Reflexões sobre um diálogo pós-moderno

Na quarta-feira, fui ao blog do Diego e encontrei um post interessantíssimo. Era o “control-C control-V” de uma conversa via MSN que ele tivera com o Volmir. (Só faltava eu, para ser um legítimo papo de Vagabundos Iluminados.)

Um trecho do diálogo (para ler na íntegra, clique aqui ou aqui):

Diego diz:
eu queria ter alguma certeza na vida

Diego diz:
acreditar em alguma coisa

Diego diz:
o meu problema é que não paro de questionar meus valores

Diego diz:
pareço um cachorro correndo atrás do próprio rabo

Diego diz:
assim, acabo sem foco, sem saber o que quero… e não saio do lugar

Discípulo do Poeta diz:
sei lá

Discípulo do Poeta diz:
acreditar em alguma coisa sempre é o primeiro passo pra desacreditar depois

Discípulo do Poeta diz:
acreditar em algo é só adiar a constatação da merda q estamos condenados

Diego diz:
e isso é pós-moderno

Discípulo do Poeta diz:
mas não é tão ruim… é engraçado viver na merda tb

Discípulo do Poeta diz:
a real é q não existe mais nada de legítimo

Discípulo do Poeta diz:
ou as pessoas são nostálgicas ou elas são sem valores, ou tem valores falsos

“Colei” o trecho acima porque reflete muito do que eu penso também.

Durante a faculdade, acabaram-se muitas certezas que eu tinha quanto ao passado. E acho isso ótimo, ainda mais para quem vai fazer pesquisar sobre História. O problema, é quando não se tem certezas sobre o futuro, e até mesmo em relação ao presente.

Não quero dizer que eu não tenha princípios que me definam. Eu tenho, mas questiono muitos deles toda hora. O que é bom e ruim ao mesmo tempo.

Bom, justamente por manter “em constante funcionamento” o meu senso crítico. O ruim, é o que o Diego descreveu: ficamos sem foco, como “cachorros correndo atrás do próprio rabo”, sem saber o que queremos. E não saímos do lugar.

E se eu não sei se acredito em certas coisas, tem outras que tenho certeza de não acreditar. Uma delas é o que o Diego descreveu no começo do diálogo com o Volmir: a pretensão de mudar de vida, “uma vida burguesa, monogâmica e católica” (isso foi uma ironia dele). Vejo muitos amigos, da mesma idade, da mesma turma nos tempos do colégio, seguindo esse caminho, e tenho cada vez mais certeza de que não o quero: convenhamos, deve ser uma chatice!

O problema, é que não basta simplesmente rejeitar certos valores. É preciso abraçar outros, crer neles. E o mais difícil, atualmente, é acreditar em algum, sem sentir dúvidas.