Meus jogos no Olímpico Monumental: 1998

Para os gremistas, 1998 começava com o sonho da Libertadores. Era o quarto ano consecutivo em que o Tricolor disputava a competição sul-americana, feito conseguido por poucos clubes brasileiros.

Porém, algo incomodava. Estava no banco de reservas e atendia pelo nome de Sebastião Lazaroni. O técnico da Seleção na Copa de 1990 (quando o Brasil caiu nas oitavas-de-final diante da Argentina) não era visto com bons olhos pelos gremistas. Em sua coluna no Correio do Povo em 29 de novembro de 1997 (poucos dias após a contratação do técnico), Hiltor Mombach dizia que “onze em cada dez gremistas” eram contrários à vinda de Lazaroni; mas ao mesmo tempo recomendava que ao menos se deixasse o técnico trabalhar, antes de detoná-lo.

Assim se fez. E Lazaroni ficou até maio, quando após a eliminação do Campeonato Gaúcho foi substituído por Edinho, que durou igualmente pouco: no início de agosto, com o Grêmio já eliminado da Libertadores, chegou Celso Roth, que tirou o time da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro e o levou às quartas-de-final. O Tricolor terminou o ano sem ganhar absolutamente nada, o que não acontecia desde 1992. Continuar lendo

Meus jogos no Olímpico Monumental: 1997

Campeão brasileiro de 1996, o Grêmio começou 1997 em alta. Tinha uma Libertadores para disputar, na qual era um dos candidatos ao título. A torcida sonhava com o retorno a Tóquio, para conquistar a taça perdida para o Ajax em 1995.

Porém, já eram outros tempos, embora não parecessem. Dois nomes já não estavam mais presentes no Grêmio: Fábio Koff deixara a presidência, passando o cargo para seu vice de futebol, Luiz Carlos Silveira Martins (Cacalo); no banco, saiu Luiz Felipe Scolari e entrou Evaristo de Macedo, que à frente do Atlético-PR fez grande campanha no Campeonato Brasileiro de 1996. As mudanças não preocupavam a torcida, havia confiança no novo presidente e no novo técnico.

E no começo, realmente as coisas deram certo: no primeiro semestre o Grêmio conquistou sua terceira Copa do Brasil, de forma invicta. Mas dali em diante a coisa degringolou: entre junho e julho o time passou 14 jogos sem vencer, e nessa lista constavam as finais do Campeonato Gaúcho, contra o Inter. A campanha do Grêmio no Campeonato Brasileiro de 1997 (no qual defendia o título) esteve longe de ser a pior de sua história, mas foi marcada por goleadas constrangedoras, como os 6 a 0 para o Goiás no Serra Dourada, logo na segunda rodada.

Isso teve influência no meu número de presenças no Olímpico naquele ano: só fui a seis jogos, cinco deles no primeiro semestre. Não era sócio e precisava comprar ingresso: apesar de que naquela época não era absurdamente caro como hoje, a má campanha no Campeonato Brasileiro desanimou. Curiosamente, foi por ter ido a poucos jogos que 1997 foi um dos poucos anos em que o Grêmio não perdeu nenhuma vez quando estive no estádio (escapei de duas derrotas – aliás, de duas goleadas – por deixar de ir ao Olímpico na última hora).

14. Grêmio 2 x 0 Alianza Lima (Taça Libertadores da América, 21 de março)

Foi minha estreia em Libertadores, pois não tinha ido a nenhum jogo na edição de 1996. O Grêmio, como já disse, começara bem o ano, mas entrou em campo contra o Alianza Lima pressionado por ter perdido as duas partidas anteriores pela Libertadores, para o Sporting Cristal em Lima e para o Cruzeiro em pleno Olímpico, na semana anterior. A vitória por 2 a 0 garantiu a classificação gremista, e diminuiu a impaciência de alguns torcedores com Evaristo de Macedo.

15. Grêmio 2 x 0 Vitória (Copa do Brasil, 18 de abril)

Nova estreia: desta vez, ia pela primeira vez a um jogo de Copa do Brasil. O Grêmio já eliminara Fortaleza e Portuguesa, e agora encarava o Vitória para tentar ir, mais uma vez, à semifinal. Em um grande jogo, o Grêmio fez 2 a 0 (gols de Paulo Nunes e Goiano) e ficou em situação confortável para a partida de volta, em Salvador.

16. Grêmio 5 x 0 Santa Cruz (Campeonato Gaúcho, 27 de abril)

O Santa Cruz voltava à primeira divisão do Gauchão, e logo de cara teve de encarar o Grêmio no Olímpico… Põe azar nisso.

17. Grêmio 0 x 0 Flamengo (Copa do Brasil, 20 de maio)

O calendário do futebol brasileiro é um caos, mas 15 anos atrás conseguia ser ainda pior. Como o Grêmio jogava a Libertadores e a Copa do Brasil ao mesmo tempo, faltava data para tantas partidas.

A solução, no caso da Copa do Brasil, foi jogar as duas partidas da final em um intervalo de 48 horas. Na noite de 20 de maio, Grêmio e Flamengo entraram em campo no Olímpico; dali a dois dias o título seria definido no Maracanã.

Ficou no 0 a 0, após um jogo com grandes chances para os dois times. Um resultado que seria ruim para o Grêmio, não fosse o “saldo qualificado”: qualquer empate com gols serviria no Maracanã. E foi exatamente assim que o Grêmio ganhou a Copa do Brasil pela terceira vez, e obteve o curioso feito de estar disputando uma Libertadores (seria eliminado no começo de junho) e já ter vaga garantida na edição seguinte.

18. Grêmio 2 (9) x 2 (8) Brasil de Pelotas (Campeonato Gaúcho, 21 de junho)

Naquela tarde, Grêmio e Brasil de Pelotas decidiam o primeiro finalista do Campeonato Gaúcho. O primeiro jogo acabara em 1 a 1, e como não havia saldo qualificado, os dois times precisavam vencer, e novo empate levaria para a prorrogação e, depois, aos pênaltis.

E foi o que acabou acontecendo, após uma partida muito disputada. O Grêmio fez 1 a 0 com Maurício, só que ainda no primeiro tempo perdeu Mauro Galvão, em confusão que também resultou em um expulso do Xavante. No início do segundo tempo o Brasil empatou, mas logo depois Maurício, de novo, pôs o Tricolor em vantagem. O Grêmio ainda teria boas oportunidades de definir a partida, mas após desperdiçá-las sofreu o castigo no final do jogo: 2 a 2. Na prorrogação, não houve gols, e a vaga na final só foi definida após 22 cobranças de pênalti (11 para cada lado).

Maurício, autor dos dois gols, era um atacante que o Grêmio contratara em abril ou maio, já contestado pela torcida devido a seus gols perdidos. Contra o Brasil, teve uma de suas melhores atuações com a camisa do Tricolor. Só que falou bobagem ao ser entrevistado (infelizmente não achei vídeo): “esses gols são para calar a boca da torcida”. A entrevista foi ao ar, e não lembro de ter visto Maurício vestir novamente a camisa do Grêmio…

19. Grêmio 2 x 2 Bahia (Campeonato Brasileiro, 14 de setembro)

Após o péssimo começo no Campeonato Brasileiro (quando Evaristo de Macedo foi demitido e substituído por Hélio dos Anjos, que não deixou saudade nenhuma), o Grêmio começava a esboçar uma reação. Uma semana antes de enfrentar o Bahia, vencera o Vasco (que seria o campeão de 1997) por 3 a 1. Logo, seria barbada derrotar um time que brigava para não cair, certo?

Errado. O Grêmio chegou a abrir 2 a 0, gols do recém-contratado Beto. Mas após ter dois jogadores expulsos, cedeu o empate ao Bahia – que, ao final do campeonato, acabou rebaixado para a Série B.

————

Estatísticas de 1997:

  • Jogos: 6
  • Vitórias: 3
  • Empates: 3
  • Derrotas: 0
  • Gols marcados: 13
  • Gols sofridos: 4

Sobre interesses comerciais

As transmissões do Gauchão 2009 têm primado por uma pérola – além das tradicionais do Paulo Brito, “heinhÔ Batista?” e “Futebol Clube Santa Cruz” (nunca vemos o Brito chamar Grêmio ou Inter por seu nome completo, só o Santa Cruz – deve ser implicância pelo clube ter o mesmo nome da cidade, já que ele torce para o rival Avenida).

De repente, um clube cujo nome é Sport Club Ulbra (heinhÔ Batista?) passou a ser chamado de “Canoas” nas transmissões e nos programas esportivos da RBS. Sendo que a cidade já tem um clube chamado Canoas Futebol Clube. No ano passado, já vinham chamando o time de “Ulbra-Canoas” – até entenderia bem em programas transmitidos para todo o Brasil, pois há também um Sport Club Ulbra em Ji-Paraná, Rondônia.

E não adiantou a direção do clube de Canoas divulgar uma nota oficial criticando a denominação da RBS e reafirmando que se chama Sport Club Ulbra. Os programas da emissora, assim como as transmissões dos jogos, continuam falando no “Canoas”.

E o pior é que o negócio pode ficar ainda mais esdrúxulo. Por exemplo, caso o Quilmes, da Argentina, venha a enfrentar algum time brasileiro em uma Libertadores ou Sul-Americana, qual será o nome que a Globo lhe dará? Pelo que li no Impedimento, parece ser determinação da emissora (e como a RBS é repetidora da Globo…) chamar times que têm nomes de “empresas” (Ulbra, em tese, é uma universidade, não empresa) pelo nome das cidades onde se situam. Só que o Quilmes fica em… Quilmes! A famosa cervejaria argentina e o clube devem seus nomes à cidade.

Cão no Olímpico em 2008

Ano passado, publiquei as “estatísticas” de minhas idas ao Estádio Olímpico Monumental para ver o Grêmio jogar. Aquela vez, eu já havia ido a 147 jogos, com 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas. Haviam sido marcados 401 gols: 263 do Grêmio e 138 dos adversários.

Agora, atualizo a publicação da estatística. Terminei 2007 com 16 jogos: 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas; 31 gols do Grêmio e 15 dos adversários.

Já em 2008, estive 17 vezes no Olímpico. Foram 13 vitórias gremistas, 3 empates e apenas uma derrota. O Tricolor fez 35 gols e sofreu apenas 10 – “melhor defesa anual” que já assisti no estádio, média de 0,59 por partida.

Fui aos seguintes jogos no ano que se acaba:

  1. Grêmio 2 x 0 Novo Hamburgo (Gauchão, 9 de fevereiro);
  2. Grêmio 6 x 0 Jaciara (Copa do Brasil, 27 de fevereiro);
  3. Grêmio 4 x 0 Ulbra (Gauchão, 1º de março);
  4. Grêmio 2 x 3 Juventude (Gauchão, 6 de abril);
  5. Grêmio 3 x 0 Atlético-PR (Brasileirão, 22 de junho);
  6. Grêmio 1 x 1 Inter (Brasileirão, 29 de junho);
  7. Grêmio 2 x 1 Portuguesa (Brasileirão, 13 de julho);
  8. Grêmio 1 x 0 Cruzeiro (Brasileirão, 19 de julho);
  9. Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Brasileirão, 27 de julho);
  10. Grêmio 2 x 0 Vitória (Brasileirão, 3 de agosto);
  11. Grêmio 1 x 0 São Paulo (Brasileirão, 17 de agosto);
  12. Grêmio 2 x 1 Vasco (Brasileirão, 31 de agosto);
  13. Grêmio 2 x 1 Botafogo (Brasileirão, 4 de outubro);
  14. Grêmio 1 x 0 Sport (Brasileirão, 23 de outubro);
  15. Grêmio 1 x 1 Figueirense (Brasileirão, 2 de novembro);
  16. Grêmio 2 x 1 Coritiba (Brasileirão, 16 de novembro);
  17. Grêmio 2 x 0 Atlético-MG (Brasileirão, 7 de dezembro).

Não fui aos dois primeiros jogos do ano no Olímpico (pelo Gauchão, dias 19 e 26 de janeiro contra 15 de Novembro e Santa Cruz, respectivamente) ora por ter compromisso, ora por não estar em Porto Alegre. Mas pelo Gauchão, confesso que não costumo ser muito assíduo, dada a qualidade dos jogos.

Após a eliminação do Gauchão passei dois meses sem ir ao estádio. Não foi por revolta contra o time. No dia 9 de abril (eliminação da Copa do Brasil contra o Atlético-GO), eu tinha aula. Em 18 de maio optei por ir à Redenção (e me arrependi profundamente disso, por motivos “extra-campo”) ao invés de ver o Grêmio empatar em 0 a 0 com o Flamengo, pelo Brasileirão. No sábado seguinte, 24 de maio, não assisti à vitória de 2 a 0 sobre o Náutico para ir a um aniversário. No dia 8 de junho (Grêmio 2 x 1 Fluminense) o tempo estava muito úmido (já chovera bastante pela manhã) e eu estava com um forte resfriado.

Dali em diante, faltei a poucos jogos. Em três deles (Grêmio 1 x 0 Ipatinga, dia 6 de agosto; o Gre-Nal da Sul-Americana que acabou empatado em 2 a 2 no dia 28 de agosto; e Grêmio 2 x 0 Santos, em 8 de outubro) eu tinha aula no mesmo horário. No dia 13 de setembro (única derrota do Grêmio em casa pelo Brasileirão, 2 a 1 para o Goiás), eu tinha um aniversário para ir.

No total, já fui 167 vezes ao Olímpico. Foram 98 vitórias do Grêmio, 40 empates e 29 derrotas. Foram marcados 458 gols: 304 do Tricolor e 154 dos adversários.