Uma satisfação: voltar a escrever

Sim, ainda é pouco em comparação com 2007-2014. Mas é fato que na quinta-feira voltei a ter um texto aprovado em publicação do Medium. Foi este aqui, que saiu na Revista Subjetiva.

Eu não publicava nada lá desde junho, quando recém começava a Copa do Mundo!

E à tarde tive ideias para novos textos em conversas com colegas de trabalho, as quais foram devidamente anotadas para que fossem desenvolvidas depois. Não cheguei a escrever pois recém saiu o último, e atualmente tenho privilegiado a qualidade à quantidade: algo que noto em relação aos textos que escrevia 10 anos atrás é que muitas vezes eles chegavam a ser toscos e saíam muito mais por eu me sentir obrigado a ter opinião sobre tudo, do que refletindo realmente o que eu pensava. O que, afinal, é a base da “desgraceira” que se tornaram as redes sociais.

Nunca tive tão poucas certezas na vida como nos tempos recentes, e tenho sinceramente achado isso positivo.

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Eu curto (e escrevo) “textão”

Uma impressão que tenho no Facebook é que muita gente por lá não gosta de “textão”. Toda hora vejo queixas: “que saco essa gente publicando textão”, e blá blá blá.

Na boa: se você não gosta, é só não ler. Quando o texto é longo, nem aparece na íntegra: para ler tudo é preciso clicar em “ler mais” – logo, é só não clicar. E isso quando ele é publicado diretamente no Facebook: se é link, nem mesmo é possível ler o começo sem dar um clique. Aliás, eu tenho dado preferência a publicar meus “textões” no blog e postar o link no FB: azar dos preguiçosos que não clicam, ficarão sem ler.

Só digo uma coisa: se você é do tipo de pessoa que reclama de “textão”, jamais tenha a cara-de-pau de vir com papinho do tipo “o povo brasileiro não tem cultura, não lê”. Primeiro porque cultura não é só o que gostamos (e acho muito mais correto falar em “culturas”, assim, no plural). Segundo, pois se você não lê “textão”, que moral tem para falar mal de quem não gosta de ler?


“Ah, mas eu falo de texto na internet, gosto de ler livros”. Bom, então fique menos tempo no Facebook e mais tempo lendo o seu livro.

E em tempo: quem reclama de “textão” nada mais faz do que desmotivar (mesmo que não decisivamente) quem gosta de escrever. Muita gente escreve mal, é verdade, mas quantos possíveis escritores do futuro estão ficando sem a menor vontade de produzir textos por conta dos reclamões (ou seriam preguiçosos?) do Facebook?

Afinal, quem escreve quer ser lido: eu costumava atualizar meu antigo blog com frequência (dificilmente deixava muito tempo “parado”) pois tinha bastante gente que lia, comentava etc. Mas com o passar do tempo os acessos foram diminuindo, as pessoas pararam de comentar no blog… Resultado: por um bom tempo perdi a vontade de escrever. Depois retomei o Cão Uivador, até mesmo comprando domínio próprio, mas percebendo que a tendência de diminuição de acessos era irreversível, nem renovei o domínio e preferi fechar o blog após atualizá-lo apenas cinco vezes em cinco meses; resolvi criar e manter um outro com meu próprio nome apenas por teimosia, pois nunca simpatizei com a ideia de ter apenas o Facebook como espaço para expressar minhas ideias.

Gritaria por escrito

Estão em toda parte. Sejam curtos (por exemplo, comentários em portais ou no Facebook) ou longos, há muitos textos na internet que são uma verdadeira “gritaria”. Não é preciso se esforçar para achá-los.

Em geral, quando debatemos temos a estúpida pretensão de “vencer”, ao invés de simplesmente trocar ideias – que é justamente a função do debate. Argumentar não é algo simples, e muitas vezes precisamos de tempo para buscar informações que melhor fundamentem nossa opinião. Só que, no calor do momento, muitas vezes optamos pela resposta “de bate pronto”, sem pensar. E, quando nos irritamos, tendemos a gritar.

Obviamente podemos nos irritar também em um debate “escrito”, pela internet. E “gritamos”. Não da forma tradicional, mas sim, escrevendo sem pensar (e sem revisar), ou de forma a chamar o máximo de atenção possível.

HÁ QUEM SIMPLESMENTE ESCREVA TUDO EM LETRAS MAIÚSCULAS – O QUE, NA LINGUAGEM ESCRITA, É SINÔNIMO DE “GRITAR”. TEXTOS ESCRITOS EM MAIÚSCULAS SÃO MAIS CHAMATIVOS, EMBORA SEJAM PIORES DE LER – A ESCRITA NORMAL, COM PREDOMÍNIO DE MINÚSCULAS, PARECE SER MAIS “HARMÔNICA”, AGRADÁVEL AOS OLHOS.

Algumas pessoas já perceberam que escrever tudo em maiúscula cansa os olhos. Então, preferem usá-las APENAS EM ALGUMAS PALAVRAS, realçando o que consideram mais importante.

Mas há quem vá além e, não bastassem as maiúsculas, TAMBÉM GRIFAM O TRECHO. Pois não basta realçar: é preciso fazê-lo DUAS VEZES.

Calma, que ainda pode piorar. Pois também se encontra, aos borbotões, textos que além das MAIÚSCULAS GRIFADAS, são também multicoloridos. Ah, e também com MAIÚSCULAS GRIFADAS.

Então chegamos ao ponto de termos parágrafos inteiros grifados, azuis ou vermelhos, E AINDA POR CIMA COM AS MAIÚSCULAS. O que é típico de textos que expressam opiniões raivosas, do tipo “protesto é baderna” ou “Brasil vai virar comunista”.

Sorte que em comentários de Facebook não é possível mudar a cor da letra nem grifá-la. POIS IMAGINEM UM COMENTÁRIO TODO COLORIDO E GRIFADO!!!!11!!!

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Agora, falando sério, umas dicas para o que você escrever ser agradável para quem lê (ou, pelo menos, aos meus olhos):

  • Para realçar um trecho, basta grifá-lo, sem escrever tudo em maiúsculas;
  • Usar cores diferentes para chamar a atenção de um parágrafo “mais importante”, no fundo só me ajuda a ver o conjunto do texto como algo sem credibilidade (fiz isso mais acima só pela galhofa);
  • Exclamar demais passa a impressão de que o autor é uma pessoa extremamente irritada, com a qual qualquer debate vira bate-boca, e por isso a exclamação deve ser usada com moderação;
  • Terminar uma frase com vários pontos de exclamação um ao lado do outro é sinal de muita raiva, ainda mais se a pessoa acaba soltando o “shift” e o “!” vira “1”, numa clara demonstração de irritação que leva o autor a publicar aquilo sem sequer revisar.

Hoje foi o Dia do Escritor…

E como pretendo ser um, posso dizer que é meu dia.

Mas vou além. Estou “velho”, pois só fui mexer em computador já com 13 anos de idade. Ao contrário do pessoal mais jovem, que desde criança já está defronte à tela.

Meus primeiros textos, portanto, não foram escritos em computador: comecei com máquina de escrever. Lembro que adorava ficar brincando na máquina do meu pai, e foi nela que escrevi, 16 anos antes do surgimento deste blog, o texto que o inauguraria.

Em abril de 1994, meu pai tinha juntado dinheiro para comprar uma máquina para mim, quando surgiu um contratempo: tive uma apendicite. Precisava ser operado e ficaria vários dias no hospital, e tinha duas opções: particular ou SUS. A primeira opção me parecia mais atraente, pois assim teria um quarto só para mim. Porém, meu pai avisou que sairia caro, e que com isso seria preciso adiar a compra da máquina de escrever. Não pensei duas vezes: quis fazer tudo pelo SUS.

Foi uma sábia escolha, pois além de evitar o gasto de dinheiro, fui muito bem atendido (apesar de ficar meio apertado nas camas, já que tratava-se do Hospital da Criança Santo Antônio, voltado ao atendimento infantil, e com 12 anos eu já tinha “esticado” bastante; fiz a cirurgia lá pois o consultório do meu médico ficava na frente). Sem contar que era bom ter companhias no quarto: lembro de uma menina muito simpática (o nome dela era Priscila se não me engano) que também tinha sido operada de apendicite, quando ela teve alta me deixou o endereço e no fim daquele ano cheguei a mandar um cartão para ela, mas depois nunca mais tive contato.

Poucos dias depois de sair do hospital, fui com meu pai comprar a máquina de escrever. Ele até já tinha me dito qual em qual modelo pensara: uma Olivetti “portátil”, bem leve, que podia ser levada de um lugar para o outro, como uma espécie de “maleta”. Quando vi, não pensei duas vezes, e logo depois, era minha.

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Era essa máquina que “imprimia” as tabelas dos nossos campeonatos de botão. Lembro de ter escrito muita coisa, algumas absurdas, como um plano para o Brasil invadir os Estados Unidos e assim nós mandarmos no mundo… Mas um tempo depois percebi que imperialismo não se combate com imperialismo: e foi na máquina que resolvi fazer uma “declaração de comunista”, escrevendo o texto em vermelho.

Quase 20 anos depois, ela andava meio abandonada, empoeirada, já que o computador oferece mais rapidez e também o “direito ao erro”: quando se digita incorretamente, basta apagar o erro. Na máquina, o corretivo ou o “x” em cima de alguma outra letra denunciava que ali eu tocara a tecla errada: se não quisesse isso, teria que recomeçar o texto, do zero…

Mas ainda assim, são boas lembranças as que guardo. E vez que outra bate uma nostalgia. Quem sabe qualquer hora dessas não posto aqui algum texto datilografado?