Dia do Goleiro

manga

Hoje, 26 de abril, é comemorado o Dia do Goleiro. A escolha da data é uma homenagem ao goleiro Manga, um dos maiores da história do futebol brasileiro. Sua carreira foi vitoriosa e também longeva.

Nascido no Recife a 26 de abril de 1937, Haílton Corrêa de Arruda iniciou sua carreira no Sport, onde profissionalizou-se em 1955. Sua primeira taça como titular foi o Campeonato Pernambucano de 1958.

No ano seguinte, Manga foi para o Botafogo, onde jogou por 10 anos e tornou-se ídolo, sendo considerado um dos maiores goleiros da história do clube. Em 1966, foi convocado para disputar a Copa do Mundo na Inglaterra, mas a má campanha do Brasil (eliminado na primeira fase) acabou por abreviar sua carreira na Seleção Brasileira.

Após sair do Botafogo, foi jogar no Nacional do Uruguai, onde também foi idolatrado. Deixou o clube uruguaio em 1974, mas o final de sua carreira ainda estava longe: foi jogar no Internacional, onde foi bicampeão brasileiro em 1976, aos 39 anos de idade. Na sequência jogou no Operário de Campo Grande (ajudando o clube a alcançar o 3º lugar no Campeonato Brasileiro de 1977, um feito histórico) e no Coritiba, até que em 1979 foi contratado pelo Grêmio, fato marcante não apenas por conta da idade de Manga (42 anos): os dois principais clubes do Rio Grande do Sul mantinham até então um acordo não-escrito segundo o qual não seriam contratados jogadores que já tivessem atuado pelo rival; coube a Manga quebrar a escrita. Pelo Tricolor, Manga conquistou o título gaúcho de 1979.

Do Grêmio, Manga transferiu-se para o último clube de sua carreira: o Barcelona de Guayaquil, onde conquistou o título equatoriano de 1981, aos 44 anos de idade. Após parar de jogar, Manga tornou-se treinador de goleiros, e por dois anos foi uma espécie de “embaixador” do Inter para obter novos sócios. Atualmente, vive no Equador com a família.

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Já que o dia é deles, não custa nada lembrar alguns outros goleiros que marcaram época. Um deles é Barbosa, titular do Brasil na Copa de 1950 e que foi considerado o melhor do Mundial, mas que ficou injustamente marcado pela derrota brasileira diante do Uruguai na decisão.

barbosa

E como esquecer do colombiano René Higuita? Pode não ter sido o maior goleiro de todos os tempos, mas seu estilo “maluco” de jogar o tornou ídolo na Colômbia e em especial no Nacional de Medellín, clube no qual ganhou seus principais títulos – dentre eles a Taça Libertadores da América de 1989, primeira conquista internacional do futebol colombiano.

Na semifinal da Libertadores de 1995, Higuita marcou um gol de falta que acabaria se mostrando decisivo: foi o da vitória do Nacional por 1 a 0 contra o River Plate na partida de ida, disputada em Medellín. Em Buenos Aires o River devolveu o 1 a 0 mas nos pênaltis deu Nacional, que se classificou para a decisão perdida contra o Grêmio.

Meses depois, Higuita fez a incrível “defesa do escorpião” em pleno Estádio de Wembley, no amistoso entre Inglaterra e Colômbia. O que certamente deve ter resultado em muitos gols em peladas, pois não faltou guri jogando no gol que tentou imitar o goleiro colombiano…

As Copas que eu vi: Itália 1990

A Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, é a primeira da qual eu tenho lembranças. Mesmo assim, não chegou a ser marcante para mim, visto que na época, mesmo que já com 8 anos de idade, eu não gostava muito de futebol – talvez por sempre ser o último escolhido na hora de montar os times nas aulas de Educação Física. Eu preferia ser “craque” em outras coisas, como em Matemática e Ciências (matéria na qual fui aprovado com média final 10 na 2ª série do 1º grau, que eu cursava naquele ano). Assim, acabei por não dar muita bola para a Copa.

Posso dizer que não perdi muita coisa em matéria de futebol. O Mundial da Itália foi o de menor média de gols por partida até hoje: 2,2 (115 em 52 jogos). O artilheiro foi “da casa”: o italiano Salvatore “Toto” Schillaci, com 6 gols.

Como eu disse, poucas coisas me marcaram desta Copa. Mas, vamos a elas.

Primeiro, a vinheta da RAI que sempre abria as transmissões dos jogos da Copa. Provavelmente a mais bacana dos Mundiais recentes.

Também foi marcante o “Amarelinho”. Aquele bonequinho redondo, de cor amarela, que me fazia sempre querer ver os jogos do Brasil no SBT. Ele reagia de diversas formas aos lances do jogo: vibrava e berrava a cada gol do Brasil, roía as unhas nas horas de sufoco, e chorava quando a Seleção perdia.

No dia 24 de junho de 1990, eu não vi o choro do Amarelinho, pois assistia o jogo pela Bandeirantes. Melhor, quase todo o jogo. Justo na hora do gol da Argentina que eliminou o Brasil nas oitavas-de-final, eu estava fazendo cocô… Então, 20 anos depois, aí está o vídeo (mas claro que eu já vi antes, meu pai gravou aquele jogo) – e reparem que na hora que Luciano do Valle narra o gol, ao fundo o comentarista (cujo nome esqueci) Juarez Soares diz um “puta que pariu”…

O Brasil, de qualquer jeito, não enchia os olhos de ninguém. Numa Copa marcada pelo defensivismo, quem chamou a atenção foi Camarões, que logo de cara surpreendeu a Argentina, campeã de 1986, na partida de abertura.

Com um futebol ofensivo e mais “brasileiro” do que o próprio Brasil, e ainda por cima contando com o veterano craque Roger Milla (jogando muito aos 38 anos), os Leões Indomáveis seguiram surpreendendo, chegando até as quartas-de-final, feito até então inédito para uma seleção da África (que seria igualado por Senegal em 2002). Camarões caiu diante da Inglaterra, mas só na prorrogação – e no tempo normal esteve a 10 minutos da semifinal.

A Copa de 1990 teve a participação do Uruguai, que foi eliminado pela anfitriã Itália nas oitavas-de-final, em partida que assisti com a minha avó, filha de uruguaios. Desde então, a Celeste só jogou uma Copa em 2002, e sem passar da primeira fase.

A taça ficou com a Alemanha Ocidental, que bateu a Argentina (que teve dois jogadores expulsos) na final por 1 a 0, gol marcado por Andreas Brehme em um pênalti que foi, no mínimo, duvidoso.

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Agora, algumas curiosidades sobre a Copa do Mundo de 1990 (não necessariamente ligadas à minha memória):

  • Três seleções fizeram sua estreia em Copas na Itália: Costa Rica, Emirados Árabes e Irlanda;
  • Três também se despediram. A Tchecoslováquia, que se dissolveu em 1º de janeiro de 1993, ainda disputou as eliminatórias para a Copa de 1994 (iniciadas em 1992), mas sem obter classificação. A União Soviética deixou de existir em dezembro de 1991, quando a tabela das eliminatórias para a Copa de 1994 já estava pronta, e foi substituída pela Rússia, considerada “herdeira” da URSS pela FIFA – às outras ex-repúblicas soviéticas não foi dado o mesmo direito. A outra despedida, mas em tom bem mais feliz, foi da Alemanha Ocidental, que durante a Copa “unificou” a torcida em um país que legalmente ainda era dividido; no dia 3 de outubro de 1990 a Alemanha voltou a ser uma só, e a seleção também;
  • O goleiro italiano Walter Zenga estabeleceu um recorde de invencibilidade em Copas, passando 517 minutos sem levar gol. O primeiro foi na semifinal contra a Argentina – justamente o do empate que levou a decisão aos pênaltis, na qual a Itália foi eliminada;
  • A estreante Irlanda conseguiu uma façanha: foi até as quartas-de-final sem vencer nenhum jogo e marcando apenas 2 gols;
  • O grupo F da Copa, formado por Inglaterra, Irlanda, Holanda e Egito, foi um dos piores da história dos Mundiais: em 6 partidas, foram marcados apenas 7 gols. O único jogo que não acabou empatado foi Inglaterra x Egito, vencido pelos ingleses por 1 a 0;
  • Em sua segunda participação em Copas, a Colômbia foi às oitavas-de-final, classificação obtida em um empate no último minuto contra a Alemanha Ocidental. O goleiro colombiano era o folclórico René Higuita, que tinha o hábito de ficar adiantado e, às vezes, sair driblando os atacantes adversários. Mas, foi inventar de fazer isso com o camaronês Roger Milla, na prorrogação… Resultado: Colômbia eliminada, Camarões nas quartas;

  • Na final, o gênio argentino Maradona foi hostilizado pelos torcedores italianos presentes ao Estádio Olímpico de Roma. Além do remorso pela eliminação da Itália diante da Argentina, havia também outro motivo: Maradona era o grande ídolo do Napoli, e também representava o anseio dos italianos do sul de serem ouvidos, depois de tanto tempo sendo desprezados pelos do norte – que, pelo visto, mantinham a mesma atitude. Quando o hino nacional argentino foi executado, os italianos vaiaram, apupos que nitidamente aumentam quando Maradona aparece na tela, e o craque não deixou barato, soltando um perceptível “hijos de puta”.