Dia da Consciência Negra

Ótima reportagem realizada pelo Coletivo Catarse, que foi ao ar na última terça-feira pela TV Brasil. Alguns dos depoimentos são parte do filme O Grande Tambor, de lançamento previsto para dezembro.

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“Dia sem Globo”? Para mim é BARBADA!

Surgiu no Twitter a campanha #umdiasemglobo, para que o jogo Brasil x Portugal, amanhã às 11h, seja assistido em qualquer emissora que não seja a Globo, por conta da campanha desta contra Dunga.

Se tem algo que faço muito pouco, é assistir televisão. Principalmente de 2004 para cá: no meu primeiro ano na faculdade de História, a maior parte do tempo em que eu estava em casa era dedicado às intermináveis leituras (já que eu não estava habituado a ler tanto em pouco tempo). Quando comecei a “pegar o ritmo”, e também a fazer várias cadeiras eletivas (nas quais a leitura era bem mais prazerosa, mesmo que de textos grandes), o tempo que “sobraria para a televisão” passou a ser ocupado pela internet, onde há muito mais diversidade de informação – e com bastante qualidade.

Basicamente, posso dizer que assisto televisão apenas para ver futebol, e eventualmente, a entrevistas, filmes e documentários que passam nela. Noticiários, só os vejo quando almoço na casa da minha avó, onde a mesa fica na sala – assim como a TV. Do contrário, praticamente os ignoro. Não tenho saco para ver um monte de bobagens enquanto não mostram as notícias realmente importantes. Prefiro me informar pela internet.

Ou seja, amanhã não será “um dia sem Globo” na minha vida. Será apenas mais um.

Mas digo uma coisa: se não assistir o jogo na Globo pode servir para demonstrar “a força do Twitter”, também é certo que o “dia sem Globo” não mudará nada.

O porquê de meu “ceticismo” (se é que podemos chamar assim)? Justamente porque mesmo que muita gente assista ao jogo em outro canal (e por favor, o Sportv não vale, já que é da Globo!), como a ESPN Brasil (para quem tem TV a cabo) ou a Bandeirantes, isso apenas vai diminuir a audiência da Globo durante o jogo. Todo mundo que vai pôr na Band ou na ESPN Brasil para ver Brasil x Portugal, deixará sua televisão sintonizada em outro canal (ou desligada) na hora daquela bosta de novela?

Se queremos realmente mudar as coisas e fazer a Globo “sentir no bolso” (afinal, é dinheiro o que importa para ela), é preciso continuar a não assisti-la.

E vou além: se queremos “acabar com a baixaria e a manipulação midiática”, de nada adiantará trocar a Globo pela Band (esqueceram que o Boris Casoy é de lá?) ou pela Record. O negócio é assistir à TV Brasil (que por ser pública, não tem como preocupação maior o índice de audiência), ou desligar a televisão.

Sugestão ao MST e à Via Campesina

O Hélio Paz postou no blog dele um vídeo no qual fala sobre as estratégias de luta dos movimentos sociais como o MST e a Via Campesina. Sugere que ao invés de focarem suas ações na ocupação* de terras improdutivas e/ou de plantações de eucaliptos (em geral, derrubando as árvores), os movimentos deveriam procurar se inserir entre a população urbana, maioria esmagadora dos brasileiros. Poderiam ensinar os moradores de favelas a plantarem, já que estes moram em terrenos pequenos mas têm algum espaço para plantio. Assim, viveriam do que plantam: se alimentariam e venderiam o excedente.

A opinião do Hélio a respeito dos movimentos sociais – aos quais ele declara total apoio, é importante ressaltar – gerou um bom debate sobre o assunto com o Guga Türck no Alma da Geral. O Guga defende a estratégia adotada pelos movimentos.

A minha opinião? Eu também apoio irrestritamente os movimentos sociais, e acho que terra improdutiva tem mais que ser ocupada* mesmo (e plantação de eucalipto pode ser considerada terra improdutiva, visto que não gera empregos e ainda é extremamente prejudicial ao meio ambiente). Mas, assim como o Hélio, acho que o MST e a Via Campesina adotam uma estratégia equivocada ao não procurarem se inserir, obterem apoios na cidade. A representação de tais movimentos na “grande” mídia é a mais negativa possível: é preciso se aproximar da população urbana para ela perceber que a mídia distorce a realidade.

Atualmente, ações como trancar o trânsito em ruas e estradas, greves, ocupações de terras ou prédios públicos, geram mais antipatia do que simpatia da classe mérdia. Pois os mérdios, ao volante de seus carros, vêem tais mobilizações como “baderna”, reclamando que demoram mais para chegar a seu destino por causa de “vagabundos que não querem trabalhar”. E o discurso da mídia corporativa é dedicado justamente a esse tipo de pessoa.

É preciso lutar usando as mesmas armas do adversário. Na sociedade atual, altamente midiatizada (os assuntos cotidianos geralmente passam pela mídia), não adianta simplesmente querer lutar contra a mídia: é preciso saber se utilizar dela a seu favor. E isso não se faz com “babação de ovo”, e sim, com o uso de meios como a internet e a TV Brasil (que precisa urgentemente ter sinal para o Rio Grande do Sul, de maneira a tentar furar o domínio da RBS). O Coletivo Catarse, por exemplo, já produziu reportagens que foram ao ar na TV Brasil – que é pública e não busca apenas ter o máximo de audiência, e sim, passar informação que a mídia corporativa não tem interesse.

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* Ano passado, em uma aula de Antropologia, foi discutida a questão do termo “invasão” utilizado para se referir às ações do MST. “Invasão” tem uma forte carga negativa associada: passa a idéia de entrar em espaço alheio – mesmo que sejam terras improdutivas, vazias. Enquanto “ocupação” tem seu significado em si mesmo: um espaço não-ocupado deixa de sê-lo. Não por acaso, a mídia corporativa utiliza sempre a expressão “invasão”.

Reportagem sobre a repressão guasca

O vídeo abaixo foi produzido pelo Coletivo Catarse. Trata da repressão promovida pelo (des)governo Yeda aos movimentos sociais no Rio Grande do Sul.

Vale a pena ressaltar que o Coletivo Catarse, mesmo sendo simpático ao MST (assim como o Cão), também deu espaço ao comandante da Brigada Militar, o coronel Mendes. Já a mídia dita “imparcial” (RBS & cia.) sempre mostrou apenas o lado da repressão.

Abaixo, a versão resumida apresentada pela TV Brasil.