Voltar às origens

Há mais de dois meses postei aqui sobre a necessidade de voltar a escrever com regularidade. E o que aconteceu? Apenas um texto (curtíssimo) acerca do incêndio no Museu Nacional, e mais nada…

Não voltei a escrever com regularidade, e creio que isso se deveu justamente a algo que já diagnostiquei naquele 28 de agosto: o melhor lugar para a retomada é justamente aqui, onde “tudo começou”. Voltar às origens é a melhor maneira de recomeçar – mesmo que seja impossível partir do “zero” novamente.

Até porque o Cão, embora já tenha passado por áureas fases em que tinha muitas visitas diárias, nunca deixou de ser algo mais “pessoal”. Não me preocupava se o que escreveria seria “relevante”, até por saber que ainda assim seria lido. Hoje, é verdade, isso é bem mais difícil de acontecer, mas percebo que o fundamental é parar de querer escrever para outras pessoas – ainda que obviamente elas possam ler, por ser publicado abertamente – e sim expressar, com minhas palavras, o que realmente quero dizer.

Vamos ver se agora vai. E quem sabe assim consigo terminar um outro texto que pretendo publicar no Medium.

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Facebook, ou “problematizódromo”

Sábado, enfim, saiu um texto meu no Medium. Foi publicado na TRENDR, onde sou colaborador eventual (uma média de dois textos por mês). Falei sobre o Super Bowl – obviamente não sobre o jogo em si, que sequer assisti, mas sim sobre as “problematizações” que rolaram no Facebook.

Não sou contra “problematizações”, e dentre os assuntos que podem ser problematizados encontra-se, inclusive, o Super Bowl. O problema é a maneira como elas costumam ser feitas no Facebook: bastante “capengas”, com análises simplórias e uso de muitos chavões – coisas típicas de quem não sabe lá muito sobre o assunto mas que se sente na obrigação de ter opinião. O que poderia (ou melhor, deveria) ser assunto sério fica parecendo discurso de chapa que concorre ao DCE.

São coisas assim que irritam demais no Facebook. E pensar que foi graças a ele que a “blogosfera” (tão importante em episódios como a eleição de 2010, por exemplo) acabou minguando…

Já se foi metade de 2015

E eu, que tanto reclamava de 2014, começo a achar que ele não foi tão ruim assim. Pois exceto por estar empregado (ao contrário do ano passado), ter me mudado e feito algumas novas amizades, até agora acho que 2015 está sendo uma bela de uma bosta.

2015 é o ano do ódio. Só acompanhar o que acontece no Congresso. Nas ruas. Na internet.

O mais desalentador é ter certeza de que a tendência não é de melhorar. Se o atual Congresso é horrível, não gosto nem de pensar no que será eleito em 2018… Isso se chegarmos até lá, pois do jeito que vai, sei não.

Dia de perdas

A política brasileira está de luto com a trágica morte de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência pelo PSB. É uma grande perda, a ser lamentada independente da opção política. (E, numa triste coincidência, Campos faleceu exatos nove anos depois de seu avô Miguel Arraes, que também governou Pernambuco e foi um dos nomes mais importantes da política brasileira no Século XX.)

Hoje o dia também é triste para o jornalismo esportivo. Conforme anunciado três semanas atrás, o site Impedimento deixa de ser atualizado após a final da Libertadores, que será jogada logo mais. Mas é uma perda que vai além do mero jornalismo esportivo: a partir do futebol (e com foco na América do Sul), o Impedimento fala também de cultura, sociedade, política etc. Foi lá que li alguns dos melhores textos sobre os protestos de 2013, por exemplo.

Quem não conhece o Impedimento deve estar achando que os dois parágrafos acima não têm relação alguma, relatam apenas (mais) uma triste coincidência. Mas sim, eles têm a ver um com o outro, conforme explicarei agora.

O Impedimento tem vários fatores que o diferenciam dos principais portais e páginas sobre futebol. Um deles é tratar o esporte por uma ótica que foge do senso comum (algo sobre o qual pretendo escrever mais). Uma das consequências disso é o outro diferencial: os comentários em alto nível (salvo raríssimas excessões), com muitas discordâncias, mas que constituem uma discussão em seu sentido original, de “trocar ideias”; não raramente ela acabava fugindo do tema original (ou seja, o artigo publicado), mas não porque algum “troll” o fazia com esse objetivo e sim por uma “evolução natural”, justamente porque os textos fugiam do senso comum e por conta disso atraiam leitores com características semelhantes. Se toda a internet fosse como o Impedimento, aquela máxima “nunca leia os comentários” não faria sentido.

Mas infelizmente a realidade é outra. A maioria dos comentários em portais de notícias é simplesmente odiosa. Mas isso não se resume aos portais: quem comenta lá tem seus perfis em redes sociais, e neles reproduzem as mesmas “opiniões”. Que, ao contrário dos comentários do Impedimento, exalam muito senso comum. É o caso daquela máxima tão difundida de que “político é tudo igual, nenhum presta” (como se eles “chegassem lá” sozinhos, sem necessitarem de votos). Cria-se uma ojeriza à política que tem como resultado comentários celebrando o falecimento de Eduardo Campos, assim como em 2011 comemoraram o câncer de Lula e torceram pela morte do ex-presidente. E tenho certeza de que a maioria que disse tais sandices sequer tem conhecimento do que ambos fizeram como governantes.

Ah, se toda a internet fosse como o Impedimento…

Os 10 anos do Orkut

Em meados de 2004, recebi um e-mail de minha amiga Ísis. Achei estranho: a mensagem era em inglês, e tinha um link; confiei no meu antivírus e cliquei. Apareceu a tela abaixo:

orkut2004

Pouco depois, desconectei da internet (sim, naquela época se fazia isso, pois a conexão era discada, não era só ligar o computador e abrir o navegador), peguei o telefone e liguei para a minha amiga. Então ela me explicou o que era aquilo: uma página em que nos conectávamos aos amigos, descobríamos quantas amizades em comum tínhamos etc. Quando consegui entrar novamente na internet (pois é, às vezes a conexão não vinha…), fiz meu cadastro naquele tal de Orkut – que deve seu nome ao engenheiro do Google que o desenvolveu, o turco Orkut Büyükkökten. E, ainda sem entender bem para que serviria aquilo (afinal, não era um bate-papo como o ICQ e o MSN), comecei a adicionar comunidades.

Amizades, não: por cerca de um mês, tinha apenas a Ísis na minha lista, e não sabia de mais ninguém que usava o Orkut. Era uma novidade para muita gente, ainda mais que não era qualquer um que podia entrar: era preciso ser convidado. Cheguei a enviar alguns convites, mas demorou até a lista de amizades aumentar. Mas, quando isso começou a acontecer, não parou mais.

Logo, descobri o que considero uma das melhores coisas dessas chamadas “páginas de redes sociais”: a possibilidade de reencontrar pessoas com as quais não falamos há muito tempo. Amigos de infância com os quais se perdeu o contato, ex-colegas de escola etc. O que a vida tinha separado pelos mais diversos motivos (mudanças de endereço, de escola, pouco tempo para reencontros etc.), o Orkut oferecia a possibilidade de reunir.

A frequência de visitas ao Orkut aumentou bastante, já que havia mais pessoas com quem interagir, além das comunidades – várias eram inúteis, é verdade, mas outras eram um excelente espaço de discussão. Muitas vezes, chegava a passar horas na rede. Não ininterruptas, é claro.

orkut-nodonut

Mas não só por causa dessa “agradável” tela aí de cima. Como falei, em tempos de conexão discada, existia hora para entrar na internet – ou seja, quando as ligações eram mais baratas. Isso mudou a partir do momento em que passei a ter banda larga: bastava ligar o computador e abrir o navegador. E assim, as interrupções do Orkut passaram a ser, basicamente, a telinha acima. Tinha também algo chamado “estudar”, por causa da faculdade, o que me obrigava a ficar longe do Orkut mas com vontade de acessá-lo.

No início de 2006, tinha a perspectiva de disciplinas bastante difíceis. Temia “não dar conta”. Assim, o Orkut “pagou o pato” e desativei minha conta.

Foram quase três anos longe da rede. O retorno se deu no início de 2009, ao mesmo tempo em que criava meus perfis no Twitter e no Facebook. A princípio, não pensava em voltar ao Orkut: a entrada no Twitter era por curiosidade, por perceber que aumentava o número de blogueiros o utilizando; já no Facebook, aceitei um convite do meu amigo Hélio – que da mesma forma que a Ísis nos meus primeiros tempos no Orkut, por bastante tempo foi meu único contato na rede.

A volta ao Orkut se deu por “nostalgia”. Não da rede, e sim de minha antiga escolinha, o Esquilo Travesso, onde fiz o Jardim de Infância. No final de janeiro de 2009, li uma notícia sobre o fechamento do Esquilo, o que me motivou a escrever sobre ele. Assim, o retorno se deveu à vontade de tentar reencontrar os colegas daquela época: entrei na comunidade, mas não achei ninguém que tenha terminado o Jardim de Infância em 1988. Porém, também vi o retorno ao Orkut como uma maneira de divulgar mais o Cão Uivador – que não existia em 2006, quando cometi meu primeiro “orkutcídio”.

Pois é, o primeiro. Pois houve um segundo – e, por enquanto, definitivo. Em 2010 o Facebook começou a crescer rapidamente e “roubar” a hegemonia do Orkut – que até o final de 2011 se manteve como a rede mais usada pelos brasileiros (e o Brasil era o único país onde o Orkut era tão popular, visto que seu uso decaíra na Índia, onde também era a principal rede). Foram vários os motivos de tamanha mudança, mas o fato é que, com o Facebook crescendo muito e virando moda, o Orkut começou a minguar, com os amigos pouco acessando e/ou simplesmente apagando seus perfis. A relevância que tinha o Orkut até 2010 passou a ser do Facebook.

Assim, em algum dia ali por 2012 ou 2013, decidi desativar minha conta. Antes de “apagar a luz”, decidi conferir o número de amigos que ainda tinha: era bem menos da metade em comparação com o que já tivera.

Porém, 10 anos após o surgimento do Orkut (que foram completados ontem, dia 24), engana-se quem pensa que o Google pensa em acabar com ele. Ainda há um considerável número de pessoas que o utilizam – especialmente no Brasil, claro. Principalmente pelo que ele tem e o Facebook não: as comunidades, que não só dizem do que gostamos, como também funcionam como um interessante espaço para debates. É até mesmo algo que faz pensar em reativar a conta no Orkut – além, é claro, da sensação de “viagem no tempo” que isso proporcionaria. Quem sabe não seja uma boa ideia?

Por que trocar o Facebook pelo Twitter

Não, isso não quer dizer que a página do Cão no Facebook deixará de existir, nem que abandonarei totalmente a rede de Mark Zuckerberg. O que acontecerá, na verdade, é uma “inversão de prioridades”: até 2010, usava mais o Twitter que o Facebook (que também “dividia espaço” com o Orkut). A partir de 2011 é que o Facebook começou a ser “hegemônico”: comecei a reduzir o uso do Twitter e o Orkut “minguou” (inclusive acabei encerrando minha conta por lá, visto que a maioria dos amigos tinha feito o mesmo).

Três anos depois, penso que é hora de fazer o movimento inverso (exceto em relação ao Orkut). Voltar ao Twitter e reduzir o Facebook, usando-o mais por conta do bate-papo. Não por querer voltar no tempo, mas sim por conta de uma série de motivos, que explico abaixo.

  • Maior liberdade para ignorar. Quantas vezes você não postou algo no Facebook e um chato veio encher o saco? No Twitter isso também acontece, é claro, mas temos uma vantagem: podemos ignorar o “mala”. No Facebook, não: lá está o comentário, e nos sentimos na obrigação de responder, pois se não o fizermos fica parecendo que o chato “venceu”, quando o que mais gostaríamos é de não perder tempo discutindo com o “mala”.
  • Os “caga-regras”. Tem a ver com o item anterior, mas também é algo que se deve muito à característica do Facebook como uma rede mais “pessoal”, na qual postamos fotos de nossas viagens, de nossa infância… E, muitas vezes, usamos para desabafar. Porém, nem sempre os comentários que recebemos são aqueles que realmente esperamos, ou seja, manifestações de solidariedade e de incentivo. A maioria das pessoas acha que tem a solução para nossos problemas, e então começa a “cagar regras”, a dizer o que “é bom” para nós. Sem contar aqueles que, com base em seus gostos pessoais, acham que todos, sem exceção, devem gostar das mesmas coisas. No Twitter, é mais fácil ignorá-los, deixá-los falando sozinhos.
  • O Twitter não é uma rede de amigos. Pode parecer estranho, visto que no Twitter geralmente seguimos perfis com os quais nos identificamos. Mas nele, ao menos no meu caso, vale mais a informação relevante do que a mera amizade. Não sigo reaças, por exemplo. Já no Facebook, acontece algo semelhante ao que ocorria no Orkut: serve para nos manter conectados a pessoas que geralmente já conhecemos da vida real, com as quais já tínhamos relações de amizade. Obviamente isso tem um lado muito positivo (foi graças ao Facebook que voltei a encontrar a turma do 1º Grau, por exemplo), mas por outro lado, há velhos amigos que são reaças… E enchem o saco. Se os deletamos, podem se sentir ofendidos; por outro lado, sentimos a obrigação de responder aos comentários deles (voltando, assim, ao primeiro item, relativo à “liberdade para ignorar”).
  • O Twitter não tem convite para jogos e aplicativos. E de nada adianta bloquear, todos os dias criam novas porcarias dessas.
  • Não ficar sabendo de tudo da vida dos outros (nem os outros da nossa). O Facebook realmente é uma ameaça à nossa privacidade, mas o fato é que abrimos mão dela voluntariamente. Adoramos falar de nossas vidas, para que todos saibam o quão “felizes” somos – mesmo que seja apenas uma felicidade de fachada. Sabemos demais da vida dos outros e eles sabem demais da nossa: será que realmente precisamos disso?
  • Blogar mais. “Ué, mas a ideia não era trocar o Facebook pelo Twitter?”, me perguntará o leitor incrédulo. Pois é isso mesmo. Porém, mais de uma vez percebi que estava fazendo, no Facebook, algo que poderia muito bem ter feito aqui no Cão: escrever comentários mais longos, bem maiores que um tweet. Muitas vezes, os 140 caracteres do Twitter são pouco espaço para dizer o que realmente se pensa. O Facebook pareceria ser o espaço ideal para isso, porém, não é aberto a todos (muito embora pouca gente não tenha conta no Facebook hoje em dia). Em blogs, todo mundo pode ler e comentar. Sem contar que é possível o blogueiro estabelecer limites e evitar que alguém “baixe o nível” da discussão, enquanto no Facebook não existe moderação de comentários e então vira aquela “coisa”.

Adoramos ler mas não temos tempo… Será?

Sensacional a matéria de Alan Bisset no The Guardian, e que o Milton Ribeiro traduziu para o Sul 21. Começa com o autor falando sobre sua decisão de reler Guerra e Paz, de León Tolstói, e pegá-lo na estante, com o marcador na página 55. Depois, notou que havia outros livros com marcadores, sinais de várias leituras iniciadas e não acabadas.

Na sequência, Bisset fala na grande quantidade de opções que temos hoje em dia para distração. Incrivelmente posso citar minha própria experiência: durante a maior parte da década de 1990 não tinha computador em casa, então me distraía basicamente lendo e escrevendo (na máquina de escrever). Tinha a televisão também, mas à medida que o tempo passava eu tinha menos saco de ficar parado na frente dela.

Hoje, temos a internet, que é um extraordinário meio de comunicação (e é graças a ela que o leitor chega a este texto e à matéria que indiquei). Podemos não só receber informação, como também difundi-la, sendo ativos e não só passivos como defronte à televisão. Também nos oferece a possibilidade de escolher o que queremos ver, enquanto a TV nos empurra aquilo “goela abaixo”. Porém, ainda não aprendemos bem a fazer isso: somos sufocados por um monte de informações nem um pouco relevantes (e não necessariamente em páginas de fofoca: o próprio Facebook colabora muito com isso), e assim levamos mais tempo para realmente ficarmos sabendo do que é importante.

E o pior de tudo é que depois reclamamos da falta de tempo para ler. Quando na verdade ele nunca nos faltou: apenas o desperdiçamos com outras coisas.

Sobre a vontade de deixar o Facebook

Ano passado, culpei o Facebook pela diminuição no número de postagens aqui no blog. Mais do que a especialização, para a qual preciso ler artigos e, consequentemente, me toma tempo para escrever aqui.

Pois já penso além do próprio blog. Algo que notei: desde que uso o Facebook com frequência (algo em torno de três anos), diminuiu não simplesmente a frequência de atualizações do Cão. Passei a ler menos do que antes, e isso não acontece só comigo: meu irmão me mostrou um livro que adquiriu há um bom tempo e, pasmem, não chegou sequer à metade. Tudo bem que é um livro acadêmico e não de literatura, mas trata-se de um assunto do qual ele gosta. O motivo, ele explicou na hora: chega em casa, liga o computador e vai ver “o que tem de novo no Facebook”. E quando percebe, passou um tempão. Ou seja, exatamente o mesmo que acontece comigo e, certamente, com muitas pessoas.

Relembro novamente parte daquele texto de 18 de dezembro de 2012:

Mas nem toda a informação que obtenho pelo Facebook é realmente interessante. Ou será que preciso realmente saber que fulano de tal esteve no buteco X na hora Y com um certo número de pessoas? No fundo, a tal de “privacidade”, que tantos diziam ser ameaçada pelo Facebook, realmente vai para o espaço. E pior: abrimos mão dela voluntariamente.

A exposição exagerada pode gerar problemas? Certamente que sim. No âmbito profissional é fato: há empresas que, antes de contratar algum funcionário, vasculham seus perfis em redes sociais, e assim uma foto em que a pessoa aparece visivelmente bêbada pode acabar comprometendo suas chances – mesmo que trate-se de um fato excepcional, a imagem que fica é de um “pinguço” e não de alguém sério e comprometido. Mas mesmo no âmbito pessoal pode ser ruim: há pessoas com as quais nos damos bem presencialmente, mas que no Facebook postam tanta porcaria que acabam irritando e sabemos que, caso as apaguemos da lista de “amigos”, acabarão se magoando. E não basta cancelar a assinatura para não ver as atualizações, pois isso não as impede de comentar no que publicamos (GERALMENTE ASSIM TUDO EM CAIXA ALTA SEM VÍRGULAS RECLAMANDO E EXCLAMANDO!!!!!111).

Pois bem: ainda não pretendo deixar o Facebook – quero ver é se consigo diminuir bastante seu uso. Mas a ideia de abandoná-lo começa a amadurecer.

Mais Cão, menos Facebook

Como gremista, sou daqueles que dizem “o jogo só termina quando o juiz apita”. O mesmo vale para o ano: me recuso a fazer qualquer retrospectiva antes de 1º de janeiro.

Ainda assim, uma coisa posso afirmar sem medo de errar, infelizmente: fiquei devendo muito a vocês, leitores do Cão Uivador, neste ano que se aproxima do término (que pode ser tanto o “normal”, dia 31, como o “fim do mundo” na próxima sexta…). Postei bem menos do que desejava, e mesmo do que poderia.

Posso citar diversos motivos. Um deles é o fato de agora estar cursando uma especialização, o que me toma tempo: além de ter aulas duas vezes por semana, também tem ocasiões em que não posso sentar na frente do computador e escrever aqui, por ter algum texto para ler ou um trabalho para entregar. Enfim, nada com que eu não tenha me acostumado em seis anos de faculdade. A diferença é que naquela época eu era (um pouco) menos estressado do que hoje.

Então parei para pensar e reparei no fundamental: fico tempo demais no Facebook. É incrível: chego em casa, ligo o computador, e lá me vou acessar a cria de Mark Zuckerberg. “Quero me manter informado”, penso.

Mas nem toda a informação que obtenho pelo Facebook é realmente interessante. Ou será que preciso realmente saber que fulano de tal esteve no buteco X na hora Y com um certo número de pessoas? No fundo, a tal de “privacidade”, que tantos diziam ser ameaçada pelo Facebook, realmente vai para o espaço. E pior: abrimos mão dela voluntariamente. As pessoas se expõem a um ponto que aquela genial crônica de Luis Fernando Verissimo pode ser atualizada, pois o cara não precisa mais se esconder atrás de um poste à meia-noite, “sob o olhar curioso de cachorros e porteiros”, para ver se a Gesileide chega em casa com alguém: basta “espiar” o perfil dela.

Um fato que pode parecer irônico: há uma grande possibilidade do leitor ter chegado aqui graças a um link no Facebook. Mas não acho contraditório: lembro que saí do Orkut em 2006 e voltei no início de 2009 (ao mesmo tempo em que entrei no Facebook) com o objetivo de aumentar as visitas ao Cão. Até perto do final de 2010 o que eu fazia no Facebook era basicamente divulgar as atualizações do blog (ou seja, o mesmo que no Orkut), só comecei a usá-lo mais durante a campanha eleitoral (em conjunto com o Twitter, que anda meio “abandonado” mas pretendo retomar).

Ou seja, no fundo minha ideia inicial com o Facebook (e a de retomar o Orkut) em 2009 era a de usá-lo como ferramenta de divulgação, da mesma forma que o Twitter. E nesse sentido, ele é ótimo. O problema, como falei, é o “vício” de estar “por dentro” de coisas que não são exatamente as mais importantes do dia.

Sendo assim, tomei uma decisão: ficar menos tempo no Facebook e mais escrevendo aqui no Cão, ou lendo. Não é “resolução de ano novo” pois pretendo pôr em prática já, sem contar que fazer “resoluções de ano novo” é o primeiro passo para não cumpri-las.

E por fim, lembro que lá no começo do texto falei em “retrospectiva”. Pois é, o Facebook ofereceu uma (com fatos escolhidos por ele próprio) para postarmos em nossos perfis.

Pois eu não postarei. Favor não insistir.

Sopa indigesta

Amanhã, a página inicial do blog direcionará para uma especial, criada em protesto contra um projeto de lei que tramita no Congresso dos Estados Unidos, o SOPA (Stop Online Piracy Act), que sob o pretexto de combater a pirataria na internet, acabará por instaurar a censura na rede. E não se engane, pensando que só afeta os EUA: boa parte dos servidores da web – dentre eles, os que hospedam este blog – se encontram lá…

Assim, se considerarem que um blog escrito por um brasileiro que mora no Brasil infringe o SOPA, não adianta o autor argumentar dizendo que vive bem longe dos EUA: adeus, conteúdo.