Sonho adiado. Até quando?

Mais uma vez, o sonho da terceira conquista gremista da América foi adiado. Desde 1995, o Tricolor jogou sete Libertadores: foi vice-campeão em 2007, semifinalista em 1996, 2002 e 2009, e quarto-finalista em 1997, 1998 e 2003.

Ou seja, um sonho sete vezes adiado. Entre a primeira e a segunda conquistas (ou seja, entre 1983 e 1995), o Tricolor disputou apenas duas Libertadores. Em 1984, defendendo o título, foi vice-campeão. E em 1990, classificado após vencer a Copa do Brasil de 1989, caiu na primeira fase – pior participação gremista, junto com a de 1982.

O problema, é que não prevejo que possamos jogar a Libertadores em 2010. Seja para enfim ganhar a taça, seja para só sonhar com ela.

Um dia desses, entrei no site do Globo Esporte e simulei todos (falando sério!!!) os resultados dos jogos que faltam do Brasileirão 2009. Claro que é uma projeção baseada no que vejo atualmente. Pois bem: no final, o Grêmio acabou em 12º lugar, garantindo uma vaguinha na Copa Sul-Americana, o que é muito pouco para nós gremistas, que queremos sempre ir à Libertadores.

Ou seja: minha opinião é de que, se não mudar, é com isso que teremos de nos contentar para 2010. Com esse ataque desperdiçador de gols (se o Grêmio marcasse todos os que perdeu, ganhava brincando essa Libertadores), fica difícil sonhar com uma vaga à Libertadores de 2010. Com título do Campeonato Brasileiro, então, nem se fala…

Aliás, o ataque merecerá um post especial, sobre a carência de um matador no Grêmio, que já dura uns bons anos. Maxi López fez seus gols, corre muito, tem garra, mas considerando o seu salário, bem que poderia marcar mais vezes.

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Tri porcaria

Quando anunciaram a implantação do sistema “TRI” (Transporte Integrado) nos ônibus de Porto Alegre, disseram que seria “tri moderno, tri fácil, tri prático”. Mas até agora, está “tri ruim”.

Deslocaram a roleta mais para a frente nos ônibus, o que gerou dois sérios problemas:

  1. Poucos lugares na frente para os idosos, para estimulá-los a passarem a roleta e utilizarem lugares “reservados” no meio (!) do ônibus. Além da maioria dos passageiros não respeitar os lugares destinados aos idosos, ainda há o perigo deles caírem devido aos solavancos do ônibus quando se dirigem à porta traseira para descer;
  2. O leitor do cartão é lento, o que gera filas mais demoradas. Como a roleta está mais perto da porta, as filas se estendem para fora do ônibus, atrasando a viagem.

Não é nada “prático” também, porque só conseguimos saber o saldo do cartão passando na roleta – correndo o risco de embarcar no ônibus sem saber que o cartão não tem mais créditos. Não há sequer um sistema para se consultar o saldo pela internet, mediante fornecimento do número do cartão e senha – como se faz em sistemas de “home banking”.

E agora, mais essa. Quem tem o cartão de passagem escolar, precisa renová-lo.

Ano passado imaginei que, como o troço é “tri prático”, entre um semestre e outro só seria preciso levar o comprovante de matrícula ao posto (o que era feito entre o 1º e o 2º semestre de cada ano, para alunos de cursos de matrícula semestral), no momento de recarregar o cartão. Afinal, não é preciso fazer uma carteira nova a cada ano, como acontecia antes do “TRI”.

Mera ilusão… A burocracia é quase a mesma de quem faz o cartão pela primeira vez. Levar documentos, cópias etc., e aguardar três dias úteis, segundo o DCE da UFRGS.

Ah, e tem taxa (a mesma para fazer ou renovar o cartão), que varia de acordo com a entidade onde se vai fazer a renovação. Ano passado, havia a justificativa de que era preciso confeccionar o cartão, mas agora, para renovar, é apenas burocracia. E ainda é preciso pagar por isso.

E nosso transporte coletivo piora a cada dia, com direito a baratas em ônibus da Carris. Com um sistema dessa qualidade, nós é que deveríamos receber dinheiro a cada vez que entrássemos em um ônibus de Porto Alegre.

Baderna é ônibus a R$ 2,35 em Porto Alegre

Ontem à tarde, a Brigada Militar reprimiu violentamente uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus em Porto Alegre. A tarifa atualmente é de R$ 2,10 e poderá ir a R$ 2,35!

Houve um tempo em que valia a pena pegar ônibus em Porto Alegre. Logo que implantaram os primeiros veículos com ar-condicionado, especulava-se que teria que se pagar mais caro para embarcar neles, mas o valor da tarifa era o mesmo dos ônibus normais – se não me engano, 70 centavos. Lembro que uma vez fui visitar um amigo que não morava muito longe da minha casa, mas o calor era tão insuportável que voltei de ônibus: peguei um T5, com ar-condicionado.

Hoje, por incrível que pareça, é mais fácil suportar o calor horroroso de Porto Alegre. Pois a tarifa aumenta, mas a qualidade dos ônibus só piora. A Carris, que já foi eleita por duas vezes a melhor empresa de ônibus urbanos do Brasil, agora tem até baratas em seus veículos e praticamente deixou de adquirir veículos com ar-condicionado – com exceção dos mini-ônibus das linhas circulares do Centro, há quatro meses da eleição, e que andam quase sempre cheios. E o TRI RUIM só serviu para deixar as coisas ainda piores.

Atualmente, só não vou a pé para o Campus do Vale porque 14 quilômetros é uma distância considerável. Tem valido muito mais a pena caminhar, mesmo com calorão, do que andar de ônibus. Até porque, considerando a relação custo-benefício, para aliviar o calor é mais negócio comprar uma garrafinha de água mineral do que pegar um ônibus.

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Atualização: ouvi notícia de que a passagem subirá um pouco menos, irá a R$ 2,30 se o Fogaça sancionar. Mas ainda é um absurdo.

A real causa da crise

vtEssa charge do Kayser me fez entender porque a crise é tão grave.

Em breve, as fichinhas deixarão de valer. E não há como usar o cartão do TRI (ruim) como “moeda de troca”. Daí a preocupação tão grande do Sr. Mercado…

TRI lento, TRI falcatrua, TRI RUIM!

Em março, escrevi aqui no Cão demonstrando minha desconfiança (e insatisfação) em relação ao sistema de bilhetagem eletrônica implantado em Porto Alegre, o TRI. Afinal, pela primeira vez eu utilizara o troço, e percebi que o saldo do meu cartão era dado em reais, e não em passagens. Logo imaginei que, quando houver aumento da tarifa, acontecerá o seguinte: comprarei, digamos, 75 passagens antes do aumento, mas como o saldo é dado em reais, eu não terei 75 passagens por causa do aumento.

Enviei e-mail ao “Fale conosco” da página do TRI, e recebi como resposta a promessa de que, após aumentos de tarifa, por um período seria descontado do cartão o valor correspondente à tarifa antiga. Pois é… Mas como aqui em Porto Alegre os aumentos acontecem sempre no meio do verão, isso vai mesmo é significar mais lucro para os empresários, já que certamente não será dado mais de um mês de colher-de-chá (se é verdade o que me disseram no e-mail): em março, quando a cidade voltar ao ritmo normal, certamente os leitores do TRI descontarão a nova tarifa.

Desconfiança que aumenta ao lembrarmos que a promessa da prefeitura era da implantação de tarifa única para quem precisa pegar dois ônibus para se deslocar, e o que temos agora é o pagamento de uma passagem e meia. Se não cumpriram essa promessa, quem garante que cumprirão a promessa de não nos roubarem passagens?

Leia mais sobre o TRI RUIM no Porto Alegre de Fogaça.

Promessa é dívida

No post anterior, copiei o e-mail que enviei ao “Fale Conosco” disponível na página do TRI.

Já recebi resposta. De acordo com a pessoa que me enviou, quando houver aumento de tarifa, haverá um período no qual será descontado do cartão o valor antigo da passagem.

Tri ruim

E-mail que enviei agora há pouco ao “Fale Conosco” da página do TRI:

Carreguei meu cartão escolar com 75 passagens, e ao passar pelo leitor percebi que o saldo é dado em REAIS, e não em PASSAGENS.
Isto quer dizer que, se eu efetuar uma compra de 75 passagens e antes de efetuar nova compra houver um aumento das tarifas, eu terei pago por 75 passagens e não terei 75 passagens?

Está é uma dúvida nebulosa: seremos ou não seremos roubados quando houver um aumento das tarifas de ônibus em Porto Alegre? Pois com as fichas, era possível utilizar em março os vales comprados no ano anterior sem ter que pagar diferença de tarifa por causa do já tradicional aumento das passagens em fevereiro.

E tem mais.

Gostaria de saber quem foi o demente que teve a idéia de fazer com que os idosos passassem pela roleta e descessem pela porta traseira dos ônibus. Pois é óbvio que é muito mais perigoso para eles, que em geral caminham com dificuldade, terem de se deslocar até o meio do veículo para sentarem – isso quando os assentos reservados são respeitados – e depois para descerem. Um dia peguei um ônibus da linha T5 – cheio, é claro! – e pude perceber de perto a dificuldade pela qual passam os idosos nos coletivos lotados. Uma senhora quase caiu ao se deslocar em direção à porta traseira. O desembarque pela porta dianteira, ao lado do motorista, era bem mais seguro para os idosos.

Antes do TRI, os idosos não podiam passar a roleta, sentavam-se nos assentos mais a frente. É verdade que isso gerava uma grande aglomeração naquele ponto, em ônibus como o T5 era muito difícil passar. Mas para “obrigar” os idosos a passarem para trás (a minha avó, que ontem completou 86 anos cheia de vitalidade, felizmente se nega a passar), a roleta foi deslocada mais para a frente do veículo, deixando apenas três assentos entre ela e a porta dianteira. Não bastasse o crime contra os idosos, isso ainda faz com que os ônibus das linhas de maior movimento – como a D43 (Universitária) – demorem muito mais para arrancar, pois a fila se estende muito mais para fora do coletivo do que antes. Ainda mais nos primeiros dias do uso do cartão, quando as pessoas não estão habituadas e se atrapalham.

Mais: na tarde da segunda-feira, quando fui carregar pela primeira vez meu cartão, a fila era tão grande e parada que desisti de efetuar a carga aquele dia e paguei o ônibus com dinheiro. Pois se ficasse na fila, chegaria atrasado logo no primeiro dia de aula. Isso que disseram que seria “tri moderno, tri prático”…

Por enquanto, está é “tri ruim” mesmo. E como disse meu irmão Vinicius, “quem bolou esse troço não anda de ônibus”.

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Mês passado estreei uma coluna no Jornal Floresta, na qual escrevo sobre Porto Alegre. Ainda não vi a edição de março, mas já mandei a coluna, onde falei do TRI mas em tom bem menos crítico. Além da questão dos idosos, escrevi sobre as prometidas vantagens, de que sem as fichas os assaltos a ônibus cairão, e também do desconto na segunda passagem de quem precisa usar dois ônibus para se deslocar.

Se eu pudesse, mudava o texto da coluna agora mesmo. Mas como não dá mais, fica para abril.