“Tá com pena, leva pra casa!”

Foi só os “juízes” das redes sociais descobrirem os perfis de Patrícia Moreira (torcedora gremista que as câmeras flagraram gritando “macaco” para o goleiro santista Aranha) que os ataques baixos começaram, logo após Grêmio x Santos. Ela teve de apagar suas contas no Facebook e no Instagram para se livrar das ofensas, a maior parte de cunho machista.

Na última quinta-feira, Patrícia prestou depoimento. E na sexta-feira, deu uma declaração à imprensa. Tanto na quinta como na sexta, ela chorava muito, e não acho que sejam “lágrimas de crocodilo” como alguns já disseram. A superexposição e o “linchamento virtual” (aos quais não foram submetidos os outros torcedores que também ofenderam Aranha) obviamente deixaram a jovem muito abalada.

Mas, adivinhem, pessoas que recordo muito bem de terem chamado Patrícia de “vagabunda” agora dizem sentir “pena” dela. Foram de um extremo ao outro: da fúria condenatória à total solidariedade. Acreditem se quiser, até uma página “solidária” a Patrícia foi criada no Facebook: quando recebi o convite para curti-la, pensei seriamente em ironizar e mandar uma mensagem ao amigo que me fez a “sugestão” dizendo o bom e velho “tá com pena, leva pra casa” – uma das frases mais repetidas pela turma da indignação seletiva e do “bandido bom é bandido morto”.

Por essa lógica, genialmente ironizada no vídeo acima, o brado nas redes sociais não deveria ser pelo “justiçamento” de Patrícia? Afinal, injúria racial é crime, quem comete crime é “bandido”, e “bandido bom é bandido morto”, logo…

Mas não, já mudou tudo. Primeiro, porque o Grêmio foi condenado, e boa parte da fúria dirigida por muitos gremistas a Patrícia passou a ser direcionada ao STJD (que merece muitas críticas, é verdade, mas não exatamente por este episódio). Segundo, por conta da postura “chorosa” da torcedora: como disse, não acredito que foram “lágrimas de crocodilo” que tinham por objetivo fazer com que se sentisse pena dela; mas ao mesmo tempo, é óbvio que ela pedir perdão aos prantos gera um sentimento de compaixão por parte de muitas pessoas. Afinal, quem nunca errou?


Sabem aquele velho senso comum sobre direitos humanos, segundo o qual seus defensores só se preocupam em “proteger bandidos”? Pois bem: quem milita pela causa dos direitos humanos têm por objetivo garanti-los a todas as pessoas.

Mas, então, por que eles não “defendem” os “cidadãos de bem” (detesto essa expressão mais do que o verão de Porto Alegre) contra a “maldade” dos “bandidos”?

Não, não é porque os defensores dos direitos humanos são “contra as pessoas honestas” (me pergunto como alguém pode pensar tamanha merda), e sim porque criminosos (ou pessoas que simplesmente foram acusadas) se encontram em uma situação de extrema vulnerabilidade: em geral, temos a tendência a vê-los como párias e mesmo “monstros”, e não como sintomas de uma desordem social (ainda mais em uma sociedade tão desigual como a brasileira), o que para não poucas pessoas “justifica” que se façam as piores barbaridades (afinal, são “bandidos” que põem em risco os “cidadãos de bem”).

Pois bem: não é exatamente a situação na qual Patrícia Moreira se enquadra atualmente? Basta lembrar o “linchamento virtual” do qual ela foi vítima: a jovem foi tratada como se fosse a “encarnação do mal” (no caso, o racismo) e não como produto de uma sociedade racista, e mesmo que seja crescente o sentimento de “pena” por ela, ainda há quem pense que a torcedora é o problema e não um sintoma dele.

Ou seja: quem se preocupa com Patrícia está defendendo os direitos humanos, mesmo que sem saber disso. Aliás, da mesma forma que eu fiz já no início de toda a polêmica: por mais que a jovem procure “se justificar” pelo que fez, não pode ficar impune; mas, ao mesmo tempo, não se pode usar isso como desculpa para cometer qualquer tipo de violência contra ela. Só que penso o mesmo sobre qualquer pessoa que cometa (ou seja acusada de cometer) crimes: minha defesa dos direitos humanos não é seletiva.

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Quem nunca?

“Que atire a primeira pedra quem nunca…”, começa assim um famoso ditado citado por muitas pessoas. Que podemos “resumir” na expressão “quem nunca?”, pois tem bastante semelhança.

Certa vez, em conversa com uma amiga eu lembrava de um porre homérico que tomei e demonstrava incômodo com aquilo: minha amiga respondeu que eu não devia me atucanar por aquilo e disse “quem nunca?”, o que foi de certa forma reconfortante. Afinal, qual pessoa que consome ou já consumiu bebidas alcoolicas nunca exagerou?

O “quem nunca?” pode ser aplicado às mais diversas situações em que alguém “passa do limite”. Pode ser na bebida, na comida (quem nunca passou mal depois de encher a pança de lasanha, por exemplo?)… Mas também em questões mais sérias.

Quinta, algumas pessoas na torcida do Grêmio ofenderam de forma racista o goleiro Aranha, do Santos. O assunto virou polêmica nacional, e não falta quem defenda severa punição ao Tricolor (inclusive eu, que sou gremista). Mas, ainda assim há quem ache exagero e diz “quem nunca gritou ‘macaco’ no ‘calor do momento’?”.

Foram algumas pessoas que ofenderam Aranha. Mas quem está “pagando o pato” é apenas uma torcedora que, não bastasse as consequências óbvias (será indiciada e, devido à publicidade negativa, corre risco de perder o emprego), teve de ouvir todo tipo de ofensas machistas nas redes sociais (a ponto de apagar suas contas no Facebook e no Instagram). Mas, “quem nunca xingou uma mulher de ‘vadia’ ou ‘vagabunda’ alguma vez?”, muitos devem questionar.

Entre os colorados, há a maioria sensata, que defende a punição ao Grêmio mas faz questão de lembrar, corretamente, que aquele grupo não representa toda a torcida gremista. Só que sempre tem aquela galera “que faz barulho” e acusa todos os “gaymistas” (sim, é isso mesmo que costumam dizer) de serem racistas. Aí ouvem em resposta que estão agindo de forma homofóbica (sem contar os que certamente dirão que todos os colorados são homofóbicos), e então lá vem o “quem nunca chamou o adversário de ‘viado’ no estádio?”, dizendo que sem tais gritos o futebol vai acabar e etc. e tal.

Já deu para perceber o óbvio: o “quem nunca?” é sempre usado como atenuante para nossos erros. Afinal, “quem nunca” errou? O problema é por conta disso achar que tudo está bem, quando na verdade não está.


“Mas tu falas disso e certamente já cantou ‘chora macaco imundo’ junto com a Geral e o estádio inteiro”, alguém poderá dizer – com toda a razão, diga-se de passagem. Todos nós já agimos de forma preconceituosa, justamente porque vivemos em uma sociedade cheia de preconceitos e acabamos tendo-os como “naturais”. Porém, isso não nos tira a responsabilidade por agirmos de tal maneira.

Sim, já cantei a infame música da Geral (“e quem nunca cantou aquilo no estádio?”), assim como já tive inúmeras outras atitudes que podem ser caracterizadas como racistas, machistas, homofóbicas etc. Sempre “no calor do momento” (“e quem nunca falou merda ‘no calor do momento’?”), ofendi muitas pessoas, sejam próximas ou desconhecidas: elas podem nem saber, mas foi isso que minhas atitudes significaram, mesmo que “involuntariamente”. A todas, peço desculpas.

“Ah, mas desse jeito o mundo vai ficar muito chato, essa patrulha do politicamente correto etc.”, alguém poderá dizer. Pois olhe: eu não tenho medo algum de tal “patrulha do politicamente correto”. Primeiro porque há diferenças entre respeitar e ser “politicamente correto”. Segundo porque ao repensar minhas atitudes, também aprendi a me “policiar”: penso bem antes de dizer qualquer coisa, procuro ter certeza de que aquilo não vai ofender ninguém. Afinal, eu não gostaria nem um pouco que alguém falasse algo ofensivo à minha pessoa: por que então eu teria o direito a fazer o mesmo com outras?

“Mas no calor do momento sempre acabamos exagerando”. Fica a dica, então: sempre que estiveres de “cabeça quente”, espera ela esfriar antes de falar qualquer coisa.

Racismo, machismo e irresponsabilidade

O Grêmio perdeu para o Santos por 2 a 0 na Arena e praticamente deu adeus à Copa do Brasil. Mas o destaque, infelizmente, são os insultos racistas contra o goleiro santista Aranha. Espero que dessa vez haja punições – inclusive ao Grêmio, para que idiotas pensem muitas vezes e não mais cometam atos racistas.

Várias pessoas chamaram Aranha de “macaco”, mas só uma está “pagando o pato”. Muitos, que provavelmente não ligam nem um pouco para racismo mas adoram “xingar muito” e curtem “fazer justiça com as próprias mãos”, atacam com insultos machistas a torcedora gremista que teve divulgados perfis nas redes sociais, telefone, fotografia, endereço residencial e de trabalho. Ela sofre um “linchamento virtual” e corre risco de sofrer agressões físicas graças a um bando de irresponsáveis.

Não esqueçam de uma coisa: racismo é crime, mas linchamento também. Aliás, só os insultos que ela sofre também já configuram ações criminosas.

Meus jogos no Olímpico Monumental: 1998

Para os gremistas, 1998 começava com o sonho da Libertadores. Era o quarto ano consecutivo em que o Tricolor disputava a competição sul-americana, feito conseguido por poucos clubes brasileiros.

Porém, algo incomodava. Estava no banco de reservas e atendia pelo nome de Sebastião Lazaroni. O técnico da Seleção na Copa de 1990 (quando o Brasil caiu nas oitavas-de-final diante da Argentina) não era visto com bons olhos pelos gremistas. Em sua coluna no Correio do Povo em 29 de novembro de 1997 (poucos dias após a contratação do técnico), Hiltor Mombach dizia que “onze em cada dez gremistas” eram contrários à vinda de Lazaroni; mas ao mesmo tempo recomendava que ao menos se deixasse o técnico trabalhar, antes de detoná-lo.

Assim se fez. E Lazaroni ficou até maio, quando após a eliminação do Campeonato Gaúcho foi substituído por Edinho, que durou igualmente pouco: no início de agosto, com o Grêmio já eliminado da Libertadores, chegou Celso Roth, que tirou o time da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e o levou às quartas-de-final. O Tricolor terminou o ano sem ganhar absolutamente nada, o que não acontecia desde 1992. Continuar lendo

Parabéns ao Corinthians

Torci pelo Corinthians contra o Chelsea, na final do Mundial de Clubes. Nada mais do que o normal: sempre torço pelos clubes da América do Sul (e antes que me perguntem sobre o Inter em 2006 e 2010: eles não são sul-americanos e sim marcianos infiltrados, e como sou terráqueo, torço contra eles).

Mas não torci pelo Corinthians só por ser sul-americano. Pois há algo que me incomoda muito: ver crianças vestindo camisas do Chelsea nas ruas.

Até 2003, quando foi comprado pelo bilionário russo Roman Abramovich, o Chelsea só tinha sido campeão inglês uma vez, em 1955. Isso em quase 100 anos de história (foi fundado em 1905). Ou seja: não consigo achar que, como clube, seja maior que o Grêmio ou (para citar um exemplo não-passional) o São Paulo. Porém, o Chelsea tem mais apelo midiático no mundo inteiro, está na capa do jogo de videogame, tem milhões e milhões de dólares no cofre. E aí o pessoal acredita que ele é mais importante que vários clubes da América do Sul, que têm muito mais história mas não aparecem no videogame.

Não é. E o melhor de tudo: ao contrário do Santos, que teve medo do Barcelona ano passado, o Corinthians encarou o Chelsea de igual para igual. Ou, mais corretamente, de maior para menor. E deixou, assim, um legado para o futebol sul-americano, como bem observou o Vicente: é possível vencer os times europeus sem jogar com medo.

Tanto que o Corinthians ganhou só de 1 a 0, mas podia ter feito mais. E se o Chelsea também atacou bastante, esbarrou no goleiro Cássio, ex-Grêmio, eleito melhor jogador do Mundial, de grande atuação na decisão, muito embora discorde de certas análises que definem sua atuação como das maiores de um goleiro. (De cara lembro duas: a de Victor nos 4 a 1 do Grêmio contra o Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2009, e a de Rogério Ceni na final do Mundial de 2005 – graças a ele o São Paulo não simplesmente ganhou, como escapou de levar uma goleada do Liverpool.)

Árbitro irregular

Há exatos 29 anos, o futebol brasileiro vivia um momento histórico.

Na tarde daquele domingo, 9 de outubro de 1983, Santos e Palmeiras se enfrentavam no Morumbi, em partida válida pelo Campeonato Paulista. O Peixe vencia por 2 a 1, mas cedeu o empate já nos acréscimos do segundo tempo. Só que o “heroi” palmeirense naquele jogo não foi nenhum de seus jogadores, e sim o árbitro José de Assis Aragão: a bola bateu no juiz, que como todo artilheiro estava “no lugar certo, na hora certa”. O Santos reclamou muito da validação do gol que, como mostram as imagens, foi irregular.

“Mas tu não conheces as regras do futebol, não sabes que o juiz é neutro?”, perguntará alguém. Sei sim. Tanto que em situações normais o gol é legal: se o árbitro chutar a bola da intermediária e ela entrar, é gol.

Porém, não foi o caso deste lance. Como se vê desde o começo da jogada, Aragão está na linha de fundo. E quando o palmeirense Jorginho dá o chute que bateria no juiz e entraria, não há mais nenhum jogador do Santos à frente do árbitro, só um na mesma linha.

Ou seja, Aragão estava impedido. E por isso, deveria ter anulado seu gol…

A chance da redenção (?)

No final de julho, não fui àquele Grêmio x Coritiba pela Copa Sul-Americana, por conta da chuvarada. E ainda critiquei a realização da partida naquelas condições. Dois dias depois, li o texto no Impedimento que quase me levou às lágrimas por não ter ido ao jogo…

Desde então, não deixei mais de ir ao Olímpico Monumental em nenhuma partida. Posso não ter assistido ao jogo contra o Atlético-GO (aquela das três promoções de uma vez só, o que não tinha como não resultar em muita gente fora do estádio), mas estive lá, tentei entrar. Não fiquei em casa. Será assim até o começo de dezembro que, espero, demore muito mais do que o normal para chegar: nem gosto de pensar que esse tempo se resume a apenas dois meses.

Porém, falta algo em especial, que perdi naquele jogo com o Coritiba. A partida pela Sul-Americana pode ter sido a última com chuvarada. Só de pensar que poderia ter deixado de ir ao último jogo de “polo aquático” no Olímpico, me deu aquele aperto no peito.

Porém, parece que o clima se mostrará favorável a meu chuvoso anseio. Há possibilidade (espero que se torne realidade) de chuva para este domingo, quando o Grêmio recebe o Santos. E em outubro deve chover mais do que o normal em Porto Alegre. Assim, certamente poderei me redimir mais de uma vez pela ausência naquele jogo contra o Coxa. (E o fato de que deve ter mais chuva fará com que sinta menos a possibilidade de ser a última partida “aquática”.)

Só que a previsão de muita chuva para outubro agora me causa outra preocupação: e se continuar assim em novembro e dezembro? Conseguirei assistir a um último jogo com sol no Olímpico?

O milésimo gol ninguém esquece. E o primeiro também…

Em novembro de 1969, os fãs de futebol aguardavam ansiosamente o milésimo gol de Pelé. Divergências de números a parte, o Rei comemorou pela 999ª vez contra o Botafogo da Paraíba, quando o Santos venceu por 3 a 0. Na partida seguinte, o Peixe foi à Fonte Nova enfrentar o Bahia, e o estádio estava lotado por conta da possibilidade de que o milésimo saísse em Salvador. Não aconteceu: em um dos lances de gol, o zagueiro Nildo tirou a bola de cima da linha; diz-se que a torcida vaiou intensamente o jogador, informação contestada pelos baianos, que dizem que a torcida do Bahia jamais apuparia seu próprio time.

O gol 1000, enfim, aconteceu no dia 19 de novembro, no Maracanã: de pênalti, Pelé venceu o goleiro Edgardo Andrada, do Vasco. E o campo foi invadido.

De forma semelhante saiu o 1000º gol de Romário, segundo as contas dele. No dia 20 de maio de 2007, contra o Sport Recife, o Baixinho atingiu a marca histórica ao vencer o goleiro Magrão, em cobrança de pênalti. E novamente, invasão de campo.

Coisas da vida de artilheiro. Bem diferente do que passa quem não tem o “faro do gol”. Meu caso: teve uma época em que eu jogava todos os sábados com meus amigos, e por ser muito ruim, sempre sobrava para mim a árdua tarefa de ser goleiro. Então eu me notabilizava mais por levar gols (alguns bizarros ao extremo), do que por marcá-los. O dia em que finalmente consegui balançar a rede, todo mundo que estava jogando (até os adversários) veio me abraçar…

E se engana quem pensa que isso só acontece em peladas de amigos. O lateral-direito Tony Hibbert, do Everton, joga no clube inglês há 12 anos, e até esta semana jamais marcara um gol com a camisa do time. Pois em um amistoso de pré-temporada contra o AEK, da Grécia, finalmente ele mandou a bola para as redes. Não teve outra: o campo foi invadido pela torcida enlouquecida, que quis comemorar junto com Hibbert.

Libertadores só no rádio?

Em 2012, diferentemente de outros anos, quem quiser assistir à Libertadores não deve sintonizar sua televisão no Sportv. Os direitos de transmissão por TV fechada para o Brasil pertencem à Fox Sports. Na televisão aberta, a Globo transmitirá os jogos de quarta-feira à noite.

A Fox Sports estreou há poucos dias a sua programação brasileira, já de olho na audiência da Libertadores. Porém, até agora, o canal não está disponível nas principais operadoras de televisão por assinatura, Net e Sky. As negociações para que o novo canal seja exibido parecem longe do fim (há quem ache que é vingança da Globo, o que não é de se duvidar), e por conta disso, ao torcedor do Fluminense que não foi ao Engenhão só resta uma alternativa para acompanhar a estreia de seu time contra o Arsenal de Sarandí (Argentina): o rádio. A não ser que haja bares que assinam operadoras menores que têm a Fox Sports em sua programação.

Certamente os torcedores do Fluminense não são os únicos que torcem para que haja logo um acordo de modo a disponibilizar a Fox Sports nas principais operadoras de televisão por assinatura. Afinal, se depender da Globo, dificilmente se poderá assistir a algum jogo da Libertadores que não envolva Corinthians ou Flamengo (que por terem as maiores torcidas, são prioridade da emissora por “darem mais audiência”). Ruim para quem gosta de futebol e por conta disso adora assistir a jogos de Libertadores, pior ainda para os torcedores dos demais clubes brasileiros na disputa.

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Tudo isso me fez, imediatamente, lembrar da Libertadores de 2002, competição na qual o Grêmio era um dos favoritos ao título. Os direitos de transmissão pertenciam ao canal PSN (Panamerican Sports Networks); nem a televisão aberta (leia-se Globo) passava as partidas, mesmo com o Flamengo jogando aquela Libertadores. Porém, o PSN fechou as portas no começo daquele ano, deixando os torcedores brasileiros na mão: restava apenas o rádio para acompanhar os jogos, devido à confusão quanto aos direitos de transmissão para o Brasil. Foi quando tive a experiência extremamente agonizante de acompanhar uma partida de volta de quartas-de-final pelo rádio: o Grêmio tinha vencido o primeiro jogo contra o Nacional de Montevidéu por 1 a 0, e assim, podia empatar no Centenário para seguir adiante; derrota por um gol de diferença levaria aos pênaltis, e por dois gols significaria adeus. O Nacional fez 1 a 0, mas o Grêmio empatou e se classificou para enfrentar o Olímpia na semifinal.

Quando o Tricolor entrou em campo no Defensores del Chaco, já tinham se passado quase dois meses daquele jogo contra o Nacional. A Copa do Mundo de 2002 também já era passado. E, enfim, a televisão mostrava o jogo… Deu azar: o Grêmio perdeu por 3 a 2; e na partida de volta, disputada no Olímpico, venceu por 1 a 0 mas acabou eliminado nos pênaltis.

Um dilema que me afligia…

Torcer ou não pelo Santos amanhã, na decisão do Mundial Interclubes?

O adversário é o melhor time que já vi jogar: o Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta e o lesionado Villa. Joga tão bonito, que não consigo deixar de pensar que será uma injustiça ele perder. O Mundial Interclubes seria o fecho com “chave de ouro” para um ano histórico dos blaugranas.

Porém, torço sempre contra os clubes europeus (não apenas pela América do Sul), exceto quando o adversário deles é o Inter. Em 2009, quando o Barcelona também tinha um timaço (embora não melhor que este de 2011), torci pelo Estudiantes na decisão. Ano passado, fui “Mazembe desde criancinha” contra o Inter e a Inter. Na final de 2005, torci pelo São Paulo contra o Liverpool – e a vitória são-paulina, se por um lado parece ter sido injusta (afinal, o Liverpool amassou o São Paulo no segundo tempo), por outro foi consagradora para Rogério Ceni, que naquele 18 de dezembro teve uma das maiores atuações de um goleiro que já pude assistir.

Não bastasse minha tradição de secar os europeus, o meu irmão disse que vai torcer pelo Barcelona para que o Inter siga como último clube sul-americano campeão mundial. Depois dessa, simplesmente não dá para não torcer pelo Santos…

Então, torço para que amanhã tenhamos um grande jogo em Yokohama, e que o Barcelona jogue tudo o que sabe. Mas quero que Neymar faça chover (ou nevar, já que no Japão o inverno está começando), e traga a taça para a América do Sul. Pra cima deles, Santos!