Sejamos todos um pouco de Eric Hobsbawm

Eric Hobsbawm (1917-2012)

‎A injustiça ainda precisa ser denunciada e combatida. O mundo não vai melhorar sozinho.

Li a frase acima no final de “Tempos Interessantes”, autobiografia de Eric Hobsbawm, na qual ele fala de “uma vida no Século XX”. Nascido em 9 de junho de 1917, cinco meses antes, portanto, da Revolução de Outubro, e três anos após o início da Primeira Guerra Mundial, Hobsbawm pode dizer que viveu o Século XX praticamente em sua totalidade, mesmo que sem lembranças “em primeira mão” dos primeiros anos.

Em suas obras sobre a História Contemporânea, Hobsbawm procurou distinguir o século cronológico (cem anos de duração, começando nos anos “01” e acabando nos “00”) do histórico. Em sua visão (que eu referendo), ele diz que em termos históricos o Século XIX foi “longo”, estendendo-se do início da Revolução Francesa (1789) à deflagração da Primeira Guerra Mundial (1914), e dividindo-se em três “eras”: Era das Revoluções (1789-1848), Era do Capital (1848-1875) e Era dos Impérios (1875-1914). Já o Século XX foi “breve”, a chamada Era dos Extremos, começando em 1914 e terminando com a dissolução da União Soviética em 1991. As quatro “eras” foram estudadas em um livro para cada uma delas, em que Hobsbawm analisou os mais variados aspectos: econômicos, políticos, sociais, culturais etc.

Marxista convicto, Eric Hobsbawm foi um dos maiores historiadores do Século XX e era, até ontem, o maior dos que ainda viviam. Deixa uma extensa e brilhante obra, que vai bem além dos trabalhos dedicados às quatro “eras” do período de 1789 a 1991, e que foi de grande valia em meus anos na faculdade de História (aliás, como continua a ser, e também será na vida acadêmica que pretendo retomar). Mas também deixa uma responsabilidade a todos nós, historiadores ou não.

Como historiador, Hobsbawm obviamente tratou bastante do passado. Mas não deixou também de falar do futuro. E sempre fez questão de dizer que um outro mundo, onde a injustiça seja exceção e não regra, não só é possível como também é necessário.

Naquela frase lá do começo, portanto, reside a nossa responsabilidade: a de sermos todos um pouco de Eric Hobsbawm. Se queremos um mundo melhor, temos de fazer o necessário para que ele se torne realidade.

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A origem do Dia Internacional da Mulher

Por muito tempo, ouvi a história de que o 8 de março era o Dia Internacional da Mulher devido a um acontecimento de 1857. Naquele dia, mulheres que trabalhavam numa fábrica teriam sido queimadas vivas por ordens do dono da empresa, em punição ao fato de estarem em greve. Inicialmente eu acreditava, mas depois de um certo tempo pensei que se o cara realmente fez isso, ele queimou não só sua mão-de-obra, como também as máquinas. E sabemos que, para um capitalista, nada pode ser mais importante que a produção: ele caga e anda para a mão-de-obra; agora, as máquinas…

E de fato, é possível que esta greve não tenha acontecido – ou não com um final tão trágico. De acordo com o blog Quem mandou nascer mulher?, não há registros históricos sobre tal acontecimento de 8 de março de 1857.

Já tinha lido que a escolha do 8 de março se devia a um acontecimento da Revolução Russa de 1917: sua primeira etapa, a “Revolução de Fevereiro”, começou nesse dia (23 de fevereiro pelo calendário juliano, utilizado pela Rússia naquela época), quando teve início uma greve de operárias têxteis, que saíram às ruas protestando contra a fome e a participação na Primeira Guerra Mundial (cujas trincheiras ceifavam muitas vidas). Só que, de acordo com o link que citei no parágrafo anterior, a escolha da data se deveu justamente ao fato de já ser, na época, considerada como Dia Internacional da Mulher.

Assim, a razão pela qual se considera o dia de hoje como Dia Internacional da Mulher permanece desconhecida. Agora, o que se sabe é o motivo de existir um dia dedicado às mulheres: a luta contra a exploração. Não é uma data comercial, para se dar rosas, como muitos fazem.

Seja pela tal greve de 1857 da qual falta documentação, seja pelas operárias russas de 1917, o que se percebe é que o Dia Internacional da Mulher está diretamente relacionado à luta contra o capitalismo – sistema que gera toda a exploração que elas enfrentaram, e ainda enfrentam*.

Logo, engana-se quem pensa que a luta das mulheres “é problema delas”. Nós, homens que defendemos um mundo mais justo, não podemos deixar de apoiá-las, e também devemos combater o machismo que ainda está enraizado em nossa sociedade (dentro de nós mesmos, muitas vezes). Até porque isso é prejudicial não só às mulheres, como até mesmo aos homens que não se encaixam no padrão de “masculinidade” que é socialmente imposto.

Ou seja, sem a superação do machismo, será impossível que se tenha uma sociedade mais justa.

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* Alguém pode lembrar que nos países ditos “socialistas reais” uma mulher jamais chegou ao poder, e é verdade. Porém, é bastante questionável a ideia de que aquilo era, realmente, socialismo: afinal, o regime que pregava a igualdade apenas criava uma nova elite dirigente, a burocracia do Partido Comunista (os “mais iguais” dos quais falava George Orwell em seu excelente “A Revolução dos Bichos”). E, como qualquer elite, ela era predominantemente masculina.

Acabou

Foi numa época em que eu gostava de Natal, e estava mais preocupado em brincar com os presentes do que assistir televisão (sábia preferência). No dia 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev renunciava à presidência da União Soviética que, sem ninguém para sucedê-lo, deixava de existir. Na prática, o país já era uma ficção desde 8 de dezembro, quando Rússia, Bielorrúsia e Ucrânia assinaram o tratado que deu origem à CEI, Comunidade de Estados Independentes, que reuniria as ex-repúblicas soviéticas agora independentes, como o próprio nome do bloco dizia.

Aquele Natal gerou diferentes sentimentos, de acordo com o ponto de vista de cada pessoa. Os comunistas ficaram arrasados. Afinal, era o fim do sonho onde ele havia começado. Podia não ser o socialismo mais desejável, mas era o pioneiro. A queda dele, significava muito. Mesmo que já fosse algo de certa forma esperado: o próprio Gorbachev apontava para essa direção; e após o frustrado golpe de agosto de 1991, a Rússia, cada vez mais autônoma sob a liderança do Fluminense bebum presidente Bóris Yelstin, proibira atividades do Partido Comunista: no dia 7 de novembro de 1991, não houve parada militar para comemorar os 74 anos da Revolução de Outubro.

Já os liberais de plantão, conservadores e direitosos (sim, há diferenças entre eles, conforme já expliquei aqui) sentiam-se o máximo, estavam em êxtase. Enfim, haviam comprovarado que o capitalismo é parte da natureza humana, que aqueles comunas idiotas estavam errados e o Estado mínimo é o máximo.

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Acabou-se também, infelizmente, o inverno. Que, assim como o socialismo soviético, divide opiniões.

Assim como os comunistas críticos à URSS, eu sou um adorador do inverno que reconhece o sofrimento da população mais pobre durante o período mais frio do ano. O que é culpa não das baixas temperaturas, mas justamente da má distribuição de renda no Brasil, que impede muitas pessoas de adquirirem mais agasalhos e terem um lugar mais quente para se abrigarem.

E da mesma forma que há quem sinta saudades da URSS – e não são poucos – ou mesmo quem apoiou seu fim e depois se arrependeu, é capaz de ter gente feliz que o inverno acabou, e daqui três meses estar reclamando do calor de quase 40 graus, das baratas, dos mosquitos, dos banhos de suor… Pessoas que adoram reclamar de tudo.

Para não dizerem que sou um reclamão, digo tudo agora: odeio verão e quero que chegue logo o outono.

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Claro que gostar de frio ou calor não tem a ver com posição política. Eu sou de esquerda e amo as baixas temperaturas, mas tem gente de esquerda que detesta frio. Há também gente de direita que adora inverno.

Agora, brabo mesmo é o direitoso que ama verão. Se for colorado então, com esse jamais eu vou concordar!

A primeira “urucubaca”

Na hora de me comprar algum presente no Rio de Janeiro, minha mãe optou, claro, por um livro. E obviamente, de História: no caso, é “Histórias de presidentes”, de Isabel Lustosa.

O livro conta diversas histórias – algumas hilárias – sobre os presidentes do Brasil que passaram pelo Palácio do Catete de 1897 a 1960, período em que o local era a sede da Presidência da República. Não terminei de ler o livro, mas já sinto a necessidade de compartilhar alguns fatos engraçados com os leitores do Cão. Como, por exemplo, dos quatro anos (1910-1914) de governo do marechal Hermes da Fonseca (ou será que era do Pinheiro Machado?). De acordo com Lustosa, Hermes foi um dos presidentes mais satirizados da História do Brasil.

Dizia-se que quem governava o Brasil, na verdade, era o senador Pinheiro Machado, gaúcho como Hermes da Fonseca. Segundo uma anedota publicada na revista O Gato, em 1913, Hermes teria confidenciado a Venceslau Brás (seu sucessor na Presidência): “Olha, Venceslau, o Pinheiro é tão bom amigo que chega a governar pela gente”.

Às vésperas do Carnaval de 1912, morreu o Barão do Rio Branco, notável diplomata do Brasil. Para homenageá-lo, o governo federal decidiu adiar o Carnaval para abril. Resultado: o povo “pulou” tanto o Carnaval de fevereiro quanto o “oficial”, em abril…

Mas notável também era a fama de azarado do marechal Hermes. A palavra “urucubaca”, hoje tão utilizada, teria sido criada em 1915 pelo caricaturista Yantok para “homenagear” a má sorte do já ex-presidente.

A “urucubaca” já teria se manifestado, e de forma fatal, em um desentendimento do marechal Hermes com o presidente Afonso Pena, em 1909. Poucos dias depois, Pena faleceu.

Em outubro de 1910, já eleito presidente, Hermes visitou Portugal. Enquanto o rei D. Manuel II recepcionava o marechal, eclodia o movimento revolucionário que implantou a república no país.

Mas a melhor (para os humoristas, não para as finanças brasileiras) foi o depósito de metade dos 2,4 milhões de libras emprestados pelo Loyds Bank entre 1911 e 1912 ao governo brasileiro em um banco russo. A quantia, junto com o banco, foi encampada pela Revolução Russa em 1917…

Hermes da Fonseca deixou a Presidência em 15 de novembro de 1914, debaixo de vaias.

1º de maio

“Descobri que só me sinto feliz ao trabalhar intensamente em algo que gosto”.

A frase acima é de John Reed (1887-1920), jornalista, ativista e revolucionário socialista estadunidense. Em 1914 foi enviado como correspondente ao México, e ajudou a espalhar as notícias referentes à Revolução Mexicana. Reed também acompanhou in loco a Revolução de Outubro na Rússia, e baseado em suas anotações escreveu um dos maiores clássicos sobre a Revolução Russa: “Os dez dias que abalaram o mundo”.

Reed morreu em Moscou, e foi enterrado com honras de herói junto ao Kremlin, na Praça Vermelha, ao lado de outros nomes da Revolução.

O 29 de fevereiro e a Revolução Russa

O dia 29 de fevereiro só acontece em anos bissextos. Tais anos são divisíveis por 4 ou são múltiplos de 100 divisíveis por 400.

O ano bissexto existe desde a implantação do calendário juliano em Roma por Júlio Cesar (daí o nome “juliano”). O motivo é que a Terra não demora exatamente 365 dias para dar uma volta em torno do Sol: leva 6 horas a mais. A cada 4 anos, são “descartadas” 24 horas, daí a necessidade do ano bissexto, para que o ano do calendário seja sincronizado com o solar.

Porém, estas 6 horas de cada ano não são exatamente 6 horas. É um pouco menos. Assim, mesmo adicionando-se um dia a mais no calendário a cada 4 anos, o ano do calendário não fica sincronizado com o solar, a longo prazo. Em 1582, percebeu-se que o calendário estava defasado em 10 dias com relação ao Sol. Para corrigir o erro, o papa Gregório XIII decretou que após 4 de outubro de 1582 não viria o dia 5, e sim o 15 (pelo menos uma coisa boa a Igreja fez: antecipou meu aniversário!). Além disso, para evitar novas discrepâncias, definiu que anos múltiplos de 100 só seriam bissextos caso fossem divisíveis por 400. Surgiu assim o calendário gregoriano.

Assim, 1600 foi bissexto, mas 1700, 1800 e 1900 não foram. Tivemos ano bissexto em 2000, mas não teremos em 2100, 2200 e 2300. O próximo bissexto múltiplo de 100 será 2400.

E onde entra a Revolução Russa nisso? Aliás, ela foi em 1917, ano não-bissexto, então não tem nada a ver, certo? Errado!

A decisão do Papa foi seguida apenas pelos cristãos do Ocidente. No Oriente, a Igreja Ortodoxa continuou a utilizar o calendário juliano, com seus 10 dias de atraso. Que se tornaram 11 em 1700 (bissexto no Oriente, “normal” no Ocidente), 12 em 1800 e 13 em 1900. E é assim até hoje, já que em 2000 o atraso não foi aumentado pelo fato de ser bissexto pelos dois calendários. Em 2100, a defasagem passará a ser de 14 dias.

A Rússia, então, seguiu adotando o calendário juliano. Em 1917, a defasagem das datas entre Rússia e Ocidente era de 13 dias. Daí o fato da primeira etapa da Revolução Russa, que derrubou o tzarismo, ser chamada de “Revolução de Fevereiro” mesmo tendo começado em 12 de março: na Rússia o dia era 27 de fevereiro. E a segunda etapa, a “Revolução de Outubro” (vitória dos bolcheviques) foi deflagrada no dia 7 de novembro para o Ocidente, 25 de outubro para os russos.

Poucos anos depois, a então recém-formada União Soviética adotou o calendário gregoriano, porém nos livros de História foram mantidas as expressões “Revolução de Fevereiro” e “Revolução de Outubro”, o que contribuiu para aumentar a confusão com as datas.

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No campo religioso, a Rússia ainda segue o calendário juliano da Igreja Ortodoxa. Lá o Natal é celebrado no dia 7 de janeiro pelo calendário gregoriano, 25 de dezembro (do ano anterior) pelo juliano.

Um dia vermelho

Nunca fiz “declaração de princípios”, mas se fizesse, dentre eles estaria a proibição do uso da cor vermelha nos textos do Cão Uivador. Este blog é gremista, e por conseqüência a cor do maior rival deve ser excluída.

Mas hoje é dia de abrir uma exceção. Em homenagem ao 7 de novembro de 1917: completam-se 90 anos da Revolução de Outubro¹. Pela primeira vez, uma revolução de inspiração marxista era vencedora.

Nesta postagem eu poderia simplesmente narrar os acontecimentos de 1917. Mas prefiro uma reflexão.

A Revolução Russa significou esperança a todas as pessoas que sonhavam com um mundo mais justo, pelo menos na época. Mesmo os anarquistas exaltaram a “epopéia bolchevique”. Até então, todas os movimentos revolucionários inspirados no marxismo haviam fracassado. Os bolcheviques provavam que uma revolução socialista vencedora não era uma utopia, podia ser realidade.

Marx defendia a revolução que instalaria a “ditadura do proletariado”, que seria apenas uma etapa que antecederia o verdadeiro comunismo: a extinção do Estado.

No dia 30 de dezembro de 1922, foi fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Após a morte de Lenin (1924), a luta pelo poder na URSS entre Stalin e Trotsky não foi apenas pessoal: eram duas concepções de socialismo. Trotsky defendia a imediata exportação da Revolução, enquanto Stalin era favorável à consolidação do socialismo na URSS, para depois a Revolução acontecer em outros países.

A vitória de Stalin levou a União Soviética a uma ditadura que, embora ideologicamente oposta, em termos de crueldade foi comparável ao nazi-fascismo. Ao invés de se praticar uma transição ao comunismo, no qual não existiria mais Estado, sob Stalin houve um grande fortalecimento do Estado, mesmo antes da Segunda Guerra Mundial – quando os soviéticos precisaram lutar contra a invasão alemã, foi necessário construir um “sentimento nacional”, o que levou à criação de um hino nacional para a URSS em substituição à Internacional, até então o hino oficial.

Surgiu um Estado extremamente burocratizado, e que muitas vezes deixaria de apoiar movimentos revolucionários de caráter socialista por puro pragmatismo. O melhor exemplo é o acontecido com Cuba, durante a Guerra Fria: muitas vezes os soviéticos alertavam Fidel Castro de que a persistência da idéia – principalmente de Che – de “exportar a revolução” era desconfortável à URSS, que não poderia garantir a segurança de Cuba contra uma eventual invasão caso os cubanos seguissem “incomodando os Estados Unidos”. Àquela altura não interessava mais à URSS uma revolução mundial, e sim a consolidação de seu poder: tratava-se de um imperialismo, tal qual o dos EUA.

Com tudo isso, mais o fato da própria União Soviética ter desaparecido em 1991, pareceria sem sentido relembrar a Revolução de 1917?

Sinceramente, acho que não. O historiador Eric Hobsbawm (que coincidentemente nasceu em 1917) afirma que o “breve Século XX” durou de 1914 a 1991: começou com a Primeira Guerra Mundial – que foi um dos fatores deflagradores da Revolução – e terminou com a desintegração da URSS. Ou seja: em termos de História (o que é diferente de cronologia), pode-se dizer que a Revolução foi determinante para o Século XX. Daí a importância de relembrar a Revolução de 1917.

Assim como é importante não esquecer que foi graças ao triunfo da Revolução que em vários países os trabalhadores foram à luta e conquistaram alguns importantes direitos: o medo do comunismo fez com que os capitalistas cedessem em alguns pontos. Tanto que o auge das políticas neoliberais (privatizações e retirada de direitos trabalhistas) aconteceu após o fim da URSS: o capitalismo “não tinha mais adversários” naquele momento.

Mas mesmo assim, o “fantasma do comunismo” ainda assombra aos donos do poder… Por isso fazem questão de, através de seus porta-vozes (meios de comunicação de massa), criminalizarem movimentos sociais e demonizarem grandes personagens da História – como a Veja fez com o Che. Ou se apropriam de símbolos: nada mais capitalista do que um monte de gente que nem sabe quem foi Che Guevara utilizar uma camisa com sua imagem por “estar na moda”.

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¹ A Revolução de Outubro eclodiu na madrugada de 7 de novembro de 1917, mas esta data é a do calendário gregoriano (ocidental). Na Rússia, onde era utilizado o calendário juliano (da Igreja Ortodoxa), era o dia 25 de outubro. Do mesmo modo que a Revolução de Fevereiro (primeira fase da Revolução Russa, que derrubou o tzarismo e instalou um governo provisório de cunho liberal) eclodiu em 12 de março de 1917 pelo calendário gregoriano, 27 de fevereiro no juliano.