Deste jeito, Porto Alegre vai parar

Porto Alegre, que completa 241 anos na próxima terça-feira, já ganhou um “presente”: a passagem de ônibus mais cara do Brasil dentre as capitais. A tarifa subirá de R$ 2,85 para R$ 3,05 mesmo depois do Tribunal de Contas do Estado (TCE) ter determinado que o cálculo do valor deveria ser feito com base apenas na frota operante (ou seja, os ônibus que efetivamente circulam), o que resultaria na redução da tarifa.

Originalmente as empresas queriam que a tarifa subisse a R$ 3,30. Já a proposta de ontem previa R$ 3,06 – obviamente não ficaria nesse preço, pois as moedas de um centavo são praticamente peças de museu, embora ainda tenham valor. Assim, o novo valor ficou “abaixo do desejado” pelas empresas, mas igualmente elas lucrarão mais. E foi ótimo para a prefeitura, que mais uma vez deu um jeito de “sair bem na foto” ao “impedir” que a passagem subisse ao valor que as empresas queriam, mesmo que na verdade tivesse de impor a redução do preço.

Assim, me questiono não se Porto Alegre vai parar, e sim, quando isso acontecerá. Pois tantos aumentos sem nenhuma melhora da qualidade do serviço só servem para uma coisa: incentivar mais gente a usar o carro no dia-a-dia (pois só quem não mora muito longe do trabalho pode se dar ao luxo de trocar o ônibus por caminhada). Ainda mais que as passagens de lotação também subirão – é a maneira encontrada para fazer com que os passageiros de ônibus insatisfeitos com o aumento migrem para carros próprios ao invés de lotações, o que frustraria o “sonho” de uma cidade completamente parada no congestionamento.

Aí, meus amigos, podem apostar que em 2014 as coitadinhas das empresas alegarão que a passagem precisa subir novamente porque elas têm muita despesa por colocarem os ônibus para circular com menos gente pagando (mas obviamente culparão as isenções, não a diminuição de passageiros que é fruto justamente de uma tarifa já elevada). E será assim em 2015, 2016… Talvez até chegarmos ao dia em que a prefeitura constatará que as pessoas “não utilizam os ônibus”, o que justificará a extinção do transporte público em Porto Alegre.

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Caminhadas forçadas

Desde o começo desta semana, larguei o ônibus. Passei a ir para o trabalho a pé, e também a voltar.

Na verdade, eu já fazia isso antes, mas tinha parado, pois de julho a dezembro tinha carona para a ida – assim, apenas voltava a pé, e isso quando não chovia. Foi na sexta passada que dei um “basta” à preguiça: chovia, já tinha embarcado no ônibus de volta – e pago os R$ 2,70 da passagem – quando notei que tinha esquecido a chave de casa no trabalho… Por sorte não tinha andado muito: desci, voltei e peguei a chave. Mas decidi voltar a pé, com chuva e tudo, irritado por ter gasto R$ 2,70 a toa.

Quem usa um ônibus para a ida ao trabalho, e um para a volta, gasta toda semana R$ 27 apenas em deslocamento. Agora pensemos num mês inteiro: dá mais de R$ 100. É dinheiro que faz falta no bolso dos mais pobres. E geralmente são eles que moram mais longe do Centro, que é justamente para onde a maioria tem de se deslocar para trabalhar.

Pois eu tenho a opção de me deslocar “de graça”, a pé, por não morar muito longe de onde trabalho. Indo e voltando a pé todos os dias, economizarei bastante dinheiro, que poderei usar da maneira que achar melhor. E isso sem contar os benefícios à saúde (para alguém que foi assíduo frequentador de consultórios médicos e odontológicos em 2011, qualquer benefício à saúde é lucro). Já quem mora longe não tem esta opção: é pagar o ônibus ou perder o emprego.

Pois agora, reparem no que acontece: os motoristas e cobradores reivindicam aumento salarial de 22%, enquanto as empresas de ônibus oferecem bem menos e, com a maior cara-de-pau, usam a justíssima reivindicação de seus trabalhadores como desculpa para pedir mais um aumento na tarifa, que pode subir de R$ 2,70 para R$ 2,90! Obviamente teremos protestos, manifestações na rua, mas o histórico de insensibilidade da nossa prefeitura (mesmo em ano eleitoral) não me deixa ter esperança: a passagem vai subir.

Diante disso, só me resta caminhar ainda mais, mesmo com muito calor… Ônibus (de preferência, procurando trocar uma nota de R$ 50* na roleta), só quando tiver de ir a algum lugar muito longe ou estiver chovendo muito. E se estiver com mais três pessoas, dependendo da distância sai mais barato ir de táxi.

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* A Lei do Troco determina que o passageiro de ônibus ou lotação fica liberado do pagamento da passagem caso não seja fornecido o devido troco, desde que o montante utilizado não exceda em 20 vezes o valor da tarifa. Com isso, se usarmos uma nota de R$ 50 na roleta e o cobrador não tiver troco, podemos andar de graça; já uma nota de R$ 100 não nos dá tal direito. Vamos combinar que, se bastante gente fizer isso, é uma boa maneira de se vingar de tantos aumentos, pois os empresários do transporte coletivo sentirão onde mais dói neles: no bolso.

Vem aí mais um assalto ao bolso do porto-alegrense

A passagem de ônibus em Porto Alegre, que já é cara, pode ficar ainda mais cara: pelo que fiquei sabendo via  Twitter, a tarifa pode subir a R$ 2,75! Como sempre, o aumento vem no meio do verão, para dificultar a mobilização dos cidadãos.

Já se paga muito por um serviço que não melhora, muito pelo contrário. Se ao menos toda a frota tivesse ar condicionado (em verões rigorosos como este, faz muita falta), os horários fossem cumpridos e os veículos andassem menos cheios, seria menos injusto gastar R$ 2,45 (tarifa atual) por viagem.

Com tantos aumentos, a diminuição no número de passageiros que se verificou muito nos últimos anos é uma consequência óbvia. Eu próprio sirvo de exemplo: antigamente valia a pena pegar ônibus para deslocamentos relativamente curtos, pois o gasto não era tão grande – e com ar condicionado num dia de calorão, então, podia-se dizer que era quase “de graça”, dado o conforto; agora, só pego ônibus se o lugar para onde vou é realmente longe, ou se corro risco de chegar atrasado. Se bem que de ônibus também se corre tal risco, dados os atrasos e o trânsito cada vez mais caótico – que é estimulado por tantos aumentos, pois com um transporte público ruim, quem tem carro dificilmente irá deixá-lo na garagem, e a maioria de quem não tem quer logo ter.

Até para ir aos jogos do Grêmio, tenho levado o hino ao pé da letra, indo a pé ao Olímpico (e às vezes voltando também). E não é um deslocamento relativamente curto: são aproximadamente quatro quilômetros de caminhada.

Ah, e tudo isso sem contar o péssimo estado de conservação das paradas de ônibus em Porto Alegre… Lembrando que em abril passado um jovem morreu eletrocutado em uma delas.

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O aumento de R$ 0,30 na tarifa pode parecer pouco, mas pense em quem usa ônibus todos os dias. São R$ 0,60 a mais por dia, isso se a pessoa só precisa de uma linha para os deslocamentos. Agora, multiplique isso por todos os dias úteis de cada mês, e perceba que faz diferença, sim, no orçamento – principalmente dos mais pobres.

Baderna é ônibus a R$ 2,35 em Porto Alegre

Ontem à tarde, a Brigada Militar reprimiu violentamente uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus em Porto Alegre. A tarifa atualmente é de R$ 2,10 e poderá ir a R$ 2,35!

Houve um tempo em que valia a pena pegar ônibus em Porto Alegre. Logo que implantaram os primeiros veículos com ar-condicionado, especulava-se que teria que se pagar mais caro para embarcar neles, mas o valor da tarifa era o mesmo dos ônibus normais – se não me engano, 70 centavos. Lembro que uma vez fui visitar um amigo que não morava muito longe da minha casa, mas o calor era tão insuportável que voltei de ônibus: peguei um T5, com ar-condicionado.

Hoje, por incrível que pareça, é mais fácil suportar o calor horroroso de Porto Alegre. Pois a tarifa aumenta, mas a qualidade dos ônibus só piora. A Carris, que já foi eleita por duas vezes a melhor empresa de ônibus urbanos do Brasil, agora tem até baratas em seus veículos e praticamente deixou de adquirir veículos com ar-condicionado – com exceção dos mini-ônibus das linhas circulares do Centro, há quatro meses da eleição, e que andam quase sempre cheios. E o TRI RUIM só serviu para deixar as coisas ainda piores.

Atualmente, só não vou a pé para o Campus do Vale porque 14 quilômetros é uma distância considerável. Tem valido muito mais a pena caminhar, mesmo com calorão, do que andar de ônibus. Até porque, considerando a relação custo-benefício, para aliviar o calor é mais negócio comprar uma garrafinha de água mineral do que pegar um ônibus.

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Atualização: ouvi notícia de que a passagem subirá um pouco menos, irá a R$ 2,30 se o Fogaça sancionar. Mas ainda é um absurdo.