A notícia mais bizarra dos últimos tempos

Ainda estou tentando parar de rir…

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É só pelos cinco segundos

A Avenida Cristóvão Colombo começa na Rua Dr. Barros Cassal e se estende até a Avenida Plínio Brasil Milano, ultrapassando (e muito) os limites do Bairro Floresta, do qual foi a via mais importante até a inauguração da Avenida Farrapos em 1940. Ainda assim, permanece como uma das principais referências do bairro. Em outubro, é garantido que um domingo terá o trânsito de veículos interrompido em um trecho para a realização do Criança na Avenida (muito me diverti “no meio da rua” durante minha infância); de 1984 a 1995, o trecho defronte à antiga fábrica da Brahma (hoje Shopping Total) foi palco do Festival do Chopp, que acontecia sempre em um sábado de abril e se estendia madrugada de domingo adentro (a festa deixou de ser realizada quando um menino morreu atropelado por um caminhão na montagem da estrutura para a não realizada 13ª edição, em 1996).

Em outros dias, porém, a rotina da Cristóvão Colombo é a mesma de tantas outras ruas e avenidas movimentadas de Porto Alegre. Muitos carros, muitos congestionamentos… E muito estresse, independentemente da situação do trânsito. Como o que presenciei hoje, na confluência da Cristóvão com a Alberto Bins, próximo ao Centro.

Ambas as ruas têm sentido em direção ao Centro naquele ponto, mas devido ao corredor de ônibus no contrafluxo, há a necessidade de um semáforo no local. Veículos que transitam pela Cristóvão e desejam seguir reto até a Barros Cassal precisam parar no sinal vermelho, já para pegar a Alberto Bins não há necessidade de parar.

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Vista do local referido (reprodução Google Street View)

Pois bem: quando passei a pé pelo local, algumas horas atrás, dois carros aguardavam que o sinal abrisse. Porém, o motorista de trás estava impaciente e começou a buzinar, em consequência o da frente tirou o braço para fora do carro e apontou para o semáforo com a luz vermelha acesa (no momento nenhum ônibus transitava pelo corredor, mas isso não faz o sinal vermelho perder seu significado de “parada obrigatória”).

O “estressadinho” de trás decidiu passar de qualquer jeito. Manobrou o carro para a pista à direita, diminuiu a velocidade para falar um impropério ao motorista da frente (não consegui entender o que foi dito), e seguiu reto, sem ligar para o semáforo.

Menos de cinco segundos depois, o sinal abriu.

A utilidade das árvores

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Em fevereiro, o prefeito de Porto Alegre justificou a derrubada de árvores para alargar uma avenida dizendo que as pessoas “não as utilizavam”. Virou piada na hora.

Uma das utilidades das árvores, como já lembrei naquela época, é proporcionar sombra. Ainda mais nesses últimos dias, em que caminhar pelas ruas de Porto Alegre é um verdadeiro suplício: nada melhor que árvores de copas generosas para ficarmos protegidos do sol inclemente. Afinal de contas, não são todos que podem andar de carro com ar condicionado (aliás, ainda bem, pois se a cidade já está quase parando agora, imaginem se todos andassem de carro).

Mas, um dia o feitiço há de virar contra o feiticeiro: o ar condicionado do carro do prefeito pifará num dia como hoje, e ele ficará trancado no congestionamento em uma dessas avenidas sem árvores que todos acreditaram que melhoraria o trânsito.

Em breve, uma nova alternativa de congestionamento

Dentro de poucos dias, deverá ser inaugurada a BR-448, mais conhecida como “Rodovia do Parque”. Com pouco mais de 22 quilômetros de extensão, a estrada foi projetada para desafogar o trânsito da saturadíssima BR-116 na região metropolitana de Porto Alegre.

E, dentro de poucos anos, a BR-448 já deverá estar saturada, levando as autoridades a pensarem em uma nova rodovia para desafogá-la…

Pedestre: cidadão de segunda classe

Hoje, no final da tarde, por um milésimo de segundo tive a impressão de que seria atropelado. Chegara à “esquina da agonia”, onde os carros têm um latifúndio de tempo para passar, em comparação com os pedestres. Esperava em cima da calçada, quando um carro veio em alta velocidade, dobrando à direita. Na hora, a impressão que deu era de que ele não venceria a curva, e recuei instintivamente. Porém, o motorista reduziu a velocidade e o hipotético “acidente” não aconteceu.

Cerca de um minuto depois, ainda esperava para atravessar, quando vi que outro pedestre aguardava já sobre a faixa, e não na calçada. Com isso, obviamente atrapalhou os carros (“estreitava” a rua para eles), recebendo xingamentos dos motoristas.

Quando finalmente atravessei, o sinal ainda não estava aberto para os pedestres: simplesmente o trânsito de carros tinha “trancado”, beneficiando quem anda a pé. Segui adiante, e quando cheguei à esquina da Sarmento Leite com a Independência, esperei que o semáforo de pedestres (aqueles com botoeira) abrisse para poder passar. Quando já estava amarelo para os veículos, um pedestre já se preparou para atravessar, quando um carro passou. Novamente, com motorista reclamando por ter cerceado seu inalienável direito de ignorar que o sinal amarelo significa “atenção” e não “siga” (que é simbolizado pelo verde).

Podemos dizer que em ambos os casos, os pedestres agiram errado: no primeiro caso, deveria ter aguardado na calçada, por segurança; já no segundo, havia faixa de segurança mas também semáforo, e nesses casos a prioridade não é sempre do pedestre, ainda mais quando o sinal ainda não está verde (na “esquina da agonia” há semáforo em apenas uma das ruas, e a faixa à qual me referi fica na outra). Logo, não têm que reclamar de nada, certo?

Errado. Pois mesmo tendo cometido erros, ao mesmo tempo eles são amplamente prejudicados (assim como todos nós que andamos a pé) por conta da total prioridade aos automóveis. Mesmo que todos os veículos automotores seguissem rigorosamente a lei, sem nenhuma infração, ainda teriam vantagem sobre os pedestres, pelo simples fato de que os semáforos lhes dão muito mais tempo.

Uma injusta vantagem, pois nós, pedestres, além de andarmos mais devagar (exceto quando acontecem congestionamentos, embora isso seja cada vez mais comum), também temos nossos horários a cumprir. Porém, faz sentido em cidades onde tudo é pensado de forma a privilegiar quem usa carro. Pedestre não tem quatro rodas nem motor, portanto, é tratado como cidadão de segunda classe.

Dilma está certa

Pântano do Sul, no sul da Ilha de Santa Catarina: tudo o que qualquer porto-alegrense gostaria nesses dias quentes

Pântano do Sul, no sul da Ilha de Santa Catarina: não é melhor que Forno Alegre?

A presidenta Dilma Rousseff, mineira de nascimento e que depois se estabeleceu no Rio Grande do Sul, causou certa polêmica ao dizer que a maior tristeza dos gaúchos é que Porto Alegre não é Florianópolis (cidade onde deu essa declaração).

Vamos deixar o bairrismo de lado: Dilma está corretíssima. Só ver o que acontece em cada feriadão, especialmente durante o verão: intermináveis congestionamentos na BR-101, principal rodovia usada pelos motoristas porto-alegrenses que vão à capital catarinense. Se tanta gente se dispõe a passar horas em uma estrada para ficar uns poucos dias em Florianópolis, é sinal de que “vale tudo” para fugir de Porto Alegre – ou melhor, “Forno Alegre” nesses dias de calor insuportável.

Sem contar que não faltam pessoas que gostariam de um dia se mudar de Porto Alegre para Florianópolis: a capital catarinense tem invernos menos frios (bom para quem não curte baixas temperaturas), verões menos quentes (sonho de calorentos como eu), uma natureza incomparável (nem falo só das belíssimas praias), e também um estilo de vida que aparenta ser bem mais calmo.

Obviamente, ir a um lugar como turista é diferente de morar nele. Sei que Florianópolis também tem problemas como o trânsito (amigos que foram para lá no verão relatam muita dificuldade para se deslocar pela ilha), a especulação imobiliária (que avança sobre a natureza e também encarece os imóveis, em fenômeno semelhante ao verificado em Porto Alegre), e o transporte público (não recordo de ter andado em ônibus com ar condicionado e a passagem para quem paga em dinheiro é mais cara). E mesmo como turista, notei a pouca arborização nas ruas: ponto a favor de Porto Alegre (enquanto não derrubarem todas as árvores por “falta de uso”, claro).

Ou seja, é muito fácil só falar mal de Porto Alegre (que também tem suas coisas boas) e bem de outras cidades (que também têm seus problemas). Mas, inegavelmente, Dilma está certa quando diz que a maior tristeza do Rio Grande do Sul é Porto Alegre não ser Florianópolis: a BR-101 é testemunha.

Feriadão em Porto Alegre

Ontem ao final da tarde, o caos imperou em Porto Alegre. Em direção às saídas da cidade, intermináveis filas de carros andavam a baixíssimas velocidades. Lá ia a boiada multidão desesperada por fugir da metrópole rumo ao litoral em um dos raros feriadões deste ano. (E preparem-se para 2014, pois os feriados que em 2013 caíram em sextas-feiras serão celebrados em sábados, e os de sábados cairão em domingos).

“É preciso fugir da rotina”, dirá alguém. É verdade. Mas como dizer que pegar congestionamento (tanto na estrada como na praia), fila em restaurante, em supermercado etc. é “fuga da rotina”? Isso é apenas mantê-la mudando o lugar – e olhe lá, pois boa parte dos que vão ao litoral acabam indo sempre para a mesma praia, encontrando as mesmas pessoas de sempre… Aquele negócio: “todo mundo vai, então preciso ir também”.

O que não quer dizer que feriadões não sejam uma boa maneira de se fugir da rotina. É claro que são. Mas a melhor maneira de se fazer isso, cada vez fica mais óbvio, é permanecendo na cidade. Afinal, Porto Alegre fica muito mais agradável sem filas e congestionamentos.

Pedestre sofre (mais) quando chove em Porto Alegre

A vida do pedestre em Porto Alegre é complicada. Perde-se muito tempo em semáforos concebidos apenas para facilitar o fluxo de veículos motorizados, nunca de quem anda a pé. Mas, segundo aquele velho ditado, “nada está tão ruim que não possa piorar”.

Como mostrou o final da tarde desta quarta-feira, quando um dilúvio desabou sobre a cidade. Ao latifúndio de tempo para os veículos motorizados, somou-se a completa falta de educação da maioria esmagadora dos motoristas porto-alegrenses. (Sem contar as poças d’água que obrigam os pedestres a verdadeiros malabarismos para poderem seguir em frente.)

Já é ruim quando param sobre a faixa de segurança devido a congestionamentos (que também servem de desculpa para várias outras infrações), quando chove é ainda pior, pois quem anda a pé precisa esperar mais tempo sob chuva. Sem contar os condutores que têm “espírito de porco” e passam em alta velocidade em pontos com água acumulada (demonstrando também que são extremamente imprudentes, pois frear em pista molhada é bem mais complicado), dando “banho” nos pedestres próximos e até mesmo atrapalhando a vida de outros motoristas, devido ao “spray” sobre o para-brisa que prejudica muito a visibilidade.

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Para coibir tudo isso (além de outras barbaridades) existe algo chamado Código de Trânsito Brasileiro. Porém, como o trânsito de Porto Alegre – e de muitas outras cidades brasileiras – demonstra, para a maioria dos motoristas o CTB é apenas aquele conteúdo chato que tem de ser estudado para a prova teórica que todos são obrigados a fazer antes das aulas práticas de direção, sendo esquecido após a aprovação.

Depois, quando esse motorista que esquece o CTB é multado por andar acima da velocidade permitida (aquele número seguido por “km/h” que aparece em várias placas), grita contra a “indústria da multa” e diz que a fiscalização de trânsito deveria ser “mais educativa e menos punitiva”. E certos (de)formadores de opinião apenas amplificam tal sandice.

Porém, ele não é mais alguém que precise ser educado – se fosse, não poderia estar ao volante de um automóvel. Portanto, a única “educação” possível para eles é aquela que doa no bolso.

Ser pedestre em Porto Alegre é um teste de paciência

Isso não é nenhuma novidade, vamos combinar. Basta caminhar pelas “maravilhosas” calçadas porto-alegrenses para perceber: quem administra a cidade está se lixando para os pedestres.

Os semáforos são concebidos, em sua maioria, para os carros. São poucos os que também têm sinalização para quem não se desloca sobre rodas – ou seja, não obrigam o pedestre a cuidar o sinal para os veículos para saber se é a sua vez de atravessar.

Por conta disso, os tempos também são ajustados de acordo com o fluxo de veículos motorizados. A “esquina da agonia” é um bom exemplo: pedestres têm pouquíssimo tempo para atravessar, pois o “sinal verde” para eles corresponde ao mesmo para os ônibus que vêm pelo corredor da Osvaldo Aranha e dobram à esquerda. Em compensação, o grande número de veículos na Sarmento Leite faz com que o semáforo lhes dê um verdadeiro latifúndio de tempo – e mesmo assim, alguns motoristas imbecis ainda passam no sinal vermelho, dificultando ainda mais a vida de quem anda a pé.

Pior ainda, é naqueles semáforos com botoeira. O ideal seria o sinal abrir para o pedestre imediatamente (ou pouco tempo) após o botão ser pressionado; porém, é preciso esperar. E muito. Justamente porque a sinaleira está sincronizada com outras que têm seus tempos ajustados de acordo com o fluxo de veículos. Tanto que é natural o pedestre não ter paciência e atravessar quando vê uma brecha, pouco se importando se o sinal está aberto ou fechado, o que aumenta os riscos de atropelamentos.

Solução para o problema? Só tem uma: aumentar o tempo para as pessoas atravessarem e reduzir o de espera (inclusive há em Porto Alegre um projeto de lei nesse sentido, de autoria do vereador Marcelo Sgarbossa, do PT). Vai “trancar o trânsito”? Bom, não esqueçamos que pedestres também são trânsito, e já estão “trancados” por perderem tanto tempo enquanto os carros passam (cada vez mais lentamente, devido ao crescente número de automóveis entupindo as ruas). Aliás, o caos diário nas grandes cidades evidencia o quão urgente é deixar de dar prioridade aos veículos automotores.

Milhares de motoristas sozinhos em seus carros trancam o trânsito

A sexta-feira foi um dia de caos em Porto Alegre. Devido ao treino da Seleção Brasileira no Beira-Rio, a avenida homônima que passa junto ao estádio foi fechada. O resultado não poderia ter sido outro: congestionamento por toda parte.

Quando acontece alguma manifestação, é normal os principais portais de notícias darem destaque não à reivindicação, e sim, ao trânsito. “Ato contra reajuste das passagens causa congestionamentos”, era mais ou menos nessas palavras que se referiam aos protestos contra o aumento da passagem do ônibus. Porém, hoje não consegui encontrar nenhuma matéria falando sobre a Seleção ter trancado o trânsito.

Porém, a verdade é que não foi o treino do time de Felipão que causou o caos. Quem tranca o trânsito não é a Seleção, nem as manifestações nas ruas: são os próprios motoristas que circulam sozinhos em seus carros (quando poderiam levar mais quatro pessoas junto, no mínimo). Eles reclamam do problema sem perceberem que são o problema.

É muito tentador atribuir a outros elementos a tranqueira. Lembro que certa vez eu ia de ônibus para a faculdade, e na Ipiranga o trânsito não andava. Quando vi uma carroça, foi inevitável pensar que ela estava atrapalhando a nossa vida, que não devia circular na Ipiranga aquela hora etc. Porém, desliguei o “piloto automático” e reparei no entorno: vários carros só com o motorista. Não fossem tantos, o trânsito fluiria sem problemas, com ou sem carroça.

É por isso que as prefeituras têm de parar de investir em vias para automóveis*: isso só estimula mais pessoas a usarem o carro particular. E desse jeito o trânsito vai trancar, prejudicando os próprios motoristas reclamões, além dos que realmente precisam do carro para trabalhar; assim como aos que se deslocam usando ônibus (que também ficam presos no trânsito, pois boa parte das ruas não têm faixa exclusiva) e mesmo a quem anda a pé, pois se em situação “normal” os motoristas já não costumam ter respeito ao pedestre, quando o trânsito congestiona eles ignoram a existência da faixa de segurança, param em cima mesmo.

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* Prova disso é o que vi em Buenos Aires: a Avenida 9 de Julio é uma das mais largas do mundo, com um grande número de faixas, e mesmo assim passa boa parte do tempo congestionada em dias úteis. A prefeitura da capital argentina decidiu agir: só que ao invés de alargar ainda mais a avenida, está implantando um corredor de ônibus.