Grêmio x Santos

Quarta-feira, era notável no Olímpico a preferência de muitos torcedores gremistas pelo Atlético-MG como adversário na semifinal da Copa do Brasil. Fácil de entender: Wanderley Luxemburgo é “freguês histórico” do Tricolor, e o Galo não tem sido destaque nacional na “grande mídia” por meter goleadas acachapantes em seus adversários. Porém, se enfrentar os “Meninos da Vila” parece ser tarefa das mais complicadas, não nos enganemos achando que o Atlético-MG seria mais fácil.

Jogar na Vila Belmiro é sempre difícil, devido à proximidade da torcida em relação ao gramado (só me lembro de uma vitória do Grêmio lá, 1 a 0 em 1999, pela Seletiva da Libertadores – e tínhamos um time bem ruinzinho aquele ano…); mas o Mineirão também não é nenhuma moleza. O Grêmio até obteve algumas vitórias por lá – a mais recente, inclusive, foi de goleada e sobre o Atlético-MG, 4 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2008; mas uma coisa é aquele estádio com pouco público (o Galo vinha mal dois anos atrás), outra é jogar no Mineirão lotado (como na semifinal da Libertadores do ano passado, 3 a 1 para o Cruzeiro).

Quanto a Luxemburgo ser “freguês” do Grêmio, não pensemos que isso significa que enfrentá-lo seria garantia de vitória. “Salto alto” sempre favorece ao adversário.

Sobre o Santos: se o ataque é muito forte, a defesa não é das melhores – nos últimos três jogos, sofreu sete gols. Eles não tiveram moleza para passarem pelo Atlético-MG na Copa do Brasil, e no Campeonato Paulista quase entregaram o ouro para o Santo André, lembram?

Já o Grêmio conta com bons jogadores não só para enfrentar a defesa do Santos – Jonas e Borges na frente, Hugo e/ou Douglas no meio – como também na defesa para segurar o poderoso ataque do Peixe: Mário Fernandes é um baita jogador (tanto na zaga como na lateral-direita), e Rodrigo resolveu o problema do setor, que fazia água no início do ano, quando o time levava pelo menos um gol em todos os jogos.

Ou seja, não há motivos para pânico. Certo mesmo, é que Grêmio e Santos farão dois grandes jogos. Só espero que o Tricolor não leve tanto sufoco para se classificar como aconteceu na Libertadores de 2007, quando fez 2 a 0 no Olímpico e levou 3 a 1 na Vila (saiu na frente, se retrancou e permitiu a reação do Peixe).

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Mesmo que o Grêmio de hoje não seja um time como o de 2007 (tem mais qualidade técnica e menos “brucutus”, e Silas não é chegado numa retranca como Mano Menezes), podem escrever: não faltarão manchetes nos próximos dias dizendo que Grêmio x Santos será um “confronto entre futebol-força e futebol-arte”.

Culpa dos velhos rótulos que insistem em repetir. Como se o Grêmio sempre tivesse só “brucutus” (onde surgiu Ronaldinho?), e outros times apenas “artistas da bola” (onde jogava Júnior Baiano?).

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Pela honra

O assunto da semana do sorteio dos grupos da Copa do Mundo é a possível “entregada” do Grêmio para o Flamengo no próximo domingo. Afinal, um empate poderá dar o título ao Inter (ou ao Palmeiras ou ao São Paulo, dependendo da combinação de resultados). A tentação de torcer por derrota do Grêmio é muito grande, só para impedir a conquista colorada (como se a partida deles contra o Santo André fosse jogo jogado, até parece que o time paulista virá a Porto Alegre não precisando vencer para escapar do rebaixamento).

O que eu digo, é: pela honra do futebol do Rio Grande do Sul, quero que o Grêmio vença domingo. Pois foi isso que faltou, se não aos jogadores, aos dirigentes do Inter: quando jogaram contra o São Paulo no ano passado, adversário direto do Grêmio na luta pelo título, falaram em desejar “derrota heroica por 1 a 0”. Se a escalação de um time misto (com a desculpa da Copa Sul-Americana) foi com o propósito de “entregar”, não sei, e não será possível provar. Mas mostra que os dirigentes colorados têm de lavar a boca antes de falarem qualquer coisa sobre o Tricolor (que, vale lembrar, ano passado perdeu o título por conta dos diversos jogos fáceis nos quais deixou de pontuar, dentre eles contra o Figueirense no Olímpico, na mesma rodada deste São Paulo x Inter – se tivesse vencido tais jogos, não teria do que reclamar).

Quero que o Grêmio mostre o seu máximo no domingo. Se fizer isso (e certamente fará, pois os jogadores são, acima de tudo, profissionais), mesmo que perca, será honroso. Será bom para o Flamengo também, que não entrará para a história por “ganhar um título porque o último jogo foi entregue” – mesmo que em um campeonato de pontos corridos o último jogo tenha o mesmo valor de todos os outros 37, ou seja, 3 pontos.

Aliás, é mais um motivo pelo qual os dirigentes colorados têm de calar a boca: se o Inter não for campeão, não será por causa do Grêmio (que já ajudou bastante o rival, tirando pontos de Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Cruzeiro), e sim por conta de sua própria incompetência, que conseguiu perder em casa para o Botafogo, um dos piores times deste Brasileirão. Além de levar 4 a 0 do Flamengo (dele mesmo!) no Maracanã, jogando com reservas (vergonhoso!). Ou seja: poderia depender apenas de seu próprio resultado para ser campeão, sem precisar do Grêmio.

Resumo da história: no domingo, DÁ-LHE GRÊMIO! Se o Inter vencer e for campeão, será uma comemoração um tanto constrangida, como alguns colorados já confessaram. Mas pode acontecer algo melhor e nada impossível, dada a tradição colorada de “ressuscitar mortos”: uma vitória do Santo André…

PONTOS CORRIDOS TÊM GRAÇA, SIM SENHOR!

O Campeonato Brasileiro termina com quatro times na briga pelo título. Algo que no “mata-mata” tão defendido por tantos, jamais aconteceria! Seria sempre só dois.

Quem disse que pontos corridos é uma fórmula “sem emoção”? Se uma última rodada em que quatro times têm chances de gritar “é campeão” não tem emoção, então eu não sei o que é isso!

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Em tempo: torço ardentemente para que o Santo André vença e permaneça na Série A. Não merece cair!