Meus jogos no Olímpico Monumental: 1995

No dia da despedida do Olímpico Monumental, abro a série de textos em que relembrarei as 258 vezes em que estive no estádio. Ao invés de um número fixo a cada postagem, optei por algo diferente: ano a ano. Assim, algumas vezes falarei de poucos jogos, e em outras o texto será “interminável”.

Como podem perceber, minha primeira ida ao estádio foi tardia: só em 1995. Tinha 13 para 14 anos. Meu pai é colorado, mas subverti a lógica de torcer para o mesmo time do pai e acabei seguindo minha mãe, gremista (mas caso um dia eu venha a ter filhos, espero subverter minha própria lógica e ser pai apenas de gremistas).

Tive chances de ir antes. Como na decisão da Copa do Brasil de 1993, entre Grêmio e Cruzeiro (com Ronaldo no banco). Estava tudo certo… E então, desabou uma chuvarada em Porto Alegre naquele 30 de maio. Como não tinha comprado ingresso (o faria na hora que chegasse ao estádio, naquela época era possível), acabei não indo. E esperei mais dois anos.

Até que chegou o glorioso ano de 1995. Foi quando o Grêmio ganhou a Libertadores pela segunda vez. Mas me faltava algo: ir ao estádio. E então, finalmente, eu fui.

1. Grêmio 2 x 3 Botafogo (Campeonato Brasileiro, 16 de setembro)

Minha estreia foi em um sábado à tarde. O adversário era o Botafogo, que contava com ninguém menos que Túlio Maravilha no ataque (já fora goleador do Campeonato Brasileiro de 1989 pelo Goiás, e em 1994 repetira a dose pelo Fogão).

No começo do Brasileirão o Grêmio estava “relaxado”, descansando da maratona da Libertadores (que terminara poucas semanas antes). Assim, a derrota para o time que viria a ser o campeão nacional daquele ano não chegou a ser tão surpreendente – o Tricolor “engrenaria” no campeonato mais adiante, embora já sem chances de chegar ao título, visto que a prioridade era o Mundial contra o Ajax no final de novembro.

Porém, não era só o Botafogo que tinha um goleador (Túlio marcou duas vezes naquela tarde). O Grêmio tinha Jardel, que marcou o segundo gol gremista (o primeiro foi de Paulo Nunes), diminuindo a desvantagem para 3 a 2.

2. Grêmio 1 x 0 Sport (Campeonato Brasileiro, 29 de outubro)

Esse jogo não teria me deixado maiores lembranças, não fosse um costume da minha mãe (que foi ao estádio comigo) do qual fui “vítima” aquela tarde: sair um pouco mais cedo para conseguir pegar táxi com mais facilidade. Graças a isso, não vi o gol, que saiu nos acréscimos…

Aprendi uma lição: nada de sair mais cedo quando ainda não há nada decidido.

3. Grêmio 2 x 1 São Paulo (Campeonato Brasileiro, 11 de novembro)

Pela primeira vez, consegui sair do estádio comemorando uma vitória, visto que contra o Sport perdi o gol. E foi um baita jogo: após o São Paulo abrir o placar na etapa inicial, o Grêmio virou no segundo tempo, gols de Dinho e Jardel.

Um fato curioso: o goleiro são-paulino era Rogério Ceni, que ainda era o reserva de Zetti. Tanto o primeiro como o último Grêmio x São Paulo que assisti no Olímpico tinham Rogério no gol adversário.

E após o jogo, ainda dei sorte: após chegar em casa, minha mãe pediu para ir ao supermercado comprar sei lá o quê. Quando cheguei à esquina da Cristóvão Colombo com a Ramiro Barcelos, encontrei justamente meu amigo Leonardo Sato, que é são-paulino. E assim não precisei esperar para flautear só quando chegasse na aula de segunda-feira.

4. Grêmio 1 x 0 Criciúma (Campeonato Brasileiro, 18 de novembro)

Esse jogo foi especial. Não valeu título nem nada. É que pela primeira vez, eu via o Olímpico lotar, com a minha presença. Não havia lugar para mais ninguém.

Simples: era a despedida do Grêmio, que disputava sua última partida antes de viajar ao Japão. Assim, o torcedor decidiu comparecer em massa a um jogo que nada valia (pois não havia mais chance de se classificar às finais do Brasileirão). Demonstração de apoio ao time que dez dias depois, iria brigar por seu segundo título mundial. Pena que não achei vídeo desse Grêmio x Criciúma…

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Estatísticas de 1995:

  • Jogos: 4
  • Vitórias: 3
  • Empates: 0
  • Derrotas: 1
  • Gols marcados: 6
  • Gols sofridos: 4
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O milésimo gol ninguém esquece. E o primeiro também…

Em novembro de 1969, os fãs de futebol aguardavam ansiosamente o milésimo gol de Pelé. Divergências de números a parte, o Rei comemorou pela 999ª vez contra o Botafogo da Paraíba, quando o Santos venceu por 3 a 0. Na partida seguinte, o Peixe foi à Fonte Nova enfrentar o Bahia, e o estádio estava lotado por conta da possibilidade de que o milésimo saísse em Salvador. Não aconteceu: em um dos lances de gol, o zagueiro Nildo tirou a bola de cima da linha; diz-se que a torcida vaiou intensamente o jogador, informação contestada pelos baianos, que dizem que a torcida do Bahia jamais apuparia seu próprio time.

O gol 1000, enfim, aconteceu no dia 19 de novembro, no Maracanã: de pênalti, Pelé venceu o goleiro Edgardo Andrada, do Vasco. E o campo foi invadido.

De forma semelhante saiu o 1000º gol de Romário, segundo as contas dele. No dia 20 de maio de 2007, contra o Sport Recife, o Baixinho atingiu a marca histórica ao vencer o goleiro Magrão, em cobrança de pênalti. E novamente, invasão de campo.

Coisas da vida de artilheiro. Bem diferente do que passa quem não tem o “faro do gol”. Meu caso: teve uma época em que eu jogava todos os sábados com meus amigos, e por ser muito ruim, sempre sobrava para mim a árdua tarefa de ser goleiro. Então eu me notabilizava mais por levar gols (alguns bizarros ao extremo), do que por marcá-los. O dia em que finalmente consegui balançar a rede, todo mundo que estava jogando (até os adversários) veio me abraçar…

E se engana quem pensa que isso só acontece em peladas de amigos. O lateral-direito Tony Hibbert, do Everton, joga no clube inglês há 12 anos, e até esta semana jamais marcara um gol com a camisa do time. Pois em um amistoso de pré-temporada contra o AEK, da Grécia, finalmente ele mandou a bola para as redes. Não teve outra: o campo foi invadido pela torcida enlouquecida, que quis comemorar junto com Hibbert.

Não tem jeito

Charge do Kayser (2007). Se o Corinthians ganhar a Libertadores, a TV ganha junto...

Semana passada consegui torcer pelo Corinthians (quis ser “do contra” só por ser). Mas hoje, no jogo decisivo, não vai dar.

Não entro nessas de que “o Boca é o Brasil na final da Libertadores”. E nem na visão “global”, que dá tal papel ao Corinthians – afinal, sua torcida é uma das mais apaixonadas do país, mas não corresponde a nem metade dos brasileiros.

Aliás, essa ideia de que “o Corinthians é o Brasil” nem vale só para a Libertadores. Na decisão da Copa do Brasil de 2008, por exemplo, eu tinha a impressão de que Pernambuco era outro país, tamanha a “empolgação” com que os gols do Sport foram narrados.

Não quero nem imaginar o que será assistir televisão (coisa que já faço raramente) caso o Corinthians vença. Quando o Timão foi rebaixado em 2007, lembro que chegaram a transmitir ao vivo um treino do time antes da partida decisiva contra o Grêmio (que acabou empatada em 1 a 1). Agora, já tivemos programas especiais sobre o clube, antes mesmo da bola rolar (esquecem que o Boca adora oba-oba de adversário).

Pelo visto acham que a maioria dos brasileiros é formada por torcedores do Flamengo ou do Corinthians. Os dois clubes têm as duas maiores torcidas, é verdade, mas há um enorme contingente de brasileiros que não torce para nenhum dos dois: as cinco maiores torcidas não correspondem nem à metade da população do Brasil. (E repare que a maioria dos corintianos mora no estado de São Paulo.)

A maior tradição do futebol brasileiro

Engana-se quem pensa que vou falar de “futebol-arte” e coisa parecida. Pois isso nem é exclusividade do Brasil: se o que Maradona jogava (e agora Messi joga) não se encaixa nesse conceito de “arte” do qual falam tantos opinistas, não sei mais o que é “futebol bonito”.

A maior tradição do futebol brasileiro chama-se politicagem. Nisso sim, somos inigualáveis. Tanto que, depois de relativa calma nos últimos anos, os clubes trataram de lembrar “os velhos tempos”, com o racha no Clube dos 13 e a possibilidade de acertos em separado com duas emissoras de televisão para a transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012 (fim do mundo?) em diante. (E o Grêmio vai negociar diretamente com a Globo, ou seja, provavelmente ainda teremos por um bom tempo os jogos no maldito horário das 21h50min, sem contar que se manterá o monopólio “global”; e além de tudo, isso poderá ser muito prejudicial ao Tricolor, com clubes do eixo Rio-São Paulo recebendo mais que o Grêmio numa proporção muito superior à da atualidade.)

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Burrice global

No documentário “Muito além do Cidadão Kane”, que fala sobre o poder da Rede Globo no Brasil, Armando Nogueira, que trabalhava como chefe de jornalismo lá na época da eleição presidencial de 1989, disse que a edição do resumo do último debate antes do 2º turno, excluindo bons momentos de Lula e mostrando apenas os de Collor, foi “burra”, e que ele não deixaria que fosse ao ar se a tivesse visto.

O mesmo se aplica ao que aconteceu ontem (isso na visão de Armando Nogueira, pois para mim a edição do debate de 1989 foi manipulação pura e simples). Quando eu soube que o jogo Vitória x Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, seria às 4 da tarde, pensei: “ótimo, vai passar na TV aberta” (visto que, em geral, os jogos às 6 e meia da tarde/noite nos domingos só passam no pay-per-view, que eu não tenho em casa). Quando chamei um amigo para ver o jogo aqui, ele disse que ia passar Santos x Corinthians na Globo. Achei que ele estava errado, porque Vitória x Grêmio era às 4 da tarde, logo, seria essa a partida transmitida, pelo menos para o Rio Grande do Sul. Resolvi esperar para ver: não queria ir para um bar porque, como tinha de terminar a revisão de um artigo – cujo prazo de envio via e-mail encerrava ontem -, não achava uma boa ideia beber cerveja (mesmo com frio eu tomaria, ainda mais estando num buteco) e depois terminar a revisão de um texto acadêmico.

Na hora do jogo, liguei a televisão e… Passava Santos x Corinthians na Globo!

Suprema burrice da Globo. Não por causa de “birra contra gaúcho” e o escambau (até porque nunca vi nada igual à narração do 2º gol do Sport na final da Copa do Brasil de 2008, parecia que era gol de um time estrangeiro: pelo jeito a “plim plim” esqueceu que Pernambuco é Brasil). A Globo foi burra comercialmente mesmo. Tivesse transmitido Vitória x Grêmio, pelo menos para o Rio Grande do Sul, teria tido muito mais audiência por aqui do que com Santos x Corinthians.

Falo de audiência de verdade: muita gente deve ter deixado a televisão ligada, mas sem volume, para ouvir o jogo do Grêmio no rádio. Considerando que muita gente só olharia para ela quando saísse algum gol – ou seja, os anúncios feitos ao longo da transmissão do futebol não atingiram a maioria da audiência no Rio Grande do Sul, ainda mais que o único gol (infelizmente, foi do Vitória…) saiu no apagar das luzes.

Tudo bem que a audiência no Rio Grande do Sul não é tão grande quanto em Estados mais populosos. Mas que foi burrice da Globo, foi.

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Outra coisa que me tira do sério em relação ao futebol brasileiro, é a questão dos horários dos jogos. Nesse caso, todos os envolvidos – televisão (Globo), CBF e clubes – têm sua parcela de culpa.

A rodada de ontem foi emblemática. Vitória x Grêmio, na sempre quente Salvador, foi às 4 da tarde (e sem transmissão para cá!). Inter x Avaí, na ontem gélida Porto Alegre (e o Beira-Rio, segundo o meu irmão, consegue ser ainda mais frio por causa do vento forte da beira do Guaíba), foi às 6 e meia da noite (sim, porque 6 e meia só é “da tarde” durante o verão). E o pior de tudo são os jogos às 10 da noite, no meio da semana, por causa daquela bosta de novela.

O torcedor, como sempre, que se lixe, na visão dos manda-chuvas do futebol brasileiro. Que compre o pacote do pay-per-view e assista o jogo em casa. Ou, se quiser ir ao estádio, aguente calorão, frio cortante… E chegue em casa na madrugada de quinta-feira, depois de gastar uma nota em táxi porque não tem mais ônibus.

Você conhece o Disco?

Mais uma da série “times dos pesadelos”.

O blog do Torero promoveu, no início de 2007, a “Copa dos Pesadelos”. Era um contraponto à “Copa dos Sonhos” promovida pelo Juca Kfouri. Foram 16 times, formados pela nata da ruindade. O sistema era o “morre-morre”: quem vencesse, caía fora – afinal, era para escolher o pior, e não o melhor…

Foi uma chance de lembrar lendas da perebice, como Tavarelli (titular também do meu Grêmio dos pesadelos), Maizena (titular de Inter e Cruzeiro – o regulamento permitia), Cocito (“o capitão da queda” do Grêmio em 2004), dentre muitos.

Também chamaram a atenção alguns jogadores que eu não conhecia mas cujas alcunhas eram de rolar de rir. Caso de Advaldo NBA, zagueiraço do Bahia que tinha 2 metros de altura e não sabia jogar futebol – provavelmente fora contratado para o time de basquete mas acabara no campo…

Mas ninguém conseguiu façanha maior do que um lateral-esquerdo do Sport, conhecido como… DISCO!!! Isso mesmo: DISCO!!!

O craque, que (literalmente) joga por música, entrou em campo na partida Sport x Bahia, pela primeira rodada da Copa dos Pesadelos, dia 21 de fevereiro. O Sport venceu, e por isso, foi eliminado. Mas, o destaque foi a atuação de Disco:

6´: Disco é arranhado por Darinta.
13´: Disco é novamente arranhado por Darinta. Desta vez, no lado B.
22’: Disco é lançado, mas no caminho é quebrado por Darinta!

Ao final do jogo, Disco foi premiado com um Motoradio. Não aceitou: o negócio dele é vitrola

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Caso eu tivesse jogado em qualquer um dos 16 clubes participantes da Copa dos Pesadelos, seria titularíssimo!