Pérolas da Câmara

O Marco Aurélio Weissheimer, do RS Urgente, publicou uma lista de pérolas proferidas pelos vereadores durante a sessão de quarta-feira (votação do Pontal do Estaleiro), que lhe foi enviada por uma leitora do blog, e eu republico aqui:

Luiz Braz (PSDB)

“Para mim, tanto fez como tanto faz.”

Elias Vidal (PPS)

“Futuras gerações? Eu quero é para mim e agora”.
“Ecologia o caramba”.
“Essa empresa vem com responsabilidade para Porto Alegre devolver a orla para nós”.

Brasinha (PTB)

“Eu queria que tivesse mais três, quatro pontal do estaleiro.”
“Eu votava duas vezes esse projeto”.
“Eles ali (os empresários) querem o crescimento. Vocês não querem?”

Haroldo de Souza (PMDB)

“Machuca o meu coração quando levanta alguma suspeita de que pode estar correndo dinheiro por este projeto”.
“Esse é o momento mais sublime da vida do vereador”.
“Vai mostrar esse dinheiro para o teu pai”.

José Ismael Heinen (DEM)

“A iniciativa privada, auto-sustentável, vai trazer riqueza para nós”.
“Chega do Império do Público”.
“De repente, nossos filhos universitários tenham que continuar indo aos Estados Unidos encontrar oportunidades”.

Nereu D’Avila (PDT)

“Presidente, os mal educados têm que se retirar”.
“Essa casa aqui não é circo”.
“Nós somos vereadores e temos o direito de usar a tribuna em silêncio”.

Nilo Santos (PTB)

“Reclamam que não se poderá ver o Guaíba, mas há uma via de 20 metros para o carro passar”.

João Antônio Dib (PP)

“Não vai acontecer outra construção na orla do Guaíba”.
”Eu não quero ver aquilo virar outra vila do Chocolatão.”

Dr. Goulart (PTB)

“Moesch, que é a pessoa viva que mais entende de meio ambiente”.
“Aqui tá o Iberê no meio da selva.” [mostrando foto do museu]
“Quem manda aqui é o vereador, não é a Justiça.”
“A Justiça é para trabalhar com criminoso, não com vereador.”
“Quem decide altura de prédio é vereador.”

Além dessas, tem mais uma que não foi citada, do Nereu D’Ávila. Dirigindo-se a alguém do público que era contrário ao Pontal e vestia a camisa do Inter, o vereador do PDT soltou essa: “É tu mesmo! Tá desonrando a camisa do glorioso Internacional!”. Na hora pensei: “Se eu fosse colorado, sentiria vergonha de dividir a paixão com uma figura dessas”. Logo depois, lembrei que o autor do projeto era o gremista Brasinha…

Uma das frases que mais me chamou a atenção, além da “Chega do Império do Público” proferida por José Ismael Heinen, foi a do veterano João Dib (PP), que disse: “Eu não quero ver aquilo virar outra vila do Chocolatão”.

Ótima lembrança: a Vila Chocolatão localiza-se praticamente ao lado da Câmara Municipal, e até hoje nada se fez para dar uma vida mais digna aos seus moradores.

Dia de Ação dos Blogs: A pobreza em Porto Alegre

Meu post não se diferencia muito dos que hoje foram publicados nos blogs Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho e Dialógico, visto que ambos tratam de assuntos semelhantes, embora com abordagens diferentes: a pobreza em Porto Alegre.

Os Amigos da Gonçalo optaram por falar sobre a Vila Chocolatão, uma das mais pobres da capital, que fica bem próxima ao Centro. Há anos se discute sua remoção, porém não o fundamental: como os moradores sobreviverão longe dali? Pois atualmente eles recolhem papel no Centro: levá-los para uma região distante não os privará de seu sustento?

Já no Dialógico foram publicados trechos de uma entrevista coletiva feita por blogueiros com moradores de rua, na tarde do último dia 4 de setembro (para ler a entrevista completa, clique aqui). Falou-se de diversos assuntos, como a criminalização e o preconceito dos quais são vítimas: são vistos como “ladrões”, mesmo que prefiram mil vezes pedir do que roubar para sobreviver.

Provavelmente uma das causas do preconceito do qual são vítimas os pobres em geral de Porto Alegre seja o mito de “cidade sem favelas”, detonado pelo economista Ricardo Martini em uma série de posts em seu blog. Com o uso do Google Earth, ele traçou um “mapa da pobreza em Porto Alegre” que mostrou que a capital gaúcha tem vários núcleos de pobreza espalhados por seu território, porém com uma característica singular: boa parte de nossas favelas são “escondidas”.

Dois ótimos exemplos são as vilas Cruzeiro do Sul e Bom Jesus, das quais todos os porto-alegrenses pelo menos já ouviram falar, mas provavelmente muito poucos já as viram – exceto, é claro, os moradores delas. Afinal, ambas não são “visíveis” pelas pessoas que passam de carro ou ônibus por avenidas movimentadas como Carlos Barbosa, Teresópolis, Nonoai (próximas à Cruzeiro), Protásio Alves e Ipiranga (próximos à Bom Jesus).

Em fevereiro, o meu amigo Diego Rodrigues (que me indicou o blog do Ricardo Martini) esteve no Rio de Janeiro e escreveu a respeito da cidade. O Hélio Paz esteve no Rio em março, mas também já morou lá. Em comum entre ambos, a impressão de que o Rio de Janeiro é uma cidade mais democrática do que Porto Alegre, em que há maior convivência entre classes sociais. Fruto da geografia carioca: com a cidade espremida entre o mar e as montanhas, as favelas encontram-se ao lado de condomínios de luxo.

Porém, como o próprio Hélio escreveu recentemente, a classe média mais consciente e solidária no Rio vive em bairros onde há essa convivência diária com a pobreza, como Copacabana. Na Barra da Tijuca, as pessoas vivem em condomínios fechados: assim como em Porto Alegre, não enxergam a pobreza. E por isso, tanto na Barra quanto em Porto Alegre, em geral são extremamente intolerantes e preconceituosas.

A pobreza em Porto Alegre

Via Blog do Rodrigues, do meu amigo e economista Diego Rodrigues, achei as postagens de seu colega Ricardo Martini sobre a pobreza em Porto Alegre.

Ao contrário do que muita gente pensa – em geral são pessoas que não conhecem realmente Porto Alegre, pois só andam de carro -, a capital gaúcha tem, sim, regiões paupérrimas em grande quantidade. Fala-se mais sobre as favelas do Rio de Janeiro porque elas são mais visíveis devido à geografia carioca, onde a cidade fica espremida entre o mar e as montanhas, fazendo com que existam favelas ao lado de condomínios de luxo. Aqui em Porto Alegre isto também acontece – na Zona Sul há vilas junto a bairros de classe média e alta – mas muitas delas ficam “escondidas”, de modo que só as vêem quem passa ao lado. A Vila Cruzeiro do Sul, que em geral só aparece nos jornais na página policial, não é vista por quem transita pelas avenidas Carlos Barbosa, Teresópolis ou Nonoai, importantes vias de acesso à Zona Sul que passam perto dela. Assim como a Bom Jesus não é vista tanto da Protásio Alves como da Ipiranga, que igualmente passam perto.

E as favelas porto-alegrenses não são restritas à periferia e às regiões distantes do Centro: ao lado do prédio da Justiça Federal existe a Vila Chocolatão, uma das mais pobres da cidade. Assim como há pequenas vilas na Cidade Baixa e no Menino Deus.

Ricardo Martini escreveu até agora três postagens sobre a geografia da pobreza em Porto Alegre: a primeira é uma visão geral; a segunda fala sobre a Vila Santo André, no trevo de acesso à capital gaúcha pela Avenida dos Estados; e a terceira trata das Ilhas do Guaíba, região mais pobre de Porto Alegre.