Fogaça é o candidato do PMDB

Semana passada, o PMDB lançou a candidatura de José Fogaça ao governo do Estado do Rio Grande do Sul na eleição do próximo ano.

Primeiro ponto a destacar: na prefeitura de Porto Alegre desde 1º de janeiro de 2005, Fogaça terá de renunciar ao cargo para poder concorrer ao Piratini. Não que vá fazer muita diferença: a impressão que se tem de Porto Alegre é de uma cidade sem prefeito.

Charge do Santiago (outubro de 2008)

Segundo ponto a destacar: será que a “grande mídia” cobrará Fogaça em 2010 da mesma maneira que fez com Tarso Genro em 2002? Afinal, ambos prometeram ficar na prefeitura de Porto Alegre até o final do mandato.

De qualquer forma, já antecipo que não votarei em Fogaça de jeito nenhum, e não é porque ele não vai cumprir seu mandato até o fim: afinal, seria incoerência de minha parte (votei em Tarso na eleição de 2002) e, principalmente, porque considero os projetos mais importantes que as pessoas. Em 2000 eu votei no PT, que tinha Tarso como seu candidato a prefeito; já em 2002 meu voto em Tarso também era para o PT, o que não se alteraria se o candidato fosse Olívio Dutra.

Não votarei em Fogaça por conta do que é o governo encabeçado por ele em Porto Alegre – que terá continuidade com Fortunati a partir de abril. Um post do Hélio Paz, escrito um dia após o resultado do 1º turno de 2008, dá uma amostra de como está Porto Alegre com Fogaça de prefeito.

A única diferença, é que mudar de Yeda para Fogaça no Piratini não significará piora tão grande para o Estado como foi para Porto Alegre: no Rio Grande, será uma troca de seis por meia dúzia… Ou seja: mais quatro anos sem governo.

O Rio Grande merece isso sim!

Concordo totalmente com o post escrito pelo Marco Aurélio Weissheimer ontem no RS Urgente. O Rio Grande do Sul merece tudo o que está acontecendo. Merece essa podridão que pode ser chamada de qualquer coisa, menos de governo.

Um Estado cuja maioria da população vota em qualquer candidato desde que não seja do PT (que chega a ter status de “satanás” para certas pessoas) não merece um governo decente. Só é uma pena que muitas pessoas que não caem na lenga-lenga da anti-esquerda (nesse caso nem é só o PT, já vejo direitoso com ódio do PSOL e toscamente chamando os membros do partido de “petralhas” – pode???) acabem tendo que pagar pela maioria bovina.

Os direitosos chamam de “petralhas”, “vagabundos”, “desordeiros” quem protesta contra esse (des)governo: como não há argumentos para defender esse desastre – pois o tal de “déficit zero” é uma ficção, o Estado “equilibrou as contas” mas em compensação estão um lixo os serviços públicos como educação e segurança (exceto quando é para matar a saudade da ditadura e reprimir manifestantes) – só resta a eles o caminho do xingamento.

Porém, os mesmos espumavam de ódio durante o governo Olívio, e não hesitavam em atacá-lo por causa da Ford, que se viesse da maneira como estava prevista pelo contrato assinado no (des)governo Britto, com tanto incentivo fiscal (coitadinha da Ford, é pobre, não pode pagar imposto…), teria nefastas consequencias para a economia do Estado – e ainda tem gente que com a maior cara de pau diz que foi o Olívio que quebrou o Estado! Quando o que ele fez foi evitar que a situação ficasse ainda pior.

Por isso, o Rio Grande do Sul “merece isso” sim! E continuará merecendo enquanto existir com força esse sentimento do “anti”. Afinal, Germano Rigotto (PMDB) foi uma mediocridade no Piratini, mas não pior do que Yeda Crusius: muitos eleitores em potencial de Rigotto decidiram votar Yeda no 1º turno de 2006 para tirar o Olívio do 2º turno, e acabaram desclassificando seu próprio candidato; para manterem a coerência raivosa obviamente mantiveram o voto no 2º turno, “contra o Olívio”. E o interessante é que são os mesmos que têm a cara de pau de chamarem ambientalistas de “contra tudo” porque se opõem a descalabros como o Pontal do Estaleiro – esquecendo que os ambientalistas são contra por serem favoráveis a outra proposta, a da preservação da orla do Guaíba.

E já falam em José Fogaça para 2010, um prefeito nulo, que nada fez de importante para a cidade, exceto um camelódromo “nas coxas”, para “mostrar serviço” em ano eleitoral. Ah, mas ele “pacificou” Porto Alegre, “libertou” a cidade da “ditadura” do PT… Tinha me esquecido desse detalhe tão importante.

A “pax guasca”

É dia de Gre-Nal, mas nem vou ficar falando de futebol. Até porque o assunto já gerou baixaria demais aqui durante a semana.

Virou reportagem especial na Zero Hora de sábado a polêmica sobre o artigo do diretor teatral Luciano Alabarse, publicado na edição de quinta-feira do mesmo jornal. No texto, ele reclama do suposto “clima de guerra civil que assola o Rio Grande do Sul”, fruto da tradicional bipolarização que se verifica na sociedade gaúcha em diversos aspectos (já que falei em Gre-Nal, o futebol – sempre ele! – é um deles).

O texto não apareceu por acaso. Alabarse reclama de que há uma “oposição intransigente” que “acusa sem provas”. Clara referência às denúncias feitas pelo PSOL contra o (des)governo Yeda.

(Aliás, por falar nisso, ontem assisti na TV à parte da reprise da sessão de quinta da Câmara de Vereadores. Cheguei no momento em que o vereador Luiz Braz, do PSDB, criticava o vereador Pedro Ruas e seu partido, o PSOL, por se utilizar do “denuncismo” contra Yeda. Estranho que o PSDB fez coisa muito pior contra Lula e Braz não criticou…)

O pior de tudo, é que tem muita gente que embarca na canoa furada do discurso da “pacificação”. Que na verdade significa “despolitização”. Gera apatia política.

Aliás, algo que já vivemos. Basta ver os resultados das últimas eleições no Estado (incluo a Prefeitura de Porto Alegre por tratar-se da capital, logo é a prefeitura mais importante do Rio Grande do Sul):

  • 2000: Tarso Genro (PT) conquista a prefeitura de Porto Alegre – último grande triunfo do PT no Estado;
  • 2002: quando se pensava que haveria polarização entre Tarso Genro (PT) e Antonio Britto (PPS), Germano Rigotto (PMDB) surpreendeu a todos e foi eleito governador, pregando “pacificação” e “união”;
  • 2004: José Fogaça (então no PPS) é eleito prefeito de Porto Alegre, também com um discurso “conciliador” (“Manter o que está bom, mudar o que é preciso”);
  • 2006: Rigotto era favorito à reeleição, pois ficara claro que entre o nada e o PT, o “politizado” povo gaúcho escolheria o nada porque o PT era o “demo”, contra a paz no Rio Grande do Sul. Mas para tentar tirar Olívio Dutra do segundo turno, muitos que votariam em Rigotto decidiram mudar o voto e optaram por Yeda Crusius (PSDB) – só que aí foi Rigotto que ficou de fora. Entre Yeda e Olívio, óbvio que os “politizados” escolheram Yeda, para manter a “paz”;
  • 2008: Fogaça (de volta ao PMDB) confirmou seu favoritismo à reeleição sem sobressaltos, pois ficara claro que entre o nada e o PT, o “politizado” povo porto-alegrense escolheria o nada porque o PT era o “demo”, contra a paz em Porto Alegre. Não se repetiu o “efeito Rigotto”.

Aliás, a última campanha eleitoral em Porto Alegre primou pelo “nada”. As diferenças entre os candidatos eram mínimas. Vera Guasso (PSTU), a que mais se diferenciava, era vista pela classe mérdia como “louca”.

Pois é à ela, a classe mérdia, que se dirige o discurso da “pacificação”. Ela é, em si, conflituosa. Vive um dilema identitário: é mais “pobre” do que “rica”, mas não se encaixa completamente em nenhum dos grupos (embora tenha a mesma mentalidade dos ricos). Os mérdios acreditam que “trabalhando muito” qualquer um pode ascender socialmente: daí o fato de acharem que os pobres estão nessa situação porque “são vagabundos” e que quem rouba é “mau por natureza” (mesmo que seja para matar a fome de um filho). Ninguém em sã consciência quer passar dificuldades, mas os mérdios creem piamente que um dia chegarão ao estrato mais alto. Jamais se identificarão com os “de baixo”.

Por se perceberem “no centro” do conflito, os mérdios são os que mais querem a tal da “pacificação”. Só que não é uma “paz justa” para com os dois lados da “guerra”. Não querem justiça ou igualdade, e sim, que “cada um aprenda qual o seu lugar na sociedade, e principalmente, a respeitar hierarquias”. Ou seja: que aqueles “baderneiros” parem de “fazer bagunça” por não concordarem com a ordem das coisas. E, se quiserem ter o mesmo tênis, ou o mesmo carro dos mérdios, que deixem de ser “vagabundos” e “trabalhem duro”.

A Zero Hora, que citei no começo do texto, é o jornal preferido dos mérdios. Não por acaso, o discurso de ambos é o mesmo. E é de uma incoerência tremenda, como mostra o Marco Weissheimer no RS Urgente: os mesmos que querem “pacificação” travaram uma verdadeira guerra verbal contra o governo Olívio entre 1999 e 2002.

E a “pax guasca” pregada por essa gente chega a me dar medo. É só ver a página 2 da Zero Hora do sábado. A seção onde se publicam cartas e e-mails enviados por leitores era dedicada ao tema “MP-RS x Escolas intinerantes do MST”. Não vou me dar ao trabalho de copiar todos os textos que a ZH permitiu serem publicados (a maioria favorável ao fechamento das escolas). Mas um dos leitores defendeu, em seu e-mail, o extermínio (sic) do MST.