O Cão em 2014

Terminou 2014, que em termos de atualizações foi disparado o pior ano da história do Cão. E a tendência não é melhorar.

O que acontece é muito simples: hoje em dia, o Facebook rouba audiência de tudo. Infelizmente, as pessoas se tornaram extremamente preguiçosas: para não poucas, navegar na internet tornou-se sinônimo de acessar a rede de Zuckerberg, e com isso não clicam em links que as levem para fora do Facebook. Consequentemente, um texto será mais lido se for postado diretamente no FB (e, principalmente, se for curto – não esqueçam da preguiça reinante) do que se for publicado em um blog meio desconhecido (caso deste) com link para quem navega no Facebook clicar.

Óbvio que acho isso uma bosta, e não simplesmente porque meu blog perdeu a pouca relevância que já teve. O Clube do Hardware publicou um editorial que explica muito bem o quão problemática é essa situação: quem investe na internet depende, fundamentalmente, de audiência para que seu negócio prospere. Nem toda página é comercialmente viável (e às vezes o “investimento” não é em busca de retorno financeiro, para o meu blog basta que os textos sejam lidos e comentados, de maneira a serem relevantes), mas com o Facebook tornando-se sinônimo de “internet” para muitas pessoas, importantes endereços da web estão sofrendo prejuízos: com menos audiência, os banners de publicidade têm menos visualizações e também menos cliques; com isso, anunciar na internet torna-se menos atrativo para as empresas que anos atrás o fariam sem pestanejar.

Mas o prejuízo não é só para quem investe na internet, é também para todos os que navegam pela rede. Como o próprio editorial do Clube do Hardware lembra, hoje em dia quando temos dúvidas sobre algum assunto simplesmente perguntamos no Facebook, quando “antigamente” (ou seja, uns cinco anos atrás) buscávamos páginas e fóruns especializados no assunto. O que isso quer dizer é: a qualidade da informação que recebemos também caiu muito, pois não sabemos se a fonte é alguém que realmente entende do assunto ou se é apenas alguma pessoa metida a dar palpites sobre tudo.

“O Cão Uivador vai acabar?”, alguém pode perguntar. A resposta é não. De maneira alguma acabarei com o blog, por dois motivos. O primeiro, é que acho bom ter um espaço meu para publicar o que escrevo (mesmo que eu mesmo acabe “pirateando” o texto para o Facebook). Já o segundo, é uma esperança: um dia o FB há de se acabar, tal qual o Orkut (aliás, deixou saudades). E o Cão seguirá.

Bom, agora chega de “mimimi” e vamos ao relatório.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 8.100 vezes em 2014. Se fosse um comboio, eram precisas 7 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Mais Cão, menos Facebook

Como gremista, sou daqueles que dizem “o jogo só termina quando o juiz apita”. O mesmo vale para o ano: me recuso a fazer qualquer retrospectiva antes de 1º de janeiro.

Ainda assim, uma coisa posso afirmar sem medo de errar, infelizmente: fiquei devendo muito a vocês, leitores do Cão Uivador, neste ano que se aproxima do término (que pode ser tanto o “normal”, dia 31, como o “fim do mundo” na próxima sexta…). Postei bem menos do que desejava, e mesmo do que poderia.

Posso citar diversos motivos. Um deles é o fato de agora estar cursando uma especialização, o que me toma tempo: além de ter aulas duas vezes por semana, também tem ocasiões em que não posso sentar na frente do computador e escrever aqui, por ter algum texto para ler ou um trabalho para entregar. Enfim, nada com que eu não tenha me acostumado em seis anos de faculdade. A diferença é que naquela época eu era (um pouco) menos estressado do que hoje.

Então parei para pensar e reparei no fundamental: fico tempo demais no Facebook. É incrível: chego em casa, ligo o computador, e lá me vou acessar a cria de Mark Zuckerberg. “Quero me manter informado”, penso.

Mas nem toda a informação que obtenho pelo Facebook é realmente interessante. Ou será que preciso realmente saber que fulano de tal esteve no buteco X na hora Y com um certo número de pessoas? No fundo, a tal de “privacidade”, que tantos diziam ser ameaçada pelo Facebook, realmente vai para o espaço. E pior: abrimos mão dela voluntariamente. As pessoas se expõem a um ponto que aquela genial crônica de Luis Fernando Verissimo pode ser atualizada, pois o cara não precisa mais se esconder atrás de um poste à meia-noite, “sob o olhar curioso de cachorros e porteiros”, para ver se a Gesileide chega em casa com alguém: basta “espiar” o perfil dela.

Um fato que pode parecer irônico: há uma grande possibilidade do leitor ter chegado aqui graças a um link no Facebook. Mas não acho contraditório: lembro que saí do Orkut em 2006 e voltei no início de 2009 (ao mesmo tempo em que entrei no Facebook) com o objetivo de aumentar as visitas ao Cão. Até perto do final de 2010 o que eu fazia no Facebook era basicamente divulgar as atualizações do blog (ou seja, o mesmo que no Orkut), só comecei a usá-lo mais durante a campanha eleitoral (em conjunto com o Twitter, que anda meio “abandonado” mas pretendo retomar).

Ou seja, no fundo minha ideia inicial com o Facebook (e a de retomar o Orkut) em 2009 era a de usá-lo como ferramenta de divulgação, da mesma forma que o Twitter. E nesse sentido, ele é ótimo. O problema, como falei, é o “vício” de estar “por dentro” de coisas que não são exatamente as mais importantes do dia.

Sendo assim, tomei uma decisão: ficar menos tempo no Facebook e mais escrevendo aqui no Cão, ou lendo. Não é “resolução de ano novo” pois pretendo pôr em prática já, sem contar que fazer “resoluções de ano novo” é o primeiro passo para não cumpri-las.

E por fim, lembro que lá no começo do texto falei em “retrospectiva”. Pois é, o Facebook ofereceu uma (com fatos escolhidos por ele próprio) para postarmos em nossos perfis.

Pois eu não postarei. Favor não insistir.

O Cão em 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 60.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 22 concertos esgotados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo.

Esta época em que “não acontece nada”…

O Natal (já passou, viva!) é a data que praticamente antecipa o fim do ano. Pois ainda temos alguns dias de 2010 pela frente, mas para muitos, ele já acabou*. Inclusive já fizeram suas retrospectivas, seus balanços, desprezando o período de 26 a 31 de dezembro. Até mesmo as emissoras de televisão costumam passar especiais lembrando os fatos marcantes do ano antes dele terminar.

Pois é… Com isso, deixam de considerar como pertencentes ao ano que acaba, alguns acontecimentos nada desprezíveis que se dão de 26 a 31 de dezembro. Não é uma época “inútil”, como parece. Inclusive, por quatro anos seguidos (1991 a 1994) tive aula: no primeiro deles, fruto de uma greve dos professores das escolas estaduais (as aulas foram até a metade de janeiro); já nos outros três anos, consequência do “calendário rotativo” implantado pelo governo de Alceu Collares.

Então, vejamos o que aconteceu de importante nesta época em anos anteriores – além, é óbvio, do nascimento do meu pai, em 31 de dezembro de 1951.

  • Dia 26:
    • Nascimento do revolucionário chinês Mao Tse-tung (1893);
    • Promulgação da lei que institui o divórcio no Brasil (1977);
    • Tsunami causado por terremoto no Oceano Índico devasta o sul da Ásia (2004);
  • Dia 27:
    • Promulgação de constituição democrática na Espanha, após o fim do franquismo (1978);
    • Assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto (2007);
  • Dia 28:
    • Primeira sessão pública de cinema, em Paris (1895);
    • Adoção da primeira constituição da República da Irlanda (1937);
  • Dia 29:
    • Nascimento de Cândido Portinari (1903);
    • Renúncia de Fernando Collor à presidência, para tentar escapar do processo de impeachment – o que não consegue (1992);
    • Palmeiras conquista a primeira Copa Mercosul, ao bater o Cruzeiro no terceiro jogo da decisão – o segundo fora também após o Natal, em 26 de dezembro (1998);
    • Câmara Municipal de Porto Alegre aprova projetos da Dupla Gre-Nal, rasgando o Plano Diretor da cidade (2008);
  • Dia 30:
    • Criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1922);
    • Abdicação do rei Miguel I na Romênia, que se torna república “popular”, sob domínio do Partido Comunista (1947);
    • Queda do alambrado do estádio de São Januário durante a final da Copa Jean Marie João Havelange, entre Vasco e São Caetano, deixa mais de 100 feridos e adia a decisão (2000);
    • Execução, por enforcamento, do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein (2006);
  • Dia 31:
    • Ditador cubano Fulgencio Batista foge do país e da Revolução Cubana (1958);
    • Última transmissão radiofônica do Repórter Esso (1968);
    • Extinção do AI-5 (1978);
    • Naufrágio do Bateau Mouche, no Rio de Janeiro (1988);
    • Boris Yeltsin renuncia à presidência da Rússia, assumindo em seu lugar Vladimir Putin (1999).

Só para constar: tirei algumas informações da Wikipédia, outras de minha própria memória.

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* Com isso, estamos no “período de transição” entre um ano e outro – pois, como diz o ditado, os anos no Brasil começam depois do Carnaval. Ou seja, entraremos em 2011 só a partir do dia 9 de março…

Sugestão aos cartunistas gaúchos

O (des)governo Yeda está (finalmente!) acabando. Daqui a três semanas, o Tarso estará no Palácio Piratini, e a Yeda vai para casa.

Mas nem todo mundo está feliz com o fim do (des)governo. Os chargistas da Grafar, em setembro de 2009 deixaram claro que vão lamentar como poucos a saída da Yeda do Piratini. Afinal, nunca foi tão fácil fazer piadas sobre um governante no Rio Grande do Sul. Se o Hermes da Fonseca foi um dos presidentes mais satirizados da história do Brasil, sem dúvida alguma a Yeda detém tal honra a nível estadual.

Pensando em divertir minha meia dúzia de leitores logo depois que a Yeda sair, me veio a ideia de fazer uma “retrospectiva” destes quatro bizarros anos. Para não me perder, comecei pelo Kayser, e seguindo uma ordem cronológica a partir do que ele desenhou e postou no blog dele antes mesmo da Yeda ser eleita, em outubro de 2006. Parei no início de maio de 2007, depois de já ter selecionado vinte e seis charges.

Se só do Kayser escolhi 26 charges num período de pouco mais de sete meses, imaginem quantas faltam até os dias atuais? Depois lembrei que ainda teria de fazer a seleção do Bier, do Eugênio, do Hals, do Santiago… Pois é, a retrospectiva ficaria imensa. E isso que desconsiderei as charges que poderão ser feitas até 31 de dezembro, pois como nos restam vinte dias de Yeda no Piratini, nesse tempo ainda pode acontecer algo digno de ser satirizado.

Deixo então uma sugestão aos cartunistas: uma retrospectiva do (des)governo Yeda baseada em charges. Acho mais fácil que a seleção seja feita por quem desenhou, pois eles lembrarão as que consideram as suas melhores, que sintetizam de forma muito bem-humorada o que foram estes quatro anos para o Rio Grande.

Mas para além da retrospectiva, é imporante que se monte um arquivo das charges sobre o (des)governo – seria um acervo riquíssimo, e uma mão na roda para os historiadores no futuro. Afinal, elas propiciarão uma visão muito mais correta sobre este período do que a “grande mídia” guasca.