Galo “temperado”… Rumo à panela?

Fiz o seguinte questionamento sexta-feira, no texto sobre a saída de Ronaldinho do Flamengo:

E agora, ele está liberado para negociar com outro clube. Uma pergunta é óbvia: dado o histórico recente de Ronaldinho, algum clube brasileiro cometeria a insanidade de tentar contratá-lo?

Pois o Atlético-MG cometeu. Mesmo que uma enquete aponte que (apenas) 68% dos torcedores do Galo rejeitam ver o jogador em seu time.

Fosse eu atleticano, já estaria fazendo um cartaz “NÓS SOMOS OS 68%” e conclamando uma galera a protestar no próximo jogo. Ainda mais que o Atlético já tem Jô – que no Inter só se metia em confusão. Mesmo que os salários não sejam milionários, ainda acho um péssimo negócio.

————

Sobre a enquete: dá para acreditar que exista algum gremista que ainda queira Ronaldinho no Tricolor? Os 12% favoráveis só podem ser colorados infiltrados!

Anúncios

A melhor contratação recente do Grêmio

Por incrível que pareça, é um jogador que não vestiu a camisa tricolor, e sim a do Flamengo. Trata-se de Ronaldinho, que obteve via Justiça do Trabalho o direito de negociar com outro clube, embora o Fla ainda vá recorrer da decisão judicial. E como se não bastasse, ele ainda cobra R$ 40 milhões de seu agora ex-clube.

Embora nós gremistas tenhamos ficado revoltados no começo do ano passado, no fundo também havia uma certeza: a de que tínhamos nos livrado de uma “bomba-relógio” que “mandaria pelos ares” as finanças gremistas. Só lembrar o que escrevi no dia da entrevista coletiva que parecia indicar para onde Ronaldinho iria:

O anúncio era simplesmente que ainda não havia a definição sobre qual clube brasileiro seria o destino de Ronaldinho… Mas para mim algo ficou óbvio com essa palhaçada: se as possibilidades são apenas Flamengo, Grêmio ou Palmeiras (já falaram que o Corinthians também teria feito uma proposta pelo jogador), quer dizer que de três clubes, dois estão sendo enrolados; e quem contratar Ronaldinho, não gastará pouco.

Imaginava-se que a contratação de Ronaldinho “se pagaria” com a exploração comercial de sua imagem. Grêmio, Palmeiras e Flamengo estavam decididos a correr o risco; o Fla “ganhou” e levou.

Em 12 de janeiro de 2011, o jogador foi apresentado na Gávea, com uma grande festa. Diante da torcida que lotava o campo, Ronaldinho disse a frase que virou piada: “E agora eu sou Mengão”.

Neste quase um ano e meio vestindo a camisa rubro-negra, Ronaldinho teve alguns lampejos de craque, como naquele jogaço contra o Santos, em julho do ano passado – momento em que ele era o artilheiro do Campeonato Brasileiro e o Flamengo, candidato ao título e único invicto na competição. Mas no restante de 2011 as coisas desandaram: o Fla acabou o campeonato apenas na 4ª colocação, conseguindo assim uma vaga na Pré-Libertadores; já um dos “lances” mais comentados de Ronaldinho foi um “gol” que ele teria marcado “com a mão”… O jogador fechava seu primeiro ano no clube tendo conquistado apenas um título, o Campeonato Carioca. Além da não tão honrosa condição de ser um dos atletas mais xingados em uma partida de futebol, quando o Flamengo veio a Porto Alegre jogar contra o Grêmio no Olímpico, em outubro do ano passado. (Para “homenagear” Ronaldinho levei ao estádio uma nota de MIL CRUZADOS, sem valor desde 1990.)

Em 2012, o Flamengo continuou “uma zona”: foi eliminado da Libertadores na primeira fase e não chegou à decisão do Carioca. E Ronaldinho provou ser um péssimo negócio, já que o esperado “retorno financeiro” de sua contratação não veio – como seria de se esperar de um jogador que parece mais comprometido com a noite do que com o futebol. Não à toa, agora ele é xingado pela mesma torcida que há um ano e cinco meses ia ao delírio por sua chegada.

E agora, ele está liberado para negociar com outro clube. Uma pergunta é óbvia: dado o histórico recente de Ronaldinho, algum clube brasileiro cometeria a insanidade de tentar contratá-lo?

Senhora hipocrisia

Nós, gremistas, estamos frustrados, até um pouco revoltados. Por quase um mês, acreditamos na possibilidade do retorno de Ronaldinho ao Grêmio. Mesmo os que mais o xingaram em 2001 estavam dispostos a dar uma segunda chance ao craque, para que ele se redimisse pelo erro de dez anos atrás.

No fim, ele não veio. Os motivos, foram os mesmos de 2001: dinheiro. Dez anos atrás, Ronaldinho foi embora praticamente de graça, depois de várias juras de amor ao Grêmio. Agora, dizia-se que a preferência dele era o Tricolor, mas o dinheiro falou mais alto, e só um cataclisma o impedirá de jogar pelo Flamengo.

Consumada a desistência do Grêmio, obviamente se multiplicaram as manifestações de repúdio ao jogador – sendo que “mercenário” é a palavra mais “carinhosa”. Justíssima crítica, pena que boa parte dos que a fazem não tenha moral alguma para chamarem alguém de “mercenário”.

Isso mesmo. Pois muitos destes “indignados de ocasião”, são daqueles que têm por objetivo de vida o mero “acumular e ostentar bens” (e para isso, é preciso dinheiro!). Ou seja, são aqueles indivíduos extremamente consumistas. A única diferença destes para Ronaldinho, talvez sejam as cifras.

Ou seja, vamos deixar de hipocrisia: se médio-classistas podem ostentar, por que um milionário como Ronaldinho não pode? Aceitemos isso, ou repensemos bem o que andamos fazendo e dizendo por aí – o que, aliás, acho melhor.

————

Pelo que percebo, há uma tendência, igual a 2001, de vilanizar apenas Ronaldinho e seu empresário-irmão Assis. Tanto dez anos atrás como agora eles têm sua parcela de culpa, mas não podemos isentar a direção do Grêmio.

Em 2001 Ronaldinho “saiu de graça” porque o então presidente José Alberto Guerreiro recusou propostas “irrecusáveis” pelo craque – além, é claro, de desvalorizá-lo enquanto principal jogador do time, pagando salários astronômicos (mais que o dobro de Ronaldinho) a “reservas de luxo” como Amato, Astrada e Paulo Nunes. Agora, o próprio presidente Paulo Odone confessou que em nenhum momento conversou com o Milan – ou seja, com o clube que detinha os direitos sobre Ronaldinho! Diz Odone que teria sido orientação de Assis, mas será que o passado já não servira de lição?

E vamos combinar que, para vítima, Odone não serve. Não acredito que ele não soubesse das tais caixas de som no gramado do Olímpico, sexta-feira, a ponto de falar em “demitir o responsável”. Sinceramente, me parece que Odone fez de tudo para “sair bem na foto” – e conseguiu: se Ronaldinho viesse, o presidente seria glorificado por trazer o craque de volta; como ele não veio, Odone detonou Assis, e virou “defensor da dignidade do Grêmio”.

Vítima nisso tudo fomos nós, gremistas, iludidos por todo esse tempo.

Ronaldinho jamais será Renato

Confesso já estar com nojo desta negociação com Ronaldinho. Fosse eu o presidente do Grêmio, já tinha mandado ele e seu empresário-irmão irem pastar – e já que o negócio é mídia, teria convocado uma coletiva para dizer isso.

Como pessoa, gosto mais de Maradona do que de Pelé, mas ontem o Rei falou muito bem: “se o Ronaldinho ama o Grêmio, podia jogar lá de graça” – em 1974, Pelé abriu mão de receber salários do Santos, que enfrentava crise financeira.

Ora, Ronaldinho é milionário. MILIONÁRIO. Se tem algo que ele não precisa, é receber salário astronômico. Bastaria um acordo para que recebesse parte dos lucros decorrentes das vendas de produtos relacionados a ele, que ganharia muito… Por que essa novela toda?

Tudo isso só mostra que, mesmo que Ronaldinho venha para o Grêmio, não vai ter jeito: por mais que ele marque gols, faça jogadas de efeito… Nunca será um ídolo como Renato.

Pois Ronaldinho foi o melhor do mundo, ganhou muitos títulos. Mas tudo isso longe do Grêmio (onde conquistou só a Copa Sul e o Gauchão, em 1999). Renato foi campeão da América e do Mundo em 1983, jogando pelo Grêmio.

E mesmo que Ronaldinho acabe (se é que virá) conquistando a América e o Mundo pelo Grêmio em 2011 (aliás, boa lembrança: temos uma Libertadores pela frente, importante demais para ficarmos nessa porra de “leilão” por um jogador), jamais ocupará o lugar de quem é, por direito divino (neste caso, derivado de merecimento), o maior de todos no coração dos gremistas.

DÁ-LHE, RENATO!

“Novela” Ronaldinho: palhaçada

Há quase 20 dias, declarei ser favorável à contratação de Ronaldinho pelo Grêmio, sob certas condições. Dez anos depois de sua conturbada saída, o craque teria a oportunidade de reconquistar o coração da torcida gremista, ainda mais vindo por um salário que não seja elevado.

Porém, não é o que parece que acontecerá – seja qual for o seu destino. Como falei, são quase 20 dias de “novela”. Parecia que ele viria mesmo para o Grêmio. Aí se começou a falar que poderia ir para o Flamengo; e o Palmeiras também corria por fora. E no fim Ronaldinho, Assis (o “empresário-irmão” do craque) e Adriano Galliani (vice-presidente do Milan) decidiram convocar a entrevista coletiva da tarde de hoje, o que obviamente indicava algum anúncio importante.

O anúncio era simplesmente que ainda não havia a definição sobre qual clube brasileiro seria o destino de Ronaldinho… Mas para mim algo ficou óbvio com essa palhaçada: se as possibilidades são apenas Flamengo, Grêmio ou Palmeiras (já falaram que o Corinthians também teria feito uma proposta pelo jogador), quer dizer que de três clubes, dois estão sendo enrolados; e quem contratar Ronaldinho, não gastará pouco.

E uma coisa é certa: se depois de toda essa enrolação Ronaldinho não vier para o Grêmio, não duvidemos que ele simule lesões às vésperas de partidas em Porto Alegre, para escapar das vaias que inevitavelmente aconteceriam.

A possível volta de Ronaldinho ao Grêmio

Em 21 de dezembro de 2009, escrevi sobre uma ideia que era meramente especulação – o retorno de Ronaldinho ao Grêmio em 2011. E não é que isso pode se confirmar? (E, se realmente for confirmado, vou pedir meu registro profissional como VIDENTE, já que além dessa eu também acertei, domingo passado, que os últimos dias de Yeda no Piratini nos reservariam bizarrices.)

Também lembrei naquele texto do ano passado a maneira como se deu a saída de Ronaldinho, no início de 2001. Muitos torcedores não perdoam o craque por ter deixado o Grêmio “pela porta dos fundos”. Também achei “sacanagem” da parte dele (e de seu irmão e empresário, Assis). Mas não podemos esquecer que o maior culpado por aquilo se chama José Alberto Guerreiro, o presidente que mandou colocar uma faixa na entrada do Olímpico com os dizeres “Não vendemos craques”: ele praticamente deu Ronaldinho “de presente” ao Paris Saint-Germain, ao recusar propostas excelentes para “fazer média” com a torcida, e assim permitir que o jogador saísse praticamente de graça devido ao término de seu contrato.

Assim, não vou escrever muito sobre o assunto, considerando que já o fiz com um ano de antecipação. Apenas exprimirei minha opinião: se Ronaldinho estiver a fim de jogar (e terá de jogar mesmo, para reconquistar os corações mais resistentes a seu eventual retorno), e também se adequar à realidade brasileira (não podemos pagar salários astronômicos; sem contar que, se é para ele se reconciliar com o Grêmio, o ideal é que ele não se traduza em um rombo nos cofres tricolores), será muito bem-vindo. Não precisa ser o mesmo Ronaldinho que comia a bola no Barcelona: aquele de 1999 já me satisfaz.

————

Ano passado eu já postei junto com o texto a enquete abaixo (assim, ninguém estranhe o fato dela não começar do zero):