Por que a bizarrice não é ruim para a democracia

Como era de se esperar, os primeiros dias do horário eleitoral gratuito foram marcados por candidatos bizarros que apareceram na tela. Figuras que mais parecem saídas de um circo estão por aí, pedindo votos.

Algo que muito ouço são reclamações quanto a isso. “É uma vergonha, a política está desmoralizada!”, dizem os indignados. De fato, isso ajuda realmente a diminuir a já muito abalada credibilidade da política nacional.

Porém, não posso concordar de forma alguma com gente que prega a proibição da candidatura de tais figuras. Mesmo que lamente profundamente que autênticos palhaços se candidatem e, inclusive, sejam eleitos.

O motivo é muito simples: já passamos muitos anos de autoritarismo no Brasil, em que candidatos eram eleitos e depois cassados. Muitos brasileiros morreram para que nosso país voltasse a ser uma democracia. Ela pode não ser a ideal, mas não a trocaria pela melhor das ditaduras. Não podemos aceitar que se volte aos tempos em que se barravam candidatos – antes ou depois da eleição – por razões totalmente subjetivas. Pois pode começar com os engraçados, mas aí depois alguém inventa alguma desculpa para impedir que gente séria, comprometida com a população, possa se candidatar – tipo dizer que “subversivos” (como costumam chamar quem não vê a propriedade privada como uma divindade) não podem concorrer.

Se achamos que a política está uma palhaçada, o melhor que podemos fazer é não votar nos palhaços e, principalmente, não sermos feitos de bobo por certos candidatos que não são engraçados e certamente rirão da nossa cara caso sejam eleitos. (É, a lei da “ficha limpa” não barrou todos os “sujos”…)

E não vejo mais desculpas para dizer “é tudo igual” nos tempos da internet, em que sobra informação.

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