Filme para o feriado

Acho uma grande bobagem todos os feriados religiosos. Mas, como não temos escolha (afinal, não vivemos em um Estado realmente laico), só nos restou descansar forçadamente nesta sexta-feira.

Bom, se o leitor é que nem eu e não curte congestionamento, ficou em Porto Alegre ao invés de ir para a praia. O que não é nada ruim: o calorão deu uma trégua, tem Feira do Livro, jogo do Grêmio… E ainda por cima a tranqueira foi para o litoral e assim a cidade deu uma esvaziada: ela fica bem melhor assim (pena que segunda-feira volta tudo ao normal).

E se vai ficar em casa, nada melhor do que ver um filme. E nada dessa história de “a dois”: este que indico, adequado à data, é legal de ser visto sozinho. Tarde da noite. E com todas as luzes apagadas…

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Em tempo: feriadão é bom, mas gosto mesmo é de feriado que cai na quarta. Afinal, ele “quebra” a semana em duas partes, fazendo com que ela seja menos cansativa.

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A arte de assustar

Sou fã de filmes de terror. Mas não falo daqueles estilo “banho de sangue”, com um assassino mascarado que quer matar todo mundo. Até porque eles costumam ser por demais previsíveis. (E há alguns tão toscos que chegam a ser engraçados.)

Engana-se quem pensa que assustar as pessoas com um filme é fácil. Pois uma coisa é dar sustos, dos quais nos recuperamos e chegamos até mesmo a rir – mesmo que, para mais adiante, levarmos outro cagaço. Outra bem diferente é deixar o espectador tenso, com o coração na boca, sem sequer precisar mostrar algum monstro.

Pois é o que experimentei na prática ontem, assistindo a Atividade Paranormal 3. É um filme aparentemente fácil de fazer (assim como os dois primeiros da série): basta ligar uma câmera comum, ir dormir e no dia seguinte assistir ao vídeo em busca dos fantasmas. O problema é fazer eles se manifestarem… (Que tal deixar uma câmera no banheiro, com um gravador repetindo “Blood Mary” a noite inteira?)

O que mais gosto nestes filmes ao estilo “falso documentário” é que eles parecem mais “reais”. Ao assistirmos filmagens feitas em câmeras comuns, fica mais difícil dizer “é só um filme, nada disso existe de verdade nem é uma ameaça”. Quando se parece estar “dentro” da história, o que menos pensamos é que “é só um filme”.

Mas obviamente isso não significa deixar de lado grandes filmes de terror feitos no passado – e que ainda considero melhores que os “falsos documentários”, pois também conseguem nos envolver na história, a ponto de esquecermos a realidade (embora às vezes a desgraçada se manifeste através de um telefone) e só nos concentrarmos na tela. Como não sentir “os nervos à flor da pele” em O Bebê de Rosemary (1968) por exemplo?

E até hoje, não assisti nenhum filme de terror melhor que a versão de O Iluminado (1980) produzida por Stanley Kubrick. Com direito a duas das cenas mais assustadoras da história do cinema: desafio o leitor a assistir a pelo menos um dos vídeos abaixo de madrugada, com todas as luzes apagadas.

Já vi esse filme…

E não gostei nada do final.

Mas antes, vejamos o trecho de um outro filme, um grande clássico da história do Cinema. Será que alguém assiste o vídeo abaixo sozinho em casa, de madrugada e com todas as luzes apagadas?

Trata-se de um trecho do filme O Iluminado, versão de Stanley Kubrick (1980). Anos depois foi filmada uma outra versão da história, mais fiel ao livro de Stephen King. Com quatro horas de duração, acaba sendo cansativa, ainda mais que a vi depois de ter assistido ao filme de Kubrick, que é inegavelmente melhor – e extremamente assustador.

Bom, agora o leitor está preparado para o que vem a seguir. Pois o vídeo é apavorante, igual ao nome do novo vice de futebol do Grêmio, à qualidade do time, e também ao caos que se estabeleceu quinta-feira do lado de fora do Olímpico – não vi nada porque já estava lá dentro, mas além de assustador, é revoltante.

O vice de futebol ao qual me refiro é Luiz Onofre Meira, que assumiu com a saída de André Krieger. Meira era o vice no episódio das “ovelhinhas”, no primeiro ano da fatídica gestão de Flávio Obino. Um dirigente que não tinha autoridade: depois do episódio, os jogadores não o respeitavam mais, e tudo ficava por isso mesmo. Logo foi substituído, mas a barca continuou a afundar, até chegar ao fundo.

Só espero que isso não seja uma repetição dos “iluminados” anos de 2003 e 2004…

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Errata: Luiz Onofre Meira não era vice de futebol do Grêmio em 2003, no episódio das “ovelhinhas”. Quem ocupava o cargo era Luiz Eurico Vallandro – Meira tinha outra função, que não recordo com exatidão agora. Mas pouco depois da “ovinice”, Vallandro saiu, e Saul Berdichevisky assumiu o futebol gremista.