oficial dele à China só contribuia para aumentar a desconfiança dos conservadores.

Pois bem: examinando jornais da época para a pesquisa que estou realizando sobre a imprensa gaúcha durante a Campanha da Legalidade, não observei apenas o noticiário político. Além da situação internacional – era erguido naquela época o Muro de Berlim -, também reparei na previsão do tempo. E eis que no Diário de Notícias de 30 de agosto de 1961, leio o boletim do tempo e verifico que no dia anterior (29 de agosto) a temperatura máxima no Rio Grande do Sul fora registrada em Porto Alegre: 35,1°C. Isto mesmo: 35,1°C em pleno inverno! Se eu tivesse uma câmera, tinha tirado uma foto do jornal.

Ou seja: o dia que fizer calor no inverno, não saia de cara culpando o aquecimento global baseado nos relatos de seu avô ou de sua avó. Os efeitos do aquecimento estão sendo sentidos muito mais no Hemisfério Norte (principalmente na região polar) do que no Sul. De acordo com os meteorologistas, é normal que aconteçam dias de calor no inverno, não é culpa do aquecimento global. Este jornal de 1961 é prova disto.

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O que não quer dizer que eu seja contra adotar fontes alternativas de energia. Sendo ou não culpada a humanidade pelo aquecimento, pelo menos começamos a pensar melhor no planeta. Afinal, aqueça ou não a Terra, o CO2 a polui demais, e ajuda a tornar irrespirável nosso ar. Temos mais é que buscar outras fontes de energia.