Maturidade?

Alguns dias atrás, fiz breve comentário no Facebook sobre não ter mais o mesmo apreço por certas companhias. Não especifiquei pessoas, pois penso que os alvos da crítica não são elas, mas sim suas atitudes. Tanto que, como disse, não tinha mais o mesmo apreço – o que quer dizer que antes tais companhias me eram mais agradáveis.

Com os 32 anos batendo à porta, brinquei sobre “ser coisa da idade” (embora obviamente não esteja tão velho assim, apesar de lembrar coisas acontecidas um quarto de século atrás). Mudamos com o tempo e pode, de fato, ser “coisa da idade”. Mas relativo apenas à minha pessoa, visto que dentre companhias agradáveis para passar horas conversando há pessoas tanto da minha faixa etária, como mais novas e mais velhas.

A verdade é que conversas sobre banalidades, bobagens, me cansam quando duram muito tempo. E tem gente que só fala disso. Consequentemente, são pessoas que também cansam.

É claro que, de vez em quando, é preciso descontrair, falar de amenidades. Mas não sempre – e acredito que eu não seja o único que pensa dessa forma. Gosto de falar de política, cultura, sociedade etc. Assuntos que muitas vezes geram discórdia, é verdade. E aí reside o problema: como discutir sobre isso com quem só repete o senso comum?

O senso comum, inclusive, diz que “amadurecer” é aceitar o status quo. Discordo totalmente. Aliás, nem sei exatamente como definir “maturidade”, talvez seja algo variável de pessoa para pessoa. De repente, preferir minha própria companhia (ou a dos livros) a conversas com a mesma profundidade de um pires seja, de fato, um sinal de amadurecimento.

E então, não acho mais tão ruim esse negócio de estar “ficando velho”.

Faça as contas e sinta-se velho

Dando uma olhada em textos antigos, cheguei num que escrevi em fevereiro do ano passado. Nele, comentei sobre o fato de que quem nasceu em 1994 completou 18 anos em 2012.

Pura questão de matemática, então: em 2013, é a vez das pessoas nascidas em 1995 alcançarem sua maioridade… Um ano do qual tenho tantas lembranças boas (que não se resumem ao Grêmio), já se encontra a uma boa distância temporal.

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Já as lembranças que tenho de 1997 não são tão boas quanto as de 1995. Mas uma é muito especial: foi quando completei 16 anos, idade mínima para votar, o que me encheu de orgulho. Tanto que faltando um ano para a eleição, já fui correndo tirar o título de eleitor.

Pois bem: quem nasceu em 1997, chega aos 16 anos em 2013.

Definitivamente, estou ficando velho

Lembram do dia 17 de julho de 1994? Pois é, hoje fez 18 anos

Brasil x Itália, final da Copa do Mundo de 1994. A Seleção voltava a decidir um Mundial depois de 24 anos (a última final fora em 1970, coincidentemente, também contra a Itália). Nas ruas de Porto Alegre (e certamente de todo o país) se vivia um clima de absoluta empolgação, visto que muitos jamais tinham visto o Brasil chegar à decisão. Meu pai, então com 42 anos, era mais “cauteloso” e alertava sobre a festa antecipada, imaginando o clima “de velório” que tomaria conta do país caso a Seleção perdesse.

Foi um jogo “morno”, sem graça, como comprovei no verão de 1995: em casa, de férias, decidi assistir à gravação da partida e quase dormi… Ficamos tensos naquele 17 de julho só porque era o Brasil em campo (naquela época eu ainda conseguia torcer pela Seleção).

Obviamente os italianos, fanáticos por futebol como os brasileiros, também sofreram muito naquela tarde; e foi até mais, por terem perdido. Assim, o vídeo que posto aqui é da televisão italiana – mas reparem o quão “calmo” é o narrador, principalmente na hora que Roberto Baggio chuta o último pênalti para fora. Um belo contraste com os gritos enlouquecidos de Galvão Bueno, que aqui no Brasil já assistimos incontáveis vezes nos últimos 18 anos.

E eu lembro disso como se tivesse sido ontem. Tinha apenas 12 anos de idade, agora tenho 30… Definitivamente, estou ficando velho em uma velocidade absurda!

O dia em que percebo o quanto estou velho

17 de junho. Hoje o Brasil celebra os 50 anos do bicampeonato mundial conquistado no Chile. Desde então, nunca mais uma seleção ganhou duas Copas seguidas.

Hoje também é o 40º aniversário do famoso jogo da Seleção Brasileira contra uma “Seleção Gaúcha” (na verdade, um combinado Gre-Nal), em “desagravo” a Everaldo. Já era para ter um texto aqui sobre a partida, mas me atrapalhei demais e ficou para amanhã.

Mas este 17 de junho também mostra o quanto estou velho, por outros dois fatos importantes – e também relacionados a futebol – que são lembrados hoje.

O primeiro deles é que hoje faz 20 anos que o São Paulo ganhou a Libertadores pela primeira vez. Mesmo sendo gremista, não posso negar que dava gosto ver aquele São Paulo de 1992/93, timaço que marcou época como um dos melhores times que já vi jogar. Foi o esquadrão que dominou o futebol brasileiro antes do início dos duelos entre Grêmio e Palmeiras.

Já o segundo, é algo que já falei alguns meses atrás. Hoje faz 18 anos que começou a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Quem nasceu naquele dia do qual me lembro tão bem, acaba de atingir a maioridade.

Em questão de semanas, será a vez de Mattheus, filho de Bebeto, comemorar sua chegada à maioridade…

Maioridade

Há algumas semanas, o Vicente Fonseca fez um comentário no Facebook que demonstra bem o quanto é interessante essa história de “ficar velho”. Ele chamou a atenção para o fato de que pessoas nascidas em 1994 completam 18 anos em 2012.

Tá, até aí, nada mais natural, pura “questão de matemática”. Os números podem ser “frios”; porém, o fato é que ele lembra bem daquele ano de 1994 – e eu também.

Alguém poderá dizer que lembramos com facilidade porque 1994 foi realmente um ano marcante: Copa do Mundo, morte de Ayrton Senna, Plano Real, rebelião do Presídio Central, neve granular em Porto Alegre, Grêmio bi da Copa do Brasil… Bastante coisa para 365 dias. Porém, 1989 também foi um ano histórico (massacre da Praça da Paz Celestial, primeiras eleições presidenciais no Brasil depois de 29 anos, queda dos regimes autoritários ditos “socialistas” na Europa Oriental etc.), mas não teve para mim o mesmo significado: lembro “em primeira mão” (ou seja, sem ser graças ao conhecimento adquirido posteriormente) apenas de que foi o ano em que entrei no Floriano, de ter torcido para o Brizola no primeiro turno e para o Lula no segundo, e de ter ganho um Pense Bem no Natal.

Já de 1994, lembro bem de todos aqueles fatos que citei. Além de acontecimentos mais pessoais como, por exemplo, a apendicite que me mandou para uma sala de cirurgia no mês de abril.

Agora, como entender que gente nascida naquele ano, que não lembra nada da Copa do Mundo mais marcante para nossa geração (a dos nascidos nos anos 80), que não conheceu inflação de verdade (quando os preços subiam todos os dias), agora esteja em idade de prestar vestibular, tirar carteira de motorista, ser obrigada a votar e se alistar no Exército? (Lembram do filho do Bebeto, que ele “embalou” após marcar aquele gol contra a Holanda? Pois é…)

Pois é, tudo que aconteceu em 1994 completa 18 anos em 2012. Passou-se o mesmo tempo que o compreendido entre 1981 e 1999 – com a diferença de que em 1999 (quando completei 18 anos) eu não lembrava de absolutamente nada acontecido em 1981 sem precisar me “socorrer” de memórias alheias e livros de História.

Mito detonado

Tem um famoso ditado que diz o seguinte:

Quem não for de esquerda até os 30 anos não tem coração. Quem for de esquerda depois dos 30 anos não tem cérebro.

É aquele mito conservador do “amadurecimento”, que serve apenas para justificar a manutenção do status quo. Contestar o sistema é considerado “imaturidade”, a famosa “rebeldia juvenil” – vista por muitos como “sem causa”.

Ironicamente, uma grande manifestação de contestação ao status quo aconteceu justamente no dia em que completei 30 anos. Em várias partes do mundo, os indignados tomaram as ruas para exigir democracia real. Naquele dia, escrevi: “‘imaturidade’, é defender o sistema injusto que temos”. Ou seja, na visão conservadora, não “amadureci”…

Mas não é só isso: estou ainda mais “imaturo”, conforme o teste de visão política que já havia feito e postado os resultados aqui no blog em janeiro de 2009 e fevereiro de 2010.

Em janeiro de 2009, quando eu tinha 27 anos de idade, deu isto:

  • Derecha/Izquierda Economicista: -8.62
  • Anarquismo/Autoritarismo Social: -8.31

Já em fevereiro de 2010, aos 28, meu resultado foi este:

  • Derecha/Izquierda Economicista: -8.75
  • Anarquismo/Autoritarismo Social: -8.36

Posteriormente, cheguei a fazer o teste novamente mas sem postar os resultados no blog, daí a ausência de números relativos ao começo de 2011, quando eu estava com 29 anos.

Agora, vejamos como é minha visão política aos 30 anos de idade:

  • Derecha/Izquierda Economicista: -9.75
  • Anarquismo/Autoritarismo Social: -9.79

Como as escalas vão de -10 a 10 (em ambos os critérios), estou chegando aos extremos e por isso não tenho como ficar muito mais libertário e socialista. Mas é um legítimo “tapa com luva de pelicas” naqueles que, alguns anos atrás, achavam que à medida que eu ficasse mais velho eu iria “endireitar”.

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Decidi fazer um exercício de imaginação: responder o teste com base no que eu pensava 15 anos atrás, quando tinha a metade de minha idade atual. Digo que é “imaginação” pois o que penso hoje obviamente influi sobre a visão que tenho de meu próprio passado, sem contar que certas questões, como sobre “a luta contra o terrorismo”, na época (entre 1996 e 1997) não fariam tanto sentido quanto hoje.

O resultado é o seguinte:

  • Derecha/Izquierda Economicista: -5.75
  • Anarquismo/Autoritarismo Social: 2.00

Ou seja, em 1996-1997 eu seria um projeto de stalinista… Felizmente, abortado.

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Agora, como nas outras vezes, “passo a bola” aos leitores. Façam o teste (em espanhol ou em inglês) e, claro, postem seus resultados nos comentários.

Sinais incontestáveis de que estou ficando velho

Por cerca de um ano e meio, o blog Cataclisma 14 publicou uma série de posts muito interessante sobre o tema “envelhecendo”. Claro que não falava sobre se estar entrando na terceira idade, mas sim de situações demonstrativas de que o camarada já é, realmente, adulto, já tendo portanto uma certa “experiência de vida”. (O que parece… “Papo de velho”!)

Como o pessoal do Cataclisma não retomou os posts “velhos”, eu faço isso, de uma vez só, e citando por experiência própria alguns sinais incontestáveis de que, feliz ou infelizmente, não sou mais jovem.

E mesmo que eu fale em primeira pessoa, quem assim como eu está por volta dos 30 anos – para mais ou para menos – e leu esse texto, certamente se identificou com algum item da lista acima…

Meu segundo Gre-Cruz

O abafamento da tarde de ontem quase me fez não ir ao Gre-Cruz, no Olímpico. Mas no fim, eu fui, e no Metropole’s encontrei o Hélio e a Lu.

Na hora de entrar no estádio, o susto. Pisei em falso, virando o pé direito. Doeu, mas dava tranquilamente para caminhar. “Daqui a pouco passa”, pensei, lembrando dos meus tempos de criança (mas esquecendo que estou a sete meses de completar a minha terceira década de vida). E me dirigi ao lugar onde costumamos sentar na Social.

Quanto ao jogo, vencido pelo Cruzeiro por apenas 2 a 0 (com onze espectadores de luxo dentro do campo: os jogadores do time reserva do Grêmio), só me restou a oportunidade de fazer piada: finalmente achei um rival à altura para o meu time! Pois a maioria dos Gre-Nais em que eu fui ao estádio, acabou com vitória tricolor; agora, Gre-Cruz… Na metade dos que eu fui, o Grêmio perdeu!

Na hora de ir embora, mancando, tive a confirmação que aquela idade do “daqui a pouco passa” já se foi há muito tempo. Entorse, e garantia de três dias com o pé direito enfaixado. Menos mal que o calorão vai dar uma folga, mas que bosta ter de ficar sem minhas caminhadas nesse período, atrapalhando a adoção da estratégia bolada pelo Milton Ribeiro para emagrecer: perder 1kg por mês (assim eu posso chegar ao final do ano com 70kg).

Bom, ao menos mais uma piadinha tosca. Descobri uma utilidade para a direita na minha vida: indicar onde está o pé machucado!

Sinal de que estou ficando velho

Não bastasse o claro viés de direita que a Zero Hora dá às notícias que publica, agora aquela seção “Há 30 anos em ZH” lembra fatos acontecidos no ano em que eu nasci.

Pois é, preciso ir me acostumando com a ideia de que, a partir de 15 de outubro, sempre que perguntarem a minha idade a resposta não começará mais com “vinte”…

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30 é a metade de 60, e um terço de 90. Bacana, né?

Poema para o sábado

Parada do Velho Novo

Eu estava sobre uma colina e vi o Velho se aproximando, mas ele vinha como se fosse o Novo.
Ele se arrastava em novas muletas, que ninguém antes havia visto, e exalava novos odores de putrefação, que ninguém antes havia cheirado.
A pedra passou rolando como a mais nova invenção, e os gritos dos gorilas batendo no peito deveriam ser as novas composições.
Em todas as partes viam-se túmulos abertos vazios, enquanto o Novo movia-se em direção à capital.
E em torno estavam aqueles que instilavam horror e gritavam: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! E quem escutava, ouvia apenas os seus gritos, mas quem olhava, via tais que não gritavam.
Assim marchou o Velho, travestido de Novo, mas em cortejo triunfal levava consigo o Novo e o exibia como Velho.
O Novo ia preso em ferros e coberto de trapos; estes permitiam ver o vigor de seus membros.
E o cortejo movia-se na noite, mas o que viram como a luz da aurora era a luz de fogos no céu. E o grito: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! seria ainda audível, não tivesse o trovão das armas sobrepujado tudo.

O poema acima, de Bertolt Brecht, foi retirado do livro “Do Terceiro Reich ao novo nazismo”, de Luiz Roberto Lopez.