Ganhamos do Santos lá…

Foi um resultado histórico, sem dúvidas. Até hoje a única vitória do Grêmio na Vila Belmiro fora em 1999, por aquela bizarra “seletiva para a Libertadores”. Enfim, ganhamos uma lá pelo Campeonato Brasileiro.

Mas, por favor, não me comecem a falar de novo em “lutar por vaga na Libertadores”. O objetivo do Grêmio neste Brasileirão é, no máximo, carimbar o passaporte para a Sul-Americana de 2012. Pois a permanência na Série A está praticamente garantida.

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Não foi um jogo qualquer, foi O JOGO!

Ontem fui ao Olímpico assistir ao Grêmio pela 198ª vez. Provavelmente, o jogo contra o Avaí, dia 26, será o meu 200º no Monumental.

Mas se o jogo 200 terá uma “marca histórica”, será só para mim. Já o de ontem, o de número 198, é histórico por si próprio: QUE JOGAÇO! Tanto Grêmio como Santos poderiam ter vencido, assim o placar de 4 a 3 para o Tricolor não foi injusto.

O Grêmio jogou bem. Mas o Santos… Como joga aquele time! Chega à área adversária com uma facilidade impressionante, e isso não se deve a adversários frágeis (como eu pensava ser nas goleadas que tiveram grande destaque na “grande mídia”). Mesmo com o gramado mais pesado devido à chuva de ontem (que ora caía, ora parava) em Porto Alegre, o Peixe não tinha problemas para tocar a bola e ir ao ataque com rapidez.

E esta aí um dos grandes diferenciais deles em relação aos outros times brasileiros da atualidade: são raríssimos os passes errados. Mesmo os “passes futuros”: o time é tão bem organizado, que um jogador toca a bola para onde não há ninguém, mas já prevendo que quando a bola chegar lá, haverá um companheiro – e realmente, ele está lá na hora certa. Méritos do técnico Dorival Júnior, que não é tão falado na “grande mídia”.

Ou seja, sem “firulas”, sem individualismo exagerado, o Santos joga o verdadeiro futebol bonito. Muito toque de bola, e sempre para a frente. O que faz suas partidas ganharem muito em termos de emoção.

Para compensar, conforme eu dizia semana passada, o Santos é fortíssimo do meio para a frente, mas a defesa “faz água”. O que não tira os méritos do Grêmio ontem, é claro: era preciso atacar, aproveitar-se da fragilidade do setor defensivo do Peixe. E o Tricolor fez isso. Melhor no segundo tempo, é verdade, mas fez.

Borges ou Jonas, qual foi o melhor ontem? O primeiro marcou três gols, demonstrando cada vez mais que o Grêmio acertou em cheio na sua contratação, e que Maxi López não faz falta nenhuma. Mas Jonas… Fez um gol (aliás, um golaço) e participou dos lances dos outros três – o pênalti perdido só serviu para confirmar sua “zica”, de perder os gols fáceis e fazer os difíceis.

Depois da derrota parcial por 2 a 0, os 4 a 2 eram um resultado monumental para o Grêmio. Acabou 4 a 3, graças a um golaço de Robinho. Aí foi o Santos que melhorou sua situação: antes precisava de 2 a 0 na Vila Belmiro (onde contará com Neymar, que cumpriu suspensão ontem), agora só precisa do 1 a 0 para ir à final da Copa do Brasil. Mas ainda é também bom para o Tricolor, que se não vencesse estaria praticamente fora da final (a última vitória gremista na Vila foi em 1999, e antes disso não sei de outra).

Enfim, ambas as torcidas, de certa forma, têm o que comemorar. Foi uma grande partida de futebol, e fica a expectativa de outro jogaço na próxima quarta-feira em Santos. Só que ao final deste, apenas uma torcida ficará feliz. Espero que seja a do Grêmio, claro.

Mas se for para o Tricolor perder, que seja por 5 a 4, ou 6 a 5, ou 7 a 6…

Grêmio x Santos

Quarta-feira, era notável no Olímpico a preferência de muitos torcedores gremistas pelo Atlético-MG como adversário na semifinal da Copa do Brasil. Fácil de entender: Wanderley Luxemburgo é “freguês histórico” do Tricolor, e o Galo não tem sido destaque nacional na “grande mídia” por meter goleadas acachapantes em seus adversários. Porém, se enfrentar os “Meninos da Vila” parece ser tarefa das mais complicadas, não nos enganemos achando que o Atlético-MG seria mais fácil.

Jogar na Vila Belmiro é sempre difícil, devido à proximidade da torcida em relação ao gramado (só me lembro de uma vitória do Grêmio lá, 1 a 0 em 1999, pela Seletiva da Libertadores – e tínhamos um time bem ruinzinho aquele ano…); mas o Mineirão também não é nenhuma moleza. O Grêmio até obteve algumas vitórias por lá – a mais recente, inclusive, foi de goleada e sobre o Atlético-MG, 4 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2008; mas uma coisa é aquele estádio com pouco público (o Galo vinha mal dois anos atrás), outra é jogar no Mineirão lotado (como na semifinal da Libertadores do ano passado, 3 a 1 para o Cruzeiro).

Quanto a Luxemburgo ser “freguês” do Grêmio, não pensemos que isso significa que enfrentá-lo seria garantia de vitória. “Salto alto” sempre favorece ao adversário.

Sobre o Santos: se o ataque é muito forte, a defesa não é das melhores – nos últimos três jogos, sofreu sete gols. Eles não tiveram moleza para passarem pelo Atlético-MG na Copa do Brasil, e no Campeonato Paulista quase entregaram o ouro para o Santo André, lembram?

Já o Grêmio conta com bons jogadores não só para enfrentar a defesa do Santos – Jonas e Borges na frente, Hugo e/ou Douglas no meio – como também na defesa para segurar o poderoso ataque do Peixe: Mário Fernandes é um baita jogador (tanto na zaga como na lateral-direita), e Rodrigo resolveu o problema do setor, que fazia água no início do ano, quando o time levava pelo menos um gol em todos os jogos.

Ou seja, não há motivos para pânico. Certo mesmo, é que Grêmio e Santos farão dois grandes jogos. Só espero que o Tricolor não leve tanto sufoco para se classificar como aconteceu na Libertadores de 2007, quando fez 2 a 0 no Olímpico e levou 3 a 1 na Vila (saiu na frente, se retrancou e permitiu a reação do Peixe).

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Mesmo que o Grêmio de hoje não seja um time como o de 2007 (tem mais qualidade técnica e menos “brucutus”, e Silas não é chegado numa retranca como Mano Menezes), podem escrever: não faltarão manchetes nos próximos dias dizendo que Grêmio x Santos será um “confronto entre futebol-força e futebol-arte”.

Culpa dos velhos rótulos que insistem em repetir. Como se o Grêmio sempre tivesse só “brucutus” (onde surgiu Ronaldinho?), e outros times apenas “artistas da bola” (onde jogava Júnior Baiano?).