Solidariedade a Milton Ribeiro

Mais um processo contra blogueiro. Prova de que essa mídia sem credibilidade realmente incomoda.

Li no blog do Milton Ribeiro que ele está sendo processado por Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres (que virou minissérie na Globo, e não por acaso a mais adorada pelos bovinóides, já que fala sobre a “Revolução” Farroupilha). A ação por “danos morais” deve-se a um post no blog dele, publicado em 11 de fevereiro deste ano.

Não é o primeiro caso de processo movido a partir de posts em um blog. O pessoal d’A Nova Corja que o diga, com três: Banrisul, Políbio Braga e Felipe Vieira. Ainda no Rio Grande do Sul, temos também o caso do professor Wladimir Ungaretti, proibido por ordem judicial de se manifestar a respeito do “fotojornalismo” da Zero Hora.

E é impressionante qualquer coisinha acaba em processo. Afinal, tudo se resume a intimidar com base no poder econômico. Mesmo que por motivos ridículos.

Processar alguém por besteira, a meu ver serve para dar ainda mais razão ao processado, e o efeito pode ser o inverso ao desejado – ou seja, a exigência de reparação ao “dano moral” apenas serve para deixar o processante realmente “mal na foto”.

Pois, no caso da Leticia Wierzchowski, nunca li um livro dela – e por isso me abstenho de criticá-los. Mas com este ridículo processo contra o Milton Ribeiro, a autora ganhou tanta antipatia de minha parte que jamais pretendo ler qualquer coisa escrita por ela. Nem sequer para fazer críticas. E ainda recomendo o mesmo a todos os meus amigos, leitores e amigos-leitores.

Ungaretti volta a postar

O blog Ponto de Vista, do professor Wladimir Ungaretti, voltou hoje às postagens diárias. Sem poder tecer comentários a respeito do trabalho de um fotógrafo da RBS, pelo qual está sendo processado.

Aliás, hoje é dia 1º de abril. Uma semana atrás, propus que fosse feita uma “homenagem” à “grande mídia”, que se diz democrática mas na verdade é mentirosa (combina com o dia de hoje!), já que esconde seu posicionamento. Além disso, há exatos 45 anos (1º de abril de 1964) o movimento golpista iniciado um dia antes vencia a democracia – o que levou muitos jornais, que inclusive apoiaram o golpe, a serem censurados.

Assim, a “homenagem” que eu faço consiste, é claro, em uma receita culinária. Afinal, era assim que os jornais ocupavam o espaço que seria preenchido por matérias censuradas pela ditadura (“ditabranda” uma ova!).

Pudim de amêndoas

Ingredientes: 500g de açúcar, 500g de amêndoas moídas; 2 colheres de manteiga; 2 colheres de farinha de trigo; uma pitada de sal; 10 ovos.

Modo de fazer: Faça a calda em ponto de pasta, acrescente-lhe os outros ingredientes e misture bem. Ponha em fôrma untada com açúcar queimado. Cozinhe em banho-maria.

Processos? Tem mais…

Não é só o Wladimir Ungaretti que tentam impedir de falar.

O blog de Política A Nova Corja, que trata do assunto de uma maneira bastante irreverente e bem-humorada, já tem uma certa “coleção” de processos. No final de junho do ano passado, Políbio Braga decidiu processar Walter Valdevino (um dos autores e responsável pelo domínio do blog) devido a esse post. Isso depois de ameaçar Rodrigo Alvares (um dos autores do blog) dizendo que ia “achá-lo de qualquer jeito” – o que rendeu uma hilária série de posts sobre o suposto paradeiro de Alvares.

O mesmo post que motivou a ação de Políbio Braga também levou Felipe Vieira a processar A Nova Corja – desta vez o processo é contra todos os atuais integrantes do blog, mesmo os que não faziam parte da equipe em junho de 2008. Independente do resultado, é um tiro no pé de Vieira: eu nem lembrava que ele havia sido citado naquele texto. Aliás, as consideradas “injúrias” passariam batidas pela maioria esmagadora das pessoas, não fosse o processo…

Vale lembrar que o blog também sofre processo do Banrisul, que corre em segredo de justiça – ou seja, nada pode ser comentado a respeito do andamento do processo.

E em todos os casos, não vimos a “grande mídia” reclamar da “perseguição a jornalistas”.

Solidariedade a Wladimir Ungaretti

A Folha chamou a ditadura brasileira de “ditabranda”, mas não vai dar um pio a respeito do que acontece nos dias de hoje. Assim como diversos jornais e associações que dizem defender o jornalismo e a liberdade de imprensa mas na verdade defendem é a “liberdade de empresa”.

O fotógrafo Ronaldo Bernardi, da RBS, entrou com processo judicial contra o professor Wladimir Ungaretti (FABICO-UFRGS). O motivo eram as críticas – meramente de caráter profissional, diga-se de passagem – feitas pelo professor ao fotógrafo.

E quem ganhou a parada foi o fotógrafo: Ungaretti é obrigado, pela (in)justiça (vai com “j” minúsculo mesmo), a retirar tanto de seu blog como do sítio Ponto de Vista toda e qualquer referência a Bernardi. Ungaretti vai recorrer, mas por via das dúvidas já apaga boa parte do material que publicou – não só a respeito do fotógrafo da RBS, como também sobre outros aspectos “interessantes” da empresa. Uma pena.

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Semana que vem, mais precisamente na quarta-feira, é 1º de abril – ou seja, “dia da mentira”. Proponho uma “homenagem” à “grande mídia” que se diz democrática mas censura jornalistas de verdade como o Ungaretti, publicando em nossos blogs receitas ou trechos da epopéia “Os Lusíadas” de Luiz de Camões, tal como acontecia na ditadura (desculpem o palavreado, mas “ditabranda” é a puta que pariu!) quando jornais eram censurados – mesmo tendo sido apoiadores do golpe. Dizem que de tanto ter sido censurado, o Estado de São Paulo publicou a íntegra de “Os Lusíadas”.

A qualidade do nosso “showrnalismo”

Bem diz o Wladimir Ungaretti: nunca se fez jornalismo tão ruim neste país. Na verdade, nem se trata de jornalismo, e sim, de “showrnalismo”.

E a porcaria não é só nos noticiários referentes à política ou aos movimentos sociais. Até na hora de falar do tempo, a “grande mídia” faz merda. No Jornal Nacional desta sexta, houve reportagem falando que hoje a temperatura caiu abaixo de zero em São Joaquim, e que “finalmente o frio chegou”.

OPA! Que história é essa de “finalmente o frio chegou”? E aqueles dias congelantes em maio e junho (bem mais frios que hoje), foram o quê?

Sem contar que semana passada, pelos jornais a impressão que se tinha era de um clima de verão, de tanto que falavam em “veranico de julho”. Tá certo, à tarde fazia calor de quase 30 graus, mas de manhã cedo não dava para sair de manga de camisa. Quando eu chegava ao Campus do Vale da UFRGS, por volta de 8 e meia da manhã, a temperatura era certamente próxima de 10 graus, a ponto de eu realmente passar frio: eu só não me agasalhava mais porque sabia que à tarde o tempo iria esquentar e não estava a fim de carregar um monte de roupas.

Ah, e a reportagem da Globo sobre o raro frio de São Joaquim terminou com uma das mais estúpidas perguntas que já ouvi. Ao entrevistar uma menina que mora no Rio de Janeiro e visitava a cidade catarinense com os pais, o “showrnalista” perguntou: “em Ipanema faz tanto frio assim?” (argh, meus ouvidos doem!).

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Comecei o post falando do Ungaretti, e termino citando o mesmo. Clique aqui e leia o ótimo texto que ele escreveu a respeito da chegada da marcha do MST a Porto Alegre. São informações que vocês jamais terão na Globo.