A baixaria já recomeçou (e piorou)

Dois meses atrás, recebi (e respondi) uma mensagem tosca contra o governo Lula, criticando a abertura de uma embaixada do Brasil em Tuvalu. Os “gênios” que repassam aquele lixo e-mail, pelo visto não sabem que relações diplomáticas são questão de Estado, e não de governo. Ou acham que, se eleito, José Serra imediatamente romperia as relações diplomáticas com Tuvalu? (Só imagino, se isso por acaso acontecesse, o mundo se perguntando o que aquele país teria feito de tão ruim para o Brasil.)

Pois é, e agora essa mesma merda mensagem está de volta… A minha mãe recebeu, e me repassou para que eu desse risada dos direitoscos que mandam isso.

O problema, é que algumas coisas que vêm acontecendo não podem ser consideradas “engraçadas”. Como a situação passada pela filha de Arnobio Rocha. A menina, de 9 anos de idade, que estuda em uma escola católica de São Paulo, disse que os pais haviam votado em Dilma Rousseff e por isso foi agredida por colegas cujos pais votaram em José Serra. Não só com as mentiras de sempre (ou seja, que Dilma seria “terrorista”, “assassina”, “a favor do aborto” etc.), como também fisicamente.

Isso é muito preocupante, independentemente da posição política defendida, pois se quando pequenos já agridem uma criança só porque os pais dela votaram em outro candidato, imagine quando crescerem… Fazer política com base no ódio não combina com democracia, e sim com totalitarismo (fascismo, à direita; e stalinismo, à esquerda).

Em comentário à postagem que fez a denúncia, um eleitor de Serra repudiou veementemente o acontecido, e lembrou algo que muitos parecem ter esquecido: nem Dilma nem Serra são salvadores da pátria ou santos, são apenas candidatos a um cargo eletivo.

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Mais uma mensagem tosca…

Esta, que recebi hoje (e já respondi), não tem o “acorda Brasil” (clássico!), nem o “repasse para seus contatos” – o que não permite classificá-la como “corrente”. Mas, na prática, é como se fosse. Afinal, é mais um daqueles textos feitos para bater no governo Lula – mas, óbvio, com argumentos absurdamente toscos.

A “crítica” (vamos chamar assim) é ao fato do Brasil abrir uma embaixada em Funafuti, capital de Tuvalu, país polinésio que tem belíssimas praias, ou seja, é um possível destino turístico – embora não tanto para mim, já que prefiro o frio. (Mas, como não estou livre de nada, vá que eu tenha o azar de me apaixonar por alguma moça adoradora do verão e, mais azar ainda, seja correspondido e me torne frequentador de belas praias?).

A pergunta que faço: qual é o problema do Brasil ter uma embaixada em Tuvalu? Afinal, quando se está no exterior, é uma tranquilidade a mais saber que, em caso de problemas, há um lugar para onde se pode correr em busca de ajuda. Pois a embaixada brasileira é como se fosse “um pedaço do Brasil” em terra estrangeira, e os governos locais costumam respeitar as representações diplomáticas dos outros países.

Além disso, relações diplomáticas não são uma questão de governo, e sim, de Estado: é o Brasil (e não o governo Lula, mesmo que por iniciativa dele) que estabelece os laços com outros países (e não com seus governos). Mudam os governantes, e as relações diplomáticas são mantidas.

Enfim, quem quiser criticar o governo Lula, tem todo o direito: afinal, vivemos numa democracia. Mas, por favor, usem argumentos (como eu usei), e não besteiras direitoscas. Pois nas minhas mãos elas só servirão para escrever textos como esse – e quem manda, fique feliz de eu preservar suas identidades, evitando que se exponham ao ridículo.