Gripe A. “A” de ABRE A JANELA!

Três anos após a pandemia do vírus H1N1, a gripe A volta a ser assunto. O pessoal, preocupado, reclama que falta vacina nas clínicas.

Acho válida a preocupação: não há melhor prevenção contra qualquer gripe do que a vacina. Assim, caso nos desliguemos de algum cuidado, ela pode não impedir que nos gripemos, mas ao menos atenuará a enfermidade: lembro que em setembro de 2001 (dias antes dos atentados nos Estados Unidos) o meu irmão teve uma forte gripe, com febre de até 40°C. Acabei pegando também, mas foi bem fraca, e não tive mais de 38°C. A vacina, que meu irmão não tomou e eu sim, fez a diferença. (Ano passado, quando não me vacinei, me gripei com direito a febre de 40°C.)

Mas tenho certeza que a maioria das gripes poderia ser evitada até mesmo sem vacina. Além da já tradicional higienização das mãos com álcool gel, também é uma excelente ideia não fechar todas as janelas de ambientes com muita gente.

É incrível. O pessoal se assusta com a gripe, mas basta esfriar um pouquinho que já fecha todas as janelas, mesmo que o local não tenha ar condicionado (por exemplo, ônibus). Não deixa sequer uma frestinha, para diminuir a sensação de sufocamento. Aí depois se gripa e não sabe um provável motivo… Ou melhor, finge não saber, pois não é de hoje que se fala da importância de permitir a renovação do ar em lugares cheios de gente para evitar o contágio de doenças transmissíveis pelo ar (a gripe é apenas uma delas).

Também é verdade que a pouca proteção contra o frio “abre o caminho” para gripes e resfriados. Inclusive, por ser calorento, acabo sendo um “hotel cinco estrelas” para esses vírus durante o inverno (que mesmo assim, não consigo achar pior que o verão de Forno Alegre). Mas se proteger pouco, pegar um ônibus lotado e com as janelas todas fechadas, para depois descer dele e encarar o frio “de renguear cusco”, é quase como dizer “gripe querida, eu te amo”.

Logo, vale mais se agasalhar bem, e deixar pelo menos algumas frestas abertas. Agora, se ainda assim o leitor preferir fechar tudo por achar que faz muito frio, é bom lembrar que um dos sintomas da gripe é a febre, e que ela também causa sensação de frio…

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Porto Alegre no verão

Menos carros nas ruas… Aquelas mais movimentadas, não é tão utópico atravessá-las sem necessidade de caminhar até uma sinaleira.

Menos congestionamentos, menos filas em restaurantes, tudo melhor.

Pena que esse abafamento estraga tudo. Não fosse ele, o verão seria a melhor época do ano para se estar em Porto Alegre. Mas, por causa dele, é a pior. E como no resto do ano o calor não é tão sufocante, mas a cidade é um caos, Porto Alegre não é um bom lugar para se morar: se sofre menos com o calor, mas viver preso em congestionamentos (“progresso”, para os concretoscos) não é sinal de qualidade de vida.

E como a cidade terá ainda mais espigões e carros, ficará bem pior, e no ano inteiro. Mais quente no verão, mais caótica de março a dezembro.

Dizem que os espigões são para atrair turistas… Se eles vierem no inverno, ficarão presos no congestionamento. E no verão, sofrerão com o calor impiedoso sem possibilidade de refresco: quando se fala em aumento do turismo, os que infelizmente têm poder de decisão em Porto Alegre pensam em concreto, e nem lembram de despoluir o Guaíba.

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O Hélio Paz diz que Natal é “a cidade do clima perfeito”, com dias quentes mas sem abafamento, e noites agradáveis. Se realmente o calor não é sufocante como em Porto Alegre, então nem é preciso ter inverno. Apesar de eu adorar dormir debaixo de cobertor…

Talvez seja mais pela saudade de não suar feito um condenado. Afinal, muitos se iludem com Porto Alegre só por ser a capital mais ao sul: aqui faz muito mais calor do que frio.

Gosto é gosto, mas…

Respeito quem gosta do verão, mas não consigo compreender tal opinião. Excetuando, claro, se vier de um morador de rua: deve ser terrível passar na rua uma noite de inverno. Assim como de quem mora em lugares onde há longos períodos de frio extremo (e por favor, não me digam que Porto Alegre é um desses lugares, pois se junho e julho foram frios, também fez 34°C em agosto, naquela tarde em que o NINJA Victor pegou tudo!).

Agora, quem tem teto para se abrigar, por que adorar essa coisa horrível que é o verão de Porto Alegre? Não dá para se mexer muito, que o suor começa a verter! Nem banho ajuda: em geral, serve apenas para tirar um suador e começar outro, assim que fecho a torneira do chuveiro.

E os insetos? Ainda não matei nenhuma barata grande em casa e por isso estou até estranhando, pois em geral a “temporada” delas começa justamente em dezembro. Há ainda os mosquitos, espécie animal mais filha da puta que existe: como não odiar um ser que vai ao nosso ouvido quando estamos quase pegando no sono? E não se pode deixar nenhum doce, nenhuma comida descoberta: as formigas atacam mesmo! Todos esses seres desgraçados se entocam no inverno, têm aversão ao frio.

Tudo, exceto dormir na rua e lavar louça, é melhor no inverno (tá bom, tá bom, levantar da cama também é complicado, mas não dá aquele desânimo de sair de casa, regra nesses dias abafados que nos assolarão pelo menos até março). É muito mais aconchegante: assistir um filme enrolado num cobertor, dormir sem precisar de ventilador, banho diário só para manter o hábito, tomar um sopão, comer fondue e chocolate (ou fondue de chocolate), um café bem quente… No verão, basta pensar nisso para começar a suar!

Até o calor, no inverno é melhor! Primeiro, por saber que ele não deverá durar. Segundo, por ser seco: naquele 16 de agosto em que o Victor pegou até pensamento, mesmo com os 34°C eu não suei devido à baixa umidade (inclusive voltei do jogo a pé, sem problemas); ontem nem sei se a máxima chegou aos 30°C, mas eu parecia um picolé – só não era gelado.

E se o inverno tem risco de gripes e resfriados, ainda assim o prefiro. Até porque costumo pegar poucas gripes, a última foi em setembro de 2001. E o último resfriado foi em março de 2008, culpa de passar muito tempo debaixo do ventilador no máximo.

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E a “grande mídia”? Trata o verão como se fosse a melhor coisa do mundo, faz muita propaganda de praia (a propósito, lá faz menos calor, logo quem gosta de verão não deveria gostar de praia!) e “corpo sarado” (aí o pessoal se machuca porque fez uma porrada de exercícios e não se sabe por que isso acontece tanto). Certo dia, quando eu estragava meus ouvidos ouvia um programa esportivo na Rádio Gaúcha, o locutor comemorava o fim do inverno, dizendo que “todo mundo estava de saco cheio de frio” – que “todo mundo”, cara pálida? A RBS é tão tendenciosa, que não consegue ser imparcial nem para falar do tempo! Que pare com essa balela e assuma seu lado!

A culpa não é do inverno

Se eu disser que hoje faz frio em Porto Alegre, estarei mentindo. Faz é muito frio.

Como eu não gosto do verão, não tenho do que reclamar. Se a estação mais quente do ano nunca tivesse temperaturas superiores aos 30°C em Porto Alegre, eu nem reclamaria (talvez até gostasse mais dela do que do inverno). Mas, tem. Muito calor e umidade: nada pode ser pior! Viro um verdadeiro sorvete entre dezembro e março: mais do que suar, eu “derreto”…

Claro que passar frio não é nada agradável também. Reconheço que é muito fácil dizer que adoro inverno, estando abrigado e agasalhado, inclusive digitando este texto com luvas nas mãos. Pois ao mesmo tempo, muita gente está literalmente congelando nas ruas de diversas cidades do Estado: pessoas que não têm um teto para passar a noite, nem roupas quentes. Deve ser terrível dormir em uma calçada com temperatura negativa.

Mas, se pessoas morrem de frio no Rio Grande do Sul, a culpa não é do inverno. Assim como não é a seca a culpada pelo flagelo vivido em muitos anos no sertão nordestino – e em 2009, no Rio Grande.

Ora, cadê a culpa da violenta desigualdade social no nosso país? E dos governos que nada fazem para evitar os problemas causados pelo clima, facilmente solucionáveis?

Existem lugares muito mais frios que o Rio Grande do Sul, onde as baixas temperaturas não causam tantas mortes: nosso inverno é fichinha em comparação com a Escandinávia, mas lá o frio não é uma tragédia social, justamente por não haver tão brutal diferenciação entre os mais ricos e os mais pobres. Assim como a solução para a falta de água no sertão nordestino (e mesmo no Rio Grande do Sul) é barbada e difícil ao mesmo tempo: barbada por bastar construir reservatórios suficientes para que a água da chuva possa ser utilizada nos períodos de seca; e difícil por depender da chamada “vontade política”, que muitos de nossos “representantes” demonstram não ter.

Ou seja: é muito fácil culpar o clima.

E se é fácil gostar do inverno estando abrigado do frio, também é fácil gostar do verão apenas por causa da praia, esquecendo que quem fica estudando e/ou trabalhando na cidade sofre com o calor sufocante.