Técnico tem que ser “brigão”?

Ainda sobre a troca de comando no Grêmio.

O estilo de Vagner Mancini, “educado demais”, não agradava a certos dirigentes gremistas. “Com jogador tem que falar grosso”, teria comentado um deles.

Mas, e o Tite? Ele também era “educado demais”. Os críticos o acusavam de ser muito “filósofo”. Mas foi com Tite que o Grêmio ganhou a Copa do Brasil de 2001, dando um chocolate no Corinthians em pleno Morumbi.

Vale lembrar que o Tricolor não deixou de ter garra em 2001, mas jogou um futebol bonito a ponto de, pela primeira vez, não ouvir os comentários de sempre de alguns comentaristas-mala de São Paulo e Rio de Janeiro, que em todas as conquistas do Grêmio acusavam o time de ser violento.

Não que Tite tenha sido o maior técnico de todos os tempos no Grêmio – Felipão “falava grosso” e foi mais vencedor -, mas é a prova de que mesmo um técnico mais “calmo” pode dar certo. Os estilos de Felipão e Tite eram bem diferentes, mas ambos foram competentes em seus trabalhos. Felipão ganhou mais títulos por ser melhor, não por “gritar mais”.

Se Vagner Mancini daria certo, só o tempo de trabalho diria. Mas foi “educadamente” que ele levou o Paulista de Jundiaí – hoje na Série C do Campeonato Brasileiro – à conquista da Copa do Brasil em 2005.

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Eduardo Costa x Pelaipe

Ao saber da demissão de Vagner Mancini, Eduardo Costa ficou chateado e lamentou publicamente a saída do treinador. Paulo Pelaipe obviamente não gostou – assim como não havia gostado da declaração de Mancini de que faltava qualidade do meio para trás no time – e fez questão de dizer que a função de jogador é jogar futebol, e que “no Grêmio tem hierarquia e tem comando”.

Sinceramente, se um dirigente tem que ir à imprensa dizer “quem é que manda”, é sinal de que ele não é unanimidade entre os atletas…

E as lembranças que me vêm não são boas: é de 2003, das “ovelhinhas”, que eu lembro. Naquele episódio, os jogadores supostamente protegidos por Tite ficaram extremamente irritados ao saberem das críticas dos dirigentes publicadas na Zero Hora, e o clima no vestiário ficou péssimo. E vale lembrar que naquele ano o time do Grêmio era razoável, mas quase caiu para a Série B.

Leia mais o que escreveram o Guga Türck no Alma da Geral e o Hélio Paz no Apito do Blackão.

Celso Roth, de novo, no Grêmio

Nas duas vezes que assumiu o Grêmio (1998 e 2000), Celso Roth tirou o time da lanterna e levou às finais do Brasileiro. Mas foi um retrancão… A ponto de estar vencendo por 2 a 0 o Goiás em pleno Serra Dourada, retrancar-se ainda mais e deixar o adversário empatar.

Mas, para explicar a demissão de Vagner Mancini, há duas hipóteses.

Primeiro, que a direção gremista apostou em Mancini e decidiu mandá-lo embora devido às más atuações fora de casa e, principalmente, contra o Jaciara. Ou seja: uma total falta de convicção, já que estamos recém em fevereiro – ou seja, o time ainda está em fase de montagem -, o Grêmio faz boa campanha no Gauchão e, pasmem, não perdeu nenhum jogo! Sem contar que treinadores que deram muito certo no Grêmio – como Felipão, Tite e Mano Menezes – começaram mal, mas tiveram tempo para trabalhar e entrarem para a história do clube.

Mas não creio que seja por questões técnicas. Só pode ser desentendimento entre treinador e direção. Esses dias, Vagner Mancini disse em entrevista que não aceita intromissões de dirigentes em seu trabalho – em referência ao acontecido no Vasco, onde Romário pediu demissão por não aceitar que Eurico Miranda se metesse na escalação do time. Certamente as palavras de Mancini não agradaram aos dirigentes gremistas, que esperaram aparecer a primeira oportunidade para poder mandar embora o técnico. Sem contar que não é a primeira vez que algo assim acontece no Grêmio: em 1993, Cassiá ia bem no comando do time, mas se desentendeu com o Cacalo (então vice de futebol) e foi demitido. Pelo menos depois veio o Felipão…

Agora, é esperar para ver se Roth se sairá bem ao assumir o Grêmio num momento “não-crítico”. Pois não há crise alguma no clube agora, diferentemente de 1998 e 2000. Bom, a não ser que a imprensa crie uma, vide episódio das “ovelhinhas” de 2003, que se tornou crise graças à Zero Hora – e a partir dali o Grêmio desandou.