Ministro das Comunicações acha que sou demente

Ele não disse com essas palavras, é claro. E nem se referiu só a mim.

Mas só pode achar que a juventude é demente, ao recomendar que “despendure” da internet e assista mais televisão, e acreditar que muita gente – não só jovem – seguirá seu “conselho” (que nada mais é do que o desejo das corporações de rádio e TV, que o ministro defende). Foi a primeira coisa que pensei ao ler tal pérola, indicada via Twitter.

Infelizmente, ainda é uma minoria que troca a televisão pela internet, pelo simples fato da primeira ser mais acessível que a última. Mas cada vez mais gente tem acesso à internet, e percebe que se há muito lixo na rede, em compensação há muito mais diversidade e qualidade de informação. E principalmente, há a opção de escolher o que ler – e até mesmo assistir, via YouTube e outros sítios de vídeos -, o que inexiste na TV, na qual muitas vezes se é obrigado a assistir lixo num telejornal, à espera de notícias realmente importantes.

Se fosse dito para a juventude que saísse um pouco da internet para ler livros, passear na rua (que com mais pessoas caminhando fica mais segura), praticar esportes, eu concordaria totalmente – pois o vício em internet também não é bom. Agora, trocar a internet pela televisão…

Aí fica claro o quão medroso é o governo Lula em relação à “grande” mídia – o Hélio Costa está no Ministério das Comunicações porque foi nomeado pelo presidente. Ao invés de lutar pela democratização da comunicação (e tem legitimidade para tal, Lula foi reeleito com mais de 60% dos votos em 2006 contra a vontade da TV, que o ministro quer que assistamos), defende a continuação do status quo midiático.

CANSEI da TV decidir os horários do futebol!

Hoje o Grêmio joga contra o Paraná, às 18:10, no Olímpico. Com frio e chuva.

O horário absurdo é conseqüência da televisão, ela (e não a CBF) é quem decide que horas seu time joga.

É ruim para a torcida? Ela que se exploda, pensam os empresários da mídia e os próprios dirigentes de clubes que aceitam jogar em horários inconvenientes.

Assim, vemos jogos aos sábados e domingos às 18:10 na Região Sul durante o inverno, assim como partidas às 15:00 nos Estados do Nordeste que não adotam o horário de verão quando este está em vigor no sul do país. Ou seja, por causa da TV, joga-se com mais frio e também com mais calor.

Mas o pior são os jogos às 21:45 durante a semana, por causa da novela, que a Globo não aceita mudar o horário. E para isso faz com que o torcedor, que em sua maioria absoluta precisa levantar cedo no dia seguinte para trabalhar, tenha de escolher entre dormir menos (por chegar em casa de madrugada) ou ouvir o jogo pelo rádio (a não ser que ele tenha comprado o pacote do pay-per-view). Sem contar que à meia-noite circulam os últimos ônibus (algumas linhas terminam mais cedo) e conseguir um táxi após um jogo de grande público é uma tarefa das mais difíceis.

Por isso, cheguei à conclusão de que é preciso dar um basta! As torcidas de todos os clubes devem se unir para pregar um boicote aos jogos de futebol às 21:45! Não basta deixar de ir ao estádio: é preciso também não assistir pela TV. Pois se o estádio ficar vazio e a TV tiver audiência, as coisas continuarão do mesmo jeito.

Ir ao jogo “em horário de boate” (como costumam dizer alguns repórteres de rádio) cansa. De verdade.

O povo não tá nem aí pros aviões

A imprensa (jornais, rádios e TVs) dá uma importância maluca à crise no setor aéreo. Mostram o “sofrimento” dos que estão há muitas horas à espera de embarcar num avião que nunca sai do chão. Ficam “atirados” dentro do aeroporto, com ar-condicionado e protegidos da chuva.

Com todo o respeito (ironicamente), que vão para a puta que pariu aqueles que choram na frente das câmeras de TV porque o avião atrasou. A maioria dos atingidos pela crise aérea não sabe o que é sofrer de verdade, salvo exceções (como a menina que fez cirurgia de coluna e teve de dormir num banco de aeroporto). Provavelmente aqueles “chorões” nunca tiveram de passar uma noite ao relento, com frio e debaixo de chuva, numa fila para marcar uma consulta médica.

O verdadeiro “caos” no Brasil não é aéreo.

E, como mostrou muito bem o Luiz Carlos Azenha, o povo não está dando a mínima bola para a situação dos aeroportos. Os pobres não andam de avião. Viajam de ônibus, mas isso quando sobra dinheiro.

De acordo com a pesquisa da Folha de São Paulo que o Azenha cita, 67,2% dos entrevistados afirmaram não conhecer ninguém que tenha sido prejudicado pela crise aérea. Não fui entrevistado, mas se fosse eu estaria entre estes 67,2%.