O mito do inverno com neve no Rio Grande do Sul

Hoje foi um dia com a minha cara aqui em Porto Alegre: manhã com 6°C e muito vento, tão forte que chegava a uivar (e ainda querem que eu goste do verão?). Houve rajadas superiores a 90 km/h, que causaram transtornos como queda de árvores, falta de energia elétrica e, consequentemente, de água, devido à interrupção do fornecimento de eletricidade em algumas estações de bombeamento. E o vento obviamente aumentou a sensação de frio.

Taí a verdadeira cara do inverno gaúcho: o famoso “minuano”. O vento gelado deve seu apelido aos minuanos, povo indígena que habitava os pampas (e que como vários outros, foi exterminado pelo homem branco “civilizado”). E todo ano há pelo menos um desses dias de “minuano”, um “frio de renguear cusco”.

Aí alguém vai perguntar: “e a neve?”; e eu já respondo: QUE NEVE???

Episódios como o de agosto do ano passado são exceção. É muito raro nevar daquele jeito no sul do Brasil – fosse comum, não seria tão noticiado.

Só que a “grande mídia”, de tanto falar sobre “a possibilidade de neve”, faz muita gente pensar que basta comprar a passagem para Gramado, reservar o hotel e a festa – “nevada”, claro – estará garantida.

Dados os preços que costumam ser cobrados em Gramado e Canela durante o inverno, quem quer realmente ver neve deveria economizar um pouco mais e viajar a algum lugar onde é garantido que vai nevar (ir a Bariloche, na Argentina, deve estar mais barato que o normal por causa do vulcão Puyehue). Já a Serra Gaúcha, por sua vez, pode ser uma excelente alternativa para o verão: foge-se tanto do calor insuportável de “Forno Alegre” como do movimento absurdo nas praias.

————

E por falar em calor, quase derreti no ônibus hoje pela manhã, com todas as janelas fechadas e sem ar condicionado. Tudo bem que fazia frio, o vento era muito forte. Mas não justifica fechar tudo, impedindo qualquer renovação do ar dentro do coletivo. Aí, quando pegam uma gripe, reclamam do frio…

Não fosse o meu trajeto curto, provavelmente eu abriria uma janela, a despeito dos “protestos” dos demais passageiros. Para convencê-los (se necessário), forçaria uma tossida e comentaria, em tom de lamento: “bosta de gripe A que nunca passa”. Queria só ver se não abririam tudo correndo…

Anúncios

O nosso Eyjafjallajökull

Ano passado, quando o vulcão islandês Eyjafjallajökull provocou um caos aos aeroportos europeus, comentei que o Brasil não estava livre de uma situação dessas, visto que vários países vizinhos têm vulcões ativos. Só não imaginava que demoraria apenas um ano…

Também lembrei que era interessante se investir em outras modalidades de transporte, como o ferroviário: embora ir de trem seja mais demorado do que de avião, é mais rápido e seguro do que encarar nossas congestionadas e mal-conservadas rodovias. Sem contar que as cinzas vulcânicas não impedem a circulação dos trens.

Só imagino se a erupção do vulcão chileno Puyehue ocorresse três anos mais tarde, em junho de 2014. Não adiantaria nada usar a desculpa da Copa para que ele parasse de expelir cinzas, de modo a permitir as viagens aéreas das seleções.

O “vulcão da Islândia” tem nome, pessoal!

Há cerca de um mês a Europa sofre um “caos aéreo” (aliás, tava pensando que se é “aéreo”, deveria ser “no ar” e não “nos aeroportos”) por conta da nuvem de cinzas decorrente da erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia. Aliás, até no norte da África foi preciso restringir voos devido às cinzas vulcânicas.

Porém, caos maior, sem dúvida alguma, se instalou nas emissoras de rádio e televisão por aqui: como pronunciar o nome do vulcão??? Eu até consigo falar, mas como se fosse em português, pois em islandês (um idioma de origem escandinava, mas extremamente isolado até por conta da geografia, e por isso, complicado para quem não o fala) eu ainda não consegui entender. Já os locutores do rádio e da TV, na dúvida, preferem dizer “vulcão da Islândia”…

E dizem que a erupção anterior do Eyjafjallajökull, no século XIX, durou dois anos. A diferença é que naquela época a consequência era, no máximo, diminuição da incidência dos raios solares sobre a Terra e, consequentemente, verões menos quentes e invernos mais frios. Hoje, causa um caos nos aeroportos.

Bom, se durar todo esse tempo de novo, que aprendamos, no mínimo, a dizer o nome do vulcão… E acho que não é pedir demais que também se pense em outras modalidades de transporte como as ferrovias – viajar de avião é mais rápido, mas o trem oferece mais velocidade e segurança em relação às rodovias (lembram do aumento das mortes nas estradas brasileiras na sequência do “caos aéreo” de 2006-2007?), sem contar que as cinzas vulcânicas não os impedem de circular.

E não pensem que isso não vale para o Brasil. Boa parte de nossos vizinhos têm vulcões, cujas cinzas podem tranquilamente nos atingir.