Porto Alegre não precisa do Pontal

Ao invés de falar sobre o Pontal do ponto de vista ambiental e também urbano, dessa vez decidi escrever a respeito de outro aspecto: o turismo.

Hoje passei a tarde com os amigos Adriana, Mario e Paulo – que são também colegas da UFRGS. Após um ótimo almoço, fomos para a Zona Sul, onde tomamos uma cervejinha num bar da Avenida Guaíba, mesa ao ar livre, com direito à vista da bela paisagem formada pelo Rio Guaíba e os morros às suas margens. Excelente programa para uma tarde espetacular de outono.

Isso me fez pensar e ter ainda mais convicção: é preciso ser muito tosco para achar que Porto Alegre precisa do Pontal do Estaleiro para atrair turistas. Afinal, nossa cidade já tem lugares sensacionais, só que desconhecidos por muita gente. Ou até conhecidos mas inseguros, como o mirante do Morro Santa Tereza, de onde se descortina uma vista belíssima da cidade.

Os pontaleiros dizem que “não há o que indicar para os turistas verem em Porto Alegre”. Dizem isso por desconhecerem a cidade em que moram! Por acreditarem que devemos todos seguir regras preestabelecidas, construídas em outros contextos: “eles criam, nós copiamos”.

Penso que o mais legal de se conhecer em uma cidade que se visita – e mesmo na que se mora – são as suas peculiaridades. Nada é “atração turística” no exato momento em que surge. Já ouvi falar que a Torre Eiffel foi considerada “feia” quando concluída em 1889, mas tornou-se um símbolo de Paris (e da própria França), a ponto de se dizer que “quem vai a Paris e não visita a Torre Eiffel, é como se não tivesse estado em Paris”. E por que aquela torre tornou-se tão famosa? Não é simplesmente por oferecer uma vista panorâmica da cidade, e sim, porque ela só existe lá. Se existissem cópias da Torre Eiffel em várias partes do mundo, obviamente as pessoas de posses (que os pontaleiros acham que deixariam muito dinheiro em Porto Alegre por causa do Pontal) continuariam indo a Paris para visitarem a original e desfrutarem das outras atrações da capital francesa.

Logo, como eu disse, é tosquice achar que, como em um passe de mágica, Porto Alegre se tornará “turística” com edifícios na orla do Guaíba. A cidade não precisa disso. Ainda mais que orla cheia de prédios há em diversos lugares, como Camboriú ou Rio de Janeiro. E, como eu disse, quem tem dinheiro para viajar ao Rio, não vai trocar por Porto Alegre – ainda mais que o Rio tem praia onde se pode tomar banho (no Guaíba não dá graças à poluição gerada pelo “progresso”) e muito mais.

Os porto-alegrenses precisam parar com essa mania de acharem que a cidade “não é atrativa”, e passarem a mostrar o que ela (e só ela) tem de bacana.