O grande erro político de Hugo Chávez

Algo que já disse várias vezes, e que novamente repito: a aprovação pelo povo venezuelano da reeleição ilimitada em referendo realizado em fevereiro de 2009 foi uma aparente vitória do presidente Hugo Chávez, que ganhou o direito de se candidatar novamente à presidência em 2012. Assim aconteceu, e em outubro passado, os venezuelanos deram mais um mandato a Chávez.

O fato da vitória ser “aparente” ficou claro quando Hugo Chávez anunciou que tinha câncer, em junho de 2011. Não tivesse se empenhado tanto em mudar a constituição para poder se reeleger mais vezes (inclusive alcançado tal objetivo), Chávez teria forçado seu partido, o PSUV, a formar novas lideranças em condições de dar continuidade a seu projeto político – e isso já teria começado bem antes de 2011.

Resultado: o povo não votava em um projeto político, e sim, no líder que encarnava uma espécie de “salvador da pátria”. Prova disso é que Nicolás Maduro, o candidato indicado por Chávez (apenas em dezembro de 2012), venceu, mas por uma margem muito pequena, inferior a 2%. A expressiva votação do oposicionista Henrique Capriles assanhou a oposição, que solicitou auditoria dos votos (pedido prontamente aceito por Maduro) e recusa-se a aceitar a vitória do candidato governista, o que pode resultar inclusive em violência nas ruas, dado o histórico da direita venezuelana.

Ou seja, das urnas emerge uma Venezuela praticamente dividida ao meio. A eleição de Maduro mostra que um chavismo sem Hugo Chávez não é impossível (afinal, vitória apertada não deixa de ser vitória), mas é muito mais fraco na ausência de seu líder. Justamente por ser um projeto político extremamente vinculado a Chávez.

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Pedra cantada há quatro anos

Porém, como ninguém está livre de nada, e se acontecer algum problema que impeça Hugo Chávez de continuar, quem o substituirá? Não há a preocupação de se lançar novas lideranças dentro do próprio partido de Chávez, que possam sucedê-lo sem dificuldades.

Escrevi o parágrafo acima em fevereiro de 2009, quando os venezuelanos aprovaram, em referendo, o fim do limite de reeleições consecutivas para cargos executivos. Foi, aparentemente, uma vitória do presidente Hugo Chávez.

Ao contrário do que os ingênuos acreditam, a medida não beneficiou apenas Chávez: a mudança foi na constituição, ou seja, todos os ocupantes de cargos executivos na Venezuela podem concorrer indefinidamente à reeleição. Logo, prefeitos e governadores oposicionistas também se deram bem.

Mas o principal motivo pelo qual a vitória foi aparente, agora é entendido – embora não sem aviso, como prova o texto de quatro anos atrás. Antes da emenda constitucional ser aprovada, Chávez não poderia ser candidato à presidência em 2012. Desta forma, seu partido precisaria se preocupar em formar novas lideranças em condições de dar continuidade a seu projeto político – o que seria ótimo para o chavismo, que deixaria de ser vinculado apenas a Chávez.

Não foi o que aconteceu: com Chávez podendo concorrer indefinidamente, a possibilidade dele não ter condições de continuar na presidência acaba gerando uma grande incerteza na Venezuela. Caso a emenda não tivesse sido aprovada em 2009, na próxima quinta-feira um novo presidente (provavelmente vinculado ao chavismo) seria empossado em situação que, embora não de normalidade (afinal, Chávez estaria ausente da cerimônia de transmissão do cargo devido às suas condições de saúde), seria bem mais tranquila em termos políticos.

Santiago resume a campanha eleitoral

Pelo menos, dos principais candidatos à prefeitura de Porto Alegre… Conforme já tinha dito, Fortunati não enfrentou uma oposição de verdade, a não ser se falarmos de candidatos pouco votados. Ficou fácil demais para o atual prefeito.

Câncer de Chávez é ameaça a seu projeto político

O que era rumor, se confirmou ontem. O presidente venezuelano Hugo Chávez, em pronunciamento à TeleSur, admitiu estar combatendo um câncer.

Mesmo estando em Cuba para o tratamento de saúde, Hugo Chávez não transmitiu interinamente o cargo ao vice-presidente Elias Jaua, gerando protestos da oposição. Chávez diz estar acompanhando e liderando as questões políticas na Venezuela.

Em fevereiro de 2009, logo que a população venezuelana aprovou em referendo a reeleição ilimitada para cargos executivos, escrevi sobre o assunto, defendendo que, ao contrário do que muitos apoiadores pensam, tal medida era prejudicial a seu projeto político. Pois este é vinculado a apenas a uma pessoa, o próprio Hugo Chávez, não havendo a preocupação em se formar novas lideranças dentro de seu partido – e com o fim do limite de reeleições, se passou a pensar menos ainda em alguém que possa suceder Chávez sem dificuldades caso ele não possa mais ser o presidente.

Pois tal situação parece mais próxima: embora Chávez diga que o tratamento do câncer esteja evoluindo bem, sabemos como tal doença é traiçoeira, muitas vezes voltando quando se acredita estar livre dela. E a próxima eleição presidencial na Venezuela ocorrerá no final do próximo ano… Chávez terá condições de continuar?

Venezuela: reeleição ilimitada não é boa idéia

No último domingo, os venezuelanos aprovaram em referendo emenda constitucional que acaba com o limite para reeleições a cargos executivos (presidente, governadores e prefeitos). Logo, Hugo Chávez poderá concorrer mais uma vez à presidência em 2012. Mas a medida também beneficia governadores e prefeitos opositores, que poderão manter seus cargos indefinidamente.

Ao contrário do que pode parecer, a reeleição ilimitada é péssima para o projeto político de Chávez – ainda mais pelo fato de tal projeto ser vinculado a apenas uma pessoa, o próprio Chávez. Nunca estive na Venezuela, mas me baseio no que falou o Eduardo Guimarães, que já esteve lá mais de uma vez.

Hugo Chávez simplesmente não tem quem o substitua na presidência da Venezuela, ainda mais no atual contexto de forte polarização entre elite e povo. Como disse o Eduardo, “O problema, ali, é o seguinte: se não tiver um Chávez vão ter que inventar um, porque o povo está de cabeça quente. Chávez fala grosso porque o povão, aquela imensidão de gente, quer que ele fale grosso.“.

O governo de Hugo Chávez deu assistência mínima à população mais pobre, fazendo com que esta passasse a “não mais ser invisível”. E, principalmente, deixa bem claro que está ao lado dos pobres, ao contrário dos governos anteriores.

Com a reeleição ilimitada, Chávez certamente será candidato em 2012, e depois em 2018, já que mais de uma vez disse que “para consolidar a Revolução Bolivariana” precisaria ficar no governo pelo menos até 2020.

Porém, como ninguém está livre de nada, e se acontecer algum problema que impeça Hugo Chávez de continuar, quem o substituirá? Não há a preocupação de se lançar novas lideranças dentro do próprio partido de Chávez, que possam sucedê-lo sem dificuldades.

E agora que Chávez pode se candidatar à reeleição quantas vezes quiser, provavelmente se pensará ainda menos em alguém que possa dar continuidade a seu projeto a partir do momento em que ele não puder mais ser o presidente.