Que tal mostrar o boletim?

Toda vez que vejo alguém chamar eleitores do PT de “burros”, sinto imensa vontade de publicar uma foto de meus boletins dos tempos de colégio. Em especial quando conheço a pessoa e sei que ela não tirava notas muito boas…

Só não faço isso pois não acho que notas sejam uma medida da inteligência de uma pessoa – especialmente quando a avaliação é feita apenas por meio de provas. Ir mal no colégio não é sinal de “burrice” (várias vezes a pessoa tem um grande talento que não é levado em conta pela escola); mas, por outro lado, quem tira boas notas obviamente não serve para “burro”.

Burrice mesmo é ofender e desqualificar quem pensa diferente, independente de posição política.

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Minhas observações sobre o #BlogProgRS

Eu tinha prometido escrever observações sobre o #BlogProgRS, encerrado domingo. Então, já passa da hora de cumprir a promessa. Não falarei especificamente sobre cada asssunto tratado, já que o texto ficaria muito longo, então opto por tratar de alguns aspectos.

Assim como o Alexandre Haubrich, quando vi a programação fiquei com receio de que o encontro servisse apenas para exaltar os governos Dilma e Tarso, já que a maioria esmagadora dos painelistas era ligada ao PT – quando não, inclusive, ao governo do Estado. Faltavam nomes como o do Hélio Paz, e também o pessoal do Coletivo Catarse, que faz um trabalho sensacional.

Felizmente, meu receio não se confirmou (apesar de alguns pesares dos quais falarei mais abaixo). O governo Dilma, se não foi tão criticado como eu achava que poderia ter sido, pelo menos não foi poupado – afinal, a retirada da licença Creative Commons do site do Ministério da Cultura, a tentativa de conciliação com a mídia (lembram?) e a “blindagem” de Antonio Palocci não são coisas fáceis de serem toleradas. Senti falta de críticas à suspensão do kit anti-homofobia; quanto ao fim do Plano Nacional de Banda Larga como foi idealizado por Lula, vamos dar um desconto: a notícia saiu ontem, quando o encontro já havia acabado, assim não foi possível criticar a presidenta por isso (e estou ansioso para saber a opinião dos “governistas acima de tudo” sobre o assunto).

O que assisti do encontro foi bastante interessante. A apresentação de Marcelo Branco sobre as ameaças à liberdade na internet foi excelente, e bastante didática. Altamiro Borges expressou sua opinião contrária à criação de uma “associação de blogs”, devido ao risco de criação de uma estrutura verticalizada que poderia acabar excluindo alguns blogs que não seguissem exatamente a mesma linha da “chefia” (nem preciso dizer que concordo com ele, né?). Eduardo Guimarães lembrou que, enquanto não for quebrada a neutralidade da internet (ameaça que foi bastante comentada na apresentação de Marcelo Branco), ela irá subverter a antiga lógica segundo a qual apenas os poderosos podem “falar alto”. Também me agradou bastante a defesa por parte de Renato Rovai da diversidade de opiniões entre os blogs (o que vai ao encontro do que disse Altamiro Borges), com uma frase que achei sensacional: “A beleza da blogosfera é que nem todas as flores são da mesma cor”.

Agora, conforme o prometido, passando aos “pesares”…

Primeiro: na sexta à noite, a primeira mesa foi aberta por Marcelo Ribas, representando Vera Spolidoro, Secretária de Comunicação e Inclusão Digital, que não teve como comparecer. Tudo bem, o governo Tarso tem algumas medidas bem interessantes para a comunicação – como o Gabinete Digital – e apoiou a realização do #BlogProgRS. Mas acho que um encontro de blogueir@s não deveria ser aberto por um representante do governo, como aconteceu. Eu preferia alguém que escreve em blog na fala de abertura.

Outra falha, bem lembrada pelo Alexandre, foi a distração que deixou o blog oficial do encontro em Copyright – quando durante boa parte do evento se defendeu o Copyleft e o Creative Commons. O erro, vale ressaltar, já foi corrigido.

Algo que também critico é o próprio nome oficial: “Encontro de blogueir@s e tuiteir@s do RS” (#BlogProgRS se deveu ao primeiro encontro nacional, o #BlogProg, acontecido em agosto de 2010). Embora fosse claramente um evento de esquerda, nada impediria que um reacionário se increvesse: se perguntassem por que ele estava lá, era só responder que tinha blog (e o que não falta são reaças que escrevem blogs e têm conta no Twitter – lembram da Mayara Petruso?).

Quanto à organização, gostei: foi possível acompanhar o #BlogProgRS mesmo de casa (como fiz no domingo, quando decidi dormir até mais tarde depois de seis dias seguidos acordando cedo) graças à transmissão ao vivo da TV Software Livre; assim como o Twitter também possibilitava a interação com os participantes. Afinal, mesmo que o mais bacana seja o contato presencial, um encontro de blogueir@s não pode se dar apenas “analogicamente” (como foi minha participação, anotando no papel ao invés de tuitar, já que não tenho laptop).

Não existe discurso sem ideologia

Causou certa repercussão a decisão do empresário Anton Karl Biedermann de deixar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo do Estado, por considerá-lo “ideologicamente comprometido”.

Não deixa de ser estranho: se Biedermann não compartilha da mesma ideologia do governo Tarso, por que foi convidado para integrar o “ideologicamente comprometido” CDES sem ter de fornecer “atestado ideológico”?  Mais: já que ele discorda do documento enviado aos integrantes do CDES que apresenta Porto Alegre como referência da luta contra o neoliberalismo (afirmação da qual discordo: Porto Alegre foi referência, não é mais), não é melhor participar e apresentar sua opinião?

A Zero Hora, claro, não podia deixar passar… E disse em seu editorial de hoje que foi “oportuno” o alerta de Biedermann, ao mesmo tempo que afirmou esperar dos integrantes do CDES que tenham discernimento para dialogar com o governo e também questionar “propostas anacrônicas”, principalmente as que refletirem “o radicalismo e o atraso denunciados pelo empresário”. (Ficou claro de que lado está a ZH, ou querem que eu desenhe?)

Não existe nenhum discurso que não reflita a maneira como seu autor (pessoa ou instituição) vê o mundo. Até mesmo uma fala considerada neutra, como a da moça da previsão do tempo na televisão: ela costuma definir um dia ensolarado como “tempo bom”, então quer dizer que há também o “ruim”, que obviamente é a chuva. Mas vá dizer isso aos moradores de Bagé, que há meses sofrem racionamento de água devido à estiagem… Para eles, no momento, “tempo bom” é justamente essa chuva que atinge o Rio Grande do Sul, mesmo que insuficiente para recuperar o nível das barragens.

Alguém pode pensar que uma previsão do tempo não é ideológica. Afinal, a palavra “ideologia” é costumeiramente associada à política partidária* e, principalmente, à esquerda (a “ideologia comunista”). Convém então explicar que ideologias são conjuntos de valores que norteiam a visão de mundo das pessoas e também de coletividades (desde um pequeno grupo, até o conjunto da sociedade). Ou seja, têm relação com a política partidária*, mas não se restringem a ela.

Obviamente que elas podem – e devem – ser contestadas. Como o próprio exemplo que citei, da previsão do tempo: dizer que um dia de sol é “tempo bom” (ou seja, aplicar um juízo de valor) é, sim, uma afirmação ideológica, já que reflete uma visão de mundo que valoriza as atividades de lazer ao ar livre, que é diferente do ponto de vista de um agricultor, que precisa de certa quantidade de chuva para não ter prejuízo. O fato de ser “senso comum” definir um dia ensolarado pela expressão “tempo bom” não a torna neutra.

Mas, óbvio, essa é a minha maneira de ver o mundo.

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* Ressalto a expressão “política partidária”, pois a política não se resume apenas a eleições e partidos. Uma simples troca de ideias já é um ato político.

Não tinha dito?

Em 29 de dezembro, postei uma charge do Kayser que tirava sarro da ex-(des)governadora Yeda, prevendo que certamente não seria a última motivada por ela. Dito e feito…

Desta vez, é do Bier: a versão verdadeira do “déficit zero” tão alardeado pelo (des)governo.

Só é uma pena que, pelo visto, o “caixa zero” servirá para o governo Tarso não reajustar o salário dos servidores públicos estaduais… Não era isso uma das (muitas) reclamações que se tinha contra o (des)governo Yeda?

Finalmente, o fim

Chegou ao fim na manhã de sábado o (des)governo Yeda Crusius. Quadriênio que já tinha começado muito bem: após receber o cargo de Germano Rigotto, Yeda foi à sacada do Palácio Piratini e pendurou a bandeira do Rio Grande do Sul de cabeça para baixo. Profética imagem…

Posse de Yeda Crusius, 1° de janeiro de 2007

Mas antes mesmo de assumir, Yeda já sofrera sua primeira derrota. Em 29 de dezembro de 2006, um pacote que previa aumento de impostos e era apoiado por ela, foi derrotado na Assembleia Legislativa. Foi quando vi algumas cenas bizarras, como deputados do PT e do PFL (ainda não era DEM) comemorando juntos – o vice Paulo Afonso Feijó, que já estava afastado de Yeda desde a campanha eleitoral (pois ela não queria que ele defendesse abertamente as privatizações), se distanciou ainda mais do (des)governo que nem começara.

Àquela altura, Yeda já motivava muitas charges*. E elas já começavam a ir muito além de sua inabilidade política, chegando até mesmo a seu legítimo “pé-gelado”: em 6 de abril de 2008, o Grêmio precisava empatar com o Juventude no Olímpico para ir à semifinal do Gauchão. Yeda foi ao estádio, e o Ju venceu por 3 a 2, após uma inexplicável escalação de Celso Roth… Opa, inexplicável uma ova!

Yeda não foi “pé-frio” apenas no futebol. Em fevereiro de 2009, visitou a Paraíba, governada por seu colega de partido Cássio Cunha Lima; dias depois, o tucano teve seu mandato cassado. Em maio do mesmo ano, ao inaugurar uma estrada, o palco cedeu.

Três semanas atrás, previ que Yeda faria por merecer mais sátiras em seus últimos dias no Piratini. Dito e feito. Vimos o “videoclipe”, o momento Forrest Gump, a inauguração de um tronco petrificado… E no fim, uma aulinha de história do Palácio Piratini: em seu discurso de despedida, Yeda falou que o primeiro morador do prédio foi Bento Gonçalves, em 1921. A ex-(des)governadora está certa quanto ao ano de inauguração do Palácio, mas é preciso avisá-la de que Bento Gonçalves faleceu em 1847.

Após o discurso, a “Joana D’Arc dos Pampas” (usando as palavras do genial Professor Hariovaldo) deixou o Piratini pela porta dos fundos.

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* Um aviso aos leitores: não desisti da ideia de fazer uma “retrospectiva chargística” destes quatro bizarros anos – é que originalmente eu pensava em publicá-la hoje, mas são tantas charges, que é impossível publicar tudo de uma vez, e sem passar pelo menos alguns meses selecionando as melhores. Como não sei se eu sobreviveria a tanta risada – assim como os infelizes que foram vitimados pela piada mais engraçada do mundo – acho que talvez seja uma boa dividir os trabalhos…

Sugestão aos cartunistas gaúchos

O (des)governo Yeda está (finalmente!) acabando. Daqui a três semanas, o Tarso estará no Palácio Piratini, e a Yeda vai para casa.

Mas nem todo mundo está feliz com o fim do (des)governo. Os chargistas da Grafar, em setembro de 2009 deixaram claro que vão lamentar como poucos a saída da Yeda do Piratini. Afinal, nunca foi tão fácil fazer piadas sobre um governante no Rio Grande do Sul. Se o Hermes da Fonseca foi um dos presidentes mais satirizados da história do Brasil, sem dúvida alguma a Yeda detém tal honra a nível estadual.

Pensando em divertir minha meia dúzia de leitores logo depois que a Yeda sair, me veio a ideia de fazer uma “retrospectiva” destes quatro bizarros anos. Para não me perder, comecei pelo Kayser, e seguindo uma ordem cronológica a partir do que ele desenhou e postou no blog dele antes mesmo da Yeda ser eleita, em outubro de 2006. Parei no início de maio de 2007, depois de já ter selecionado vinte e seis charges.

Se só do Kayser escolhi 26 charges num período de pouco mais de sete meses, imaginem quantas faltam até os dias atuais? Depois lembrei que ainda teria de fazer a seleção do Bier, do Eugênio, do Hals, do Santiago… Pois é, a retrospectiva ficaria imensa. E isso que desconsiderei as charges que poderão ser feitas até 31 de dezembro, pois como nos restam vinte dias de Yeda no Piratini, nesse tempo ainda pode acontecer algo digno de ser satirizado.

Deixo então uma sugestão aos cartunistas: uma retrospectiva do (des)governo Yeda baseada em charges. Acho mais fácil que a seleção seja feita por quem desenhou, pois eles lembrarão as que consideram as suas melhores, que sintetizam de forma muito bem-humorada o que foram estes quatro anos para o Rio Grande.

Mas para além da retrospectiva, é imporante que se monte um arquivo das charges sobre o (des)governo – seria um acervo riquíssimo, e uma mão na roda para os historiadores no futuro. Afinal, elas propiciarão uma visão muito mais correta sobre este período do que a “grande mídia” guasca.

Em defesa dos direitos políticos de Luciana Genro

Acontece hoje às 18h30, no Auditório da Faculdade de Direito da UFRGS, um ato em defesa dos direitos políticos da deputada federal Luciana Genro (PSOL). Por conta da Lei das Inelegibilidades, que impede parentes até o segundo grau de ocupantes de cargos executivos de concorrerem na mesma jurisdição do titular do cargo (a não ser que disputem a reeleição – o que prejudica Luciana, que não foi reeleita), ela não poderá concorrer a nenhum cargo a não ser o de Presidente da República, enquanto seu pai, Tarso Genro, for governador do Rio Grande do Sul.

Não se pode criticar o motivo pelo qual a lei existe: o objetivo é evitar a formação de oligarquias familiares. Mas fica claro que é um remédio amargo. E nem muito eficaz. Num exemplo bem simples, Roseana Sarney é governadora do Maranhão, e seu pai, José Sarney, é senador – mas pelo Amapá. Logo, dribla-se a lei e mantem-se o poder da família.

Já o caso de Luciana Genro é bem diferente. Ela é de um partido que faz oposição (pela esquerda) ao de seu pai. E mesmo quando estava no mesmo partido de Tarso, Luciana tinha muitas discordâncias com ele. Ou seja, politicamente ela sempre foi independente do pai, não representa a formação de uma oligarquia.

Não votei em Luciana na última eleição, mas dei uma ajudinha, ao votar em um candidato do PSOL, Antônio Ruas, para deputado federal – pena que não tenha sido suficiente para o partido alcançar o quociente eleitoral, que reelegeria Luciana. É inegável que ela fará muita falta não simplesmente à Câmara Federal, como à própria política brasileira.

É preciso, então, que haja uma reavaliação dessa lei. Pois é injusto Luciana Genro ser impedida de se candidatar mesmo fazendo oposição ao pai, enquanto o mesmo não acontece com os Sarney, que concorrem por Estados diferentes mas defendem os mesmos interesses.

Direita é derrotada no RS, e ganha “sobrevida” nacionalmente

No Rio Grande do Sul, deu Tarso governador no primeiro turno. Uma vitória histórica, por dois motivos.

O primeiro, porque Tarso Genro tornou-se o primeiro governador no Estado a ser eleito no primeiro turno desde que se passou a exigir mais de 50% dos votos válidos para o candidato ser eleito, conforme a Constituição Federal de 1988. A partir de então todas as eleições para o governo do Rio Grande passaram a ser decididas em dois turnos. Até chegar esta de 2010… Tarso teve 54,35% dos votos – superando o percentual que Olívio Dutra teve ao ser eleito no segundo turno de 1998, de 50,78%.

O outro motivo, é a derrota do tradicional discurso de que “o PT mandou a Ford embora” (que, apesar de já ter sido provado que era baseado em uma mentira, ainda chegou a ser usado na campanha), assim como de outras tosquices muito usadas pelos direitosos para justificarem seu antipetismo. Nas últimas duas eleições, foi justamente o antipetismo que fez Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB) “caírem de paraquedas” no Palácio Piratini, já que quando ambos foram eleitos os favoritos eram outros: em 2002 tudo indicava que Tarso enfrentaria Antônio Britto (PPS) no segundo turno, mas a alta rejeição de Britto fez os direitosos passarem a votar em Rigotto, que acabou sendo eleito; já em 2006, Rigotto concorria à reeleição e era favorito, mas o próprio PMDB passou a pedir que seus apoiadores votassem Yeda para evitar um segundo turno entre Rigotto e Olívio, e com isso quem ficou de fora foi Rigotto e no segundo turno, é óbvio, os direitosos elegeram a tucana.

A propósito, sobre o (des)governo Yeda, só tenho uma coisa a dizer: adeus, e até nunca mais!

Mas numa coisa, não se pode discordar da futura ex-(des)governadora. Yeda disse que a eleição foi “despolitizada”. De fato, foi, como provam as eleições de Ana Amélia Lemos (PP) ao Senado (votaram nela só porque era da RBS!!!), assim como do ex-goleiro do Grêmio, Danrlei (PTB), para a Câmara Federal. Resta torcer para que eles me provem que estou errado e sejam ótimos parlamentares (embora eu não acredite muito), mas acho que está na hora de parar com a balela de que o Rio Grande do Sul é o “Estado mais politizado do Brasil”.

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Já para presidente, haverá segundo turno, como o Hélio já alertara semana passada. Provavelmente vai dar Dilma (que contará com o meu voto), já que Serra precisa conquistar para si mais de 80% dos votos que foram para Marina no primeiro turno, e acho isso muito difícil. Ainda assim, acredito que Dilma não conseguirá repetir as votações de Lula em 2002 e 2006.

Até 31 de outubro, ainda veremos muita baixaria, muitas “correntes” nas nossas caixas de e-mail… Haja paciência.

Eu morro e não vejo tudo…

Pelo visto, esta última semana de campanha eleitoral (e é provável que seja a última mesmo, tanto a nível nacional como estadual aqui no Rio Grande do Sul, pois acho que dá Dilma e Tarso no 1º turno) terá um aumento exponencial da direitosquice digital no Brasil.

No começo da noite de hoje, acessei meus e-mails, e vi entre eles duas “correntes” contra o PT (óbvio, né?). A primeira, trata de uma suposta entrevista do nadador César Cielo, campeão olímpico dos 50 metros livre em 2008, ao jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o texto da mensagem, Cielo teria feito muitas reclamações quanto à falta de apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e do governo brasileiro.

Concordo que falta (e muito!) apoio ao esporte no Brasil (minha amiga Liciana Possani, que entre 2004 e 2008 ganhou quatro títulos brasileiros e um sul-americano na ginástica aeróbica esportiva, que o diga: ela deixou de disputar o campeonato mundial da modalidade por falta de patrocínio, e abandonou temporariamente as competições), mas por favor, não podemos sair repassando qualquer coisa sem verificar a fonte. No caso desta tal entrevista de César Cielo, fiz uma busca e achei uma matéria, de 2 de setembro de 2008, falando que o nadador realmente detonou os dirigentes da CBDA. Só que no texto não há nenhuma menção ao governo! A própria palavra “governo” sequer aparece…

Mas pior ainda foi o outro e-mail. O título: “500 mulheres cearenses! ! ! ! ! INACREDITÁVEL!!!” (é assim mesmo, cheio de exclamações). Na hora fiz uma busca… Nos meus e-mails! Sim: eu já tinha recebido isso, pasmem, da mesma pessoa, no dia 29 de maio! Inclusive, naquele primeiro texto sobre as “correntes” eleitorais, eu já havia citado essa… Fiz a busca pensando que tinha respondido aquela vez (aí mandaria a mesma réplica), mas sei lá por que cargas d’água, não o tinha feito. Então respondi ao meu amigo, e claro, lembrei que ele mesmo já tinha me mandado aquela merda mensagem há quatro meses.

Agora, resta ver o que ainda aparecerá na minha caixa de e-mails nos próximos dias. Certo que receberei muitos “ACORDA BRASIL” e semelhantes…

11 anos depois

Charge do Kayser

Nada como um dia depois do outro…

Por 11 anos, ouvimos os nossos (de)formadores de opinião repetirem, quase como um mantra, que “o Olívio mandou a Ford embora do Rio Grande do Sul” – uma estratégia goebbeliana, de que “uma mentira contada cem vezes torna-se verdade”.

Tento imaginar tudo o que eles passarão a dizer diante da notícia de que a Ford terá de indenizar o Estado do Rio Grande do Sul em 130 milhões de reais por rompimento do contrato – ou seja, porque foi a empresa que não cumpriu com suas obrigações, e não o Estado. A Ford recorreu, é verdade, mas o principal discurso dos direitosos contra Olívio Dutra está detonado.

Vale lembrar que “mandar a Ford embora” na verdade era “renegociar o contrato”. Pois este, assinado durante o (des)governo de Antonio Britto, previa amplos incentivos fiscais à montadora, além de investimentos por parte do Estado para a instalação da fábrica em Guaíba. Olívio, que na campanha eleitoral de 1998 prometera renegociar contratos assinados pelo (des)governo Britto que fossem lesivos às finanças do Estado, tomou posse e logo caminhou nesta direção.

E olha que a proposta do governo não era de cortar absolutamente todos os benefícios à Ford (os incentivos fiscais já concedidos, da ordem de 3 bilhões de reais, não seriam contestados, assim como a empresa não teria de devolver o dinheiro já repassado a ela). Apenas deixava claro que não ia comprometer ainda mais as finanças do Estado, como aconteceria se Britto tivesse sido reeleito.

A proposta do Governo do Estado, publicada na capa do Correio do Povo, edição de 29/04/1999 (dia seguinte ao anúncio da Ford de que não se instalaria no RS)

Por favor: isso aí é “pedir para uma empresa ir embora”? Só se ela for extremamente gananciosa. Ou, se por acaso havia uma “boquinha” melhor, como de fato acontecia: a Bahia, apoiada pelo governo federal (à época, o presidente era Fernando Henrique Cardoso) oferecia amplos benefícios fiscais para que a Ford se instalasse em Camaçari. E com o apoio de boa parte da bancada gaúcha no Congresso Nacional – o lado direito, é claro…

Se Olívio estava tão empenhado em “mandar a Ford embora” devido a “razões ideológicas”, por que a GM também não deu adeus ao Rio Grande do Sul? Simples: seu contrato foi renegociado e assim sua fábrica está funcionando em Gravataí há 10 anos.

Porém, o “estrago” já estava feito. Principalmente por parte da RBS. Dia após dia, seus principais (de)formadores de opinião repetiam que “o Olívio havia mandado a Ford embora”, que isso “era uma tragédia”, que o Rio Grande do Sul “tinha perdido muitos empregos” etc. Mesmo que o governo preferisse dar apoio aos pequenos empresários do Estado em detrimento dos grandes (que não precisam desse apoio), assim como à agricultura familiar (que produz muito mais do que o “agronegócio”, tão exaltado pela “grande mídia”). Insuflou-se um antipetismo tão forte no Rio Grande do Sul, que por duas vezes consecutivas candidatos sem projeto algum “caíram de paraquedas” no governo do Estado: Germano Rigotto em 2002; e o exemplo mais absurdo, Yeda Crusius em 2006.

Sem dúvida, ambos venceram graças ao antipetismo. Em 2002, o preferido da velha direita era Britto, mas sua alta rejeição (que provavelmente resultaria em derrota para Tarso Genro no 2º turno) fez os votos direitosos migrarem para Rigotto, que só concorria para que o PMDB tivesse um candidato próprio (Britto deixara o partido em 2001 junto com vários de seus apoiadores, dentre eles José Fogaça, que ingressaram com ele no PPS). Já em 2006 a coisa foi mais bizarra: Rigotto era candidato à reeleição, mas o PMDB temia um segundo turno contra Olívio (o que inevitavelmente resultaria na comparação entre os governos de ambos); assim, muitos votos que seriam de Rigotto foram para a tucana Yeda (que assim como Rigotto em 2002 era “franco-atiradora” – o PSDB no Rio Grande do Sul não é nem a quarta força) para “tirar o Olívio do segundo turno” – e aí quem ficou de fora foi Rigotto e os direitosos tiveram de eleger Yeda, bem pior.

O resultado, é o que todos vêem: corrupção, atraso, polícia repressora (no governo Olívio era raro dar pancadaria com a Brigada)…

Em seu post sobre o assunto no Somos andando, a Cris pergunta se alguém indenizará o Estado pelas eleições de Rigotto e Yeda que se deram graças ao anti-petismo baseado no “argumento” de que “o Olívio mandou a Ford embora”. Quem deveria fazer isso (pois sabemos que não acontecerá) é uma resposta pra lá de barbada…

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Como a Zero Hora não daria um “tiro no pé” que seria não noticiar a decisão contra a Ford, o jornal publicou, é claro. Mas no começo da matéria eles já trataram de desqualificar a fonte (o Sul 21), dizendo que Vera Spolidoro, sua editora-chefe, é ligada ao PT – ou seja, “parcial”. Óbvio, pois na ótica deles a imprensa não pode dizer de que lado está, tem de ser imparcial, como a RBS.