O incrível futebol romeno

No final de semana, o Politehnica Timisoara aplicou uma sonora goleada sobre o Timisul Urseni pela quinta divisão da Romênia: 9 a 0. Porém, o destaque da partida não foi o placar dilatado e sim o, digamos, carrinho-maca que foi atender um jogador do Timisul que se lesionou…

Quero um passaporte uruguaio

O programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, hoje tratou sobre a defesa da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez pelo Conselho Federal de Medicina. Segundo a entidade médica, não se trata de ser “a favor ou contra o aborto”, e sim, de defender a autonomia da mulher e dos médicos, atualmente limitada.

Dentre os debatedores, havia uma “pró-vida”, radicalmente contrária a descriminalização do aborto, com o argumento de que “há diversos métodos contraceptivos”. De fato, há. Porém, eles podem falhar (às vezes a camisinha estoura ou a pílula não faz efeito), por isso o aborto deve ser legalizado. É preciso ser muito ingênuo para achar que em caso de descriminalização, os casais sairão transando sem camisinha (o que pode causar mais do que uma gravidez indesejada) e as mulheres farão abortos toda hora: qualquer cirurgia envolve riscos.

Um exemplo é o que se passou na Romênia de 1990 em diante. Durante a ditadura de Nicolae Ceauşescu (1965-1989), o aborto era crime no país: o megalômano ditador queria aumentar a população do país a todo custo, e por conta disso qualquer método contraceptivo era proibido. Após a queda do ditador o aborto foi descriminalizado, e desde então, o número de procedimentos diminui ano a ano, justamente por haver conscientização quanto ao uso de outros métodos contraceptivos: obviamente as romenas preferem usar camisinha ou tomar pílula, sendo o aborto sua última opção.

Tem uma tecla na qual não canso de bater: aborto legal não é obrigar as mulheres a abortarem (assim como o casamento homossexual não impede héteros de se casarem). A maternidade deve ser um direito, não uma obrigação (e um fardo) para a mulher: quem é contra o aborto pelos mais variados motivos (filosóficos, religiosos etc.), simplesmente não faça um caso engravide, mas deixe quem pensa diferente (ou não acredita em seu deus) fazer caso necessário.

Ainda assim, sei que é difícil isso entrar na cabecinha desses “pró-vida”. Que, aliás, geralmente só se preocupam com vida de fetos, pouco se importando se depois de nascer a criança crescerá em um lar estruturado, onde ela é bem-vinda. Pois se engana quem pensa que, se a mãe não quer o(a) filho(a), basta entregar ao orfanato: há todo um procedimento legal, e a Justiça faz o possível para que a criança fique com os pais biológicos; assim, se entender que os pais têm condições de criá-la, terão de ficar com ela.

Essas horas, sinto uma imensa inveja de nosso vizinho Uruguai. Um país realmente laico, onde religião não se mete no que não é da sua conta (boa parte dos contrários ao aborto afirma motivos religiosos). Bem diferente do que acontece aqui no Brasil, onde há uma bancada religiosa que além de ser a mais ausente, inexpressiva e processada do Congresso, ainda impede que o país avance em direção a um Estado verdadeiramente laico, que garante direitos a todos, independentemente de crença, etnia, gênero ou orientação sexual. E como se não bastasse isso, chegamos ao absurdo de ter um dos seus representantes na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara – ou seja, um presidente totalmente oposto aos propósitos da comissão que dirige.

Enfim, acho que quero um passaporte uruguaio.

Olimpicamente político (ou politicamente olímpico)

Os Jogos Olímpicos de Londres terminaram ontem, e a Grã-Bretanha teve um de seus melhores desempenhos na história olímpica: com 29 ouros, os britânicos acabaram em terceiro lugar no quadro de medalhas, embora tenham subido menos vezes ao pódio do que a Rússia (que obteve 24 ouros e 82 medalhas no total, contra 65 da Grã-Bretanha).

Porém, nesta mesma semana ouvi a notícia de que o Estado britânico cortará investimentos em esportes, devido à recessão que atinge o país – fruto da crise econômica quase que generalizada na Europa. Ou seja, os britânicos investiram bastante apenas com vista aos Jogos de 2012, para irem bem em casa – provavelmente, o governo temia que sua popularidade caísse com um mau desempenho da Grã-Bretanha, como se a população já não tivesse outros problemas para se preocupar.

A verdade é que os Jogos Olímpicos há muito tempo são uma arma política, vistos como oportunidade de um país demonstrar, através do esporte, que é uma potência. Não por acaso a China, que busca se afirmar como a nova superpotência mundial, também cresceu muito na área esportiva – por mais contestáveis que sejam seus métodos de formação de esportistas, assim como eram os de extintos países do antigo “bloco socialista” como União Soviética e Alemanha Oriental.

Sendo assim, relembremos alguns outros momentos em que os Jogos tiveram importância não só esportiva, como também política. Continuar lendo

A falácia dos “dois lados”

Foi instalada, na última quarta-feira, a Comissão da Verdade, que terá por objetivo esclarecer violações dos direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro entre 1946 e 1988. O foco, porém, deverá ser o período de 1964 a 1985, correspondente à ditadura militar.

A reação não tardou. Os clubes militares divulgaram nota na qual deixam claro o desejo de que a Comissão investigue “os dois lados” – ou seja, tanto os agentes do Estado como os opositores. Como se tivéssemos realmente “dois lados”, iguais em força e capacidade de coerção.

Acontece que a luta armada contra a ditadura militar nunca teve força suficiente para de fato ameaçar o regime. A própria Guerrilha do Araguaia, que resistiu por três anos (1972-1975) à feroz ação do Exército, era formada por menos de cem militantes. Ou seja, nem sequer podemos falar de “dois lados em disputa”: havia mesmo era um Estado autoritário que reprimia violentamente os poucos focos de resistência armada.

Mas, mesmo que consideremos a ditadura como “dois lados em disputa”, ainda assim não faz sentido querer que se julgue os militantes da esquerda armada. Pois eles já foram punidos pela própria ditadura (perseguição, prisão, tortura, morte). Tanto que quando da luta pela anistia, ela acabou servindo de desculpa para que também os agentes da repressão fossem incluídos no “pacote”, de modo a que ficassem impunes, como estão até hoje.

Querer que se investigue e se puna os “dois lados” no tocante à ditadura militar equivale a defender que em Nurenberg não só os nazistas fossem julgados: a Resistência Francesa, por exemplo, também deveria ser levada ao tribunal. Absurdo, né?

E quanto ao rótulo de “terroristas” que a direita põe nos militantes da esquerda, é bem típico de regimes autoritários para deslegitimar os opositores. Independentemente de sua vertente ideológica: em 1989, quando o povo se levantou contra a ditadura de Nicolae Ceauşescu na Romênia, o déspota acusou “terroristas” de serem os responsáveis pelos distúrbios. (E então, amigo reaça, vais virar “comunista” e defender Ceauşescu?)

Encontro de stalinistas

Em maio de 1978, o ditador romeno Nicolae Ceauşescu visitou a Coreia do Norte. Seu par norte-coreano, Kim Il-sung (o “presidente eterno”, sucedido em 1994 por Kim Jong-il e agora, por Kim Jong-un), recebeu-o de maneira apoteótica, como manda a cartilha stalinista.

Não era a primeira vez que Ceauşescu ia à Coreia do Norte. A visita anterior ocorrera em 1971, e fora “inspiradora”: o ditador ficara impressionado com a “mobilização ideológica”, a megalomania e o culto à personalidade de Kim Il-sung, e decidira aplicar algo semelhante na Romênia.

Não por acaso, as celebrações do dia 23 de agosto, em lembrança à libertação da Romênia do domínio nazista (1944), não eram muito diferentes da recepção que Ceauşescu recebera em Pyongyang. Performances que, imagino, devam ter sido ensaiadas várias centenas de vezes, além de muita bajulação ao ditador.

A megalomania também foi característica dos dois ditadores. Em 1º de maio de 1989, Kim Il-sung inaugurou em Pyongyang o que é na atualidade o maior estádio do mundo, o Rungrado May Day, com capacidade para 150 mil espectadores. Além de receber jogos da seleção da Coreia do Norte, também é palco de grandes celebrações de endeusamento dos líderes políticos do país.

Já na Romênia, enquanto o povo tinha de racionar tudo (até a calefação durante o inverno) para que o país pagasse sua dívida externa, Ceauşescu decidiu construir um novo centro para a capital Bucareste (arrasando assim vários prédios históricos), com destaque para o maior palácio do mundo, projetado para abrigar todo o poder político e também servir de residência para o ditador e sua esposa.

Em dezembro de 1989, a obra ainda não estava concluída. Mas o exasperado povo romeno, cansado de tanta opulência por parte de seus líderes políticos, depôs a ditadura. E há exatos 22 anos, enquanto eu brincava com o “Pense Bem” que tinha ganho de Natal (naquela época eu gostava de Natal), Nicolae e Elena Ceauşescu foram fuzilados após um julgamento sumário que os condenou à morte. O palácio, cuja construção era muito onerosa para os cofres públicos romenos mas sairia ainda mais caro para ser derrubado, hoje abriga, incompleto, o parlamento da Romênia.

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Vinte anos atrás, e dois após o fuzilamento do casal Ceauşescu, eu continuava a gostar de Natal. Por novamente estar me divertindo com os presentes, perdi um momento histórico naquele 25 de dezembro de 1991: a renúncia de Mikhail Gorbachev à presidência da União Soviética, fato que resultou na dissolução do país. Foi apenas a antecipação do fim, pois este já estava marcado para dali a seis dias.

Pouco após a renúncia de Gorbachev, a bandeira vermelha da URSS que tremulava no mastro do Kremlin foi arriada. Em seu lugar, foi hasteado o pavilhão branco, azul e vermelho da Rússia.

Todo apoio às lutas dos povos líbio e sírio

Em fevereiro, questionei se a ditadura de Muammar al-Gaddafi na Líbia estava realmente chegando ao fim. Afinal, dada a velocidade com que caíram os regimes ditatoriais em dois países vizinhos (Tunísia e Egito) no início do ano, parecia que não demoraria muito para Gaddafi ter destino semelhante aos que tiveram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Hosni Mubarak.

Porém, a longa ditadura iniciada em 1969 não caiu tão rapidamente. Foi preciso uma guerra civil. Num comparativo da chamada Primavera Árabe com as quedas dos regimes “socialistas” no Leste Europeu em 1989, Muammar Gaddafi agiu de forma semelhante ao romeno Nicolae Ceausescu: ambos acreditaram que eram amados pelo povo, e decidiram resistir. Na Romênia a guerra civil foi breve (durou pouco mais de uma semana) e resultou na execução do ditador e de sua esposa. Já a Líbia vive um conflito que ainda parece longe de acabar: Gaddafi já pode ser considerado ex-ditador, mas seus apoiadores não parecem dispostos a deporem as armas. Ainda mais que o líder, a princípio, está vivo, mas em local desconhecido.

Aliás, a citação ao “socialismo” do Leste Europeu não foi só para comparar Gaddafi a Ceausescu. Pois algo me incomoda: muita gente que se considera de esquerda apoia Gaddafi por seu suposto “anti-imperialismo”. Até reconhecem que os regimes da Europa Oriental eram burocráticos, autoritários e muito distantes do ideal socialista, mas não percebem que Gaddafi era também um ditador. E, principalmente, que há certo tempo ele nem era mais um “inimigo dos Estados Unidos”. Aliás, virou tão amigo, que os serviços secretos estadunidense e britânico colaboraram com seu regime por pelo menos cinco anos (2002-2007), inclusive entregando opositores da ditadura!

Aí alguém vai perguntar por que a OTAN bombardeia a Líbia, em suposto apoio os rebeldes que lutam contra a ditadura. A resposta é bem simples: oportunismo. Afinal, se o amiguinho Gaddafi está podre e vai cair, melhor derrubá-lo de uma vez e instalar um novo governo que se mantenha alinhado ao Ocidente, ao invés de correr o risco da revolta popular resultar numa Líbia verdadeiramente democrática e anti-imperialista.

Por isso, é importante que o povo líbio não se contente com a queda de Gaddafi: é preciso garantir que a vitória seja, realmente, dos líbios, e não do Ocidente.

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Outro ditador intragável é Bashar al-Assad, da Síria. Como defender quem massacra o povo com tanques de guerra para se manter no poder??? Mas, há gente de esquerda que o considera “anti-imperialista”… É dose.

O vírus do “fale mal, mas fale de mim”

No dia 23 de agosto de 1944, a Romênia foi libertada do domínio nazista. Ironicamente, isso se deu a partir de um golpe comandado pelo rei Mihai, que depôs a ditadura do general Ion Antonescu: o exército romeno, que lutava na Segunda Guerra Mundial sob o comando alemão, passou para o lado dos aliados – mais precisamente, da União Soviética. Em 1947, o rei foi deposto e a Romênia tornou-se uma “república popular” sob o domínio do Partido Comunista, regime que durou 42 anos.

Até 1989, o dia 23 de agosto era o principal feriado nacional na Romênia. A data era marcada por grandes celebrações que, além de exaltarem o país, também promoviam o culto à personalidade do ditador Nicolae Ceausescu, nos últimos anos de seu regime opressor.

Em dezembro de 1989, o povo romeno se rebelou contra a ditadura e o racionamento de tudo (desde a comida até a calefação durante o inverno) que lhe era imposto enquanto a família Ceausescu vivia na opulência (com direito a construir para ser sua residência o maior palácio do mundo, que hoje abriga o parlamento da Romênia). Nicolae e sua esposa, Elena, foram executados no dia de Natal, após um julgamento “de cartas marcadas” que condenou o casal à morte.

Após a queda do “socialismo”, aconteceu com a Romênia o que foi regra nos demais países do Leste Europeu no pós-1989. Tudo o que era anterior passou a ser considerado “velho”, que precisava ser urgentemente abandonado. O feriado de 23 de agosto foi abolido, e muita gente adotou hábitos ocidentalizados, mais “estadunidenses” do que “romenos”. Os próprios símbolos nacionais perderam popularidade, ainda mais com a crise econômica que atingiu o país.

Dentre esses símbolos se encontra o chocolate Rom, fabricado desde a década de 1960 e cuja embalagem contém as cores da bandeira romena. Com a abertura da Romênia ao “mercado” no pós-1989, lojas e supermercados romenos foram “invadidos” por marcas estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos, que começaram a ofuscar o tradicional chocolate.

Foi quando uma mudança radical foi anunciada: a embalagem do Rom deixaria de ter as cores da bandeira da Romênia, e passaria a ostentar a dos Estados Unidos. Afinal, se todo mundo gostava tanto dos “esteites”… Nada melhor do que virar “estadunidense”, comendo um “American Rom”. Até a campanha publicitária passou a ser exibida em inglês, não mais em romeno.

Só que a mudança gerou efeito contrário. A população se sentiu ofendida com tamanha “profanação”, e os protestos não se limitaram às redes sociais: jovens chegaram a ir às ruas, exigindo a volta do Rom “autêntico”. O chocolate virou assunto nacional.

Então a agência de publicidade responsável pela campanha esclareceu a situação: tratava-se de um “viral”, que tinha justamente o objetivo de mexer com o orgulho nacional do país e, desta forma, alavancar as vendas do Rom. E deu certo: o consumo do chocolate (cuja embalagem voltou a ter as cores da bandeira da Romênia, e a ser anunciado em romeno) aumentou em 79%. Não bastasse tudo isso, a campanha publicitária acabou premiada no festival Cannes Lions deste ano.

Então, parece que está aí a inspiração para as “mudanças” na Ipanema FM de Porto Alegre, que chegaram a gerar reações indignadas na semana passada. A rádio, cuja programação é baseada no rock – e por conta disso sempre teve um público fiel – tornaria-se mais “popular”, para obter mais audiência. E foi o que se ouviu na rádio durante o dia 15.

A consequência, foi a mesma do “American Rom”: revolta de muitos e, principalmente, o fato de ser “o assunto mais falado”. Para depois voltar ao “normal”, mas sendo lembrada por mais gente do que antes.

Um campeão de empates? Por favor, não…

Considerando a campanha do Paraguai até agora nesta Copa América, não teria medo de apostar em mais um empate na tarde de hoje. E assim a Albirroja poderá, ironicamente, ser campeã invicta, mesmo sem ganhar nenhum jogo…

Não chega a ser algo inédito uma seleção ir longe num campeonato só empatando. Em 1990, a Irlanda chegou até as quartas-de-final da Copa do Mundo com quatro empates: três na primeira fase, e nas oitavas-de-final eliminando a Romênia nos pênaltis; nas quartas, os irlandeses não conseguiram empatar mais uma, e foram eliminados pela anfitriã Itália com uma derrota de 1 a 0 (curiosamente, na Copa seguinte as duas seleções se enfrentaram na estreia e a Irlanda devolveu o placar). No Mundial de 1998, Chile e Bélgica tiveram campanhas semelhantes, mas não a mesma sorte: ambas empataram os três jogos da primeira fase, mas os chilenos se classificaram, e os belgas voltaram para casa. Já ano passado, com três empates na primeira fase a Nova Zelândia fez história: apesar de não ir adiante na Copa, foi a única seleção invicta e certamente tirou pontos de todos os que participaram de bolões.

Mas campeão só empatando os seis jogos, que eu saiba, nunca se viu. E espero não ver hoje. Pelo bem do futebol e de minha querida Celeste Olímpica. VAI URUGUAI! (E não me importarei se for nos pênaltis, como naquele jogo com Gana. Tá na hora do Paraguai perder uma desse jeito…)

Recorde mantido

O goleiro Justo Villar foi o principal responsável pela classificação do Paraguai às semifinais da Copa América. Fez grandes defesas, impedido que o Brasil vencesse com a bola rolando. Mas ele podia ter se consagrado ainda mais, e não teve chance graças à péssima pontaria brasileira.

De todos os quatro pênaltis perdidos pelo Brasil, apenas um parou nas mãos de Villar. Os outros foram para fora. O goleiro paraguaio só alcançaria aquelas bolas se tivesse uns 30 metros de altura…

Enquanto isso, na Romênia, Helmuth Duckadam sorri: seu recorde de defender quatro pênaltis seguidos ainda não foi igualado. Em 7 de maio de 1986, o portar romeno foi o herói do Steaua Bucureşti na final da Liga dos Campeões da Europa: vitória sobre o Barcelona nos pênaltis por 2 a 0, após 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação (igual a esse Brasil x Paraguai). Só que como os jogadores do Barça não eram tão ruins de pontaria, acabaram consagrando Duckadam.

O incrível goleiro que defendeu QUATRO pênaltis seguidos

No final de fevereiro, quando o goleiro do Caxias, André Sangalli, defendeu quatro pênaltis em cinco contra o São José, pela semifinal do 1º turno do Gauchão, saiu um texto no Carta na Manga com o sugestivo título de “O Duckadam da polenta“. Referência não só à colonização italiana da Serra Gaucha, como também a um lendário goleiro – ou melhor, portar (que é como se diz “goleiro” em romeno).

Trata-se de Helmuth Duckadam, portar do Steaua Bucureşti, que defendeu quatro pênaltis na decisão da Liga dos Campeões há exatos 25 anos, no dia 7 de maio de 1986. Pela primeira vez, um clube da Romênia chegava à final; o adversário era o Barcelona, que sonhava em pela primeira vez conquistar a taça que o arquirrival Real Madrid já levantara seis vezes. O jogo foi disputado em Sevilla, na Espanha: nem preciso dizer que os blaugranas “tomaram” as arquibancadas do estádio. O Barça jogou praticamente em casa, aumentando ainda mais seu favoritismo.

Nem vou falar do jogo (vencido pelo Steaua nos pênaltis por 2 a 0, após empate sem gols com a bola rolando), já que o Natusch, especialista em fotbal al romaniei do Carta na Manga, escreveu sobre a partida. Assim como a história do goleiro Duckadam já está bem contada no link que citei do Bola Romena. Só quero render homenagens ao grande portar, que naquela noite de 1986 levou o futebol romeno à maior glória de sua história. Ah, e ele não foi igualado por Sangalli, já que este não pegou os quatro pênaltis em sequência.