O medo dos “robôs”

Quando o (des)governo Yeda estava por acabar, comentei que os cartunistas iriam sentir muita falta – afinal, nunca fora tão fácil fazer piadas no Rio Grande do Sul.

Porém, nas últimas semanas a Veja tem se superado… E assim a vida de chargistas robóticos como o Kayser voltou a ficar mais fácil.

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A Ipiranga tem ciclovia!

Aos amigos que pretendem pedalar na nova ciclovia e estiverem a fim de fazê-lo escutando várias vezes a mesma música, aí vai a dica:

Sim, se é para ouvir várias vezes, tem de ser a música mais curta já gravada. Pois hoje o prefeito de Porto Alegre – e candidato à reeleição – José Fortunati inaugurou, com todas as pompas (e andando na contramão), uma quadra de ciclovia. Isso mesmo: teve cerimônia de inauguração para um isolado trecho de 416 metros de uma obra que, pela previsão, terá 9,4 quilômetros de extensão quando realmente estiver concluída (o que só se verá muito após a eleição). E que é alvo de muitas críticas do público ao qual se destina – ou seja, os ciclistas.

No ritmo atual, segundo os cálculos de um cicloativista, a ciclovia da Ipiranga será concluída em 2025. Já os 495 quilômetros previstos no Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre estarão prontos daqui a 730 anos. Acho que em 2742 já estarei um pouco velho para andar de bicicleta pela cidade…

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Disso posso tirar uma conclusão: no quesito “inaugurações bizarras”, o (des)governo Yeda Crusius fez escola.

Não tinha dito?

Em 29 de dezembro, postei uma charge do Kayser que tirava sarro da ex-(des)governadora Yeda, prevendo que certamente não seria a última motivada por ela. Dito e feito…

Desta vez, é do Bier: a versão verdadeira do “déficit zero” tão alardeado pelo (des)governo.

Só é uma pena que, pelo visto, o “caixa zero” servirá para o governo Tarso não reajustar o salário dos servidores públicos estaduais… Não era isso uma das (muitas) reclamações que se tinha contra o (des)governo Yeda?

Finalmente, o fim

Chegou ao fim na manhã de sábado o (des)governo Yeda Crusius. Quadriênio que já tinha começado muito bem: após receber o cargo de Germano Rigotto, Yeda foi à sacada do Palácio Piratini e pendurou a bandeira do Rio Grande do Sul de cabeça para baixo. Profética imagem…

Posse de Yeda Crusius, 1° de janeiro de 2007

Mas antes mesmo de assumir, Yeda já sofrera sua primeira derrota. Em 29 de dezembro de 2006, um pacote que previa aumento de impostos e era apoiado por ela, foi derrotado na Assembleia Legislativa. Foi quando vi algumas cenas bizarras, como deputados do PT e do PFL (ainda não era DEM) comemorando juntos – o vice Paulo Afonso Feijó, que já estava afastado de Yeda desde a campanha eleitoral (pois ela não queria que ele defendesse abertamente as privatizações), se distanciou ainda mais do (des)governo que nem começara.

Àquela altura, Yeda já motivava muitas charges*. E elas já começavam a ir muito além de sua inabilidade política, chegando até mesmo a seu legítimo “pé-gelado”: em 6 de abril de 2008, o Grêmio precisava empatar com o Juventude no Olímpico para ir à semifinal do Gauchão. Yeda foi ao estádio, e o Ju venceu por 3 a 2, após uma inexplicável escalação de Celso Roth… Opa, inexplicável uma ova!

Yeda não foi “pé-frio” apenas no futebol. Em fevereiro de 2009, visitou a Paraíba, governada por seu colega de partido Cássio Cunha Lima; dias depois, o tucano teve seu mandato cassado. Em maio do mesmo ano, ao inaugurar uma estrada, o palco cedeu.

Três semanas atrás, previ que Yeda faria por merecer mais sátiras em seus últimos dias no Piratini. Dito e feito. Vimos o “videoclipe”, o momento Forrest Gump, a inauguração de um tronco petrificado… E no fim, uma aulinha de história do Palácio Piratini: em seu discurso de despedida, Yeda falou que o primeiro morador do prédio foi Bento Gonçalves, em 1921. A ex-(des)governadora está certa quanto ao ano de inauguração do Palácio, mas é preciso avisá-la de que Bento Gonçalves faleceu em 1847.

Após o discurso, a “Joana D’Arc dos Pampas” (usando as palavras do genial Professor Hariovaldo) deixou o Piratini pela porta dos fundos.

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* Um aviso aos leitores: não desisti da ideia de fazer uma “retrospectiva chargística” destes quatro bizarros anos – é que originalmente eu pensava em publicá-la hoje, mas são tantas charges, que é impossível publicar tudo de uma vez, e sem passar pelo menos alguns meses selecionando as melhores. Como não sei se eu sobreviveria a tanta risada – assim como os infelizes que foram vitimados pela piada mais engraçada do mundo – acho que talvez seja uma boa dividir os trabalhos…

(Des)governo Yeda se supera a cada dia

Primeiro, retomemos (de novo!) o que escrevi em 12 de dezembro:

E isso que desconsiderei as charges que poderão ser feitas até 31 de dezembro, pois como nos restam vinte dias de Yeda no Piratini, nesse tempo ainda pode acontecer algo digno de ser satirizado.

Desde então, vimos o road movie, o momento Forrest Gump, e agora… A inauguração de um tronco petrificado. Obra de 200 milhões de anos atrás. Dos tempos do em que o Rio Grande do Sul estava sob o domínio do Pantalhosaurus Rex.

As duas primeiras bizarrices que citei, eu achava serem as últimas do (des)governo. Já esta, tenho certeza de que não será a última. Até sábado, pode acontecer tudo. E é tudo MESMO!

A bizarrice é OFICIAL!

O “videoclipe” da Yeda inaugurando a RSC-471 não é invenção dos “blogueiros sujos” com o objetivo de macular a imagem da (des)governadora. Nem foi coisa da RBS (no portal da empresa, o vídeo aparece com “Zero Hora” na autoria).

É OFICIAL!!! Está lá, na página do Governo do Estado!!!

Parabéns aos que votaram Yeda em 2006 – e que votariam até num cone se fosse o “anti-PT” da vez. Aliás, que já votaram nela no primeiro turno para “ferrar o PT” (era para deixar o Olívio fora do segundo turno, só que com isso eliminaram o Rigotto, que fez um governo medíocre, mas sem tanta tosquice). E quem se ferrou foi o Rio Grande do Sul.

Diante disso, estar na Praça da Matriz dia 1º de janeiro virou obrigação cívica. Quero ter certeza de que a Yeda vai realmente embora.

Estou morto, velado e enterrado!

Naquele texto de domingo sobre a ideia de se fazer uma “retrospectiva chargística” do (des)governo Yeda, eu disse:

E isso que desconsiderei as charges que poderão ser feitas até 31 de dezembro, pois como nos restam vinte dias de Yeda no Piratini, nesse tempo ainda pode acontecer algo digno de ser satirizado.

Pois é…

Sugestão aos cartunistas gaúchos

O (des)governo Yeda está (finalmente!) acabando. Daqui a três semanas, o Tarso estará no Palácio Piratini, e a Yeda vai para casa.

Mas nem todo mundo está feliz com o fim do (des)governo. Os chargistas da Grafar, em setembro de 2009 deixaram claro que vão lamentar como poucos a saída da Yeda do Piratini. Afinal, nunca foi tão fácil fazer piadas sobre um governante no Rio Grande do Sul. Se o Hermes da Fonseca foi um dos presidentes mais satirizados da história do Brasil, sem dúvida alguma a Yeda detém tal honra a nível estadual.

Pensando em divertir minha meia dúzia de leitores logo depois que a Yeda sair, me veio a ideia de fazer uma “retrospectiva” destes quatro bizarros anos. Para não me perder, comecei pelo Kayser, e seguindo uma ordem cronológica a partir do que ele desenhou e postou no blog dele antes mesmo da Yeda ser eleita, em outubro de 2006. Parei no início de maio de 2007, depois de já ter selecionado vinte e seis charges.

Se só do Kayser escolhi 26 charges num período de pouco mais de sete meses, imaginem quantas faltam até os dias atuais? Depois lembrei que ainda teria de fazer a seleção do Bier, do Eugênio, do Hals, do Santiago… Pois é, a retrospectiva ficaria imensa. E isso que desconsiderei as charges que poderão ser feitas até 31 de dezembro, pois como nos restam vinte dias de Yeda no Piratini, nesse tempo ainda pode acontecer algo digno de ser satirizado.

Deixo então uma sugestão aos cartunistas: uma retrospectiva do (des)governo Yeda baseada em charges. Acho mais fácil que a seleção seja feita por quem desenhou, pois eles lembrarão as que consideram as suas melhores, que sintetizam de forma muito bem-humorada o que foram estes quatro anos para o Rio Grande.

Mas para além da retrospectiva, é imporante que se monte um arquivo das charges sobre o (des)governo – seria um acervo riquíssimo, e uma mão na roda para os historiadores no futuro. Afinal, elas propiciarão uma visão muito mais correta sobre este período do que a “grande mídia” guasca.