Por que a bizarrice não é ruim para a democracia

Como era de se esperar, os primeiros dias do horário eleitoral gratuito foram marcados por candidatos bizarros que apareceram na tela. Figuras que mais parecem saídas de um circo estão por aí, pedindo votos.

Algo que muito ouço são reclamações quanto a isso. “É uma vergonha, a política está desmoralizada!”, dizem os indignados. De fato, isso ajuda realmente a diminuir a já muito abalada credibilidade da política nacional.

Porém, não posso concordar de forma alguma com gente que prega a proibição da candidatura de tais figuras. Mesmo que lamente profundamente que autênticos palhaços se candidatem e, inclusive, sejam eleitos.

O motivo é muito simples: já passamos muitos anos de autoritarismo no Brasil, em que candidatos eram eleitos e depois cassados. Muitos brasileiros morreram para que nosso país voltasse a ser uma democracia. Ela pode não ser a ideal, mas não a trocaria pela melhor das ditaduras. Não podemos aceitar que se volte aos tempos em que se barravam candidatos – antes ou depois da eleição – por razões totalmente subjetivas. Pois pode começar com os engraçados, mas aí depois alguém inventa alguma desculpa para impedir que gente séria, comprometida com a população, possa se candidatar – tipo dizer que “subversivos” (como costumam chamar quem não vê a propriedade privada como uma divindade) não podem concorrer.

Se achamos que a política está uma palhaçada, o melhor que podemos fazer é não votar nos palhaços e, principalmente, não sermos feitos de bobo por certos candidatos que não são engraçados e certamente rirão da nossa cara caso sejam eleitos. (É, a lei da “ficha limpa” não barrou todos os “sujos”…)

E não vejo mais desculpas para dizer “é tudo igual” nos tempos da internet, em que sobra informação.

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2 comentários sobre “Por que a bizarrice não é ruim para a democracia

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  2. A democracia representativa está cada vez mais desacreditada no mundo inteiro. Estou terminando um artigo sobre isso e em breve publicarei! Está desacreditada porque não foi criada para nós. Foi uma democracia criada dos ricos para os ricos (basta observar as instituições advindas da “Revolução” Gloriosa). Vários autores têm chamado a democracia representativa dos séculos XVII ao XIX como uma “democracia para o povo dos senhores”.

    Quando as classes dominantes tiveram que incluir as classes subalternas na sua democracia criaram mecanismos para esterilizar o efeito do voto das classes subalternas como sistemas de votação que rejeitam a proporcionalidade (EUA, Inglaterra), voto plural (Inglaterra), cláusula de barreira (Alemanha), etc. Assim as classes subalternas foram inseridas em um jogo de cartas marcadas!

    Não dá para não criticar a desmoralizada democracia representativa sob o argumento de que isso é menos pior do que a ditadura. Até porque o fato de criticá-la não significa que se defenda ditaduras. É exatamente a defesa acritica desse modelo que pode acabar reforçando um pensamento de defesa da ditadura da opinião pública.

    A democracia representativa moderna fracassou! Isso é fato! E fracassou porque se apresenta como o “governo do povo” mas na prática é o “governo dos ricos”. Temos que contrapor à democracia representativa à democracia participativa e não se eximir de criticar esse modelo percebido como farsante por amplos setores da população por achar que isso pode reforçar uma simpatia por uma ditadura.

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