A ressurreição de Nicolae Ceausescu

O Natal de 1989 foi inesquecível para mim: passei o dia inteiro brincando com meu presente preferido daquele ano, um “Pense Bem”. Aquele 25 de dezembro foi também memorável na Romênia, mas por outro motivo: foi o dia em que o ditador Nicolae Ceausescu (que estava no poder desde 1965) e sua esposa Elena acabaram executados por um pelotão de fuzilamento, três dias depois da derrubada da ditadura por uma insurreição popular.

Porém, oito anos e meio depois, Ceausescu voltou à vida por um mês. E acreditem, foi na tela da Rede Globo!

Simples: a vinheta que abria as transmissões “globais” da Copa do Mundo de 1998 terminava com o logotipo da emissora, que continha dentro algumas bandeiras de países. Reparem que falei simplesmente em “países”, e não em “países da Copa”. Pois havia a presença de bandeiras como as de Austrália, Canadá e Irlanda, cujas seleções não disputaram o Mundial da França.

Mas procurando por mais erros, reparei que a bandeira da Romênia continha o brasão “socialista”, que fora retirado do pavilhão romeno após dezembro de 1989. Por motivos óbvios: com o fim da ditadura de Ceausescu, a Romênia deixara de ser “socialista”. (Inclusive, durante os protestos contra o regime se via muitas bandeiras romenas, todas com um buraco no lugar do brasão, recortado pelos manifestantes – as bandeiras “vazias” se tornaram um símbolo da insurreição popular.)

É importante lembrar que não foi só a bandeira romena que saiu errada: a África do Sul adotou a sua atual em 1994, mas a que aparece na vinheta é a anterior, dos tempos do apartheid.

Provavelmente o leitor deve estar pensando que em 1998 a Globo cometera a façanha de ainda não ter atualizado seu “arquivo de bandeiras”. Pois é, então como explicar que, na vinheta de 1994, a bandeira da Romênia estava correta? Mas não pensem que a “plim plim” tinha deixado de fazer de fazer sua propaganda comunista: sobrou para a Bulgária, cuja bandeira desde 1990 não tinha mais brasão… (É muito rápido, e por isso difícil de perceber o brasão no pavilhão búlgaro, mas ele está lá.)

A fome no mundo em 2009

Um dos textos mais lidos do Cão Uivador é o que escrevi em 13 de setembro de 2007, comentando o “mapa da fome” feito pela FAO, que tinha dados de 1970 a 2003.

E agora descobri um mapa mais atualizado (2009) sobre este triste flagelo da humanidade, que também merece alguns comentários. Os países são divididos em cinco categorias: a primeira engloba os que têm menos de 5% da população subnutrida; a segunda, vai de 5 a 9%; a terceira, de 10 a 19%; a quarta vai de 20 a 34%, e a quinta corresponde aos países onde 35% ou mais da população sofre de subnutrição.

A situação da África, por exemplo. Mudou muito pouco desde 2003. Naquela ocasião, apenas cinco países africanos estavam na categoria 1: Líbia, Argélia, Tunísia, Egito e África do Sul (único que não se localiza na “África árabe”, setentrional). Agora, mais dois países se juntaram ao seleto grupo: Marrocos (África setentrional) e Gabão (central) – ou seja, a maioria ainda é de países do norte do continente, árabes e muçulmanos (os “malvados” segundo a visão de mundo tosca de muitos).

E por falar em muçulmanos, é digna de nota a situação do Irã, atual “perigo mundial”: segundo o mapa, a subnutrição era um problema para menos de 5% da população iraniana. Ou seja, o país está na mesma categoria que a maior parte da Europa.

Sim, “maior parte”, e não “toda” a Europa. A fome é uma realidade um pouco mais dolorosa para Eslováquia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Albânia, Bulgária e Moldávia. Países da Europa Oriental, poderá lembrar algum fã da “civilização” e do liberalismo, que ainda dirá que a fome “é fruto do comunismo” – mas convém lembrar que, exceto a Albânia (país mais pobre da Europa), eles não sofriam de tais problemas antes da queda dos regimes “socialistas”; e também que destes oito países, dois integram a União Europeia (Eslováquia desde 2004 e Bulgária desde 2007), que diziam ser “o paraíso”. Dentre os oito, há até mesmo integrantes da categoria 3 (10-19%), caso de Sérvia, Montenegro e Moldávia.

Já na América Latina, nada mudou muito. Cuba continua com menos de 5% de sua população subnutrida, assim como Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica e México (os dois últimos, novidades em relação a 2003).

O Brasil está um pouco abaixo, de 5% a 9% de subnutrição. Em 2003, o país se enquadrava entre 5 e 15% (ou seja, o critério para categorização era um pouco diferente), e provavelmente o percentual de pessoas subnutridas tenha baixado devido aos programas sociais do governo federal.

Desse jeito, não vai longe…

Eu até fui otimista. Achei que o Uruguai ganharia da França.

E sabem de uma coisa? Poderia ter ganho. Mas o meio de campo da Celeste Olímpica simplesmente não existe. Não consegue acertar uma boa sequência de passes, a bola dificilmente chega redonda para Forlán, um dos raros bons jogadores do time. E com a expulsão de Lodeiro (que fez apenas isso no jogo), o 0 a 0 ficou bom para o Uruguai.

Mas nem podemos dizer que o placar foi injusto, já que a França também não fez muito por merecer… Raymond Domenech deixou Henry no banco, e quando vi que ele iria entrar, imaginei que Anelka ganharia um companheiro no ataque, não que seria substituído.

A Copa mal começou, e já temos um jogo que é forte candidato a pior da competição.

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Em África do Sul x México, considero também justo o resultado – ao menos foi um jogo melhor. Os mexicanos dominaram o primeiro tempo, mas não tiveram competência para marcarem gols (que poderiam ser dois ou três). Já os Bafana Bafana foram melhor na segunda etapa – mas não tanto como o adversário na primeira.

Acho bem difícil a África do Sul passar de fase, mas é esperar para ver.

Começa a Copa 2010!

É hoje! Começa a Copa do Mundo de 2010, a primeira a se realizar no continente africano. Por um mês, os olhos do mundo estarão voltados para a África do Sul.

Peço desculpas ao leitor que não gosta de futebol, mas será impossível não tratar (bastante) do assunto aqui no Cão. Pois eu gosto do esporte, assim como muitos outros leitores.

E logo hoje, no primeiro dia, já tem um jogão envolvendo uma das seleções que despertam minha simpatia: o Uruguai, de Loco Abreu (quem diria…), enfrenta a França, de Henry e sua “mãozinha”. Com toda a minha torcida para a Celeste, é claro…

Mas torço ainda mais para que tenhamos uma bela Copa do Mundo. Pois a de 2006, convenhamos, foi fraquinha… Foram poucos os jogaços. E que ainda assim, não chegam nem aos pés de Romênia x Colômbia (1994), Romênia x Argentina (1994), Brasil x Holanda (1994), Bulgária x Alemanha (1994), Romênia x Suécia (1994), Nigéria x Espanha (1998), França x Paraguai (1998), Brasil x Dinamarca (1998), Holanda x Argentina (1998) e Brasil x Holanda (1998).

Pois é, como os leitores repararam, todas as partidas que citei são das Copas de 1994 e 1998. Tanto que a série “As Copas que eu vi”, foi mais uma desculpa para poder escrever sobre os Mundiais dos Estados Unidos e da França. Comecei por 1990 por uma questão de “ordem cronológica” (afinal, foi a primeira que eu vi), e falei sobre 2002 e 2006 porque também foram “Copas que eu vi” (apesar de muitos jogos em 2002 terem sido no meio da madrugada).

Que em 2010 tenhamos, enfim, jogos dignos de entrarem na minha “seleção”!

Deserto verde

Ontem, 21 de setembro, foi o Dia Internacional de Combate às Monoculturas de Árvores. Aqui no Rio Grande do Sul, o plantio de vastas áreas com eucaliptos é alardeado pela mídia como a salvação da economia do Estado.

O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália. Consegue sobreviver com pouca água, devido ao clima seco predominante naquele país. Por isso, em regiões mais úmidas, como o sul do Brasil e a região do Prata, tal árvore cresce muito rapidamente (o que faz da monocultura do eucalipto uma atividade extremamente lucrativa em pouco tempo e com pouca mão-de-obra), devido à água em abundância no solo. Porém, ela cobra um preço: consome toda a água do solo, fazendo nascentes secarem, o que já acontece no Uruguai.

Tudo isso para que tenhamos papel. A indústria papeleira é uma das mais agressivas ao meio ambiente. Não é a toa que a instalação de fábricas de celulose na margem uruguaia do Rio Uruguai, fronteira com a Argentina, provocou fortes reações até mesmo do governo argentino.

Sem contar toda a destruição de matas nativas para o plantio de eucaliptos. Troca-se uma árvore adaptada ao meio por uma que suga toda a água do solo.

O que podemos fazer diante disso? O mínimo, é consumir menos papel. Imprimir textos apenas se necessário. Se possível, usar papel reciclado, apesar dele ser caro – o papel comum, produzido em escala industrial, é muito mais barato.

Veja os vídeos abaixo. Os dois primeiros, são um documentário (em espanhol) do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (que lembra: boa parte do papel consumido no mundo é usado como folderes comerciais, ou seja, muito rapidamente vira lixo). E o terceiro, é uma campanha muito bem bolada da organização sul-africana Food & Trees for Africa.