11 anos de Cão Uivador

Foi em 14 de maio de 2007, uma segunda-feira, que este Cão Uivador teve seu primeiro texto publicado. Era o início de uma trajetória que duraria quase oito anos sem interrupções.

A primeira foi uma “crise” não somente do blog, como de seu próprio autor. Era um momento de desânimo com a vida, no qual meu futuro era incerto. Mas reuni motivação para dar seguimento ao Cão – que celebrou seu sétimo aniversário em 14 de maio de 2014 e semanas depois ganhou domínio próprio.

Agora, o que podemos chamar de “interrupção” aconteceu no início de 2015 – ironicamente, não por conta de uma “crise”, visto que o momento vivido era dos melhores: em janeiro daquele ano me mudei para Ijuí, era o início de uma nova experiência de vida. Algo que deveria inspirar novos textos. Porém, além de toda a função da mudança, no começo de minha jornada no noroeste gaúcho também não tive internet em casa – levou cerca de duas semanas para eu não depender do celular para me conectar.

Algo interessante é que cheguei a escrever um texto falando de algo que muito me chamava a atenção por lá: o céu noturno. Afinal, por ser uma cidade menor, a iluminação ijuiense ofusca menos o brilho das estrelas. Lembro de várias noites nas quais ficava muito tempo simplesmente olhando para o céu, sem nem tentar contar as estrelas. Porém, o rascunho do texto no qual falava isso ficou incompleto: a última edição foi na madrugada de 22 de março de 2015 – quando o Cão já acumulava 74 dias sem atualizações. Provavelmente deixarei lá, sem publicar, pois terminá-lo hoje, quando moro novamente em Porto Alegre, não seria a mesma coisa.

Não deixa de ser curioso que apenas dois dias depois de salvar este rascunho finalmente voltei a atualizar o blog. E o motivo foi, ironicamente, o longo tempo parado. Foi aparentemente uma retomada (afinal, já tinha pensado seriamente em acabar com o blog), pois dois dias depois teve novo texto. Mas depois, mais duas semanas de parada até postar em homenagem a Eduardo Galeano, falecido em 13 de abril de 2015. E, 42 dias depois, o “fim” – e início de um novo blog, que seria mais “condizente” com o novo momento. Assim como oito anos antes (a propósito, não houve postagem pelo oitavo aniversário do Cão), em uma segunda-feira de maio.

Com isso, passou sem nenhuma lembrança o décimo aniversário do Cão, ano passado. Aquele 25 de maio de 2015 parecia ter sido, realmente, um ponto final.

Mas não foi. Decidi retomar o Cão em fevereiro de 2018, mas com uma proposta diferente da anterior (e sem domínio próprio): mais com cara de “anotações dos meus pensamentos” do que para textos mais “sérios”, analíticos. Não que eu tenha aberto mão disso, mas tenho preferido fazer em outros lugares, como em publicações no Medium.

E hoje, depois de quatro anos, volto a celebrar o aniversário do Cão Uivador. Em uma segunda-feira de maio. Com uma “novidade”: incorporei a ele os textos escritos no blog criado naquela outra segunda-feira de maio, na qual ele aparentemente tinha “acabado”. Agora, tudo é Cão, sem divisões.

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Inédito: a mudança de horário me afetou

Celebrei o fim do horário de verão, apesar de gostar dele, pois significa que o outono está no horizonte. Sim, isso é algo bom.

Porém, não contava com algo diferente em 2017 em relação a anos anteriores: no primeiro dia útil após a mudança do horário eu trabalhei até pouco depois das 19h. E senti bastante a diferença, ao contrário de anos anteriores quando em tal horário já estava em casa ouvindo a Voz do Brasil (é sério).

Afinal, sexta-feira saí no mesmo horário. Fazia muito calor e tinha sol.

Por sua vez, na segunda-feira só tinha o calorão. O sol há muito já tinha ido.


Em compensação, até hoje nunca tive problemas com a entrada do horário de verão – que é quando acontece a maior parte do “mimimi”. Embora seja bem verdade que quando começou o “finado” horário de verão 2016/17 eu não saia do trabalho às 19h em nenhum dia, mas sim por volta das 18h todos os dias: em outubro tal hora já tem sol mesmo que vigore o horário normal.

Verão: o horário já foi

Curto bastante o horário de verão. Acho muito agradável andar na rua às 8 da “noite” com céu ainda claro, o relógio adiantado permite aproveitar mais a luz solar. Fora que nunca tive problemas para me adaptar ao horário, e não entendo quem fica todo esse tempo de “mimimi”: a média para se acostumar é algo em torno de uma semana (reconheço que sou um privilegiado pois em questão de dois ou três dias estou bem habituado), logo quem depois desse tempo ainda não se ajustou deveria é procurar orientação médica ao invés de ficar reclamando no Facebook.

Por outro lado, também adoro quando acaba o horário de verão, numa aparente contradição. Mas que se explica facilmente: me acostumo muito facilmente com a hora adiantada, enquanto ao verão faz 35 anos que não me adapto. E o fim do horário de verão, mesmo com todo esse calor, é um sinal de que já é possível vislumbrar o outono no horizonte.

Faltam 29 dias.

Não derreti com o calor

Até porque nem está tão quente assim, o problema é a umidade elevada. A previsão de “onda de calor” para os próximos dias chega a me fazer rir, pois não há prognóstico de três semanas com temperaturas beirando os 40°C como aconteceu em 2014 – naquela época eu já celebrava quando não passava dos 35°C.

Mas ainda assim, não vejo a hora que chegue o outono. Faltam “só” 30 dias para o início oficial – o início “de verdade”, que é quando a temperatura cai, leva mais um tempo.

Que venha logo.

Do Twitter ao blog

O Twitter tem muitas vantagens em relação ao Facebook. Não é tão repleto de “cagadores de regra”, dá maior liberdade de ignorar idiotas que só aparecem para provocar, e o principal: não é uma rede “de amigos”, mas sim de “seguidores”. Tenho muitos “amigos” que não sigo no Twitter e vice-versa, mas no Facebook lá estão…

Só que o Twitter tem um problema: limite de 140 caracteres. Com isso, o que se quer dizer acaba ficando “quebrado” em vários “tweets”. Embora ainda seja a rede ideal para “xingar muito”, em especial a galera chata do Facebook.

Nesse aspecto, o blog tem uma vantagem: poder escrever mais. E como não estou divulgando os links no Facebook, me dá uma liberdade bem maior.

De repente faço isso no próximo texto. Agora não, pois estou com sono (sim, madrugada de sábado e vou dormir cedo, mas foda-se).

Nova profissão: comentarista de velório

Está um saco essa onda de “mimimi” sobre o velório de Marisa Letícia. Galera reclamando que Lula “fez discurso político”. Gente que desejou a morte dela agora fica dizendo que foi “desrespeito”.

Ora, mas vão se catar!

E aviso: no meu velório também vou querer discurso político. De esquerda, é óbvio. Pois se alguém se atrever a falar direitices eu juro que volto do além para lhe fazer umas visitinhas… De preferência no meio da madrugada.

Minha eterna mania de ser “do contra”

Tenho convicções firmes, isso é fato. Me fazer mudar de ideia não é nada fácil.

Isso tem um aspecto negativo: muitas vezes estou errado e demoro a reconhecer, só para “não dar o braço a torcer”. Raramente reajo bem quando criticado – ainda mais que a maioria delas não é a tão falada e pregada “crítica construtiva”, mas sim ataques que acabam sendo pessoais.

Por outro lado, “não dar o braço a torcer” também tem seu lado positivo: é bem difícil me fazer aderir a ondas, modas etc. Quando muita gente defende a mesma coisa, é quase que automático o meu posicionamento contrário. (Aliás, essa onda conservadora só me deixa mais convicto de que o meu lado é a esquerda.)

Tal “tendência pessoal” vai além de posicionamentos políticos. Se estende a outros aspectos da vida.

Lembro dos meus tempos de adolescência, quando comecei a ser convidado para “baladas” e sempre recusava por “não gostar”. Apesar de nunca ter ido a uma até então, ver tanta gente dizendo que gostava e falando maravilhas me deixava certo de que tal “diversão” deveria ser furada. Era um daqueles casos em que se aplica aquele bordão “não tenho provas, mas tenho convicção” (aliás, no repasse do boato que fez surgir tal bordão valeu a mesma lógica). Resisti por um bom tempo, até que comecei a aceitar os convites – mas aos 25 anos já tinha largado de mão novamente, preferindo muito mais ir a bares com mesas na rua e podendo conversar sem necessidade de gritar devido à música alta.

Ironicamente, quando a maioria dos amigos passou à “fase seguinte” daquele roteiro-padrão das vidas de “classe média” (ou seja, começaram a casar), comecei a ter aversão à ideia de casamento. Ter filhos, então… (Hoje até admito casar – mas sem ter filhos – um dia, só que por um motivo que escandaliza “gente romântica”: duas pessoas morando juntas dividem as contas e assim sobra mais dinheiro. Só que isso não me faz querer “me juntar” com a primeira mulher que aparecer na frente, ainda mais em minha fase atual, na qual ando acreditando mais na política tradicional do que no amor – como prova o próprio fato de ver mais razões econômicas do que afetivas em casar… Vai ter de acontecer uma “revolução” na minha vida para mudar este quadro.)

Ao mesmo tempo em que prefiro à solteirice, também abomino o que se convenciona como “vida de solteiro”. Um “pacote” que inclui as por mim detestadas “baladas”, e também “farra”, “putaria”, “curtir a vida adoidado”… Dizem que “não estou aproveitando”, mas respondo com um sincero “foda-se, da minha vida e dos meus gostos cuido eu” – e sei que não vou me arrepender depois que eu casar vier a “revolução”. É uma grande ironia: tenho uma “vida de casado”, preferindo ficar em casa numa sexta-feira à noite (ainda que bebendo) do que fazer “programas de solteiro”.


Só que uma eventual “virada” no senso comum também não vai me fazer “guinar” para o outro lado. Ao contrário: vai apenas me motivar a dizer “viram só como eu estava certo”?

Não consigo não detestar o verão

O sábado foi mais um dia daqueles de “desmaiar o Batista”. Mesmo que não tenha sido um dia tão quente quanto aquele 3 de fevereiro de 2010 do famoso desmaio e o atual verão, apesar dos pesares, esteja longe de ser dos piores, foi complicado andar na rua. Ainda mais de calça, visto que eu tinha um chá de fraldas para ir e não achei de bom tom ir de bermuda – apesar de que um dos meus amigos foi…

Na minha “lista de coisas que detesto” (na verdade nem tenho uma) o verão está no “top 10”, e não é por nada. Além do calor que me faz transpirar demais (e não me venham com a justificativa de que “é da natureza”, pois tremer de frio no inverno também é “natural” e ninguém acha legal), ainda tem a lembrança do verão de 2014, o pior de todos os que já (sobre)vivi. Sim, falo de temperatura, mas não só disso.

Nem vou entrar em maiores detalhes para não me estender muito, mas acontece que o período final de 2013 e o inicial de 2014 correspondem à fase que considero a pior de minha vida. Sabe aquelas épocas em que TUDO dá errado? Pois bem, eis o que eu vivia naqueles tempos. Aquele verão não precisaria ser quente para ser o pior de minha vida.

O problema é que não foi só quente: foi também o mais escaldante em décadas*, com muitos dias sufocantes. Como se não bastasse todo o meu desânimo com a vida naquele tempo, ainda tinha de enfrentar todo aquele calor: a sensação era de que eu estava em um “inferno” não apenas “astral” para pagar meus “pecados” – sim, aquela fase péssima era decorrente de erros cometidos anteriormente, mas acho que a “punição” foi por demais exagerada.

Coincidentemente (?), depois do verão as coisas começaram a melhorar. Afinal de contas, não era só por causa da temperatura – mas a queda dela ajudava a animar.


* Porto Alegre teve em 6 de fevereiro de 2014 temperatura máxima oficial de 40,6°C, a segunda mais alta desde o início dos registros em 1910, perdendo por pouco para o recorde de 40,7°C do dia 1º de janeiro de 1943. Mas outras estações espalhadas pela cidade registraram ainda mais calor – na Zona Norte, chegou a 42,6°C. E foi apenas um dia de uma canícula que durou semanas…

Nostalgia… Mas de quê?

Um dos motivos pelos quais uso este template para o blog é poder usar várias imagens de cabeçalho, que variam a cada clique. Assim quebro um pouco menos a cabeça na escolha de uma.

Resolvi dar uma “atualizada” no cabeçalho, excluindo algumas fotos e incluindo outras – e todas as que “entraram” foram tiradas em Ijuí.

Toda vez que vejo as fotos que tirei no tempo em que morei lá (janeiro de 2015 a agosto de 2016) me bate um sentimento que ainda não defini bem. Uma espécie de nostalgia. Tanto da vida mais tranquila que levava em Ijuí, como também – acho que o mais provável – de morar sozinho.

O curioso é que em nenhum momento desde o retorno eu me senti arrependido de ter voltado a Porto Alegre. Quando bate a nostalgia, lembro também do tempo que precisava passar dentro de um ônibus para ver minha família, e que às vezes ficava mais de mês sem vir para cá.

Talvez isso passe quando eu me mudar (novamente) da casa da minha mãe e voltar a morar sozinho. Isso é, aliás, minha única “resolução” para 2017.