Operação Pandemia

Interessante documentário de menos de 10 minutos sobre a “ameaça mundial” representada pela gripe A… Ou será que pela indústria farmacêutica, sedenta de lucro?

O vídeo lembra que a gripe comum causa milhares de mortes por ano – sem virarem manchetes de jornais – e que anualmente milhões padecem vítimas de doenças facilmente evitáveis e curáveis, como a malária e o sarampo. E tem também a tuberculose, conforme foi lembrado na última sexta-feira: o “mal do século” (XIX) ainda não foi erradicado.

Assista!

Se soubessem a importância da PREVENÇÃO…

A UFRGS, assim como diversas escolas no Rio Grande do Sul, adiou o reinício das aulas, antes previsto para a próxima segunda-feira (3 de agosto) para o dia 17, devido à gripe A. Eu poderia dizer que a medida me é benéfica, visto que adiando em duas semanas o início do 2º semestre, também posterga o fim do semestre, o que me dá mais tempo para escrever a minha monografia.

Mas, eu queria terminar tudo ainda em 2009 (bom, pelo menos a parte escrita termina nesse ano). Não sei qual data a UFRGS estabelecerá para o fim do 2º semestre, mas o calendário original previa que o término seria no dia 11 de dezembro (o dia que eu gostaria de apresentar o trabalho para a banca). Duas semanas depois, é 25 de dezembro, feriado religioso. Considerando que sua véspera é um “quase feriado”, pelo menos dois dias de aula ficariam para janeiro. Provavelmente, toda a última semana de aulas – período destinado à apresentação dos TCCs na História – ficará para 2010.

Tudo isso, graças à ignorância generalizada. Eu já havia tocado no assunto semana passada, e hoje o Cristóvão Feil falou no Diário Gauche da importância de se lavar frequentemente as mãos: previne não só a gripe, como um monte de doenças. A mídia corporativa não fala tanto, talvez por intere$$e em fazer com que as pessoas queiram comprar o caro remédio para a gripe A (mesmo não a tendo!), satisfazendo os anseios do fabricante do medicamento – e anunciante.

Outra forma de prevenção, é evitar fechar todas as janelas em locais com grande número de pessoas (salas de aula, ônibus etc.). Tem feito muito frio, é verdade, mas me parece tão óbvio que muita gente num lugar fechado não é bom… E não é só por causa de gripe, mas também pela horrível sensação de abafamento que tal fato provoca. No final do semestre passado, mais de uma vez eu me levantei para abrir a janela da sala de aula em noites frias, inclusive falando da gripe A: eu não me borro de medo, mas usei o “terrorismo” para ver se adiantava. Não deu certo: na aula seguinte em noite fria, tudo fechado de novo…

Fossem adotadas tais medidas preventivas desde o início da gripe, as aulas poderiam começar normalmente na próxima segunda-feira. Agora, é tarde.

O medo da gripe

Sempre que se começa a falar em pandemia de gripe (e a época atual não é a primeira: lembram de 2005, da gripe aviária?), percebo o quão interessante é a espécie humana. Nos orgulhamos de sermos “os maiores”, poderosos. Porém, somos postos de joelhos por seres microscópicos como os vírus: gripe, AIDS, dengue… Somos tão bons, mas ao mesmo tempo, tão vulneráveis.

Mas há algo pior do que a gripe, pouco importando se é “suína”, “aviária” ou “humana” – que é a designação mais correta para o atual surto. Trata-se do medo.

Claro que não é o caso de dizer “não vamos dar bola, conosco não vai acontecer nada”: provavelmente tenha se pensado assim em 1918 durante a gripe “espanhola” – que não era espanhola, provavelmente surgiu nos Estados Unidos mas começou a ser noticiada na Espanha, que por não estar envolvida na Primeira Guerra Mundial não censurava a imprensa. A pandemia de 1918 matou cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, dentre elas o presidente eleito do Brasil Rodrigues Alves, que doente à época da posse (15 de novembro de 1918), não assumiu, morrendo em 16 de janeiro de 1919. Naquela época, não se tinha viagens aéreas a torto e direito como hoje, mas em compensação não se dispunha de tantos meios para a cura do vírus. E não se pode esquecer que havia uma grande guerra em curso, que ajudou bastante a propagar a gripe pela Europa e também pelo mundo todo (ou alguém acha que algum governo mandaria fechar fronteiras para conter a gripe quando muitas delas estavam em disputa?).

O maior perigo da gripe, além da própria doença, é as pessoas ficarem tão assustadas com ela e assim aceitarem quaisquer medidas supostamente “contra a pandemia”, por mais autoritárias que sejam. Claro que não é o mesmo caso, mas a ditadura militar no Brasil começou como “prevenção”: a classe média da época, com medo do comunismo, viu com bons olhos o golpe militar de 1964. Era para ser apenas uma “intervenção provisória”, para “reestabelecer a ordem” e devolver o poder aos civis após a eleição presidencial prevista para 1965. Porém, o “governo provisório” durou até 1985.

É necessário que haja sim prevenção de verdade contra a gripe – ou seja, sem aspas, que não seja “prevenção”, com segundas intenções. Até porque a Organização Mundial da Saúde diz que há riscos de pandemia, mas que ela não é inevitável – então, nada de ficar “doente antes da hora”! Façamos como o Kayser: piada com os paranoicos. Até porque é disso que eles precisam: descontração, para desestressar.

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