El otro fútbol

Eis um filme que preciso assistir. El otro fútbol é um documentário dirigido pelo fotógrafo e publicitário argentino Federico Peretti, que ao lado do jornalista Fernando Prieto, passou mais de três anos fotografando e filmando jogos de futebol das divisões inferiores da Argentina.

Peretti concedeu uma entrevista ao Impedimento, e ao longo da leitura percebi que se fosse feito um trabalho semelhante aqui no Brasil, a única diferença seria, em linhas gerais, o idioma do filme.

Aliás, quando ele fala no “espírito amador que na primeira divisão e no futebol europeu já está quase perdido”, foi impossível não lembrar de minha ida ao Arthur Lawson em abril passado, para assistir Rio Grande x 14 de Julho (Livramento), pela Divisão de Acesso do Gauchão. Aquela partida me fez ter a impressão de que assistia a um futebol “com cara de antigamente”: em um estádio pequeno, mas com cara de estádio e não de shopping center (o que tem sido a regra nas novas “arenas multiuso” inauguradas mundo afora); e com direito a comer um churrasquinho no intervalo (algo inimaginável em algum jogo da dupla Gre-Nal, já que o palito seria considerado uma “arma em potencial”).

Abaixo, o trailer do filme que, espero, não demore muito tempo para ser exibido no Brasil…

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Futebol com cara de antigamente

Ser torcedor de um grande clube brasileiro é um hábito que fica cada vez mais caro. O caso das mensalidades de sócios do Grêmio é um exemplo: paga-se R$ 86 mensais na minha modalidade, o que é caro, mas relativamente “barato” se o sócio vai a todos os jogos no mês. Para se ter uma ideia, contra o Ipatinga pela Copa do Brasil na próxima quarta-feira, o ingresso mais barato para quem não é sócio sairá por R$ 40. Nem quero nem imaginar o valor a que subirão as mensalidades (e os ingressos) ano que vem, quando o Grêmio passará a mandar seus jogos na Arena…

O que vem acontecendo há quase uma década no Brasil é uma progressiva elitização dos principais clubes. Lembro que no Campeonato Brasileiro de 2004 o Atlético-PR passou a cobrar R$ 30 pelo ingresso mais barato na Arena da Baixada, motivando protestos de torcedores do lado de fora do estádio. Achei absurdo cobrarem tanto por um ingresso, mas nem imaginava que era apenas o início de tudo isso. Aliás, não podia ter começado em outro lugar: inaugurada em 1999, a Arena da Baixada foi o primeiro estádio ao estilo “arena multiuso” do país.

Com isso, o torcedor de menos renda fica cada vez mais afastado de seu clube do coração, caso ele seja um integrante da chamada “elite” do futebol brasileiro (e falo de “elite” em termos simbólicos, ou seja, dos principais clubes do país, mesmo quando não disputam a Série A). More onde o torcedor morar: no Gauchão, geralmente os ingressos para jogos da dupla Gre-Nal no interior são caríssimos: lembro de um Santa Cruz x Grêmio em 2006 com o Estádio dos Plátanos às moscas, visto que o ingresso mais barato custava R$ 30 (detalhe: para sentar no sol, em um dia de calor infernal). E em 2011, o ingresso mais barato para o Gre-Nal de Rivera (Uruguai) custava R$ 50 – em consequência disso o público foi de aproximadamente 5 mil pessoas, num estádio onde cabem 25 mil.

O que restará a quem não pode comprometer boa parte do seu salário com mensalidades ou ingressos para jogos de futebol? Acompanhar pela televisão? Pelo rádio?

Talvez, mas no interior, ainda há uma alternativa. Os clubes menores são a resistência: nestes tempos de arenas multiusos e ingressos a valores astronômicos, são uma oportunidade de se assistir futebol pagando menos e em estádios com cara de estádio, não de shopping center.

Foi esta experiência que vivi no domingo, 1º de abril, em Rio Grande: fui ao Estádio Arthur Lawson assistir ao jogo do Vovô contra o 14 de Julho de Santana do Livramento (o “Leão da Fronteira”), pela Segunda Divisão do Gauchão. O ingresso a R$ 10 faria qualquer acostumado com os valores absurdos da dupla Gre-Nal pensar que se tratava de uma brincadeira pelo Dia da Mentira, mas era a mais pura verdade.

É verdade que a qualidade do futebol não é a mesma de um jogo da dupla Gre-Nal. Mas se fôssemos nos basear apenas por isso, deveríamos trocar qualquer partida do futebol brasileiro por jogos do Barcelona. Mas não é o que acontece – pelo menos, por enquanto.

Dei sorte: o Rio Grande venceu por 4 a 1. Porém, o resultado não foi suficiente para tirar o Vovô da lanterna de seu grupo na Segundona. E pior ainda, na última sexta-feira o Rio Grande perdeu para o mesmo 14 de Julho por 2 a 0, desta vez em Livramento, e segue ameaçado de cair para a Terceira Divisão. Restam oito jogos para tentar evitar o rebaixamento do clube mais antigo do Brasil – e espero que a torcida compareça mais ao Arthur Lawson, onde o Vovô obteve suas duas vitórias até agora no campeonato: além dos 4 a 1 sobre o Leão da Fronteira, uma semana antes o time goleou o Guarani de Venâncio Aires por 5 a 2.

Abaixo, algumas pitadas fotográficas de Rio Grande x 14 de Julho.

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Valeu, Vovô!

Infelizmente, não deu. No Rio-Rita decisivo do Citadino 2009, o Vovô perdeu por 4 a 2, e acabou vice-campeão.

Parabéns ao campeão São Paulo! E também ao vice Rio Grande e ao Rio-Grandense por seu retorno!

E fica a torcida para que o Citadino passe a ser realizado todos os anos, para que o futebol rio-grandino volte a ser forte como antigamente.

Citadino 2009 em Rio Grande

Já faz alguns dias que o Kayser postou em seu blog sobre o Campeonato Citadino de Rio Grande, que voltou a acontecer neste ano a partir de sugestão em uma comunidade do Orkut – assunto sobre o qual o Hélio Paz comentou no seu blog. Participam os três principais clubes da cidade: o glorioso Sport Club Rio Grande (meu segundo time, foi o “Vovô” que deu impulso para a fundação do meu Grêmio ao fazer jogos-exibição em Porto Alegre, em setembro de 1903), o Foot-Ball Club Rio-Grandense (no ano de seu centenário, o “Guri Teimoso” voltou ao futebol profissional, e tomara que seja para ficar) e o Sport Club São Paulo (“Leão” ou “Caturrita”).

Os três times se enfrentaram em um triangular na primeira fase. O São Paulo venceu o Rio Grande e o Rio-Grandense, ambos por 1 a 0, e assegurou uma das vagas na final. A outra vaga ficou com o Vovô, que empatou com o Guri em 3 a 3 (depois de estar vencendo por 3 a 0) e se classificou nos pênaltis.

Vale destacar o que o Kayser falou a respeito dos jogos: ambiente tranqüilo e ingresso a um valor acessível, 5 reais. Para efeito de comparação, no Olímpico se cobra 30 reais pelo ingresso de arquibancada para jogos do Gauchão (só quero ver quais serão os preços na Libertadores).

A primeira partida da decisão do Citadino estava marcada para ontem à noite, mas ainda não consegui descobrir o resultado – o que é uma pena, pois já é difícil aqui em Porto Alegre saber de resultados dos clubes de Rio Grande, e tal dificuldade aumenta sendo um campeonato apenas de clubes da cidade (embora de tradição), sem repercussão estadual. Bem que as páginas do Rio Grande e do São Paulo podiam ser mais atualizadas, né? Pois, no que depender da “grande mídia”, o Rio Grande do Sul se resumirá apenas a Grêmio e Inter.

Volta ao passado

“Dia disso”, “dia daquilo”… O “dia das crianças” em si é, assim como os outros, uma bobagem inventada para as lojas venderem mais. Mas não nego que é também uma oportunidade de voltar no tempo e relembrar os bons tempos de infância. Ainda mais quando se está a três dias de ficar “um ano mais velho”.

Já apostei corrida de bicicleta (detalhe: com minha bicicleta sem freio, que estava estragado), brinquei de avião, joguei futebol (dentro de casa e também na rua Pelotas, debaixo dos jacarandás floridos de outubro), e, principalmente, muito botão.

Se das outras brincadeiras eu não participo mais – pois a Pelotas hoje em dia continua com os seus jacarandás, mas parece não ter mais crianças – e jogar futebol é para mim uma utopia – pois o que eu faço com a pobre bola pode ser chamado de qualquer coisa, menos futebol -, o botão eu ainda jogo. E o Torneio Farroupilha de 2008 (que de “farroupilha” só conserva o nome) é disputado neste fim-de-semana. Antigamente, era disputado sempre próximo ao 20 de setembro.

Minha expectativa é de voltar ainda mais ao passado e repetir o que fiz na primeira edição do campeonato, em 1992: ser campeão. Ganhei aquele título jogando com o glorioso FC Cascavel, do Paraná; já agora eu quero levar o Vovô à glória. Conseguirei?

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Atualização:

Parte do objetivo foi alcançado: Vovô nas semifinais!!! E o melhor de tudo: o Guri está fora…

E dá-lhe Vovô!

Começa neste fim-de-semana o Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão, que será disputado por 26 clubes. O campeão e o vice disputarão a Primeira Divisão em 2009.

O Rio Grande, clube de futebol mais antigo do Brasil, estréia em casa neste domingo às 15h30min contra o Grêmio Bagé. Ano passado, o Vovô disputou o octogonal final, mas infelizmente a vaga na Primeira Divisão não veio.

Em um dos amistosos de preparação para o campeonato deste ano, o Rio Grande empatou em 0 a 0 com o Cerro Largo, vice-líder da Segunda Divisão uruguaia, na cidade de Melo (Uruguai).

Este blog estará na torcida pelo retorno do Vovô à Primeira Divisão do Campeonato Gaúcho!

O sonho acabou

O sonho de reeditar 1992 terminou, ironicamente, sem derrotas. Acabei eliminado do Torneio Farroupilha após o empate em 0 a 0 com o Diego, ontem. Ele, que jogou com o Grêmio, vai para o triangular final, enquanto meu time, o Rio Grande, segue na fila…

E foi uma classificação com a cara do Grêmio: sofrida, dramática. A pressão do Vovô sobre o Tricolor foi muito grande, mas não o suficiente para a marcação de um gol. O Rio Grande não perdeu nenhum jogo, mas perdeu muitos gols nos cinco jogos disputados no Farroupilha, e por isto está fora. Mais uma vez, o sonho está adiado.

Vem aí mais um espetáculo de botão!

O Cão Uivador dá importância ao futebol de botão. Quem vos escreve cresceu “batendo um botãozinho” e inclusive ganhando alguns títulos, no já, de certa forma, distante¹ ano de 1992.

Entre as taças que levantei, está a do Torneio Farroupilha. Fui o vencedor da primeira edição, jogando com o Cascavel (PR), e recentemente ando mal das pernas – digo, das mãos -, só tenho feito fiasco, amargando lanternas e vice-lanternas.

Meu time para a edição 2007 do Torneio Farroupilha é o mesmo desde 1996: o glorioso Sport Club Rio Grande, o vovô do futebol brasileiro. Meu irmão Vinicius (que tem três títulos²) é meu maior rival, e jogará com o odioso Football Club Rio-Grandense, de Rio Grande.

Outro ilustre participante é o Diego (do Pensamentos do Mal), que também conquistou três títulos (1994, 1996 e 2001) com o Grêmio. Depois de dois anos jogando com o Aimoré, ele volta a disputar o Torneio com o Tricolor em 2007.

A 12ª edição³ do Torneio Farroupilha será disputada nos dias 20, 22 e 23 de setembro. E a melhor cobertura, é aqui no Cão Uivador!

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¹ Quando penso que meu título aconteceu há 15 anos atrás, não tenho como não lembrar desta postagem do Cataclisma 14. Porra, 1992 foi ontem!

² O primeiro título do Vinicius foi em 1997, com o Peñarol. Em 2005 e 2006 ele foi campeão com o odioso Rio-Grandense.

³ O torneio não foi disputado em 1998, 1999, 2000 e 2002.