Prematuro

Em menos de nove meses, completarei quatro décadas de vida. Planejava celebrar a data com amigos em um bar, ainda mais que neste ano 15 de outubro será uma sexta-feira, mas acho improvável que aconteça posto que o desgoverno instalado em Brasília não fará nenhum esforço para vacinar gente suficiente contra a covid-19 em 2021. (Cada vez mais sinto vontade de HIBERNAR, estar acordado durante esta pandemia é um fardo.)

Serão 40 anos de um nascimento prematuro: era para eu vir ao mundo entre o final de outubro e o começo de novembro de 1981. Mas acabou sendo já no dia 15 pois minha mãe estava com a pressão arterial bastante alta e esperar mais tempo seria muito perigoso tanto para ela como para mim. Meu pai autorizou a cesariana e dei meu primeiro chorinho às 23 horas e 5 minutos daquela quinta-feira de primavera.

Tive de passar mais quinze dias em uma incubadora, só fui para casa no final de outubro. Felizmente correu tudo bem e hoje posso escrever este texto.

Isso foi a primeira coisa que lembrei quando li a notícia de que 60 bebês prematuros tiveram de ser transferidos do Amazonas para outros estados, pois corriam muito risco de morrer devido ao esgotamento do estoque de oxigênio nos hospitais de Manaus. Se lá em outubro de 1981 correu tudo bem comigo e após quinze dias no hospital pude ir para casa, foi porque não havia uma pandemia e um colapso no sistema de saúde em Porto Alegre.

E é por isso que há DEZ MESES se insiste tanto que só se saia de casa apenas se necessário (lembrando que “balada”, bar e praia NÃO SÃO necessidades). Quando um hospital fica superlotado por conta de uma doença que se espalha muito rápido, pessoas que têm outros problemas também ficam sem atendimento. E quando o conseguem, profissionais da saúde estão mais suscetíveis a erros por conta do trabalho exaustivo (e que podemos até chamar de HEROICO) que vêm fazendo desde março de 2020.

E assim muitas mortes que em situações normais seriam evitadas, acabam acontecendo. Seja por covid-19 ou por qualquer outra causa.

Se o caos deste janeiro de 2021 em Manaus fosse em outubro de 1981 aqui em Porto Alegre, talvez eu não estivesse vivo para escrever as palavras acima, apenas não consigo parar de pensar nisso.

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