A arte de assustar

Sou fã de filmes de terror. Mas não falo daqueles estilo “banho de sangue”, com um assassino mascarado que quer matar todo mundo. Até porque eles costumam ser por demais previsíveis. (E há alguns tão toscos que chegam a ser engraçados.)

Engana-se quem pensa que assustar as pessoas com um filme é fácil. Pois uma coisa é dar sustos, dos quais nos recuperamos e chegamos até mesmo a rir – mesmo que, para mais adiante, levarmos outro cagaço. Outra bem diferente é deixar o espectador tenso, com o coração na boca, sem sequer precisar mostrar algum monstro.

Pois é o que experimentei na prática ontem, assistindo a Atividade Paranormal 3. É um filme aparentemente fácil de fazer (assim como os dois primeiros da série): basta ligar uma câmera comum, ir dormir e no dia seguinte assistir ao vídeo em busca dos fantasmas. O problema é fazer eles se manifestarem… (Que tal deixar uma câmera no banheiro, com um gravador repetindo “Blood Mary” a noite inteira?)

O que mais gosto nestes filmes ao estilo “falso documentário” é que eles parecem mais “reais”. Ao assistirmos filmagens feitas em câmeras comuns, fica mais difícil dizer “é só um filme, nada disso existe de verdade nem é uma ameaça”. Quando se parece estar “dentro” da história, o que menos pensamos é que “é só um filme”.

Mas obviamente isso não significa deixar de lado grandes filmes de terror feitos no passado – e que ainda considero melhores que os “falsos documentários”, pois também conseguem nos envolver na história, a ponto de esquecermos a realidade (embora às vezes a desgraçada se manifeste através de um telefone) e só nos concentrarmos na tela. Como não sentir “os nervos à flor da pele” em O Bebê de Rosemary (1968) por exemplo?

E até hoje, não assisti nenhum filme de terror melhor que a versão de O Iluminado (1980) produzida por Stanley Kubrick. Com direito a duas das cenas mais assustadoras da história do cinema: desafio o leitor a assistir a pelo menos um dos vídeos abaixo de madrugada, com todas as luzes apagadas.

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Véspera de um dia histórico para mim

Faixa levada por torcedores ao jogo "Seleção Gaúcha" x Seleção Brasileira, em 17/06/1972 (foto publicada na Folha da Manhã de 19/06/1972)

Amanhã, eu vou defender minha monstrografia. Será ao final da tarde, assim como a Batalha dos Aflitos em 2005, mas não quero que a banca seja algo tão sofrido. Apesar do trabalho ser justamente sobre futebol.

Eu poderia muito bem divulgar aqui o local em que defenderei o trabalho de título “Jean Marie, o Brasil vai até o Chuí”: Futebol e identidade “gaúcha” nas páginas da Folha Esportiva (1967-1972), aproveitando o efeito do calmante que tomo desde a quarta-feira. Mas prefiro não contar com o ovo no cu da galinha, sei que minha calma é “fabricada”.

De qualquer forma, é natural algum nervosismo, mesmo que meu orientador tenha dito que meu trabalho está “muito bom”. Afinal, trata-se de um verdadeiro rito de passagem: 50 minutos que me tornarão historiador. Não dou a mínima para a formatura, cerimônia que a meu ver não serve para nada, já que o diploma só é entregue depois. Não vou esperar a formatura, prefiro já me sentir historiador depois da banca.

Brabo é que não vou poder sair da banca direto para o bar, beber aquela cerveja gelada. Justamente por causa do calmante, que ainda estará atuando…

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Amanhã, também defendem seus trabalhos o Alexandre Haubrich e a Cris Rodrigues, do Jornalismo B. BOA SORTE! E para o nervosismo pré-banca, como não sou médico, “receito” um bom e geladinho suco de maracujá! Melhor do que tomar um remédio que transforma em proibição a cervejinha pós-banca…