Sinais incontestáveis de que estou ficando velho

Por cerca de um ano e meio, o blog Cataclisma 14 publicou uma série de posts muito interessante sobre o tema “envelhecendo”. Claro que não falava sobre se estar entrando na terceira idade, mas sim de situações demonstrativas de que o camarada já é, realmente, adulto, já tendo portanto uma certa “experiência de vida”. (O que parece… “Papo de velho”!)

Como o pessoal do Cataclisma não retomou os posts “velhos”, eu faço isso, de uma vez só, e citando por experiência própria alguns sinais incontestáveis de que, feliz ou infelizmente, não sou mais jovem.

E mesmo que eu fale em primeira pessoa, quem assim como eu está por volta dos 30 anos – para mais ou para menos – e leu esse texto, certamente se identificou com algum item da lista acima…

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O melancólico fim de carreira de Ronaldo

Hoje, ouvi no rádio a notícia de que a eliminação do Corinthians na pré-Libertadores poderá antecipar a aposentadoria de Ronaldo. Dizem que a única motivação do atacante em seguir jogando seria a de poder conquistar uma Libertadores, título que, assim como o Campeonato Brasileiro, ele não tem.

É um melancólico final para a carreira de um dos maiores jogadores que já vi. Hoje, Ronaldo não é nem sombra do craque que foi em seus bons tempos. Aos 34 anos, é praticamente um ex-atleta que insiste em se manter em atividade.

Ronaldo ainda não se aposentou por motivos meramente comerciais. O Corinthians apostou alto em sua contratação, no final de 2008, conseguindo muitos patrocinadores – que desejavam investir na “imagem” do “Fenômeno”, mas também eram fundamentais para o clube conseguir pagar os salários dele. Assim, ele ainda entra em campo, mesmo não jogando mais nada, apenas para exibir logomarcas associadas à sua “imagem”. (Aliás, é algo que poderia acontecer no Grêmio, se Ronaldinho tivesse sido contratado.)

Ou seja, o jogador que mais gols marcou em Copas do Mundo, foi três vezes eleito o melhor do mundo (1996, 1997 e 2002) e fundamental para a Seleção Brasileira ganhar a Copa de 2002 (assim como Rivaldo, que aos 38 anos estreou ontem pelo São Paulo, com direito a um golaço), virou apenas um outdoor.

As Copas que eu vi – Alemanha 2006

No final da tarde do dia 4 de setembro de 2005, me reuni com o meu amigo Diego Rodrigues para tomar cerveja e comer uns pastéis na pastelaria “República do Pastel”. O local, propriedade de um uruguaio, era ponto de encontro de orientales que vivem em Porto Alegre em dias de jogos da Celeste Olímpica. Caso daquele domingo, em que Uruguai e Colômbia se enfrentavam no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, que se disputaria na Alemanha.

Naquele momento, eu nem imaginava que, em menos de seis meses, estaria no local que via pela televisão. Conversávamos sobre desilusões amorosas, e foi quando eu disse que “o amor é regido pela Lei de Murphy”. O Diego gostou tanto do que falei, que parou um garçom, pediu uma caneta emprestada e anotou a frase em um guardanapo que guardou consigo até o início de 2010, quando me repassou o que é um verdadeiro documento histórico.

Outra coisa que eu não imaginava, era que o Uruguai acabaria ficando fora da Copa. A vitória por 3 a 2 naquele jogo contra a Colômbia foi fundamental para a Celeste chegar à repescagem contra a Austrália, treinada por Guus Hiddink. Na primeira partida, em Montevidéu, 1 a 0 para o Uruguai. Quatro dias depois, em Sydney, 1 a 0 para os australianos nos 90 minutos. Na prorrogação, não foram marcados gols, e assim a decisão foi para os pênaltis. E a vitória foi dos Socceroos por 4 a 2: a Austrália voltava à Copa do Mundo depois de 32 anos – a última (e única) participação fora em 1974, ironicamente também na Alemanha (embora fosse apenas a Ocidental). Continuar lendo

As Copas que eu vi – Coreia do Sul/Japão 2002

Como definiu Eduardo Galeano, eram “tempos de quedas”. Em 11 de setembro de 2001, caíram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. Caiu também o mito de que os Estados Unidos eram invulneráveis a ataques externos. Em resposta, a partir de 7 de outubro de 2001 bombas caíram de aviões estadunidenses sobre o Afeganistão – e continuam caindo até hoje.

Caia também o presidente da Argentina, Fernando de la Rúa. Os argentinos não aguentavam mais a penúria que lhes era imposta pela crise econômica e os ditames do FMI, e foram para a rua pedir a renúncia do governo, em dezembro de 2001. O presidente argentino atendeu aos pedidos das massas no dia 20, mas não sem antes decretar estado de sítio e ordenar a repressão aos protestos.

Para mim também eram “tempos de quedas” – no caso, de convicções “profissionais”. Desde meu ingresso no curso de Física da UFRGS, em março de 2000, eu nunca questionara tanto a opção que eu tinha tomado como começou a acontecer no início de 2002. Aos poucos, fui perdendo totalmente a motivação, mas ainda sem coragem de admitir a outras pessoas que eu havia errado – o que fui fazer apenas no final de abril.

Eu ainda insisti por mais um semestre – que começou só em junho de 2002, devido ao atraso no calendário proporcionado pela longa greve dos professores da UFRGS em 2001 (que fez o segundo semestre daquele ano iniciar-se em 17 de dezembro). O primeiro semestre de 2002 começou junto com a Copa do Mundo, pela primeira vez realizada na Ásia e em dois países, Coreia do Sul e Japão. Foi uma Copa diferente também quanto aos horários dos jogos, com muitos sendo disputados pela madrugada no horário brasileiro, correspondente à tarde na Coreia e no Japão. Continuar lendo

As Copas que eu vi: França 1998

O ano de 1998 começou de forma terrível para mim. Tão ruim que antes mesmo do Carnaval (que é quando começam, na prática, todos os anos no Brasil), eu já queria que chegasse logo 1999. Tudo por causa daquele 5 de janeiro, que considerei como o pior dia da minha vida por quase nove anos.

Mas, aos poucos, aquela dor perdeu boa parte de sua intensidade, e o ano de 1998 foi se transformando em ótimo. Primeiro, porque em abril foi confirmado que aconteceria em agosto a viagem a Montevidéu, para a realização de intercâmbio cultural entre o Colégio Marista São Pedro – onde cursei o 2º grau (1997-1999) – e o Instituto de los Jóvenes (IDEJO), colégio da capital uruguaia. Mas também porque se aproximava a Copa do Mundo da França. Enfim, chegava ao fim aquela longa espera de quatro anos iniciada em julho de 1994! E desta vez haveria mais jogos: o número de seleções participantes foi ampliado de 24 para 32. Continuar lendo