Faltam mil dias para a Copa. E o que há de bom nisso?

Hoje faltam exatos mil dias para a abertura da Copa do Mundo do Brasil, marcada para o dia 12 de junho de 2014. Em menos de três anos a bola vai rolar, a vida no país será uma maravilha, todos felizes com o Mundial… Mas também em menos de três anos a Copa de 2014 acaba, no dia 13 de julho.

É incrível: foi no já distante 30 de outubro de 2007 que o Brasil foi oficialmente designado para sediar a Copa do Mundo de 2014. Não foi “escolhido”, já que a FIFA tinha decidido que o torneio seria realizado na América do Sul, e o Brasil era o único candidato.

Ou seja: já faz mais tempo que o Brasil foi oficializado como sede da Copa, do que falta para a bola rolar. Eram quase sete anos para 2014, tempo de sobra para construir estádios, fazer obras de mobilidade urbana… Obviamente eu nunca me iludi achando que teríamos uma verdadeira melhora na qualidade de vida (como provam as emergências lotadas nos hospitais), mas imaginava que, com um prazo tão amplo, alguma coisa já estivesse pronta quase quatro anos após a designação do Brasil como sede.

Mas também não dá para ficar surpreso com tantos atrasos. Afinal, se a preparação começasse já em 2007, não haveria desculpa para passar por cima das leis ou para se dispensar licitação: seria preciso fazer as coisas direitinho, de acordo com a legislação. Mas faltam só mil dias e nada está pronto, se continuar assim a Copa vai embora e o Brasil vai dar “vexame”, então vale tudo: salve-se quem puder, dê-lhe superfaturamento em obras, dane-se o meio ambiente, os pobres “que estão impedindo o progresso” etc. Meia dúzia de grandes empreiteiros ganha e o povo brasileiro perde.

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No dia 5 de agosto de 2009…

Charge do Santiago publicada no blog da GRAFAR

Charge do Santiago publicada no blog da GRAFAR

Começamos a perceber, realmente, o fim do pior governo da História do Rio Grande.

Um desastre tão grande, que é raro se ver alguém que admitiu ter votado na Yeda. É preciso coragem para admiti-lo, frente a pessoas que não sejam conhecidas.

Alguns amigos meus que votaram nela, admitem o fato – pelo menos para mim – porque eu os conheço. Sei que votariam até no diabo (se ele existisse), contra o Olívio “que mandou a Ford embora”: sim, porque apesar dele ter feito um bocado de coisas boas (procurou incentivar a agricultura familiar ao invés do agronegócio, a pequena empresa ao invés da grande, criou até uma universidade pública que hoje está sucateada graças à sequência de dois governichos após a sua saída do Palácio Piratini, e tem muito mais), a Ford não quis ficar por aqui sem receber de mão beijada o nosso dinheiro, e por isso o Olívio tinha de ser condenado ao fogo do inferno.

Talvez os meus amigos – tanto os que admitem quanto os que escondem o voto na Yeda – pensem que eu estou adorando tudo o que está acontecendo agora, mas os frustrarei. Fico é triste, por ver que o Rio Grande do Sul perdeu mais quatro anos graças a um estúpido sentimento de “anti-PT”. Graças a uma mídia canalha, que criou tal sentimento, que inventou uma “guerra” que precisava ser “pacificada”.

O Rio Grande ficou “em paz”, mas sem governo, e mergulhado em um mar de lama.

Desse jeito, só nos resta rir… Para não chorar.

Charge do Kayser

Charge do Kayser

Quando a vitória não é exatamente nossa

19 de junho de 1996, Estádio Palestra Itália, São Paulo. Palmeiras e Cruzeiro entram em campo para decidir a Copa do Brasil. Nunca eu fui tão cruzeirense como nesse jogo. E nunca o Cruzeiro foi tão Grêmio como nesse jogo.

O motivo? O Palmeiras eliminou o Grêmio na semifinal, graças a um erro de arbitragem no final do segundo jogo, no Olímpico. Um gol legal de Jardel foi anulado, sob alegação de impedimento. O então presidente do Grêmio, Fábio Koff, ameaçou deixar a presidência do Clube dos 13 em protesto. Houve invasão de campo por parte dos torcedores gremistas revoltados, que tentaram agredir a arbitragem e os jogadores do Palmeiras.

Devido ao acontecimento, fiquei com raiva do alvi-verde, e torci muito pela derrota do time paulista. Assim, naquela final eu fui “Cruzeiro desde criancinha”.

A primeira partida da final, disputada no Mineirão, acabara empatada em 1 a 1. Logo, o empate em 0 a 0 daria o título ao Palmeiras. A confiança dos palmeirenses no título era enorme, a ponto de meu colega de turma na 8ª série Giuseppe, paulista e palmeirense, passar boa parte da aula na manhã daquele dia dizendo “Palmeiras campeão da Copa do Brasil”. Eu dizia para ele esperar o jogo acabar, que não comemorasse antes…

Mas assim que a bola rolou, tive a impressão de que teria de aturar ainda mais o Giuseppe na manhã seguinte: aos 5 minutos o Palmeiras fez 1 a 0 com Luizão. O Cruzeiro precisaria virar o jogo para ficar com o título, o empate em 1 a 1 levaria a decisão aos pênaltis. E era improvável que o Palmeiras perdesse: para se ter idéia, o time tinha craques como Rivaldo e Djalminha.

Mas o Cruzeiro não se entregou. E me deu esperanças ao empatar o jogo, aos 25 minutos do primeiro tempo. O autor do gol era mais um motivo para vibração: Roberto Gaúcho. Era um gol de “gaúcho” para vingar os gaúchos roubados nas semifinais.

Após sofrer o gol, o Palmeiras voltou a pressionar. Mas esbarrou em Dida, que fez verdadeiros milagres para impedir o segundo gol palmeirense. Velloso, goleiro do Palmeiras, também fez sua parte ao impedir um gol de cobertura de Palhinha, já no segundo tempo.

Porém, Velloso acabaria se tornando o vilão da noite. Aos 36 minutos do segundo tempo, o goleiro palmeirense tentou cortar um cruzamento de Roberto Gaúcho, falhou e deixou a bola nos pés de Marcelo, que virou o jogo: 2 a 1. A partir daquele momento, o empate passava a ser azul, pois o Cruzeiro tinha mais gols fora de casa do que o Palmeiras.

Quando vi a bola balançar a rede, comemorei como se fosse gol do Grêmio. O Palmeiras, apelidado de “máquina mortífera” por ter marcado mais de 100 gols no Campeonato Paulista de 1996, era derrotado depois de eliminar na roubalheira o meu Grêmio! Minha mãe já tinha ido se deitar, acordei ela com a feliz notícia do segundo gol do Cruzeiro, que tirava a Copa do Brasil das mãos de quem havia ousado comemorar antes da hora.

Quando o jogo acabou, sentimos o sabor de termos conseguido nossa vingança, mesmo que não exatamente por nossas mãos. E nos sentimos ainda mais triunfantes quando um jogador do Cruzeiro, que infelizmente não me recordo qual foi, disse em entrevista: “vingamos o Grêmio”.

Na manhã seguinte, cheguei cedo ao colégio. Os colegas gremistas estavam felizes da vida com a derrota do Palmeiras. E ansiosos pela chegada do Giuseppe… Até imaginamos que ele não iria à aula. Mas ele chegou com uma cara terrível, naquela fria e chuvosa manhã de início de inverno em Porto Alegre. Com um tempo daqueles, pegar um resfriado seria barbada. Daí minha pergunta médica ao colega palmeirense: “já tomou teu Energil-C hoje?” – o nome do comprimido efeverscente de vitamina C estampava a camisa do Cruzeiro campeão.

E caiu!

Chegou a parecer que o Corinthians ia se salvar. O Grêmio, sabendo do óbvio – vitória do Cruzeiro sobre o América – diminuiu o ritmo. Mas esse time do Corinthians é de uma ruindade tão grande que dá pena. Olhando bem: nem se o Grêmio quisesse, perderia o jogo.

Não teve jeito: Corinthians na Série B em 2008. Pagou não só pela roubalheira de 2005 – o que fez a torcida colorada comemorar a derrota do Inter para o Goiás – mas também por erros cometidos há anos, que resultaram em 2007 num time ridículo para a segunda maior torcida do Brasil, um “faz-me-rir” como debochavam os rivais durante o jejum de títulos vivido de 1954 a 1977. Foram contratados muitos jogadores que não eram dignos de jogar num clube com a grandeza do Corinthians. Por isso, foi rebaixado.

Considerando o tamanho do Corinthians e de sua torcida, já aposto nele como favorito ao acesso para a Série A no ano que vem. Mas será preciso mais time, pois o atual é de doer.

E também será preciso aprender a lição. Quando foi anunciada a parceria com a tal MSI, no final de 2004, os corintianos se iludiram e vibraram. Lembro que “senti cheiro de ISL”, a malfadada parceria que o Grêmio firmou em 2000 e fez o clube se endividar tanto que caiu para a Série B quatro anos depois. Imaginei que provavelmente o Corinthians passaria pelo mesmo sofrimento.

Os craques chegaram com o dinheiro sujo da MSI, e mesmo assim o Corinthians precisou de um “zveitaço” para ser campeão brasileiro em 2005. O próprio presidente Alberto Dualib reconheceria dois anos depois que aquele campeonato fora “roubado”. O clube se endividou todo, igualzinho ao Grêmio.

E quando a parceria fez água, vimos isso aí: um time para o qual o adjetivo “ruim” chega a ser elogio.