Volta ao passado

“Dia disso”, “dia daquilo”… O “dia das crianças” em si é, assim como os outros, uma bobagem inventada para as lojas venderem mais. Mas não nego que é também uma oportunidade de voltar no tempo e relembrar os bons tempos de infância. Ainda mais quando se está a três dias de ficar “um ano mais velho”.

Já apostei corrida de bicicleta (detalhe: com minha bicicleta sem freio, que estava estragado), brinquei de avião, joguei futebol (dentro de casa e também na rua Pelotas, debaixo dos jacarandás floridos de outubro), e, principalmente, muito botão.

Se das outras brincadeiras eu não participo mais – pois a Pelotas hoje em dia continua com os seus jacarandás, mas parece não ter mais crianças – e jogar futebol é para mim uma utopia – pois o que eu faço com a pobre bola pode ser chamado de qualquer coisa, menos futebol -, o botão eu ainda jogo. E o Torneio Farroupilha de 2008 (que de “farroupilha” só conserva o nome) é disputado neste fim-de-semana. Antigamente, era disputado sempre próximo ao 20 de setembro.

Minha expectativa é de voltar ainda mais ao passado e repetir o que fiz na primeira edição do campeonato, em 1992: ser campeão. Ganhei aquele título jogando com o glorioso FC Cascavel, do Paraná; já agora eu quero levar o Vovô à glória. Conseguirei?

———-

Atualização:

Parte do objetivo foi alcançado: Vovô nas semifinais!!! E o melhor de tudo: o Guri está fora…

A culpa, pra variar, é da TV!

Fui ao jogo de hoje, Grêmio 2 x 0 Novo Hamburgo. Vitória tranqüila contra um dos piores times do Gauchão. Foi também a última vez em vários meses que o Estádio Olímpico Monumental contou com a presença de meu grande amigo Diego Rodrigues: na próxima semana ele embarca para Juiz de Fora, onde passará dois anos fazendo mestrado em Ciências Econômicas pela UFJF – mas prometeu estar aqui em Porto Alegre em setembro, para a disputa do Torneio Farroupilha.

Gostei da atuação do Grêmio no primeiro tempo, o Tricolor chegou aos 2 a 0 com facilidade. Na segunda etapa, limitou-se a segurar o resultado, e graças ao goleiro Victor o time segue sem sofrer gols no Olímpico em 2008. Roger fez sua estréia, não brilhou, mas foi bem, fez bons passes. Pode render mais, e espero que jogue bem contra os adversários mais difíceis – hoje nem precisava, o time do Novo Hamburgo é ruim demais!

Vamos esperar para ver se na próxima partida o Grêmio joga bem. Na saída do Olímpico, comentei com o Diego: “o Grêmio jogou horrivelmente mal quando os jogos passaram na televisão, tem que proibir o televisionamento dos jogos do Grêmio”.

E viva o botão!

Saiu matéria no caderno “ZH Moinhos” do jornal Zero Hora sobre futebol de botão, esporte reconhecido pelo Comitê Olímpico Brasileiro e que eu pratico há cerca de 20 anos. Numa época em que a diversão das crianças limita-se à internet e jogos eletrônicos, seria uma dádiva que elas se interessassem por futebol de botão assim como os meus amigos de infância.

Comecei a jogar no final da década de 80, ensinado pelo meu pai, Cesar. Meu irmão, Vinicius, demorou a aprender, mas depois que aprendeu, tornou-se um dos melhores. Jogamos com o goleiro deitado e a partida dura 30 minutos divididos em dois tempos de 15 – em caso de empate em jogos eliminatórios, há prorrogação de 10 minutos divididos em dois tempos de 5.

Realizávamos pequenos torneios nos fins-de-semana, e em 1991 criamos o Campeonato VRC (“Vinicius, Rodrigo e Cesar”), disputado até 1996 (a última edição começou em agosto de 1995 e terminou em abril de 1996). Em 1992, surgiu o Torneio Farroupilha, disputado até hoje.

No ano de 1993, os campeonatos deixaram de ser restritos ao “trio VRC”: começaram as participações de nossos amigos como os campeões Diego (VRC em 1994 e Farroupilha em 1994, 1996 e 2001) e Leonardo (VRC em 1996 e Farroupilha em 1993 e 1995).

Fui o primeiro campeão do Torneio Farroupilha, e no mesmo ano de 1992 conquistei o Campeonato VRC. Mas o maior campeão de todos é o meu irmão: conquistou o VRC em 1993 e o Farroupilha em 1997, 2005, 2006 e 2007. Meu pai ganhou a primeira edição do VRC, em 1991, e o Farroupilha em 2004.

Em 2003, o Torneio Farroupilha foi conquistado por nosso amigo Leonardo Sato, participante desde 2001 – mas que em 2007 ficou de fora por precisar viajar a trabalho.

O Torneio Farroupilha de 2008 não terá a participação do Diego, que estará em Juíz de Fora fazendo mestrado. Fica mais fácil para que eu reconquiste o título após 16 anos* de espera…

———-

* Isso me faz lembrar, automaticamente, desta postagem no Cataclisma 14. Porra, 1992 foi ontem, não há 16 anos!