CBF: não mudou nada

A saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF, cargo que ocupava desde 1989 (que estranho, a Globo nunca o chamou de ditador…), é obviamente um fato a ser saudado. Afinal, já vinham de bom tempo atrás as acusações de corrupção contra Teixeira: em 2000-2001, uma CPI já investigara as denúncias contra a CBF.

O sucessor de Ricardo Teixeira, José Maria Marin, já foi governador de São Paulo por dez meses no início dos anos 80, completando o mandato de Paulo Maluf, que renunciou para ser candidato a deputado federal pelo PDS nas eleições de 1982. Vamos combinar que ter sido vice de Maluf não é algo lá muito abonador… E Marin assume com um discurso de continuidade, o que é ainda menos animador.

Afinal, o que deve ser mantido após estes 23 anos de “era Teixeira”? Os títulos da seleção brasileira (masculina), como as Copas de 1994 e 2002? Ora, mas quem joga são os jogadores, e não os dirigentes… (E se o Brasil é tão forte no futebol, é graças aos jogadores, e apesar dos dirigentes.)

Ou seria mantido o ridículo apoio da CBF ao futebol feminino? Que, aliás, confirma a nossa força apesar dos dirigentes, pois mesmo sem estrutura alguma e, pasmem, sem um campeonato nacional, as nossas craques são sempre candidatas ao título nas Copas do Mundo e nos Jogos Olímpicos.

Se houve algum progresso nos 23 anos de Ricardo Teixeira à frente da CBF (como a implantação dos pontos corridos e o respeito aos regulamentos no Campeonato Brasileiro), isso não apaga as denúncias contra o dirigente e toda a politicagem que marcou o período. Verdade que ela já existia antes de Teixeira assumir a presidência da CBF, mas se ele a manteve, francamente, não podemos falar em “progresso” do futebol brasileiro como um todo.

Ainda mais que os clubes brasileiros hoje em dia têm imensa dificuldade para manter seus jogadores frente ao assédio dos clubes europeus, que levam embora nossos craques cada vez mais cedo. Enquanto isso, a entidade demonstra preocupar-se apenas com a seleção (masculina), apresentada ao mundo como o principal “produto” da “marca CBF”, sem nada fazer em real benefício dos clubes.

Portanto, o momento não é próprio para empolgação. Ver Ricardo Teixeira fora da CBF pode ser bom, mas sua saída pode muito bem ser a famosa “troca de seis por meia dúzia”.

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Morre o criador do “Jean Marie”

O meio esportivo do Rio Grande do Sul está de luto pelo falecimento, no final da tarde da terça-feira, de Escurinho, ex-atacante do Inter e exímio cabeceador. O jogador recebeu justas homenagens de vários ex-colegas, dirigentes, até mesmo do Grêmio e de ídolos tricolores, como Tarciso.

Na terça também se perdeu outro nome ligado aos esportes. Trata-se do jornalista Antônio Carlos Porto, 81 anos, que sofria de câncer. Porto destacou-se como cronista esportivo, e trabalhou nos jornais Folha da TardeFolha Esportiva – no último, assinava a coluna “De alto a baixo”.

Foi justamente na Esportiva que Antônio Carlos Porto começou a definir o título de minha monografia de conclusão de curso, 37 anos antes dela ser escrita.

Em 1972, o Brasil celebrava os 150 anos de sua independência política. Dentre os diversos eventos (dos quais todos eram vistos pelo governo ditatorial como oportunidade de fazer propaganda), havia um torneio de futebol, chamado “Taça Independência” – ou também “Minicopa”, por reunir várias seleções nacionais, algumas delas fortes, como Argentina, Uruguai e França. Apesar das ausências de Alemanha Ocidental, Inglaterra e Itália (na época, as únicas seleções europeias campeãs mundiais), por perceberem que o campeonato era de cunho mais político do que esportivo – e não apenas por parte da ditadura militar: o presidente da CBD, João Havelange, convidou algumas seleções fraquíssimas como a Venezuela (pagando uma cota bem maior do que a cobrada pela Seleção Brasileira), de olho em seus votos na eleição para a presidência da FIFA que ocorreria em 1974 e seria vencida por Havelange.

No dia 15 de maio de 1972 o técnico da Seleção Brasileira, Zagallo, anunciou a lista de jogadores convocados para representarem o Brasil na “Minicopa”. E nela não constava o nome de Everaldo, lateral-esquerdo do Grêmio titular da Seleção de 1970 – e que mantivera a titularidade desde então. Mais do que passá-lo para a reserva, Zagallo sequer relacionava Everaldo para vestir a camisa da Seleção, e também não convocara mais nenhum jogador de clubes do Rio Grande do Sul.

É, quem acha que antigamente os gaúchos não eram tão bairristas… Começou uma “guerra” de palavras, via imprensa. Na Folha Esportiva do dia 16 de maio, Antônio Carlos Porto foi o primeiro a “jogar lenha na fogueira”: propôs um boicote aos jogos da “Minicopa” em Porto Alegre, como forma de retaliação à CBD pela ausência de Everaldo na Seleção.

A reação da CBD foi quase imediata. João Havelange afirmou que o boicote à competição que celebrava os 150 anos da independência era uma atitude “antipatriótica” – palavras confirmadas em nota oficial. Porto respondeu em sua coluna do dia 18 de maio:

Até por uma questão de cheiro, poluição ou coisas desta ordem, vamos dispensar qualquer lição de brasilidade que parta do próspero empresário Jean Marie, presidente full-time da CBD. Não vamos invocar os sentimentos de brasilidade de nossa gente e trazer os múltiplos exemplos. Infantilidade ou maldade o chamamento deste sentimento para as coisas simples do futebol, especialmente em se tratando de uma “microcopa” vergonhosamente desprezada pelas seleções mais representativas do Velho Mundo.

Surgiu aí a genial ironia: Havelange acusava os gaúchos de não terem “sentimento de brasilidade”, mas tinha um nome “estrangeiro” – filho de belgas, foi registrado como “Jean Marie Faustin de Godefroid Havelange”. Dali em diante, os colunistas da Folha Esportiva começaram a constantemente chamar o dirigente apenas por seu nome de batismo, sem sequer citarem o sobrenome.

Um dos jogos da Seleção preparatórios para a “Minicopa” – ou “microcopa”, como os colunistas também passaram a constantemente ironizar – estava marcado para o dia 17 de junho, um sábado, em Porto Alegre. O adversário ainda era indefinido quando do início da polêmica pela não-convocação de Everaldo, mas não demorou a surgir uma proposta que, hoje em dia, pareceria notícia d’O Bairrista: uma “seleção gaúcha” (na verdade, um combinado Gre-Nal) desafiar a Seleção Brasileira.

Poucos acreditavam que a CBD aceitasse o desafio, mas o fato é que aceitou. E a partida, realizada no Beira-Rio, reuniu o maior público da história do estádio: mais de 110 mil pessoas estiveram presentes. Ficou claro que não havia uma “revolta separatista em curso”: na preliminar, a Seleção Olímpica do Brasil venceu o Hamburgo por 4 a 1 e foi bastante aplaudida. Já no jogo principal (que acabou empatado em 3 a 3, sem que em nenhum momento os “gaúchos” ficassem atrás no placar), de nada adiantou os dois times entrarem em campo juntos e carregando uma bandeira brasileira: a Seleção de Zagallo foi intensamente vaiada pelo público. Que também lembrou Havelange e sua afirmação quanto à “falta de brasilidade” dos gaúchos, com uma faixa: “Jean Marie, o Brasil vai até o Chuí”.

Quando vi a foto acima pela primeira vez, na hora já achei o texto “perfeito” para ser parte do nome do meu trabalho – que é intitulado “Jean Marie, o Brasil vai até o Chuí”: futebol e identidade “gaúcha” nas páginas da Folha Esportiva (1967-1972). Embora eu tenha escrito o trabalho em 2009, não posso deixar de lembrar que o título começou a surgir em 18 de maio de 1972, naquela coluna de Antônio Carlos Porto.

Era esse cara que a “grande mídia” tanto queria na Copa?

No final de abril, quando aproximava-se a data da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, defendi que Dunga não deveria levar Neymar. Falei do “grupo formado”, que o jogador nunca tinha sido chamado etc. Isso porque eu não tinha bola de cristal para prever o que aconteceria em setembro.

Neymar tinha propostas para deixar o Santos, mas foi mantido no clube, assinando um contrato milionário. Que também lhe deu o direito de fazer o que bem entender, e de escolher quem treinará o time. Isso obviamente não está escrito no documento, mas é o que se verifica na prática, com a demissão de Dorival Júnior por ter cometido o gravíssimo erro de barrar Neymar por mais um jogo, por conta dos impropérios ditos por ele na semana passada. O troço é tão bizarro, que o “indisciplinado” passou a ser Dorival, e não o mimado jogador.

É de se fazer a pergunta: é esse o jogador que faria o Brasil ganhar a Copa na África do Sul?

Só imagino se Dunga tivesse levado Neymar, e ele fizesse cara feia por ser reserva. Certamente a “grande mídia” teria mais um motivo para malhar Dunga: a grande “injustiça” do “gaúcho grosso” contra o “futebol-arte”…

E na Copa, torces para quem?

O Milton Ribeiro escreveu um belo texto no seu blog sobre a Seleção Brasileira e a falta de identificação de muitos brasileiros com o time.

Hoje em dia, basta dar uma olhada nas listas de convocações para perceber que a maior parte dos jogadores que, dizem, “representam o Brasil”, atuam em clubes europeus. É raro alguém ir a um estádio brasileiro e ver, ao vivo, um destes “seus representantes”. Três semanas atrás, naquele Grêmio x Santos, eu vi Robinho, e só – já que Victor não foi convocado para a Copa do Mundo.

E o pior é que nem se pode mais falar isso apenas para se referir aos clubes onde atuam os jogadores da Seleção Brasileira. Nos últimos anos, a CBF simplesmente não marcou mais amistosos por aqui, exceto aquele Brasil x Portugal (6 x 2) jogado em 2008 na reinauguração do Bezerrão, em Brasília (a propósito, por que construir outro estádio “moderno” lá para a Copa de 2014, ao invés de ampliar o já existente?). A Seleção joga onde “pagam mais”: ou seja, mais que um time que representa um país, virou uma “marca”.

E do jeito que vai, não duvidemos que nas Eliminatórias da Copa de 2018 a Seleção mande seus jogos em sua “nova casa”, o Emirates Stadium

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Quanto à pergunta do título: este ano, pelo menos, vejo a Seleção com menos antipatia do que em 2006, quando chegava a sentir nojo (além da baderna, a “grande mídia” insistia naquela porra de “quadrado mágico” que só funcionava na ficção). Assim fica mais fácil torcer por ela – ou não secá-la.

Mas não escondo que acharia muito bacana ver a Copa sendo levantada pelo Uruguai ou por alguma seleção africana. Se não der nenhum deles (o que é mais provável), pode ser a Argentina (por causa do Maradona) ou a Holanda (para reparar uma tripla injustiça, já que a Laranja Mecânica era o melhor time nas Copas de 1974, 1978 e 1998, e não ganhou nenhuma delas).

E tu, leitor ou leitora, torces para quem?

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Atualização (03/06/2010, 02:49): mais um texto interessante sobre “torcer ou não pela Seleção”, lá no Somos todos torcedores.

E já que o assunto é “convocação pra Copa”…

Genial ideia do meu amigo Diego Rodrigues: uma comunidade no Orkut pedindo a convocação de Jonas para a Copa.

O Grêmio é o melhor time do Brasil nesse início de ano, e o Jonas é o melhor atacante desde o ano passado!

Neymar? Ganso? Porra, Dunga, convoca o Jonas!

Twitter: #jonasnacopa

p.s. Essa comunidade também é uma ironia de quem não aguenta mais a mídia do centro do país pedindo “Romários (2002, lembram?)” na seleção brasileira.

A força do Grêmio é brasileira

Esses dias, li no Grêmio Pegador uma interessante opinião acerca do comportamento de parte da torcida do Grêmio durante a execução do Hino Nacional, antes do jogo contra o Avaí no Olímpico, no último dia 14.

Algumas coisas são mais difíceis de entender no comportamento dos gremistas mais jovens. Além das injustas famas de nazistas, elitistas, racistas e marginais que já temos, parece que agora queremos também a fama de separatistas. Qual a razão de cantar o Hino Riograndense durante a execução do Hino Nacional? Mais absurdo ainda isso fica quando durante a execução do ‘nosso Hino’, a torcida canta qualquer outra coisa. Por quê? Não consegui entender ainda. A faixa onde se lê a inscrição ‘República Riograndense’ também é algo que vem me preocupando. Qualquer gaúcho tem o direito de querer ser o que quiser, até mesmo de querer ser independente do Brasil, mas a colocação daquela faixa ali naquele lugar, dentro da casa do Grêmio, com as cores do Grêmio, deixa muito clara a imagem de que esse não é apenas um pensamento dos torcedores, mas também do clube. E eu sei que o Grêmio não pensa assim.

Isso é algo que também vem me preocupando. E vai muito além da questão política e mesmo constitucional (o Artigo 1º da Constituição Federal de 1988 veta qualquer possibilidade de secessão ao estabelecer a República Federativa do Brasil como “formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”). Falta é mais conhecimento para o pessoal, até mesmo da própria história do Grêmio (e do time atual mesmo: quantos titulares nasceram no Rio Grande do Sul?).

Engana-se quem pensa que somos “muito diferentes do Brasil”. Basta uma rápida examinada no mapa: como poderia um país tão grande ter, em toda a parte, as mesmas características? Ou alguém acha que, por exemplo, catarinenses e amapaenses são exatamente iguais?

Aliás, mesmo dentro do Rio Grande do Sul, são todos tão “iguais” assim? A famosa divisão entre sul e norte, por acaso é ficção? Acredito que não, visto que não raro aparece alguém propondo a realização de plebiscito para transformar o sul do Rio Grande em um novo Estado.

O que o Brasil tem de melhor é justamente a sua grande diversidade. A possibilidade de interação entre pessoas diferentes, de culturas e lugares tão variados, sem nenhuma fronteira para atrapalhar. Não são muitos os países onde isso é possível. (E pergunto aos que pregam a separação, se gostariam de precisar passar por uma aduana sempre que quisessem ir a Santa Catarina ou ao Nordeste no verão. Pois parece que achariam bom…)

E mesmo com tantas diferenças, temos muitas coisas em comum – que vão além da língua portuguesa e do gosto pelo futebol (que nem é exclusividade brasileira). Dizem que o símbolo maior de nacionalidade no Brasil é a Seleção, mas eu discordo totalmente: em agosto de 1998, passei uma semana no Uruguai (era a primeira vez que viajava para o exterior) e na volta, estava sedento por feijão, prato que não comi nem vi no país vizinho – e tive então verdadeira consciência de minha brasilidade. Afinal, há alguma comida mais brasileira do que feijão? E uma boa feijoada então?

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Quanto ao que falei sobre o Grêmio e sua força: lembremos aquele timaço de 1995, campeão da Libertadores. Dos onze titulares, apenas quatro eram do Rio Grande do Sul: Danrlei, Roger, Arílson e Carlos Miguel.

Além dos paraguaios Arce e Rivarola, havia cinco brasileiros de fora do Rio Grande do Sul em campo: Adílson (paranaense), Dinho (sergipano), Luís Carlos Goiano (preciso dizer de onde ele é?), Paulo Nunes (goiano) e Jardel (cearense). Como só se pode escalar três estrangeiros, dos sete que são de “outros países”, quais os três que os “separatistas” escolheriam?

Véspera de um dia histórico para mim

Faixa levada por torcedores ao jogo "Seleção Gaúcha" x Seleção Brasileira, em 17/06/1972 (foto publicada na Folha da Manhã de 19/06/1972)

Amanhã, eu vou defender minha monstrografia. Será ao final da tarde, assim como a Batalha dos Aflitos em 2005, mas não quero que a banca seja algo tão sofrido. Apesar do trabalho ser justamente sobre futebol.

Eu poderia muito bem divulgar aqui o local em que defenderei o trabalho de título “Jean Marie, o Brasil vai até o Chuí”: Futebol e identidade “gaúcha” nas páginas da Folha Esportiva (1967-1972), aproveitando o efeito do calmante que tomo desde a quarta-feira. Mas prefiro não contar com o ovo no cu da galinha, sei que minha calma é “fabricada”.

De qualquer forma, é natural algum nervosismo, mesmo que meu orientador tenha dito que meu trabalho está “muito bom”. Afinal, trata-se de um verdadeiro rito de passagem: 50 minutos que me tornarão historiador. Não dou a mínima para a formatura, cerimônia que a meu ver não serve para nada, já que o diploma só é entregue depois. Não vou esperar a formatura, prefiro já me sentir historiador depois da banca.

Brabo é que não vou poder sair da banca direto para o bar, beber aquela cerveja gelada. Justamente por causa do calmante, que ainda estará atuando…

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Amanhã, também defendem seus trabalhos o Alexandre Haubrich e a Cris Rodrigues, do Jornalismo B. BOA SORTE! E para o nervosismo pré-banca, como não sou médico, “receito” um bom e geladinho suco de maracujá! Melhor do que tomar um remédio que transforma em proibição a cervejinha pós-banca…

Pato ou Nilmar???

Tá, não precisam me avisar que o jogo já passou!

Mas foi impressionante ver o quanto se falou na “grande mídia”, nos últimos dias, sobre o ataque da Seleção. Pato ou Nilmar??? Até parecia que não havia mais nada de importante.

Literalmente, caiu do céu para a “grande mídia” a expulsão do Luís Fabiano contra o Uruguai. Afinal, a lógica dizia que o Brasil não venceria, já que há muitos anos não ganhava do Uruguai no Centenário: assim, haveria vários motivos para malhar o Dunga.

Aí vieram aqueles 4 a 0, autêntico Centenariazo (acredito que o Uruguai ficará fora da Copa – o que lamento muito, visto que torço bastante pela Celeste Olímpica – e que a desclassificação começou para valer no último sábado). Mas os jornalistas esportivos não podiam ficar sem assunto para comentar. Como ficaria estranho atacar o Dunga após uma goleada da Seleção, e que ainda por cima havia quebrado um tabu, acharam o que falar: como o Luís Fabiano não poderia jogar contra o Paraguai, que se debatesse “Pato ou Nilmar”.

E podem ter certeza: se o Nilmar, titular na partida, não fosse bem… Aí as críticas ao Dunga voltariam: “POR QUE NÃO ESCALOU O PATO???”.

Por que a Seleção não empolga?

Falou-se muito da Seleção Brasileira nos últimos dias na mídia porto-alegrense. Compreensível: o jogo era em Porto Alegre.

Esperava-se lotação total do estádio para Brasil x Peru. Porém, mais uma vez sobraram lugares – como já ocorrera nos dois últimos jogos das Eliminatórias no Brasil, ambos no Rio de Janeiro (Engenhão e Maracanã). Aliás, não sei como Galvão & Cia. ainda não entenderam o porquê.

Ontem à tarde, me inscrevi no Simpósio Internacional: Centro, Periferia e Análise Histórica. O evento acontecerá de 27 a 30 de abril no Salão de Atos da UFRGS, e contará com importantes pesquisadores, inclusive de fora do Brasil. O que isso tem a ver com a Seleção??? Calma que já explico.

A inscrição custa 20 reais para estudantes (tanto de graduação como de pós-graduação), e 50 para os demais interessados. Logo, é mais barato do que o jogo da Seleção, cujo ingresso menos caro custava 70 reais…

Ou seja: é uma relação de custo-benefício. Muita gente não estava disposta a gastar uma nota para ver uma Seleção sem graça e sem raça. Já eu achei baratíssimo pagar 20 reais para participar de um evento internacional, e não acho 50 reais um valor tão absurdo, a considerar que são quatro dias de evento; enquanto para ver duas horas de futebol, teria de pagar “duas” inscrições para o Simpósio: uma de estudante e outra “normal”.

Não dá para colocar toda a culpa nos cambistas – que tentam revender ingressos a preços malucos. Pois, quando eles não têm sucesso, acabam vendendo até mais barato do que nas bilheterias, para diminuir o prejuízo.

Assim, os vários vazios verificados ontem à noite nas cadeiras do anel superior têm uma explicação: ingresso a 120 reais.