Por que a Comissão da Verdade é necessária

A “turma do pijama” não desistiu. Após a reprimenda de sua comandante-em-chefe, a presidenta Dilma Rousseff, militares da reserva voltaram a publicar um manifesto, desta vez não em nome dos clubes, mantendo as críticas ao governo. Até aí tudo bem, não fosse por um detalhe: cometeram um grave ato de insubordinação ao afirmarem não reconhecerem a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim.

Isto é apenas mais um motivo que demonstra o quão necessária é a Comissão da Verdade no Brasil: para acabar com esta sensação de impunidade que se tem desde 1979, quando da promulgação da Lei da Anistia. Pois se oficialmente os militares deixaram o poder em 1985, o fizeram depois de terem “se protegido” com uma lei que impede punições por violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. Tanto que é com base nesta mesma lei que hoje os reservistas berram contra qualquer intenção de se apurar responsabilidades para os crimes da ditadura.

Mesmo que a Comissão não tenha poderes para punir ninguém (afinal, para isso existe o Poder Judiciário), é fundamental que ao menos se possa “dar nome aos bois”, ou seja, afirmar publicamente que A ou B foram torturadores, violadores dos direitos humanos. E é contra isso que a “turma do pijama” se levanta: mesmo que não possam ser punidos judicialmente, a possibilidade de uma punição moral já os incomoda.

E para os tucanos que compraram o discurso da “turma do pijama” e ficam excitados com a insubordinação dos militares da reserva contra Dilma, uma dica: assistam ao vídeo abaixo, um curta-metragem sobre Rubens Paiva, desaparecido desde 1971. Tá lá o depoimento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: vão chamá-lo de “revanchista”? (Gostei muito também do que disse Plínio de Arruda Sampaio, que questiona o “espírito de corpo” dos militares, visto que não são as Forças Armadas o “alvo” da Comissão da Verdade, e sim, alguns militares que cometeram crimes contra o país que eles juraram defender.)

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