Há 30 anos, Campeão do Mundo

Com apenas dois anos de idade, eu já era Campeão do Mundo, junto com meu time… E isso incomodou muita gente por 23 anos.

Há 30 anos, o Grêmio é Campeão do Mundo.

Grêmio Campeão do Mundo – 29 anos

Assim como no último sábado, 2 a 1 contra o Hamburgo. A diferença é que os dois gols foram do mesmo jogador: Renato Portaluppi. Que, sei lá o motivo, não foi convidado para a festa de inauguração da Arena…

Chega de Odone no Grêmio!

Renato Portaluppi deixou o Grêmio nesta quinta-feira, após o vergonhoso empate em casa com o Avaí, lanterna do Brasileirão 2011. É fato que ele vinha cometendo erros neste ano que chega à metade (e não foram poucos, como a invenção de Gabriel no meio-campo, a “superproteção” a Douglas, a insistência com Gilson, William Magrão…), mas sua saída logo agora que o time seria reforçado com alguns jogadores mais “cascudos” – afinal, Renato já se queixara da falta de experiência do grupo – deixa bem claro que o problema não era só futebol.

A atual direção não queria Renato na casamata, pelo simples fato de que ele, por direito divino, brilhava mais que qualquer dirigente. Tanto que a renovação só aconteceu porque Paulo Odone percebeu que seria hostilizado caso não mantivesse o ídolo-mor do clube, que ainda por cima tirou o Grêmio da zona do rebaixamento no ano passado e classificou para a Pré-Libertadores. Eles vinham “se aturando” até a noite de ontem. A entrevista de Odone (que não ouvi, mas soube do teor) foi a gota d’água.

Renato se foi, mas vejo isso como um “até breve”. Agora, quem devia dizer um ATÉ NUNCA MAIS era nosso presidente populista, que adora falar da Batalha dos Aflitos para mascarar a seca de grandes conquistas; que perdeu tempo tentando contratar Ronaldinho e não só deu aquele vexame com as caixas de som no gramado, como também deixou Jonas ir embora dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores; que fez o Grêmio embarcar na canoa furada da “arena”, me fazendo temer pelo futuro da instituição (só quero saber o que vamos disputar neste estádio tão “moderno”).

Enfim, chega de Odone no Grêmio! E por favor, que aproveite e leve Antônio Vicente Martins junto…

Abaixo a Batalha dos Aflitos!

A derrota do Grêmio, acreditem, não chegou a me irritar demais – serviu foi de desculpa para exagerar na cerveja após o jogo. Eu não tinha lá muita esperança de que passaríamos pelo Universidad Católica (no máximo, pensava que a classificação significaria simplesmente adiar a eliminação). Não achava que fôssemos perder em casa, é verdade. Mas, assim como o Guga, também não fiquei surpreso.

Agora, irritação das grandes me veio quando soube da entrevista pós-jogo de Paulo Odone, que falou da Batalha dos Aflitos como “exemplo” para o Grêmio reverter a situação em Santiago do Chile. (Reverter a situação no Chile? Um time que tem medo de chutar a gol e não terá o ataque titular, vai marcar no mínimo dois gols na casa do adversário? Vou ali falar com o Papai Noel para saber a opinião dele, esperem aí.)

Chega de falar dessa Batalha dos Aflitos! Foi bacana naquela época? Foi sim, por muitos motivos: o Grêmio tinha um time horrível, estava com quatro jogadores a menos, na casa do adversário e com um pênalti contra, eu já me preparava psicologicamente para mais um ano na segunda divisão… Mas acabou ganhando o jogo, quando tudo indicava que perderia.

Só que isso foi em novembro de 2005. E já estamos praticamente em maio de 2011. Ou seja, se passaram cinco anos e meio daquilo. E o que ganhamos desde então? NADA! O Gauchão (conquistado pelo Grêmio em 2006, 2007 e 2010) não pode mais servir de parâmetro para um clube que já conquistou o MUNDO.

Se o Gauchão – competição na qual temos a oportunidade de enfrentarmos nosso tradicional adversário – não pode servir de parâmetro, o que dizer da Série B? Como eu já disse em texto postado aqui em novembro passado (em ocasião do quinto aniversário da Batalha dos Aflitos), aquela partida contra o Náutico só se tornou memorável devido à assombrosa incompetência do Grêmio: primeiro, por não ter conseguido se manter na Série A em 2004; em segundo lugar, por ter deixado de vencer um jogo que já estava ganho contra a Portuguesa em São Paulo – com aqueles dois pontinhos a mais o Tricolor já teria assegurado a classificação uma semana antes da bola rolar nos Aflitos. E vale lembrar que a campanha na Série B de 2005 não foi nenhuma maravilha, com direito a uma humilhante derrota de 4 a 0 para a Anapolina, que considero como um dos dez maiores vexames da história gremista.

Comemorar a Batalha dos Aflitos, e usá-la como exemplo, até considero aceitável nos primeiros anos após aquilo, quando, além dela ser mais recente, o time do Grêmio era bem mais fraco que o de 2011. Agora, por favor, basta disso! Em seus grandes títulos o Tricolor contava com jogadores que não tinham apenas garra (o que considero obrigação de qualquer atleta profissional), como também muita qualidade. Ou será que foi esquecido que o “cangaceiro gremista” Dinho também sabia desarmar muito bem sem precisar fazer a falta? Renato Portaluppi é nosso ídolo-mor não por ter dado trocentos pontapés nas canelas adversárias, mas sim por seu futebol de alta qualidade, simbolizado por aqueles dois golaços contra o Hamburgo. Lembram daquela sensacional sequência de passes que resultou no terceiro gol do Grêmio (marcado por Marcelinho Paraíba) na decisão da Copa do Brasil de 2001? (Que, aliás, foi nossa última conquista de verdade.)

A impressão que tenho, é de que ficou proibido querer que o Grêmio pratique um futebol de qualidade: o importante é (só) ter garra, dar pontapé (mas concordo que às vezes é realmente necessário cometer algumas faltas) e ganhar jogando mal… Como foi na maldita Batalha dos Aflitos. Opa, nem tanto: sem o talento de Anderson, não teríamos vencido aquele jogo (no máximo teríamos empatado em 0 a 0 e nos classificado em 2º lugar). Esse desprezo pela qualidade técnica e valorização do pontapé, que não se via no Grêmio e em sua torcida nos anos 90, me faz lembrar o que aconteceu com o futebol do Uruguai, cuja seleção passou 40 anos sem conseguir chegar às quartas-de-final de uma Copa do Mundo (isso quando as disputava):

No futebol uruguaio, a violência foi filha da decadência. Antes, a garra charrua era o nome da valentia, e não dos pontapés. No Mundial de 50, sem ir mais longe, na célebre final do Maracanã, o Brasil cometeu o dobro de faltas que o Uruguai. (Eduardo Galeano. Futebol ao Sol e à Sombra. Porto Alegre: L&PM, 2002, p. 206.)

————

E, caro leitor, há mais dois textos sobre esse mesmo assunto, que também valem muito a pena serem lidos: o do Igor Natusch no Carta na Manga, e o do Bruno Coelho no Grêmio 1903 e no Tribuna Gremista.

Yuri Gagarin já sabia

Em 12 de abril de 1961, Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a viajar pelo espaço sideral. Lá, ele disse sua famosa frase:

A Terra é azul e eu não vejo nenhum deus daqui de cima.

O Cão Uivador divulga, com exclusividade, o que nenhum veículo de mídia NO MUNDO INTEIRO jamais mostrou: uma foto da Terra tirada por Gagarin naquela histórica viagem.

E o cosmonauta soviético também estava certo, 22 anos e 8 meses antes, quanto a não haver nenhum deus lá em cima

Ronaldinho jamais será Renato

Confesso já estar com nojo desta negociação com Ronaldinho. Fosse eu o presidente do Grêmio, já tinha mandado ele e seu empresário-irmão irem pastar – e já que o negócio é mídia, teria convocado uma coletiva para dizer isso.

Como pessoa, gosto mais de Maradona do que de Pelé, mas ontem o Rei falou muito bem: “se o Ronaldinho ama o Grêmio, podia jogar lá de graça” – em 1974, Pelé abriu mão de receber salários do Santos, que enfrentava crise financeira.

Ora, Ronaldinho é milionário. MILIONÁRIO. Se tem algo que ele não precisa, é receber salário astronômico. Bastaria um acordo para que recebesse parte dos lucros decorrentes das vendas de produtos relacionados a ele, que ganharia muito… Por que essa novela toda?

Tudo isso só mostra que, mesmo que Ronaldinho venha para o Grêmio, não vai ter jeito: por mais que ele marque gols, faça jogadas de efeito… Nunca será um ídolo como Renato.

Pois Ronaldinho foi o melhor do mundo, ganhou muitos títulos. Mas tudo isso longe do Grêmio (onde conquistou só a Copa Sul e o Gauchão, em 1999). Renato foi campeão da América e do Mundo em 1983, jogando pelo Grêmio.

E mesmo que Ronaldinho acabe (se é que virá) conquistando a América e o Mundo pelo Grêmio em 2011 (aliás, boa lembrança: temos uma Libertadores pela frente, importante demais para ficarmos nessa porra de “leilão” por um jogador), jamais ocupará o lugar de quem é, por direito divino (neste caso, derivado de merecimento), o maior de todos no coração dos gremistas.

DÁ-LHE, RENATO!

Meia década

É… Lá se vão cinco anos daquela tarde quente. Maluca. Inesquecível.

26 de novembro de 2005. Milhões de gremistas estavam angustiados diante da televisão. Pênalti contra, sete jogadores contra onze do Náutico, que jogava em casa. Levar o gol significava “morte”, não levá-lo apenas adiaria o inevitável. Afinal, como já foi dito, eram sete gremistas contra onze que ainda por cima tinha mais de 20 mil torcedores a seu favor.

Porém, os sete que enfrentavam onze mais 20 e poucos mil torcedores não vestiam uma camisa qualquer. Era a camisa do GRÊMIO. Não iriam perder o jogo. Não poderiam perder daquele jeito.

E não perderam. Não empataram. GANHARAM.

GANHAMOS, todos nós gremistas, uma lição de vida: a prova de que, realmente, nada é impossível.

Um jogo inesquecível que merece, sim, ser lembrado para sempre.

Porém, é preciso fazer uma ressalva. A Batalha dos Aflitos é uma lição de vida para nós torcedores, porque achávamos que estava tudo perdido. Mas não pode, de forma alguma, ser uma lição de futebol. Tanto que “assino embaixo” dos textos escritos pelo Bruno no Grêmio 1903 e pelo Natusch no Carta na Manga (esse, é do ano passado).

Afinal, o Grêmio só precisou disputar aquele jogo por ter sido incompetente um ano antes, ao não conseguir se manter na Série A. Ou seja, mesmo que tenha sido uma lição de vida, certamente todo gremista preferiria jamais tê-lo disputado. E a dramaticidade se deveu a uma série de fatores:

  • O Grêmio deixou de garantir a vaga antecipadamente por conta de dois jogos contra a Portuguesa: em São Paulo, a partida estava ganha, e acabou 1 a 1; no Olímpico, o 2 a 2 teve sabor de vitória, depois de derrota parcial por 2 a 0 no primeiro tempo. Se tivesse vencido apenas um deles, teria ido aos Aflitos já garantido na Série A;
  • Escalona foi corretamente expulso (sim, foi mão na bola e não bola na mão);
  • O árbitro Djalma Beltrami não “roubou” ao dar aquele pênalti inexistente de Nunes (ali foi bola no braço, e não braço na bola), ele “compensou” um erro cometido minutos antes, quando não marcou a penalidade cometida por Galatto sobre o atacante alvi-rubro Miltinho;
  • Com todos os jogadores partindo para cima do árbitro após a marcação do pênalti (como se ele fosse voltar atrás), tivemos sorte dele ter expulsado apenas Patrício, Nunes e Domingos – além de Escalona, que já levara o vermelho: mais um, o jogo acabaria e o Grêmio certamente perderia no STJD;
  • Se dependesse da vontade de muitos dirigentes e torcedores gremistas naquela hora (inclusive a minha), não teria acontecido nada daquilo que nos emociona só de lembrar, pois o Grêmio teria abandonado o jogo para impedir que o pênalti fosse cobrado, o que resultaria em derrota por WO e possivelmente uma punição por parte da CBF, que levaria o Tricolor para a Série C. Temos de agradecer (e muito!) a Renato Moreira, que alertou o presidente Paulo Odone sobre isso.

Sem contar que aquele jogo deixou mal-acostumados muitos gremistas – principalmente os mais novos, que não viram os grandes times do passado – que chegam ao ponto de achar que basta ter garra para conquistar títulos. Ora, se desde 2005 o que o Grêmio ganhou foram apenas três estaduais (2006, 2007 e 2010), é sinal de que não basta garra, é preciso qualidade técnica: pois foi isso que faltou na Libertadores de 2007 (aquele time foi sem dúvida um dos mais raçudos que já vi, mas fraco) e também no Campeonato Brasileiro de 2008.

Mesmo que o Grêmio tenha tradição de jogadores raçudos, não podemos esquecer que a qualidade técnica também teve muita importância nas grandes conquistas do Tricolor. Foram lances de puro talento de Renato Portaluppi que nos levaram ao título mundial de 1983; Dinho, o “cangaceiro gremista” de 1995-1997, sabia desarmar adversários sem fazer falta; se Jardel não sabia jogar com o pé mas fazia muitos gols, isso se devia à grande qualidade dos cruzamentos de Arce, Roger e Paulo Nunes, fundamentais para levantarmos a Libertadores de 1995; na atualidade, como negar a importância de Douglas na reação do Grêmio neste Brasileirão?

E podemos até voltar à Batalha dos Aflitos. Ganhamos o jogo “na raça”, mas também graças ao talento de Anderson – que chamamos de “Andershow” justamente por conta disso.

Presente melhor, não podia haver

No dia em que o Grêmio completa seus 107 anos, nada melhor do que um jogo como o de hoje à noite.

Grêmio x Palmeiras, Renato x Felipão. Renato e Felipão na mesma noite, no Estádio Olímpico. Dois personagens históricos do Tricolor, numa partida que faz relembrar aqueles inesquecíveis confrontos dos anos 90 entre Grêmio e Palmeiras. Época em que os dois clubes encontraram-se várias vezes em mata-matas, com direito a muitas brigas.

O primeiro confronto foi pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de 1990. No jogo da ida, em São Paulo, 1 a 0 para o Palmeiras. Mas no Olímpico, o Grêmio fez 2 a 0 e se classificou para a semifinal.

Na Copa do Brasil de 1993, Grêmio e Palmeiras se enfrentaram nas quartas-de-final. Dois empates em 1 a 1, em São Paulo e em Porto Alegre; nos pênaltis, 7 a 6 para o Grêmio, classificado.

A primeira briga aconteceu pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil de 1995. No jogo da ida, 1 a 1 no Olímpico. Uma semana depois, no Parque Antarctica, o Grêmio chegou a fazer 2 a 0 no primeiro tempo, mas ainda na etapa inicial, após confusão, teve três jogadores expulsos (Dinho, Arílson e Luís Carlos Goiano), ficando com dois homens a menos (o palmeirense Mancuso também levara o vermelho). Acabou cedendo o empate em 2 a 2, resultado que classificou o Tricolor por ter marcado mais gols fora de casa.

Três meses depois, pela Libertadores, novo confronto. E nova briga. Na partida de ida, disputada no Olímpico, 5 a 0 para o Grêmio e uma confusão que deixou o jogo parado por 15 minutos – foi a famosa voadora de Dinho sobre Válber. Uma semana depois, no Parque Antarctica, o que parecia resolvido tornou-se dramático: 5 a 1 para o Palmeiras, e por pouco o Tricolor não perdeu a vaga.

Pela Copa do Brasil de 1996, Grêmio e Palmeiras se encontraram na semifinal. O primeiro jogo foi em São Paulo, e deu Porco: 3 a 1. A missão do Grêmio no Olímpico ficou complicada: precisaria fazer 2 a 0, ou vencer por três gols de diferença, para se classificar. O Palmeiras saiu na frente, mas o Tricolor virou para 2 a 1, resultado insuficiente para obter a vaga na final; não fosse o gol legal de Jardel anulado no final, acabaria 3 a 1 e a definição seria nos pênaltis. Resultado: nova confusão.

Meses mais tarde, mais uma vez, Grêmio e Palmeiras se viram frente a frente num mata-mata: eram as quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. Como a melhor campanha era do Palmeiras, o primeiro jogo foi em Porto Alegre, e o segundo em São Paulo. No Olímpico, 3 a 1 para o Tricolor, de virada. A partida da volta, disputada no Morumbi, foi dramática em seus minutos finais, quando o Palmeiras fez 1 a 0; mais um gol daria a vaga ao Porco. Mas o Grêmio segurou, e seguiu em frente para conquistar seu segundo título brasileiro. Nestas partidas, incrivelmente, não houve nenhuma briga.

Desde então, nunca mais Grêmio e Palmeiras se enfrentaram em um mata-mata.